How Will I Know? We Always Know.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Queria me desculpar pela demora, também e dizer que esse é o último capítulo. Penso que ficou mais como um final alternativo para a última temporada.
Finn quase não acreditou quando viu quem respondera. Sim, era disso que ele precisava. Deu um pulo da cama, tropeçando em seus próprios pés. Levantou rapidamente pegando seu notebook para ler a mensagem. Era ela.
- Rachel, minha pequena – disse abrindo o email.
“Finn,
Aquela noite a lua foi só nossa e, depois de tanto tempo, nunca mais apareceu. Como me lembro... lembro como se a única lembrança de toda minha vida fosse aquela. Há uns dias atrás, cheguei a pensar que você estava fora de si, as pessoas fora delas, eu fora de mim. Ninguém seria digno de ver a lua. Ninguém a viu, ela não se mostrou. Será tão eterno quanto o não encontro das paralelas? Será que nada nos manterá juntos? Nem a vida, nem o destino? Nada nos ajuda, nem nós mesmos nos ajudamos. Mas o que vale entre tudo que já vivemos, é que -um dia- nos amamos, e amamos, e amaremos.
No dia em que a falta preenchia o vazio, fui à procura das nuvens que não pesavam, mas passavam e fizeram tudo passar. Toda vez que algo nos faltar, o invisível nos salta os olhos. E depois de saltar os olhos com tudo àquilo que faltava, o todo passou a ser (novamente) uma coisa só. Eu precisava escutar as pessoas. Você precisava de alguém que soubesse escutar. Era perfeita simetria e, hoje, sinto nostalgia.
Talvez esteja difícil de entender isso tudo. Não sei nem se eu mesma entendo. Sabe, imagine uma gangorra. Quando utilizada do jeito certo, ela sobe e desce, cheia de oscilações, mas mesmo assim não deixa de ser divertido, as crianças continuam gostando. Sentem-se bem em ir à praia, pisar na areia, sentir tudo aquilo e ainda brincar. Ou ainda ir ao parque, sentir o vento bater, sentir o vento da subida e da descida, sentir-se livre. Mas nada funciona se elas forem sozinhas. Creio que as pessoas possam se virar muito bem sozinhas, mas nem todas as vezes. Toda bossa é nova e você não liga se é usada.
O tempo, Finn, o tempo. É necessário e nosso melhor amigo. Eu prezo o tempo, o respeito e sigo seus pezares. E quanto a mim, a sinceridade é fundamental. Amar e dar a amar, sim, mas tem que ser fazendo fé. Amor mesmo vai além do abraço, do imediatismo do refúgio, do sorriso sem orgânico. Amor vem do útero ancestral, imaterial, ilógico. Amor pulsa, transborda, é necessidade e urgência, e vai além de lobbys, contratos comerciais e armadilhas burocráticas. O amor não se oferece, dá. Não se promete, cumpre. Amor não se paga, se deve.
Com amor,
Rachel”
Finn achou que poderia explodir com o email. Não sabia por onde começar, mas sabia exatamente o que fazer. Ele entendeu o recado de Rachel. Nesse momento, não importava mais o que ela queria dizer. A frase “O amor não se oferece, dá. Não se promete, cumpre” não saía de sua cabeça.
Correu pela casa atrás de Kurt, mas percebeu que estava sozinho. Resolveu ligar para o irmão.
- Oi, Finn!
- Kurt, ela me respondeu! Ela me respondeu! E falou de amor e, Rachel sempre foi meio confusa, mas acho que... – Kurt o interrompeu.
- Você já sabe o que fazer! Boa sorte, grandão! – e desligou a ligação.
É, Finn sabia o que fazer. Pegou novamente seu notebook, pesquisou algumas coisas que achava importante e fez alguns telefonemas. Resolveu ligar para Rachel... sem sucesso, ela não o atendera. Achou que era melhor responder o email e foi o que fez. Fechou o notebook, pegou a chave do carro e saiu de casa.
Mas, para onde ele estaria indo?
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Rachel ouviu seu telefone tocando, mas estava no banho, logo em seguida o mesmo anunciava a chegada de um novo email. Agilizou o término de seu banho, na esperança de ser uma resposta de Finn. Esperança... era a palavra certa para o momento.
O celular chegou a cair de sua mão quando viu de quem era a ligação. Por impulso, retornou, mas caiu na caixa de mensagens. Resolveu abrir o email.
“Minha pequena,
Sei que mil explicações ainda são poucas comparado ao que te devo, por isso te liguei hoje, por isso preciso muito conversar com você. Não para resolver qualquer pensamento absurdo que passe por sua cabeça (e sei que eles passam, sua mente viaja e sei o turbilhão de não dizeres que te assombram), mas para acalmar teu coração que anda tão angustiado. Não chuto isso como uma hipótese, mas como certeza, sem achismos... meu coração não me engana quando o assunto é o seu. Entendo porque você não me atendeu, sei que não é por maldade, muito menos por desamor, é pela existência dele que há essa rejeição e eu já esperava por isso. E, te conhecendo do jeito que só eu conheço, sua cabeça tem a mais absoluta certeza de um novo capítulo pela frente, enquanto seu coração procura finais alternativos e eu me sinto o pior homem do mundo em ter sido o causador dessa situação na MELHOR pessoa que já havia conhecido. Você tem uma inteligência, criatividade e talento invejáveis à qualquer ser humano consciente! Habilidades e educação que provém de uma família linda!
Minha eterna amora, preciso apenas que você fique bem e espere um pouco, para que eu possa ficar, finalmente, da mesma forma! Não que fosse amor de menos, pelo contrário, acho que era amor demais... de minha parte! Eu sufoco... e acabo perdendo o foco, então preciso redirecionar meus caminhos e seguir aquele que tiver mais coração. Seja como for, continuo gostando muito de você — da mesma forma -, você está quase sempre perto de mim, quase sempre presente em memórias, lembranças, histórias que conto às vezes. Penso em você principalmente como a minha possibilidade de paz — a única que pintou até agora nesta minha vida de retinas fatigadas. E te espero. E te curto todos os dias. E te gosto. Muito.
A verdade é simples, Rach, e está diante de nós, o tempo é que se encarrega de desenrolar os caminhos. Tentaram me fazer acreditar que sonhos estão fora de moda. A torneira seca? Pior: a falta de sede. A luz apagada? Pior: o gosto do escuro. A porta fechada? Pior: a chave por dentro. Coisas que eu sei, eu adivinho sem ninguém ter me contado.
Seu Finn.”
Rachel chorava, emocionada, com o que acabara de ler. Esse, de fato, era “seu Finn”. Verdades são ásperas, mas estão aí para serem aceitas, e jamais questionadas. Algumas dúvidas ainda rodeavam sua cabeça, mas tinha certeza de quem seria capaz de respondê-las. Pegou seu celular e discou o número de Kurt.
- RACHEL BERRY, COMO VOCÊ FOI CAPAZ DE ME DEIXAR TODOS ESSES DIAS SEM NOTÍCIAS?
- Kurt, como sinto sua falta! – Rachel ria, divertida com o escândalo do amigo.
- Bom, primeiramente, você está bem?
- Sim! Na medida do possível. Minhas aulas começam na próxima semana, estou me acostumando a dormir sozinha, mas aproveitando para conhecer mais a cidade.
- Certo. Foi sincera. Sei que não me ligou para conversar e nem precisa me dizer para o que foi...
- Eu te amo, Kurt, agora me diga, o que está acontecendo com Finn? Não entendo...
- Entende sim! Olha, serei sincero, falei para ele que ele precisava colocar a cabeça dele no lugar. De repente ele começou a escrever emails, fazer pesquisas na internet e, não sei exatamente o que resolveu fazer, porque saí há algumas horas de casa e... – foi interrompido por Rachel.
- Um segundo, Kurt, o interfone está tocando.
Rachel achou estranho, quem poderia ser? Talvez os vizinhos do andar de baixo, eles foram muito atenciosos e até a ajudaram com a mudança.
- Senhorita Berry? Parece que seus pais mandaram algumas coisas suas e... tem um rapaz aqui para entregar. Posso deixá-lo subir?
- Sim! Obrigada, Durval!
Achou estranho, seus pais não a avisaram que mandariam algo, mas estava dando falta de alguns de seus pertences e concordou com a atitude.
- Kurt? Desculpa a demora, mas parece que meus pais mandaram algumas coisas minhas e um rapaz está subindo com elas, então... daqui a pouco te ligo, ok? Quero terminar essa conversa!
- Seus pais? Ahn... ok. Me ligue com novidades! Beijos, pequena Barbra. – Kurt já havia entendido o recado.
- Beijos!
A campainha tocou e Rachel não pôde crer em seus olhos ao abrir a porta. Era ele. Finn, suas covinhas, malas e um jornal.
- Sabe – disse ele – estava conversando com Burt e ele me disse que estavam precisando de uma oficina nesta cidade. Pensei que, como você é a única pessoa que conheço aqui, poderia me ajudar a achar um lugar bacana para isso!
Rachel se jogou nos braços dele, distribuindo tapas para todos os lados. Mas ela sabia. Sabia o que se passava na cabeça de Finn e, por um momento, se xingou por não ter pensado que ele seria capaz de fazer aquilo.
- Escuta aqui, Hudson, a próxima vez que você fizer isso...- Finn a interrompeu com um beijo.
- Vamos pular, pelo menos desta vez, a parte da briga? Teremos muito trabalho antes de começar suas aulas, mas agora, tenho muita saudade e quero arrancar isso de mim!
Rachel não precisou dizer nada. Puxou o grandão para dentro do apartamento e o beijou. Dessa vez, era definitivo. Ter seu amor tão decidido bem à sua frente a preencheu completamente.
Finn e Rachel teriam um futuro brilhante naquela cidade.
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