How To Save Two Lives
22 Capitulo 21: Prince Arthur
Notas iniciais
"Falo de histórias que começam
Onde alguns deixarão o seu sangue
Onde jovens se tornam grandes demais
E as palavras param no tempo”
— Prince Arthur (Coeur de Pirate)
~~X~~
Anna demorou um bom tempo para se dar conta do que acontecia.
Em um momento sua irmã estava dançando com o desprezível senhor Rodich e no outro ele havia largado a rainha de repente e aumentava a voz, de forma que a voz grave ecoava pelas paredes e dominava o espaço.
— Quer dizer que a rainha se nega a fazer o melhor para seu povo. — todos pararam para olhar o que acontecia no centro do salão.
Rodich a encarou com olhos de aço e Elsa já não podia conter sua fúria, pequenos flocos de neve já começavam a cair de sua mão para o chão, mas fora isso tudo parecia normal. Elsa se refez, não era pela magia que deveria esconder e não sentir, mas pela sua posição.
— Não creio que meu povo se preocupe de verdade com meu estado cívil, sir Rodich e sim com aquilo que lhes dou, segurança e garantia de uma vida cômoda.
Ele riu alto enquanto um jovem de cabelos ruivos tomava a frente e entregava um papel para o lorde.
— De acordo com este documento — ele falou, pegando a todos de surpresa, nunca houvera um documento — Ficou acordado com vossa graça de que, em caso de não cumprimento do acordo, o trono de Arendelle passa, da rainha, para um representante escolhido pelo conselho.
— Esse documento nunca existiu — proclamou Brienne se aproximando com os olhos ardendo de raiva.
— E quem o conselho escolhe? — perguntou Elsa, erguendo uma mão para evitar que a jovem atacasse.
— Principe Manfred das Ilhas do Sul.
Ela deu alguns passos a frente e tomou o papel das mãos do Lorde. — Eu espero que meu povo possa me perdoar — ela falou enquanto segurava o centro do papel com as duas mãos — Mas eu não posso permitir isso — completou com os olhos frios enquanto o papel congelava em suas mãos e então explodiu em diversos pedaços perante todos naquela sala.
— Eu não teria feito isso minha rainha — proclamou o príncipe enquanto erguia as mãos — Como um documento legal e assinado pela maioria do conselho, Arendelle pertence a mim.
Foi então que tudo se passou rápido demais, Anna só se viu sendo empurrada para fora por Kristoff, enquanto lá dentro os guardas atacavam todos que se mostrassem contra a rainha e gelo crescia por todo o salão. Logo era possível ouvir o retinir de espadas lá dentro.
— Eu tenho que ir — falou ela, mas uma tontura a atacou naquele exato momento, a atirando nos braços do marido.
— Você está fraca, acordou mal — ele disse acariciando os cabelos perfeitamente preso — Não pode ir lá.
— É a minha irmã, Kris! — ela rebateu, ainda se apoiando nos braços dele — E todos que tenho, eu não posso deixa-los.
— Eu sei — ele respondeu a abraçando — Eles também são minha família, mas se eu perder você eu não vou me perdoar — ele sussurrou contra os fios de cobre — Confia em mim, eu te amo.
Ela observou ele se afastar e passar pela grandes portas e o coração pesou, agora todos que ela amava estavam em perigo e ela prometera não fazer nada.
~~X~~
Quando Manfred terminou a frase, Brienne conseguiu ouvir o som do aço contra o couro. Os guardas estavam prontos para a luta, mas não era certo de que lado estavam.
O primeiro choque fora o mais difícil, laminas contra laminas, por sorte o consenso geral evitou as armas de fogo.
Os guardas pareciam querer evitar a confusão a todo custo, mas não tinham qualquer intenção de ferir alguém.
Os guardas avançaram primeiro para Elsa que se defendeu sem grandes problemas com uma parede grossa de gelo, mas as estocas insistentes fizeram aquela barreira se desfazer em granizos que voaram pela sala.
O guarda que começara o ataque, dera um paço com a espada em riste, mas a britânica logo se adiantou, aparando o golpe com sua própria arma.
E então o borrão da batalha a cegou, enquanto se defendia dos ataques de seus adversários. Sabia que uma quantidade maior de guardas havia se postado em defesa da rainha legitima, mas os guardas que se postaram em defesa de Manfred, tinham o apoio dos guardas ilhéus.
O choque de laminas contra laminas e laminas contra gelo retiniu por longos segundos no enorme salão. Algumas pessoas corriam desesperadas procurando um local para se esconder, enquanto Elsa tentava proteger as crianças, os velhos e algumas mulheres para que saíssem com segurança. Os homens e outras mulheres, por outro lado, tomaram suas posições para ajudar a proteger os mais indefesos. Alguns eram pouco mais do que garotos que nunca tinham realmente lutado, mesmo alguns dos mais velhos nunca tinham lutado, afinal Arendelle não era a Inglaterra e sim um local pacífico mais ao norte.
Um momento de distração, Brienne achara que tinha se livrado de todos os seus adversários e parar para recuperar o fôlego e ver como as coisas andavam. Claro que jamais faria aquilo em batalha, mas não haviam tiros tão pouco cavalos, não era uma batalha de verdade. Pensou consigo mesma, era apenas uma briga, uma briga feia contra uma injustiça séria, mas não mais que uma briga.
Foi com esse pensamento que se defendeu de um soldado com farda ilhéu que a atacou pelas costas e do outro que aproveitou a coragem do amigo, um rapaz jovem e sem experiência que não precisava da sua atenção, mas o covarde que a atacara primeiro era mais duro e logo se viu envolvida pela batalha novamente.
Tentou encontrar Elsa com o canto do olho quando a temperatura baixou, mas não consegui. Por outro lado, uma mancha loira passara voando em seu campo de visão, não tinha jeito para a luta, mas golpeava ferozmente como podia, não havia dúvidas de quem era, mas a esposa dele não se encontrava por perto.
— Kristoff — chamou — Onde está Anna? — perguntou sem esperar resposta, a batalha não era um local para conversas e seus oponentes perceberam a distração e atacaram com mais força.
Ela não chegou a ouvir a resposta. O baque de uma arma contra a cabeça fora muito forte e acabara por cair ali mesmo no centro do salão.
~~X~~
Acordou com uma terrível dor de cabeça e abriu os olhos piscando para se adaptar ao pequeno e estreito fio de luz que entrava no local.
Em algum local do recinto ouviu duas vozes que conversavam em tom baixo e pareciam estar em uma discussão bastante acalorada.
— Ela não tem condições de sair daqui — disse a voz feminina, levemente familiar — Ainda está desacordada.
— Manfred está procurando por ela — respondeu uma outra voz, dessa vez grossa e masculina — Sabe o que vai acontecer se ele a encontrar.
— Mas não há o que eu possa fazer — respondeu ela com apreensão na voz — Eu não posso sair daqui e deixa-la à mercê.
— Eu também estou de mãos atadadas — respondeu ele e depois de uma expiração profunda disse — Eu vou dar um jeito de trazer um médico confiável para, mas não garanto nada. Todos estão com medo dele e não vão dar um passo fora da linha.
— Obrigada! — respondeu com a voz frágil, mostrando agradecimento — E boa sorte.
A segunda voz não respondeu e em seguida uma porta se bateu muito a frente, possivelmente em outro cômodo.
O olhos ainda estavam meio turvos por conta do sono prolongado e tudo que pode ver era um vulto de laranja se aproximando da cama onde estava deitada, mas não se aproximava com grande rapidez e sim num passo hesitante e lento, mas por algum motivo, aquilo não a acalmava, apenas a deixava mais assustada.
— Não se aproxime mais — se levantou em um salto, se sentindo tonta com o movimento repentino.
— Aclame-se — falou a voz suave e feminina — Deite-se, você não esta bem.
Levou um tempo até perceber que a pessoa tateava o chão com o pé enquanto tentava coloca-la deitada de novo.
— Freya? — perguntou com um tom envergonhado na voz — Ah, eu sinto tanto — falou abraçando o corpo magro e esfregando os olhos cheios de remela ainda molhada que impediam-na de ver direito.
— Não tem problema — respondeu a cega, mas não usava a venda deixando os olhos de um verde esbranquiçado a mostra.
— Onde estão os outros? — perguntou um pouco incerta.
— No castelo — respondeu ela — Manfred armou uma cilada, você foi a única pessoa da realeza que escapou.
— Mas eles estão mortos? — perguntou — Kristoff? Minha…
— Estão todos bem — respondeu erguendo a mão e tateando o ar como se quisesse coloca-la sobre o ombro da mais jovem. — Alvan jurou que sim. Sua irmã está presa em uma cela especial e seu marido está nas masmorras — respondeu — Se quiser mais detalhes.
Ela ficou séria encarando o chão por algum tempo, apenas as respirações ecoando no espaço silencioso.
— Eu posso fazer uma pergunta — perguntou a princesa local com certa incerteza — Só para ter certeza que não estou cometendo qualquer erro — ela pareceu engasgar — de novo.
— Eu estou do lado em que Manfred me mataria se me pegasse — respondeu ela com um sorriso simples nos lábios — Ana, ninguém nas Ilhas apoia Manfred. Acredite em mim, o que ele tem aqui é tudo. — ela fez uma pausa — Rayne não vai deixa-lo fazer nada mais.
~~X~~
Uma semana havia se passado desde que Manfred tomara o controle e Arendelle estava em um caos. Elsa podia ver isso de sua janela, a mesma cela onde Hans a havia prendido da primeira vez com a diferença de que, dessa vez, não estava congelada. Mas ao seu lado ainda havia a mesma cama desconfortavel e a janela que deixava passar pouco mais que um fio de luz do sol.
No primeiro momento se perguntou quem mais estava naquela conspiração, podia, sim, esperar isso de Manfred ou do conde Rodich, mas havia pessoas das quais não podia desconfiar como Freya ou a rainha Wanda, mesmo assim, nos primeiros dias de seu cárcere, se perguntou se isso não era um plano complexo desde o principio.
— Sei o que está pensando, minha bela rainha — falou uma voz arrastada.
Elsa se virou para encarar seu visitante indesejado e um repentino enjoou tomou conta de si. Manfred havia entrado sem fazer qualquer barulho e agora se encostava no batente da porta com os braços cruzados em os olhos brilhando com malícia.
— Mas, se isso alivia sua doce cabecinha loira, minha irmã e minha mãe nunca tiveram nada com esse meu plano. — ele fez uma pausa, retirando uma caixinha pequena do bolso da calça e de lá tirou um cigarro que acendeu e tragou antes de voltar a falar — Apenas meus irmãos sabiam o que iria acontecer. Se quer saber, agora sinto que posso me abrir com você.
Mais uma pausa foi dada, enquanto ele levava o cigarro fino aos lábios mais uma vez.
— Era um plano fácil. Hans apenas tinha que vir aqui e faze-la se apaixonar — ele fez uma pausa analisando o rosto pálido da rainha.
Elsa havia tentado disfarçar todos os sentimentos que passaram por sua cabeça, mas sem muito sucesso. Naquele momento, ela se sentiu traída, mesmo que aquilo tivesse acontecido há tantos meses e já houvesse perdoado Hans, mas a verdade é que ainda guardava um pouco de rancor, nunca poderia perdoar alguém que magoara sua irmã mais nova.
Ela se moveu incomodada, sabendo que ele percebia todos aqueles pensamentos.
— Veja que é um plano fácil — ele se aproximou mais, mas ainda mantendo uma distancia considerável — Com um pouco de esforço ele já conseguiu, não é mesmo?
A pergunta a pegou desprevenida, sabia que não podia esconder, já havia se pego pensando em tudo que acontecera, mas não esperava que fosse Manfred quem notasse.
Ele deu uma risada animada, antes de continuar sua fala.
— Não fique assim — ele continuou se aproximando — Tenho certeza que achara uma forma de manter seu trono — ele se aproximou mais um pouco, colocando os dedos amarelados pelo fumo na face pálida da jovem rainha — Talvez até ache alguém novo.
O sorriso que surgiu nos lábios finos fez com a que a rainha franzisse o nariz, tanto por nojo de sua insinuação como por conta do cheiro forte que ele exalava.
— O que você fez com Hans? — perguntou, deixando de lado toda ansia e todo o desgosto para com aquele homem a sua frente.
— Eu?! O que eu fiz com Hans? — ele perguntou para ela com escárnio, apontando para o peito com os dedos — O que ele fez, é o que devia perguntar — ele fez mais uma pausa para contemplar a confusão que se estampou no rosto da rainha de gelo — Afinal, foi ele que dormiu com você e ele que te convenceu a desistir do casamento. — ele tentou falar, mas as palavras ficaram presas na garganta, havia, realmente, achado estranho Hans ter ido embora logo depois, mas nunca suspeitara disso e agora se sentia cada vez mais enganada — Foi ele quem me entregou o plano, assim como planejado e agora foi buscar reforços — ele parou com o nariz a centímetros do dela e enão falou — Logo, Arendelle será minha e você irá apodrecer nessa cadeia, vossa graça.
A porta fez um baque alto quando bateu no batente devido a força que o principe empregara na passada.
Elsa se deixou cair no chão, não queria chorar, mas os pequenos cristais de gelo cairam de seus olhos sem pedir, estaria mentindo se dissesse que não havia tristeza naquelas lágrimas, mas isso era pouco próximo ao sentimento de traição e a raiva que transbordavam em seu peito. Ela se concentrou em suas mãos, sabia que poderia se libertar se fizesse tudo certo.
~~X~~
“Os meses se passaram, ela caiu
Enquanto ele desaparecia
Os olhos com água, dentes serrados
Longe da vida que ela deixou”
— Prince Arthur (Coeur de Pirate)
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