Aproximou-se do local da explosão e esperou até que achasse que fosse seguro olhar o interior do caldeirão. Apreensivo, fitou os olhos vívidos e róseos que pareciam ainda mais brilhantes e aconchegantes ao observar o conteúdo. Uma espécie de criatura de nenhuma espécie conhecida parecia hibernar dentro de algo que parecia ser um embrião em tamanho aumentado. A cabeça ligeiramente maior que o corpo, e a posição em que estava fazia-o parecer a coisa mais fascinante que Noah já havia visto em toda a sua vida. Parecia um pequeno bebê se desenvolvendo no ventre de sua mãe. Pegou o envoltório citoplasmático cuidadosamente e o colocou dentro de uma espécie de incubadora, ligando a ele vários eletrodos, luz artificial e o termostato. As condições estavam perfeitas até mesmo para um embrião humano se desenvolver. Sentia agora uma mistura de ansiedade, alegria e dever cumprido. Ao final daquele dia, sentia-se dominado novamente pelo cansaço e, contra a sua vontade, resolveu ir se deitar, ansioso pelo resultado da experiência. Enquanto dormia, foi atormentado novamente com terríveis pesadelos, que só não continuaram a corroê-lo por dentro graças aos ruídos que foram escutados no meio da noite.
Assustado, devido aos pesadelos e aos sons estranhos, Noah se levanta rapidamente e dirige-se à sala de experimentos, onde se encontrava sua mais recente experiência, e única prioridade naquele momento. Chegando à porta, observa pela fresta o que estava acontecendo. Não vê nada além dos eletrodos soltos, a porta da câmara incubadora aberta e pequenas marcas de trinco em torno dela. Preocupado , corre em direção à ela, em busca de sinais da prole. Mas não havia nada dentro dela. Olha ao redor e também não consegue visualizar nada além dos mesmos frascos de poções e livros. O desespero toma conta de seu coração por alguns segundos e se agrava ainda mais ao sentir algo pegajoso e gelado subindo por seus pés. Sem saber como reagir, chuta a escrivaninha para tentar se livrar daquela gosma, mas acaba machucando a si mesmo, pois ela salta bem diante dos seus olhos. Caído no chão e resmungando de dor pelo pé ferido, Noah, surpreende-se ao ver a gosma que lhe proporcionou o ferimento parar bem diante de si e começar a tomar forma. Logo, aquele líquido de estranha aparência começa a aglomerar-se e toma a forma de uma pequena e cativante criaturinha gelatinosa. Qualquer um que olhasse para aquele que parecia ser feito de ectoplasma violeta-cintilante e com pequenos minérios e organelas à mostra e espalhados pelo corpo, certamente teria uma certa dose de repugnância. Mas para o alquimista aquilo era como uma experiência bem-sucedida, e realmente era. Tomou a criatura em suas mãos e ficou comovido ao notar que ela a olhava com o mesmo olhar tênue e brando que ele. A partir daquela noite, nenhum dia seria como os outros.
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