How To Break Elliot's Heart
9 A Garota da Aposta
Notas iniciais
O bom humor, ah o bom humor. Acordei alegre, talvez porque finalmente desabafei com minha melhor amiga na noite anterior, ou talvez porque um real banquete esperava por mim. Caitlin acordou cedo e preparou o café da manhã, e como se não bastasse, organizou a bagunça que deixei durante os dias de estresse. Seu cabelo loiro estava preso em um coque frouxo no topo de sua cabeça, com algumas mechas soltas, estava com um pijama azul com estrelas estampadas, e pantufas rosas, que a deixava com aparência adorável. Fui recebida com um "bom dia" eufórico, que animava qualquer um que o ouvisse. Sentei à mesa admirada com a quantidade de coisas expostas.
– Eu não sei cozinhar, mas fiz o que pude. — Ela disse sentando-se à mesa também, colocando o café recém preparado sobre a mesa.
– Está tudo perfeito, Caitlin. — Eu disse me servindo do café que ela preparou.
– Tem planos para hoje? — Ela perguntou colocando café em uma caneca. — Oh, quase esqueci, claro que você tem, vai conhecer os pais do Elliot hoje. — Ela completou antes que eu pudesse responder.
– Droga, quem quase esqueceu fui eu. Que horas são? — Perguntei desesperada. Ela encarou o relógio de parede por um tempo e respondeu:
– Dez e quinze.
– Ai meu Deus, eu tenho quarenta e cinco minutos pra me arrumar. — Eu disse comendo depressa. Enfiava pedaços de pão, bolo, bebia goladas de café, tudo ao mesmo tempo.
– Calma, Emma. Você ainda tem tempo.
– Não, eu não tenho. São os pais dele, eu vou conhecer os pais dele, Caitlin.
– Faz o seguinte, toma um banho enquanto eu escolho um vestido pra você, ok?
– Obrigada, obrigada, obrigada. O que seria de mim sem você? — Eu disse abraçando-a enquanto segurava uma torrada na mão.
– Uma perfeita bagunça. — Ela tornou a repetir.
As dez e cinquenta e cinco, eu já estava pronta. Caitlin escolheu um de meus vestidos floridos favoritos, e um salto azul, usando o argumento de que eu não poderia perder a classe nunca, e que tinha que ir pra esse almoço meiga porém elegante.
Ás onze em ponto, a campainha tocou. Ao abrir a porta, me deparei com Elliot que usava um jeans de cor escura, e uma camisa xadrez vermelha.
– Bom dia. — Ele disse animado.
– Bom dia. — Caitlin e eu respondemos juntas. — Elliot, está é minha amiga, Caitlin. — Eu disse apontando-a.
– É um prazer conhece-la. — Ele disse.
– O prazer é todo meu. — Caitlin disse enquanto examinava os detalhes de Elliot sem nem ao menos disfarçar.
– Vamos? — Ele perguntou.
– Vamos. — Respondi.
Tyler's Family House; 11h56
O interior da casa dele era lindo, a mobília combinava com os quadros, os quadros com os enfeites, as paredes pintadas de cores pasteis, empregas limpando constantemente. Eram dois andares, dois longos andares. Elliot segurou minha mão e me levou até a cozinha, onde lá estava sua mãe cortando cebolas. A mãe de Elliot assustou-se com nossa chegada. Ela aparentava ter vinte e nove anos no máximo, mas eu sabia que ela era mais velha. Seu cabelo era cortado em chanel de ponta, realçando o formato de seu rosto e a cor de seus olhos. Ela usava um vestido vermelho, que combinou perfeitamente com seu tom de pele. Ela parou de fazer o que estava fazendo, lavando suas mãos para cumprimentar-nos formalmente. Enquanto secava suas mãos, ele corria desengonçada até ficarmos frente a frente.
– Você deve ser a famosa Emma. Não é mesmo, querida? — Ela disse me cumprimentando com beijos na bochecha, um de cada lado.
– Sim, sou eu, senhora Tyler. — Respondi sorrindo.
– Oh, por favor querida, me chame de Nicole. — Ela disse segurando minhas mãos.
– Sabia que você é a primeira garota que meu queridinho me apresenta? — Nicole perguntou.
– Sério? — Eu disse espantada com o fato.
– Sim, geralmente ele entra de fininho em casa e as leva diretamente para o quarto e..
– MÃE!. — Elliot interrompeu sua mãe antes que ela pudesse terminar a frase.
Um senhor com aparência de quarenta anos entrou na cozinha logo em seguida, usava camisa e calça social, seus sapatos estavam perfeitamente lustrados e seu cabelo impecável.
– PAI!. — Elliot gritou entusiasmado se aproximando dele. — Parabéns, meu velho. — Ele disse abraçando-o.
– Obrigado, Elliot. — A voz rouca dele respondeu. O pai de Elliot aproximou-se lentamente de mim, parecia anotar cada pequeno detalhe presente em mim.
– Você deve ser a famosa Emma, certo? — Ele disse me cumprimentando com um beijo na bochecha.
– Sou sim, senhor Tyler. A propósito, feliz aniversário. — Eu disse sorrindo.
– Ah eu vou ter, minha família esta reunida e meu filho finalmente arrumou uma namorada séria e descente. — Ele disse sorrindo, caminhando para o lado de sua esposa.
– Ah, Elliot, seu irmão já chegou. — Nicole disse abraçando seu marido pela cintura.
– Oh, que ótimo, e onde ele está?
– No banho. A viajem foi longa e uma menininha acabou vomitando nele devido ao nervosismo por causa do voo. — Ela explicava.
– Que azar. Depois falo com ele. — Elliot disse segurando minha mão, me guiando por sua enorme casa. Ele me mostrou quase todos os comodos da casa, com exceção dos quartos. O último lugar que ele me mostrou, alegando ser o seu lugar favorito da casa, era um salão de jogos, com máquinas de fliperama, sinuca, boliche, ping-pong, e uma diversidade de outros jogos. Havia puffs macios e confortáveis que coloriam o salão e deixavam-no com a aparência mais divertida. Elliot se jogou em um dos puffs puxando minha mão, fazendo com que eu caísse em seu colo.
– Seus olhos são tão belos. — Ele disse enquanto me segurava em seus braços.
– Olha quem fala, o dono dos olhos azuis que lembram oceanos. — Respondi a sua cantada.
– Eu posso ter os olhos que lembram o oceano, mas você tem os lábios mais provocantes que já vi. — Ele disse se aproximando sua boca da minha. Antes que pudêssemos selar nossos lábios em um beijo, a porta se abriu e alguém entrou, interrompendo o momento. Constrangida em terem me encontrado em uma situação como aquela, deitei a cabeça no ombro de Elliot, tentando me recuperar.
– Ah, Emma, esse é o meu meio irmão de quem venho te falando. — Elliot disse. Sai imediatamente do colo dele, dando espaço para ele cumprimentar o irmão de quem ele tanto falava. Virei meu corpo procurando ver a aparência do famoso irmão do Elliot.
Droga, mil vezes droga, não poderia ser, meus olhos não estavam vendo aquilo. Senti minha espinha congelando, e meu coração passou a bater com mais rapidez. Um breve e infeliz devaneio se fez presente em minha mente.
– Luke? — Falei nervosa ao reconhecer a figura que destruiu minha vida em uma versão mais velha.
– Emma? — Ele disse em um tom confuso ao me reconhecer também.
– Espera, vocês já se conhecem? — Elliot perguntou também confuso.
– Se a gente se conhece? Tá brincando, irmão? Eu e Emma namorávamos nos tempos de colégio. — Luke se aproximou de braços abertos, na intenção de me abraçar.
– Não finja que as coisas terminaram bem entre a gente, Luke. — Eu disse recusando seu abraço.
– A qual é Emma, não me diga que você ainda guarda rancor? — Ele perguntou arqueando uma de suas sobrancelhas, me encarando com aqueles seus olhos tão azuis quanto os de Elliot.
– Sim, eu guardo. E com um ótimo motivo, se me permite dizer. — Eu dizia quase gritando, enfurecida.
– Eramos adolescentes, Emma. Temos que deixar o passado pra trás, vamos esquecer isso.
– Espera, não me diga que você é a.. — Elliot perguntou boquiaberto.
– Sim, caro irmão. Emma é a garota da aposta. — Luke respondeu antes mesmo que Elliot pudesse terminar sua pergunta.
– Não acredito, Elliot, você sabe dessa história? — Perguntei ficando cada vez mais nervosa.
– Se ele sabe? Elliot adorava quando eu falava de você. Até passou a me idolatrar por causa disso.
– Cala a boca, Luke. — Elliot gritou preocupado com minha reação.
– Não acredito que você foi idiota o suficiente pra idolatrar Luke por causa disso. — Eu gritava sentindo meu sangue ferver.
– Emma, eu tinha apenas quatorze anos, tinha acabado de entrar na puberdade e qualquer coisa sobre garotas me fascinava. — Ele tentava se explicar, enquanto Luke assistia tudo de perto.
– Isso não é motivo pra idolatrar seu irmão. Principalmente por uma coisa tão terrível. — Passei a sentir meu rosto ficando vermelho, e eu sabia que se eu ficasse mais um minuto naquele salão com aqueles dois, eu iria acabar explodindo. Dei as costas aos dois, e segui meu caminho sozinha, deixando-os sozinhos.
– Espera, Emma. Vamos conversar. — Elliot falava enquanto tentava alcançar meus passos apressados. Eu não conseguia encontrar a saída daquela imensa casa. Conseguindo me alcançar, ele me puxou pelo braço, me fazendo lembrar vagamente do dia em que nos conhecemos.
– Não, eu preciso de um tempo sozinha. — Eu disse puxando meu braço, fazendo com que ele soltasse.
– Pelo menos me deixa te levar pra casa? — Ele perguntou fazendo aquela sua cara de cachorro sem dono.
– Não precisa, eu pego um táxi. — Respondi seca.
– Emma, eu..
– Elliot, por favor me deixa sozinha.
– Me desculpa, eu não sabia que..
– Elliot, eu não quero falar sobre isso. Apenas me deixe sozinha por um tempo. — Falei tentando me acalmar mentalmente. Elliot me levou até a porta, onde continuei insistindo para ele me deixar sozinha. Vencido, ele tentou se despedir, mas foi em vão, a raiva que eu estava sentindo era tanta, que mal pude conter. Caminhei até o ponto de táxi mais próximo, tentando ao máximo não chorar. Agora era um motivo extra pra escolher o emprego de meus sonhos ao invés do garoto por quem acidentalmente desenvolvi atração.
[flashback]
Primeiro ano do colegial, eu tinha apenas dezesseis anos. Era uma garota popular, mas não ligava muito para relacionamentos ou para ser cruel com outras garotas. Pelo contrário, eu era a pessoa mais simpática, adorável e sensível do colégio. Me concentrava apenas em conseguir realizar meu sonho, portanto estudava muito, tudo que eu mais queria era terminar logo o colégio para poder começar logo a faculdade de jornalismo, eu já estava certa do que queria.
Aquele colégio era pacífico, chegava a ser um colégio perfeito. Mas toda a paz, e tudo o que eu era teve um fim quando Luke Tyler surgiu no colégio, era um garoto de cabelos loiros, olhos azuis como o oceano, dono de um sorriso provocante e um olhar penetrante. Não liguei pra ele, confesso. Com o tempo, ele se tornou popular também, mas não misturávamos nossos grupos.
Certo dia, Luke resolveu se aproximar. Até então tudo estava ótimo, éramos amigos e apenas amigos, nos dávamos bem, um divertida o outro, até que aconteceu o que não poderia acontecer. Após um beijo, percebi que eu estava gostando dele e que não conseguia tirá-lo da cabeça. Recorri a minha melhor amiga, Caitlin, que na época tinha acabado de descobrir que queria seguir carreira de psicóloga. Ela aconselhou que eu ficasse esperta com Luke, pois sabia que tinha algo de estranho nele. Por conta disso, acabamos brigando. A minha cabeça de repente foi domada por ele, eu só conseguia pensar nele, praticamente respirava ele. Deixei de lado minha concentração no colégio e acabei passando por uma má fase, onde só tirava notas ruins e já não dava mais atenção pra ninguém que não fosse Luke Tyler. Eu era uma boba apaixonada.
Dois meses depois de uma amizade colorida, Luke resolveu finalmente me pedir em namoro, em um restaurante local, ele se ajoelhou perante a todos e fez o pedido. Estava tudo perfeito, éramos o casal do momento, eu não poderia estar mais feliz com aquilo. Por ser uma garota sensível e idiota na época, acabei programando minha vida inteira com ele, imaginei o casamento, as aventuras, os filhos, netos e até mesmo nosso túmulos um ao lado do outro. No nosso aniversário de três meses de namoro, ele me presenteou com um enorme buquê de rosas vermelhas, e uma lingerie preta. Fiquei nervosa ao ver aquilo, afinal de contas, eu era virgem.
Era noite, o céu estava completamente negro, não havia estrelas ou lua, apenas a cor escura do céu. Ele nos levou até sua casa, sua mãe não estava, e seu pai morava com sua atual esposa. No quarto, havia pétalas de rosas espalhadas, as luzes apagadas e velas acesas.
– Emma, eu não quero te forçar a fazer isso. Você é quem escolhe. — Ele disse percebendo que eu estava nervosa.
– Não é isso, é que.. eu sou virgem e estou com medo. — Eu tentava explicar constrangida.
– Como eu já disse, eu não vou te forçar. — Ele disse beijando minha testa. Aquele gesto me tocou, eu sentia que ele era o garoto certo. Decidida, fui até o quarto ao lado, onde coloquei a lingerie preta, e me esforçando para tentar não parecer mais nervosa do que estava, voltei ao quarto, onde encontrei Luke tirando sua camisa, mostrando seu abdômen perfeitamente definido.
– Mudou de ideia? — Ele perguntou me vendo vestida com seu presente.
– Mudei. — Eu disse me aproximando dele. Ele mordeu seus lábios inferiores, tão provocante que eu mal pude resisti. Esqueci por uma fração de segundos que eu era uma virgem, e o joguei na cama, subindo em cima dele. Nos beijamos como nunca, a intensidade do beijo ia aumentando conforme as roupas iam sendo tiradas de seu corpo. Quando notei, nossos corpos estavam completamente nus. Luke estava em cima de mim, ainda me olhando com aquele seu olhar penetrante.
– Prometo que vou ser carinhoso. — Ele disse enquanto beijava meu pescoço e descia para os ombros. Eu acariciava seu cabelo, enquanto ele beijava cada parte de meu corpo.
No dia seguinte, acordei com Luke ao meu lado, os lençóis estavam bagunçados, e estávamos apenas de roupas intimas. Nossos cabelos estavam bagunçados, havia marcas de chupão em meu pescoço, e até mesmo em meus seios. Luke dormia feito um anjo, tão sereno. Levantei delicadamente da cama, tentando não acorda-lo, eu queria continuar apreciando a figura de anjo que eu tinha dele. Coloquei novamente o vestido, e acabei tropeçando na garrafa de vinho que havia no chão, o que fez com que ele acordasse.
– Pensando em fugir? — Ele disse ainda sonolento, levantando seu corpo da cama.
– Claro que não, eu ia preparar o café. — Eu disse sorrindo de orelha a orelha. Não poderia estar mais feliz.
– Pode deixar que eu te ajudo, só vou colocar uma roupa. — Ele disse se levantando da cama, permitindo que eu o visse apenas de cueca.
O nosso relacionamento só durou mais uma semana após minha primeira vez. A felicidade chegou ao fim quando descobri a verdade por trás do garoto romântico, engraçado, bonito e sensível que eu me apaixonei perdidamente. Caitlin me procurou, dizendo para eu terminar imediatamente com Luke pois ele é um canalha, idiota e imbecil. Brigamos novamente, eu não queria acreditar no que ela dizia.
– Luke apostou com os amigos dele que conseguiria te levar pra cama, e agora está se gabando por isso. — Caitlin falava estérica.
– Caitlin, porque você quer destruir meu relacionamento com ele? É tão difícil assim aceitar que nos amamos?
– Emma, é verdade, está todo mundo comentando sobre isso. Uma garota do segundo ano conseguiu gravar um vídeo que mostra Luke falando da aposta. Está todo mundo sabendo que você perdeu sua virgindade com ele.
– Não, isso não é verdade, Caitlin. — Eu me recusava a acreditar nela.
– Me desculpa, eu não queria te ver magoada, mas vou ter que te mostrar o vídeo. — Caitlin disse com o olhar triste. Tirou de sua bolsa o celular, onde selecionou um vídeo onde Luke aparecia em seu grupo de amigos, rindo, estava feliz.
– "Consegui. Eu consegui levar Emma Mclaren pra cama. Ganhei a aposta, agora vão ter que fazer o que eu quiser durante o resto do ano." — Eu conseguia vê-lo claramente no vídeo usando essas mesmas palavras.
– Sinto muito, Emma. — Caitlin disse me abraçando. Os meus olhos se enxeram de lágrimas que escorriam sobre meu rosto sem parar. Meu coração sensível foi partido de forma tão fria, eu não sabia o que fazer, estava sem chão, sem reação, tudo que conseguia fazer era chorar.
Eu soube a partir daquele momento, que eu nunca mais voltaria a ser a mesma.
[flashback off]
Elliot's POV [deem play aqui]
Eu nunca á vi com o olhar vazio daquele jeito. Luke contava sobre a garota da aposta com detalhes, eu nunca imaginaria que um dia eu iria encontrar a famosa garota da aposta, e que estaria namorando-a.
– Porque você fez aquilo? Ela ficou furiosa comigo. — Eu disse gritando com Luke.
– O que eu fiz? Eu apenas disse a verdade. — Ele disse relaxado enquanto jogava sinuca no salão de jogos.
– Precisava falar sobre eu te idolatrar por causa da história da garota da aposta? — Eu falei parando uma das bolas de bilhar que estavam prestes a entrar em um dos buracos.
– Foi necessário, irmão. Você disse que queria ser como eu depois que te contei sobre a garota da aposta e anos depois você aparece namorando a mesma garota. Você não acha isso uma coincidência incrível? — Ele perguntou me encarando com um sorriso debochado no rosto.
– Acho. Mas isso não significa que você possa sair falando bobagens à ela.
– Falando nisso, Emma ficou muito mais bonita do que antes. Se eu fosse você aproveitava, porque uma garota com a aparência e o físico dela é raro de se encontrar.
– Eu sei muito bem, disso. Emma é uma garota incrível.
– Se eu não te conhecesse bem diria que você está apaixonado, hein irmão. — Luke disse. Fiquei em silêncio e acabei entregando a verdade. Eu realmente estava apaixonado por Emma, eu não sabia como disfarçar, ou como reagir à isso, afinal de contas, era a primeira vez que me senti assim em relação à uma garota.
– Não brinca, você está mesmo apaixonado por ela? — Ele disse depois de perceber que o silêncio me entregou. — Se eu fosse você eu teria cuidado, fontes confiáveis dizem que ela se tornou uma garota perigosa depois que descobriu a aposta. E agora que ela sabe que você é meu irmão então..
– Cala a boca, Elliot, você é um babaca. — Gritei furioso.
– Não precisa ficar nervoso só porque sabe que ela vai terminar com você. — Ele provocou debochado.
– Luke, cala a boca, eu estou perdendo a minha paciência. — Falei cerrando o punho, tentando controlar minha raiva.
– Admita, irmão. Você sabe que ela vai te largar. — Ele continuava usando seu tom de provocação. Perdi a paciência no mesmo instante, o nervosismo tomou conta de mim, e por impulso, avancei nele, fazendo com que ambos caíssemos no chão. Uma briga violenta se iniciou, uma troca de socos infinita tomou conta do ambiente que antes fora um lugar de brincadeiras e risadas. Rolávamos no chão durante a briga, Luke acabou socando com toda a sua força meu olho esquerdo. Como troco, soquei seu nariz, fazendo-o sangrar. A briga continuou e ele acabou me acertando no lábio. A troca de socos e chutes não parou até que uma das empregadas chegou gritando e tentando apartar a briga. Sem sucesso, ele gritou por minha mãe, que em questão de segundos apareceu no salão de jogos, fazendo com que parássemos de brigar.
No fim das contas, acabei com um olho roxo e o lábio inferior inchado, enquanto Luke sofreu de hemorragia nasal por quase duas horas.
Emma Mclaren's House; 20h08
Estacionei meu inseparável amigo frente a casa dela, acionando o alarme antes de alcançar sua porta branca. A noite estava gélida, e o céu estava belo. Respirei fundo, orando mentalmente para que ela não estivesse mais brava comigo. Toquei a campainha com o coração acelerado, pensando no que Luke havia dito. E se fosse verdade e ela fosse me deixar? Meu coração acelerava cada vez mais e mais. Toquei três vezes até que ela atendesse. Seu cabelo negro estava preso em um coque frouxo, ela usava um moletom largo e shorts de um pijama.
– Posso entrar? — Perguntei com medo da resposta.
– O que aconteceu com seu olho? — Ela perguntou instantaneamente ao me ver de olho roxo.
– É uma longa história. Posso entrar? — Tornei a perguntar.
– Claro. — Ela sorriu fraco dando espaço para minha entrada.
– Emma, eu vim aqui me desculpar por hoje cedo. Eu juro que não sabia que você era a..
– Por favor, não mencione isso. — Ela me interrompeu.
– Eu queria te dar isso. — Falei enquanto procurava o que eu querida dar no bolso da calça. Quando encontrei, entreguei em suas mãos. Ela me encarou por alguns segundos antes de abrir. Ao abrir, eu vi sua expressão de surpresa, o que me deixou realmente feliz.
– Não acredito, como você sabia? — Ela perguntou tirando o colar da caixa.
– Eu vi você admirando esse colar no dia em que nos encontramos naquela joalheria, eu o comprei recentemente e planejei entregar em um jantar mais apropriado pra situação, mas não consegui esperar.
– Obrigada, Elliot, significa muito pra mim. — Ela disse sorrindo, ainda admirando o colar que ela tanto gostou. — Você poderia coloca-lo em mim? — Ela perguntou colocando o colar em minhas mãos. Ela virou de costas, me dando a visão de sua nuca. Eu nunca à desejei tanto como estava desejando aquele momento. Vê-la tão próxima de mim, sentir de perto seu perfume floral.
– E então, o que achou? — Ela perguntou virando-se de frente.
– Não poderia estar mais perfeita. — Falei com convicção. Ela era, sem sombra de dúvidas, a garota mais bela que um dia meus olhos captaram, e eu sabia de certa forma que ninguém nunca chegaria aos pés dela.
– E então, você quer me contar o que aconteceu com seu olho? — Ela perguntou, fazendo com que eu voltasse ao momento presente.
– Eu acabei brigando com Luke por sua causa, e ganhei um olho roxo.
– Por favor, diga que ele saiu perdendo. — Ela falou em um tom sarcástico.
– Acho que foi empate. Mas ele ganhou uma hemorragia nasal.
– Perfeito. Eu poderia te beijar agora, mas seu lábios estão inchados. — Ela riu.
– Tudo bem, você pode dar esse beijo depois. Vou cobrar. — Eu sorri. — O que acha de sair?
– Sair? Pra onde?
– Pensei em ir na Balada Radioactive, podemos dançar, e beber um pouco, quem sabe admirar as estrelas. — Sugeri. As estrelas eram nossa marca registrada.
– Tudo bem, vou me arrumar. Volto em um instante. — Ela disse indo em direção as escadas.
Radioactive Club; 21h32
A balada aquela noite estava animada. As luzes coloridas piscavam, e o globo girava. Todos dançavam como se fosse o último dia de suas vidas. Convidei Emma para dançar, mas ela preferiu beber um pouco. Sentou-se no balção, e pediu ao barman um copo de tequila. Insatisfeita, ela pediu outro copo, e repetiu a dose oito vezes. Acompanhei-a na tequila até o quarto copo. Ela estava bebendo tequila pura e virando com facilidade.
– Emma, acho melhor você parar um pouco com a tequila, vamos dançar?
– Deixa de ser careta, Elliot. Vamos, beba comigo. Garçom, me vê uma garrafa de Vodca. — Ela disse. Dava pra perceber que ela já estava ficando alterada, sua fala estava mudando. O barman, obedecendo ao pedido de Emma, entregou-lhe a garrafa de Vodca que ela pediu.
– Emma, você não está pensando em beber essa garrafa sozinha, está?
– Claro que não, bobo. Você vai beber comigo. — Ela disse abrindo a garrafa. Ela bebeu um gole da garrafa sem a ajuda de um copo. Ela levantou-se do banco que sentava, e começou a dançar perto de mim enquanto dava goles da garrafa que segurava em sua mão. Sem que eu percebesse, um grupo de pessoas bêbadas nos cercou, gritando para Emma virar a garrafa, que a essa altura já estava na metade. Quanto mais eles gritavam, mais pessoas apareciam e Emma se excitava ainda mais em relação à aquela garrafa. Emma se alterava cada vez mais e mais. Depois de tanto insistirem, Emma virou a garrafa de Tequila, e pediu doses das bebidas mais fortes.
Bêbada, ela me puxou para o centro, onde o globo ficava sobre nossas cabeças, ele começou a dançar provocantemente. Alguns caras, sabendo que ela não esta sóbria, passaram a se aproveitar dela, passando a mão em suas coxas, e tentando atingir outros lugares. Ela continuava a dançar, chamando a atenção de todos. Seu vestido vermelho aos poucos subia conforme seus movimentos.
– Já chega, Emma você não está bem. — Falei puxando-a pelo braço.
– Ai, Elliot. Me deixa dançar. Dançar é bom, dançar é relaxante. — Ela dizia com a voz bêbada.
– Está vendo a quantidade de caras que estão se aproveitando de você? Não vou permitir isso. — Continuei puxando-a para fora da balada.
Ela conseguiu chegar ao meu carro, ainda assim, com muita dificuldade. Tropeçava em qualquer pedra que aparecia em seu caminho. Antes que ela fugisse, comecei a dirigir. Ela gritava animada para todos fora do carro enquanto o vento bagunçava seu cabelo. Os efeitos do álcool em excesso que ela ingeriu começaram a fazer o pior dos efeitos.
– Sabe, Elliot. Isso tudo é culpa do seu irmão. Se ele não tivesse feito aquilo comigo talvez eu não fosse desse jeito. — Emma falou com o olhar vazio e triste.
– Então temos que agradecer, você é perfeita assim. — Falei ainda concentrado no volante.
– Não temos que agradecer nada. Luke me deixou com trauma, nunca mais consegui confiar em outro homem depois que descobri que ele só estava comigo por causa de uma aposta idiota. — Ela disse encarando o vazio. Não consegui dizer uma só palavra depois disso. Eu nunca pensei que estaria ouvindo o outro lado da história. O lado de quem saiu sofrendo. — Eu dei a ele minha virgindade, minha preciosa virgindade foi dada pra uma aposta. — Seus olhos se enxeram de lágrimas e sem mais nem menos, ela começou a derramar suas lágrimas sem parar. — Eu era uma garota tão romântica, eu imaginava que isso fosse acontecer com um cara que me amaria incondicionalmente, que estaria disposto a passar o resto da vida ao meu lado. — Ela confessou. Vê-la chorando estava me incomodando, eu queria vê-la sorrindo, feliz. Não chorando.
Emma chorou até soluçar, não consegui consola-la, pois sabia que nada iria conforta-la. Ao chegarmos em sua casa, estacionei com cuidado o carro perto de uma árvore. Emma, cansada de chorar, desceu do carro e correu até seu gramado, onde acabou caindo. Seu vestido acabou levantando, permitindo que eu visse o que ela tinha por debaixo daquele tecido. Rapidamente, corri até ela, e levantei-a do chão. Ela mal se aguentava em pé sozinha. Apoiada em mim, consegui carrega-la até sua porta, que pra dificultar as coisas ainda mais, estava trancada. Emma apoiou seu corpo na porta, enquanto eu procurava em sua bolsa a chave. Ao encontrar a chave, abri a porta sem pensar duas vezes, o que fez com que Emma caísse novamente, pois contava com a ajuda da porta para ficar em pé.
– Me desculpe, Emma. — Eu disse enquanto à ajudava a levantar.
– Ele é um idiota, um droga de um idiota bonito com olhos azuis e cabelos claros. Droga, porque ele tinha que ser tão bonito? Seria mais fácil de superar por completo se ele não fosse a pessoas mais bonita que meus olhos já viram. — Emma disse enquanto subia as escadas. Corri atrás dela, preocupado em deixa-la cair das escadas.
– Você realmente gostava dele, não é mesmo? — Perguntei ajudando-a a subir as escadas.
– Eu o amava, Elliot. Eu o amava e ele pariu meu coração daquele jeito. — Emma virou seu corpo, ficando frente a frente à mim, com o rosto próximo ao meu. — Você tem ideia da quantidade de rapazes inocentes que eu tive que descontar o ódio que eu sinto do Luke? Eu parti o coração de vários rapazes, só pra saber qual é a sensação, só pra entender o porque de ele ter feito aquilo com tanta facilidade. — Ela completou, ficando de costas novamente. Eu não estava conseguindo me manter firme, ela estava sofrendo muito.
Talvez fosse o efeito da paixão, mas eu apenas queria abraça-la e confortá-la em meus braços, de forma que eu sentisse que ela estaria segura. Apenas queria sentir o cheiro de seu cabelo negro, e sentir a pele macia dela.
Eu sabia que um dia iria conhecer o quarto dela, mas não imaginei que seria com ela naquele estado. Por ironia, eu havia dito que entraria no quarto dela com ela bêbada, mas não era pra ser sério, droga. Ela me mostrou qual era a porta do quarto dela, e tentou abrir, mas não conseguiu. Com calma, girei a maçaneta do quarto dela, e consegui ter a visão que eu idealizava. O quarto dela era pintado de azul, havia uma enorme cama perfeitamente arrumada, vários porta retratos e uma enorme pilha de revistas. Rastejando, uma enorme cobra saiu debaixo da cama de Emma, se aproximando de mim.
– Emma, tem uma cobra no seu quarto, não se mexa. — Falei tentando afasta-la.
– Não se preocupe, está é a minha pequena Eunice, ela divide o quarto comigo. — Emma disse enquanto tirava o vestido, ficando apenas de roupas íntimas.
– O que está fazendo Emma? — Perguntei tentando impedi-la de tirar o vestido por completo.
– Quero meu pijama. — Ela falou tirando o vestido.
– Tudo bem, aonde está seu pijama?
– No closet. — Ela disse deitando no chão, ao lado da enorme cobra. Abri o closet, mas parecia ser impossível encontrar um pijama ali, tinha roupas para dar e vender.
– Eu quero o pijama de corações rosas. — Ele disse rolando no chão com a cobra.
Encontrar o pijama que ela queria foi difícil, mas encontrei. Ela não estava em condições de colocar o pijama sozinha. Ajudei-a a colocar seu pijama, e deitei ela na cama. Sentei ao seu lado, acariciando seu cabelo até ela adormecer. A cobra continuava se aproximando, mas minha preocupação com Emma era maior que o medo que eu estava sentindo da cobra. De repente, passei a sentir raiva do Luke. Raciocinei que ele estragou a vida de uma garota inocente, e após pensar e repensar, notei que eu era uma versão mais nova do Luke, e que eu também destruí a vida de garotas inocentes. Percebi que eu estava enciumado por Luke ter feito Emma se apaixonar tão profundamente por ele, e principalmente, notei que eu não só estava apaixonada por Emma, como também à amava.
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