How To Be The Princess of England
9 How NOT to kiss someone: Kiss.
Notas iniciais
Fiquei sem reação.
— Que?
Ele se inclinou pra frente.
— De língua.
— Ela tá na ERMI do Jason. – Hlenah falou.
— Não, eu quero ver isso. – Jason sorriu de uma orelha a outra.
— Qual é, você não respondeu a pergunta.
— Não, nunca me apaixonei, se foi isso que ele quis perguntar. Agora beija. – ele cruzou os braços, satisfeito.
— Que foi? Tá com medo de me beijar? – Andrew provocou. O olhei com ódio. – Eu não vou te morder.
— Uuuuuuh.
Levantei bruscamente. Ele fez uma cara assustada, levei a mão a sua bochecha, e o beijei. Ele levou um sustinho, mas acabou... Se entregando... Pra minha surpresa.
Ele se levantou, e colocou a mão em minhas costas, enquanto ouvia gritos de “Uiui” ou “desgrudem, já deu” mas eu não conseguia me separar dele.
Eu estava beijando o príncipe da Alemanha-Estados Unidos...
Até que uma fumaça branca e molhada bateu em nós, nos fazendo separar instantaneamente.
Quando vi, Kiro estava segurando um extintor de incêndio.
— Não era isso que você pediu? E ainda nos taca essa coisa. – ele esfregou a gravata que usava.
— Quando vocês casam? – Wanda sorriu. – Vocês estavam se engolindo...
— Ah, e se ele tivesse um cabelo maior? – falei, o que levou todos menos Jason, que não entendeu, rirem. Até Wanda riu.
— Agora que você gastou todo o extintor de incêndio, vou lá pra cima providenciar outro pra cozinha. – Jason levantou.
— Ah cara! – Eron reclamou.
— Zelo pela segurança do meu castelo. – falou.
— Uhum. É por quê o clima entre os dois tá bem estranho, e você não aguentou de ciúmes. – Kiro sorriu. Ele tem covinhas, só agora percebi isso. Covinhas de idiota.
— Não é isso, eu garanto. Estou feliz por ter desencanado, amigo.
— Ei, desencanado vai ser sua perna se falar isso de novo. – falei, sorrindo. Droga, por que eu sorri? Tirou minha pose de durona!
— Uhum. – ele estava prestes a sair pela porta, quando uma garota cheinha e loira, entrou correndo, e praticamente o espremeu contra a parede.
— O que vocês estão fazendo aqui?!
— O quer aconteceu? – Jason perguntou.
— Estamos sendo atacados! E estamos prestes a perder!
Arregalei os olhos e me levantei num pulo.
— Como assim?
— O ataque começou a uma meia hora... Tem guardas feridos pra todo lado, e já tá todo mundo nos abrigos secretos e subterrâneos... Acho que tem um grupo de guardas nos procurando...
— O que você tá fazendo aqui?
— Eu tava comendo escondida na dispensa, e acabei dormindo. Acordei com o barulho de tiros...
Janessa Buenos Aires, é ela. A que não foi no casamento por que tava comendo chocolate, enfim, meu coração estava a mil, e eu tentava raciocinar o que fazer...
— Okay, temos que achar um abrigo. – Eron se levantou.
— Parabéns rei do óbvio. – Kiro estava tenso, dava pra ver. Talvez medo.
— O ataque começou do sexto andar, ouvi uma criada falando. Elas estão descendo. Os guardas estão em desvantagem, as armaduras delas foram melhoradas...
— São as... Destructives? – a última parte saiu como um sussurro.
Todos se calaram e me olharam.
— Tudo bem. – Andrew pegou minha mão. – Vamos te proteger. – ele deu um sorrisinho pequeno.
— Certo, estamos no primeiro andar, então é só passar por aqui que... – Jason fechou os olhos, tentando se lembrar. – Am... Tem duas escadas, uma leva pro andar dos quartos, o segundo, e o outro... Corredor, o corredor dos quartos dos criados... Tem uma passagem pro abrigo dos criados e funcionários... É o mais perto. – ele respirou fundo.
— Okay, vamos. Andrew falou. Todos atravessamos a cozinha, e estávamos prestes a entrar, na porta, que não parecia uma porta, parecia uma pedra, o que a camuflava, ouvimos barulho vindo das escadas.
— ENTRA LOGO AÍ! – Uma voz feminina falou.
— É a cozinha, não deve ter ninguém aí!
— ENTRA E VERIFICA! Vou pro segundo andar.
— Entrem, entrem. – Kiro sussurrou. Fomos o mais rápido possível pra dentro da escada, e ficamos parados, pra não fazer barulho. Na vez de Kiro entrar, ele fechou a porta.
— Kiro, mas que diab... – Hlenah tapou a boca de Eron.
Ouvimos um gritinho de mulher, o que me fez abrir a porta, por instinto.
A mulher estava no chão, e Kiro sorrindo.
— Passei 2 anos meditando com os monges do Nepal. – ele sorriu.
— parabéns, agora, vamos. – Wanda pediu.
Seguimos pelas escadas estreitas. Só cabia pessoas em fila indiana.
Eu era a última, e Janessa estava na minha frente.
Saímos da estreita escada, e o corredor estava livre. Bem, nem tanto.
Tinham guardas cobertos de sangue por todos os lados. Imóveis.
Hlenah começou a chorar, e foi o que tive vontade de fazer.
Toda essa destruição, tudo para me proteger. Não seria mais fácil se eu me entregasse? Essas pessoas estariam vivas... Uma lágrima escorreu de meu rosto. Eu estava parada, enquanto todos andavam apressadamente pra alcançar a passagem secreta, e se salvarem.
Eu estava parada, pensando no que fazer. Talvez me matariam. Talvez me levariam. Talvez...
Janessa estava subindo as escadas para o segundo andar.
— O que você tá fazendo? – Limpei a lágrima e fui atrás dela sussurando.
— O cordão que meu pai me deu. Preciso pegar. Tem a forma de um sorvete.
— Certo, isso eu entendo. – Toquei meu colar. – Vou com você.
— Tem certeza? Acho que isso não é uma boa, você...
— Eu vou com você. Não podemos ir por aqui. É a escada principal. Vamos pela escada que...
Meu coração parou.
Uma delas estava na escada parada na nossa frente.
— Oi. – ela apontou a arma para nós, tive menos segundos para pensar. Me joguei pelas escadas, com as mãos nos ouvidos, enquanto os tiros ecoaram.
O momento passou em câmera lenta. Minhas lágrimas escorriam sem controle, enquanto sentia a dor nos meus membros batendo contra os degraus duros.
Barulhos de luta e gemidos vinham de onde eu sai a poucos segundos, junto com tiros e mais tiros. Meu corpo já estava parado no chão, mas eu não conseguia me mexer. Nada de abrir os olhos nem destapar os ouvidos.
Eu estava com medo, tremendo, chorando.
Quando um silêncio horrível invadiu todo o lugar.
“Seja corajosa princesa. Vai ficar tudo bem.” A imagem de meu pai veio a minha mente.
Seja corajosa.
Pare de tremer.
Abri os olhos devagar, e a primeira visão que tive foi a atiradora caída imóvel, ao lado de dois guardas com um tiro na cabeça. Desviei o olhar com os olhos fechados.
OS abri, e me levantei devagar.
Janessa. Olhei em volta, a procurando para sairmos dali rápido.
Até que a vi. Ela não desviou dos tiros a tempo.
Senti meu mundo desabar. Meu cérebro tropeçava com as milhões de lágrimas que me impediam de enxergar. Meus joelhos falharam, e cai a seu lado.
— J-Janessa...? – fechei os olhos com força pra fazer as lágrimas caírem e me deixarem enxergar.
— Em...
— Meu Deus. – ela tinha levado 4 tiros na barriga. – Você vai ficar bem... Meu Deus... – Coloquei minhas duas mãos em sua barriga, tentando estancar, talvez.
— Emi...
— Não fala nada, fica quieta. – pedi, fechando os olhos.
— Sai daqui...
— Não. – neguei, soluçando.
— Depois... Pegue meu col... colar... quero ser enterrada com ele... Diz pro meu pai que eu amo ele...
Seus olhos paralisaram, e sangue começou a escorrer de sua boca.
— Janessa! Janessa fala comigo! – A sacudi com força. – Janessa! Por favor! – Funguei.
Passos apreçados começaram a bater no carpete perto no corredor ao lado.
Não podia fazer nada. Fechei os olhos com força, e esperei um tiro na cabeça.
— ELA ESTÁ AQUI! – Era uma voz masculina. – A OUTRA... DROGA, DIGA AO REI QUE PERDEMOS UMA!
Abri os olhos.
Era um pequeno grupo de guardas.
— Ei, majestade, você está bem? – um cara loiro se abaixou do meu lado.
— Ela morreu... – explodi em lágimas na mesma hora.
Não devia ter deixado ela ir.
— Emily! – era a voz de Jason. Olhei pra cima, e vi todos os meus recentes amigos vindo.

Quando viram Janessa, eles simplesmente pearam. Hlenah se jogou em Eron que estava estático, e começou a chorar.
Todos estavam pasmos, até que olhei pras minhas mãos, completamente ensanguentadas até o braço.
Me levantei devagar, e Jason correu até mim, e me abraçou com força. Deitei minha cabeça em seu peito e comecei a soluçar, sem ligar se minhas mãos iriam sujar sua roupa.
— Vai ficar tudo bem. – ele falou.
O rei apareceu correndo no corredor ao lado, e fez uma cara que dizia “Meu Deus, ferrou muito.” Ele colocou uma mão na testa e encostou na parede, trocando olhares com Jason.
— Tira eles daqui. – Jason assentiu, tenso.
— Vamos pra lá meu anjo. – ele passou a mão pelas minhas costas e andamos até as escadas. Eron fazia o mesmo com Hlenah, que estava soluçando muito vermelha. Todos nós estávamos em silêncio, apenas ouvindo os soluços dela.
— Não foi culpa sua, sei que está pensando nisso. – Jason sussurrou.
— Se... Eu tivesse me entregado antes, ninguém tinha...
— Não fale isso. Nunca mais Emily. Elas são foras da lei. Se conseguirem você, vão vencer. Não vamos deixar um grupo rebelde vencer, você me entende? Elas não querem só você. Querem acabar com a gente.
— Tudo bem. – funguei, respirando fundo.
— Você está sangrando. – ele apontou pra um corte na minha cabeça que nem sabia que existia.
— Não importa.
— Claro que imprta, Em. – O olhei. Ele NUNCA tinha me chamado de Em.
— Você me deu um apelido, e disse que me importa comigo na mesma frase?
— Não gosta de Em? É cansativo te chamar de EMILY toda hora. E eu me importo com meu reino. Você é uma cidadã do meu reino. – Ele desviou o olhar. – Vamos pra seção médica. – ele falou alto para todos. Eron, leve ela pra psicologa.
— Okay. – ele falou. – Vamos lá Hlen. Vai ficar tudo bem. –ela assentiu, fungando.
— Acho que devia...
— Eu estou bem Jason. Sério. Só... Em choque. Vai passar... Ela precisa mais que eu.
— Tudo bem. Vamos cuidar desse ferimento.
Ele continuou me acompanhando até entrarmos na área médica.
Tinham vários guardas sendo atendidos. Era como se tivesse acontecido um Tsunami, que deixou milhões de feridos. Alguns estavam em salas fazendo cirurgia, outros sentados nas salas onde tem várias macas para receberem cuidados de paramédicos.
— Não olha. — Pediu Jason.
Achamos uma maca vazia, e me sentei lá.
— Pode ajudar majestade? – Uma enfermeira pediu, meio apreensiva por estar pedindo ajuda ao príncipe.
— Claro. Eu cuido dela. – falou. A mulher assentiu, e voltou a cuidar de um guarda mais distante.
— Bem, parece que vou cuidar de você.
— Não precisa, eu espero.
Ele sorriu, me olhando, já pegando algodão.
Revirei os olhos.
Ele começou a limpar minha testa, enquanto me perdia em pensamentos.
— Ela disse que tinha que voltar pra pegar o colar do pai dela, e isso eu entendo. Se eu tivesse sem meu colar, iria pega-lo. Então eu resolvi ir com ela. Mas tinha uma delas na escada... Ela começou a atirar, eu me joguei da escada e fiquei assim até os dois guardas acabarem com ela... Quando eu vi Janessa estava quase...
— Ei. Pare com isso.
Respirei fundo.
— Vocês foram atacados?
— Bem, estávamos quase no esconderijo, quando uma delas apareceu. Ela estava ferida, sem armas, mas nos pegou de surpresa. Acabou derrubando Wanda, Andrew e Eron na escada. Kiro acabou com ela.
— Eles estão bem?
— Wanda cortou o queixo, Eron bateu a cabeça e Andrew machucou o braço. Acho que ele quebrou, não conseguia mexer.
— Onde os dois estão?
— Estávam atrás de nós, devem estar sendo atendidos.
— Vou achar eles. – ia me levantar.
— Não acabei. – ele pegou um a gaze e colocou em mim com esparadrapo. Estava igual a um índio, sei lá.
— Que coisa enorme.
— Curativos não são meu forte, mas vai ficar bem. Não foi fundo, só grande. Lava essas mãos, eu acho eles. – assenti, me levantando. – Espera.
Olhei pra ele.
— Se precisar... Bem... Am... Precisar conversar...
— Sei disso. Você se importa comigo.
Ele bufou, olhando ao redor, irritado.
— Vou acha-los. – sorri, vitoriosa.
(...)
Foi uma tortura encarar a água vermelha escorrendo pia a baixo. Fleches das palavras e cenas de Janessa martelavam minha cabeça.
“Diz para meu pai que eu amo ele”
Fechei os olhos com força.
— Ei. – ouvi a voz de Wanda. Olhei pra ela. – Você é incrível. Eu teria desmoronado de ver tanto sangue assim. Ficou com ela até o fim. Aposto que ela mandou você ir. Mas você não foi.
Fui até ela, e a abracei.
— Eu ainda não acredito que ela morreu. Na minha frente.
— Ela foi pra um bom lugar. Não fale como se ela tivesse colocado a culpa em você.
— Tudo bem, não quero falar disso. – limpei a lágrima solitária que escorreu. – Onde está Andrew?
— Quarto 8.
Passei pela porta, andando rapidamente pelos corredores.
Acabei trombando com Dakota.
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