How To Be The Princess of England

28 How NOT to have the skin of the face torn by redheaded monkeys


Notas iniciais
Como não ter a pele do rosto arrancada por macacos ruivos

— Eu não acredito que vou ficar com essa cicatriz pra sempre. — ele resmungou, passando os dedos na cicatriz fina.

— Ta parecendo um pirata. Essa coisa te deixou durão. — sorri, e Jason gargalhou.

— Ótimo. Se fosse em você iria te deixar maravilhosa. — Ele sorriu.

— Por que você é o mais lindo de todos, eu entendo. — Revirei os olhos, e segui caminho pelas árvores.

— Por que você está gelada?

— Não estou.

— Está. Você fica gelada quando está nervosa. — ele sorriu, e se aproximou de mim. — Por que você está nervosa?

— Por que você está tão chato?

— Por que você está tão irritada?

— Porque você é um chato. — O impurrei com força, mas ele nem se mexeu.

— Você que está irritadinha demais.

— Talvez eu esteja nervosa porque vou me matar. — Cruzei os braços, e suspirei.

— Eu não acho que seja suicídio. Sinceramente? Eu estou cansado de dar ordens e ver os outros resolverem os problemas. Pegar e resolver dessa vez, pra variar, vai ser bom.

— E essas pessoas morreram por mim. — Respirei fundo. — Eu tenho que fazer isso.

— O que?! Morrer? — Eu ri.

— Claro que não. Lutar pelas pessoas... E vingar os que foram. — Ele assentiu.

— Bem, se eu não estivesse no meio da floresta, eu não me preocuparia de ficar aqui, sentada com você. — ele abriu a mochila, e pegou o mapa. — Acho que estamos aqui. Sim, aquele morro está no mapa. Vamos seguir pra direita. — ele pegou a mochila, e me ofereceu a mão pra levantar. Aceitei, e Jason me puxou com força pra cima, deslocando uma mecha do meu cabelo pro olho.

Ele a colocou atrás da minha orelha, e sorriu.

— Não, não vamos fazer isso agora. — disse, andando na direção que ele mandou.

— Aah! Por que?!

(...)

— Você é péssimo com mapas, Londres.

— Ah é? É complicado, anjinho.

— Deixa eu ver. — Tirei o mapa das mãos dele, que revirou os olhos.

— Esquerda. — disse, sorrindo pra ele.

— Eu já sabia, mas a sabe tudo aí não me deixou falar. — ele saiu andando pela direita.

— Jason, esquerda é pra lá. — apontei pro lado certo, sorrindo.

Jason revirou os olhos, e seguiu pelo lado certo.

— Estava testando seu censo de esquerda e direita. Parabéns, você passou no teste.

Ri, o seguindo. Claro que estava.

— Por que não admite seu erro de uma vez? Sei que vai ferir seu orgulho, mas...

— Meu orgulho não é tudo o que você diz. — ele cruzou os braços, seguindo as árvores. — Você que exagera.

— Eu exagero? Jason, deixa de ser ridículo.

— Você é ridícula.

— Por que? — coloquei as mãos na cintura.

— Eu não consigo te entender, não consigo prever o que você vai fazer, por que você é impulsiva, cabeça dura e imprevisível e...

— E você é incrível, perfeito, e não erra nunca. Era isso que você ia dizer?

— Não, eu... EMILY!

Ele gritou, e eu estava perdida, sem entender do que diabos ele falava...

Até que caí em algo molhado e arenoso.

Eu comecei a afundar mais cada vez que tentava tirar meus pés dali.

Areia movediça.

Um grande e enorme poço de areia movediça.

Minha respiração acelerou, e eu comecei a me debater, fazendo a areia ir até minhas coxas.

— Não se mexe! — Jason pediu, mas eu não o escutei. Todo meu corpo era dominado pelo desespero.

— Jas! Eu estou afundando! Faz alguma coisa! — Gritei, tentando me soltar. Lágrimas se formavam nos meus olhos, e eu afundava depressa.

— Emily, meu anjo, se acalma, por favor, você vai afundar mais rápido. — ele esticou a mão, para tocar a minha.

Fiz o mesmo, e apenas nossos dedos se entrelaçaram.

Fechei os olhos tentando me controlar, e estabilizar minha respiração. Cada célula so meu corpo gritava, enquanto eu afundava devagar.

Okay, calma.

Abri os olhos, e respirei fundo.

— Vai ficar tudo bem. Eu vou te tirar daí. — ele apertou minha mão com força, antes de solta-la. — Me dá a mochila.

Obedeci, jogando pra ele.

Okay. Okay.

Jason também tirou a sua, e a jogou no chão.

— Eu vou te puxar pra cima. — Assenti, erguendo as duas mãos pra ele.

Seus dedos entrelaçaram meus pulsos, e ele me puxou com força, em sua direção. Eu nem me mexi. Jason fez de novo, e de novo.

— Não tá dando certo! — fechei os olhos fazendo duas lágrimas que nem sei de onde vieram, caírem rapidamente.

— Eu não vou desistir Emily. Eu vou te tirar daí.

Ele gemeu com toda a força que fez.

Me movi um pouco para o seu lado, e Jason fez o mesmo novamente, fazendo meus joelhos ficarem a mostra.

Ele me puxou mais uma vez, com uma força que fez meus pulsos latejarem, mas me tirou dali, e fazendo cair em cima dele.

Envolvi suas costas com os braços, e ele pressionou minha cabeça contra seu peito, com um ar de alívio perceptível.

— Eu ia dizer que eu amo isso em você.

— Nunca mais me solta — pedi, incapaz de me mexer.

— Nunca. — ele beijou o topo da minha cabeça, e acariciou meus cabelos.

— Eu te amo, Jas. — soltei. Me desgrudei dele num impulso, ignorando sua cara surpresa, e comecei a rir.

— Eu sei. — ele sorriu, e me ajudou a levantar. Minhas pernas estavam todas cobertas de lama. — Pena que alguém não gosta de água... Poderíamos entrar naquele rio e...

— Sem chance, Londres. Vamos em bora. — comecei a andar, mas ele segurou meu pulso.

Parei de sorrir, e o olhei.

— O que foi?

Ele apenas ficou olhando pra minha mão, impassível, até que sorriu e entrelaçou nossos dedos.

Abri um sorriso pequeno, assim como ele, e voltamos a andar, assim, de mãos dadas.

(...)

— Vamos parar? — Ele perguntou, esfregando os olhos. Assenti, e me joguei sentada no pé de uma árvore. Jason se sentou na minha frente, e começou a remexer na mochila, atrás de alguma coisa.

Mas uma coisa atrás dele fez meus olhos arregalarem.

— Jason... — sussurrei. Ele me olhou, sem eu saber do que eu falava.

Um macaco enorme estava parado atrás dele.

— O que foi? — ele praticamente gritou, o que fez o macaco dar um gritinho, o que fez Jason cair pra frente. Devagar, ele se aproximou de mim. — Que droga é essa?

— É um macaco, Jason.- O olhei.

Ele uivou de novo, mais alto, enquanto batia no peito.

— Ah, é inofensivo ent... — ele ia levantar, mas eu o puxei de novo. — Ei, tem medo de macacos também?

— Macacos Fluins não são inofensivos. Eles atacam, e mordem sua cara até sair pele, e enfiam seus olhos em galhos de árvore, pra marcar território, e depois amarram seus ossos no topo da maior árvore. — ele ergueu as sobrancelhas, e olhou pro macaco.

— Sério? Essa coisa? Que ridículo. Mortos por um macaco ruivo. — ele revirou os olhos. — O que fazemos, expert em macacos?

Olhei em volta.

— Sem movimientos bruscos. Ele está chamando a família, e não vai demorar pra chegarem. — Me levantei bem devagar, e Jason fez o mesmo, colocando a mochila nas costas.

— Tem certeza que essa gracinha machuca? É tão fofinho que parece que vai...

O macaco pulou na direção dele, o derrubando no chão com força. Jason começou a gritar, enquanto o macaco tentava alcançar seu rosto.

— NÃO GRITA JASON! — Ergui a mão, e lancei uma pequena chuva de raios no primata, que gritou e correu pro lado.

— Você matou o macaco? — ele me encarou, fingindo estar horrorizado.

— De nada. Ainda bem que ele não chamou os outros, eu nunca daria conta de um bando inteiro. — Ele sorriu, mas parou instantaneamente.

— Ah, Emily... Ele chamou sim... Toda a família... — ele apontou pras árvores trás de mim.

Me virei, e dei de cara com dezenas de macacos empoleirados e quietos nas árvores.

Jason se levantou devagar.

— O que fazemos? — Perguntou, tocando meu ombro.

— Corre.

Ele obedeceu, me acompanhando com toda a velocidade pro lado oposto.

Os macacos gritaram, enfurecidos, e o barulho dos galhos sendo pendurados com força aumentou.

Um deles pulou na nossa direção, e eu o fritei Involuntariamente. Sorri.

— Vamos, um campo de força, campo de força... — fechei os olhos por um segundo, e um campo de força elétrico se estendeu de mim, e envolveu Jason também.

Ele lançou um sorriso orgulhoso, que retribui e quase bati de cara numa árvore.

Uma das mãozinhas com unhas grandes deles alcançou meu braço, me arranhando. Fritei o macaco instantaneamente.

Meus pulmões ardiam, e o cansaço batia levemente em mim. Balancei cabeça e continuei correndo, até ver onde a floresta terminava: num penhasco, que dava direto numa caxoeira.

Nós paramos bruscamente, perto da borda, e os macacos, que estavam mais atrás, quase nos alcançavam.

Jason agarrou minha mão, esperando o pior, mas o primeiro macaco que bateu contra a barreira, berrou e saiu correndo, eletrocutado. Com os outros foi a mesma coisa.

— Isso é incrível, Emily. — ele sorriu. Dei um sorriso fraco. Não tinha muitas forças naquele momento. Continuamos parados, vendo as dezenas de macacos virarem centenas, todos batendo de frente contra meus raios.

Mas aquilo sugava toda a minha energia. Meus olhos pesavam, era como se eu fosse desligar a qualquer instante.

— Emily, você está bem? — Assenti, tentando manter os olhos abertos. Mas meus joelhos falharam, e Jason me segurou. — Ei, você realmente não está bem.

— Eu.. Não aguento mais... Vai parar a qualquer momento...

— Tudo bem, tudo bem, você já fez muito. — ele acariciou minha bochecha, e minha cabeça foi pra trás. — Vamos ficar de pé. — ele me puxou pelos braços, e passou a mão na minha cintura, me mantendo apoiada em seu corpo.

— Jas, eu não consigo mais... Temos que fazer alguma coisa...

— A única saída é a caxoeira. Eu não vou te deixar afundar. — Assenti.

— Confio em você. — dei um sorriso pequeno, fazendo um pequeno esforço pra firmar os pés.

— Quando eu mandar, se joga pra trás, okay? — Assenti.

A barreira elétrica ficava cada vez mais fraca, e quase insistente a cada segundo a mais que pesava acordada.

Até que parou de vez.

— Agora! — joguei meu corpo pra trás, e fechei os olhos, despencando junto com ele.

Prendi a respiração e fechei os olhos, e nossos corpos bateram na água.

O desespero tomou conta do meu corpo quando minha mão se perdeu da de Jason, mas eu não tinha forças para me debater. Apenas observei a luz do sol ficar distante. Quando os braços de Jason me envolveram, e me levaram pra superfície.

Respirei fundo, e tossi algumas vezes, enquanto Jason nadava.

— Sempre pode confiar em mim. — ele piscou, e eu mordi o lábio, o que o fez sorrir.

Ele me colcou deitada na grama, e se deitou do meu lado, exausto também. Jason se virou pra mim, e sorriu.

— Aqueles macacos pareciam mini Emilys subindo em árvores. — ele gargalhou com o próprio comentário, e eu sorri, incapaz de ficar brava.

— Se.. Eu conseguisse falar.. Te falaria com o que você parece... — ele sorriu.

— Com um cisne? Um belo pavão. Uma flor. Um...

E eu parei de ouvir, pegando no sono.

(...)

Pisquei devagar.

Tudo estava escuro.

Era isso. Elas tinham me capturado, e eu estava numa cela acolchoada, quentinha... SEM JASON DO MEU LADO, AÍ MEU DEUS EU VOU MORRER

— Jason! — gritei, me levantando. — Jason cadê você!

Uma luz acendeu, e um Jason com uma careta indignada deitado do meu lado piscou algumas vezes. Estávamos dentro da cabana.

— Oi, Em.

— E-Eu achei que você não estava comigo... — ele deu um sorriso pequeno, e envolveu minha cintura com os braços.

— Eu estou aqui. Tudo bem. — sorri, aliviada.

— Percebi. — deitei a cabeça em seu ombro. — Quanto tempo eu dormi?

— 5 horas.

— Que? — quase saltei do lugar.

— Depois que saímos do rio, eu te carreguei por um tempo... Já estamos dentro da cidade.

Meu sorriso desapareceu.

— Jason. Estávamos a 2 quilômetros da cidade. Como você me carregou tudo isso?

— Eu não podia te deixar pra trás... Podia? — Sorrimos. — Bem, você dormiu 5 horas, mas eu estou com sono. Podemos voltar a dormir?

Sorri, e assenti, me deitando novamente.

— Você está com frio? Porque eu acho que está. — disse, cruzando os braços.

— O que? Eu não estou com frio, deve estar fazendo 30 graus aqu...

— Jason! Eu estou com frio, cala a boca e me abraça.

Ele riu pelo nariz, abrindo um sorriso enorme.

— Eu te esquento. — ele me envolveu com os braços, e eu deitei a cabeça em seu peito.

— Obrigada. — Pisquei pra ele, e ele mordeu o lábio. — Isso é coisa minha.

— E daí? — dei de ombros, e fechei os olhos.

(...)

Eu não conseguia dormir. Geralmente, Jason me acalmava. Mas eu não conseguia pensar direito. Estava com medo, por ele. Não me importava de morrer, mas se fosse perder ele... Eu não conseguia. Não era forte o bastante.

Suspirei. Sem acorda-lo, tirei seu braço da minha cintura, e o coloquei delicadamente no saco de dormir, e me levantei.

O caderno de anotações.

Franzi o cenho, e balancei a cabeça. Que isso?

O caderno de anotações criança, vai le-lo.

A voz. Era a mesma voz que nos ajudou a achar o carrinho na floresta pra fugirmos.

Leia o caderno, Emily.

Suspirei, e olhei pra mochila dele. Eu não posso fazer isso. É dele. Eu não tenho direito de le-lo.

Eu estou deixando, leia logo.

Prendi a respiração, e abri sua mochila, tirando de lá o caderno, que ainda estava molhado nas pontas, mas Jason deve ter colocado tudo pra secar no sol. O que eu estava fazendo?

Leia.

Abri em uma página qualquer.

"10/08

*Minha mãe gosta da tal "Emily Rhondes" sem conhece-la."

Soltei todo o ar que segurava.

Eu iria saber de tudo que ele nunca teve coragem de dizer em voz alta.