How To Be The Princess of England
13 How NOT to beat London because of your pride
Notas iniciais

Andrew ficaria, até o rei decidir o que iriam fazer.
Ouvi cinco batidas ritmadas na porta.
Era o jeito que Jason batia.
— Pode entrar. – falei, ainda agarrada a um travessero bem grande.
— Oie. – ele colocou a cabeça dentro do quarto. – Tudo bem? – ele sentou de pernas cruzadas na minha frente.
— Não enche, Jason. – Ele desmanchou o sorriso.
— Você continua se culpando. – ele abaixou o olhar. Sua voz saiu como um sussurro triste. – Emily, se as pessoas boas se culparem pelo que as más fazem... O mundo não anda.
O olhei, como se ele fosse falar outra coisinha fofa.
— Talvez você tenha razão. Mas eu não consigo parar de pensar o que aconteceria se eu...
— Você quer ver as fotos?
— Que fotos?
— As que acompanham as anotações. – ele revirou os olhos.
— Quero. – sorri, sentindo uma animação repentina me atingir. Sem vontade de sair dali, ele estendeu a mão na minha direção, me fazendo largar o travesseiro e pular em sua direção.
Fomos até o andar de quartos da família real, e ele abriu a porta de um dos quartos.
— Não toque em nada. Nadinha. Nada mesmo.
Seu quarto era incrível e rústico.
Tudo combinava. As cômodas eram de uma madeira escura e tinha desenhos esculpidos nela, fazendo o quarto ficar com um ar medieval e simples. Tinha um armário, uma cômoda encostada na parede da porta, uma cama de casal com uma coxa preta, um espelho que ia de próximo ao teto, até quase tocar o chão.
E lá estava a grande parede de fotos que ele mencionara.
Passei os olhos por elas, calmamente.
Tinha uma foto do rei, bebendo uma xícaras de chá em seu quarto, da rainha posando propositalmente pra ele no jardim, Andrew bem mais novo, correndo num campo de futebol atrás de uma bola, Eron e Kiro também mais novos sentados na escada do castelo, brincando com carrinhos de controle remoto...
— Essas fotos são mais antigas. De quando ganhei o caderno. Tinha... 14 anos. – ele apontou pra uma foto bem no canto esquerdo bem perto do teto. Era um garoto de cabelos escuros, de olhos azuis e não tão bonito como é hoje. Ele tinha os dentes tortos, e parecia alegre. Muito alegre. Não como é hoje.
A segunda foto era Jason ao lado de uma garota um pouco menor que ele.
— Quem...? Era...? – sorri.
— Era. – desmanchei o sorriso.
— O que aconteceu com ela?
Ele me encarou por muito tempo.
Não soube dizer se foram segundos, ou anos. Mas ele me encarava como se fosse chorar a qualquer instante.
— Jason...
— Eu sofri por isso durante anos. Eu superei, e não quero falar sobre isso.
— Tudo bem. — ele deu um sorriso pequeno, antes de se aproximar, prestes a me beijar. Esperei o toque de seus lábios, mas ele parou. Revirei os olhos, e acabei com a distância que nos separava. Foi um beijo rápido. Mas me fez sentir melhor.
Ele sorriu.
— Não quer ver suas fotos? – fiz uma cara surpresa.
— Você escreve sobre mim?
— Eu escrevo sobre todo mundo que me envolve. – Jason pegou minha mão, e me levou pro meio da parede, um pouco em baixo, onde ficavam as fotos mais recentes.
Tinham várias fotos minhas.
Numa delas, eu estava sentada durante o jantar, outra eu estava desenhando no jardim, conversando com Andrew no dia do carro alegórico, eu chorando em uma crise por Janessa, em outra estava dormindo...
— Você invadiu meu quarto?! – o olhei. Ele franziu as sobrancelhas, como se não soubesse do que eu estava falando. Ele se levantou da cama, e foi até a foto.
— Olha! Você tá mesmo dormindo!
— Você invadiu meu quarto?
— Não lembro. – ele pegou de de dentro de uma gaveta, um caderno verde. Ele devia ser do tamanho do meu braço. – Qual a data?
— Hum... — estava anotada a data das fotos no canto delas. – 13-08. Foi o dia que cheguei.
— Ah, aqui. – Ele sorriu com o que leu. – “ Dia 13-08. Emily gosta de abrir livros e dormir em cima deles. Ela tem se mostrado irritante desde que chegou aqui...”
— Hum. Interessante. – qualquer vestígio de emoção extravazou de meu rosto.
— Que bom que você não vai ler. – ele sorriu, mas eu não consegui descartar o pensamento de que Jason me achava irritante. Talvez mais que irritante.
Mas por que eu ligava pro que ele pensava de mim? Ele era meu amigo... E no começo do ano eu vou embora, largar Adnrew, largar Jason... Droga, onde eu esqueci de colocar o tópico: “Não se apegar” e muito mais “não se apegar aos beijos do príncipe que você vai fingir amar e casar pra poder ser livr...”
— Emily? Ei, terra chamando Em...
— O que? – perguntei, engolindo em seco.
– Eu posso ver seu cordão? – assenti, tirando ele de meu pescoço, e entregando nas mãos dele. – Ah, a frase.
A frase era em símbolos que formavam um texto em forma de espiral, contornando a parte de ouro atrás do rubi circular.
Ele encarou meu colar. Encarou, e encarou por bastante tempo, com uma cara assustada. Resolvi não interromper. Me daria tempo pra pensar...
— Acho que sei o que é isso, Emily.
(...)
E lá estava ele, na grande escada de ferro da biblioteca, nas prateleiras mais afastadas, lendo títulos dos livros. Ou ele guardava, mostrando que era inútil, ou ele jogava pra mim colocar na mesa.
— Okay, acabou. – ele desceu das escadas, e se sentou na frente dos livros.
— Jason, meu pai já pesquisou muitas vezes... Isso é antigo na minha família, era da minha avó... Olha, já vai bater o toque, e eu estou exausta...
— Não, não, Emily. Eu achei. O alfabeto fonético da OTAN.
— O que diabos é OTAN?
— Organização do Tratado do Atlântico Norte. É uma aliança militar baseada no Tratado do Atlântico Norte, que foi assinado em 1949, pouco depois da segunda guerra. Eles criaram o alfabeto de soletração mais usado no século XXI...
— Certo, vai pra parte que isso se torna útil.
— Okay, isso tá em alfabeto fonético.
— Pode traduzir?
— Sim. – Ele colocou meu colar perto das letras, e foi escrevendo a tradução.
— “Rhodum insulam, Aparondes clavem” Não faz sentido... Tem que ter uma tradução... Isso tá em alguma língua, só pode.
— Aparondes? – arregalei o olhos.
— O que? A palavra é familiar?
— S-Sim... É o nome de uma Deusa em uma história que meu pai contava...
— Que história Emily?
— E-Eu...
Flash back on
“-Navigantes, superficies, non mergunt habeo vetitis redire amor separatus differentiis et ibi paritura exspectare velit...
— Que isso papai? – perguntei.
Eu tinha apenas 10 anos. Estava sentada colorindo, quando ouvi meu pai chegar da fábrica cantando.
— É uma música. Sei canta-la em fonemas.
— Fonemas?
— Alfabeto fonético... Te explico quando for mais velha.”
Flash back off
— Meu pai sabia.
— O que?
— Alfabeto fonético. Ele mentiu, disse que não sabia a frase. – suspirei. – Por que ele mentiria sobre um presente tão importante pra mim?
— Ele deve ter tido um bom motivo. – os azuis de seus olhos brilharam com mais intensidade.
— Ele nunca mentiu pra mim, Jas. – Me sentei na cadeira, e ele colocou a mão em meu ombro.
Era como se ele quisesse dizer: “Tudo bem, eu estou aqui.”, mas seu orgulho impedia.
Quando se convive com Jason Londres, precisa prestar atenção nos detalhes, e ler as entre linhas.
Isso que tento fazer, e acabo estando errada.
— Oh, onde vocês estavam? – Vi Pedro XX, se não me engano, entrar na biblioteca.
— O que aconteceu, Pedro?
— Seu pai quer uma reunião conosco. Sobre... elas.
Suspirei.
Guardamos os livros rapidamente, e descemos até a sala de reuniões do rei – a que nunca tinha entrado. Me sentei ao lado de Wanda e Andrew, e Jason ao lado de Dakota e Kiro.
— Bem, podemos começar. – o rei se levantou, e se posicionou ao lado da rainha, que estava linda, com um vestido vermelho e florido. – Eu não vou mentir a vocês: elas são muito perigosas. Mas, grande parte de vocês vão assumir tronos. líderes tem que lidar com coisas assim. Não podem ter medo. Mas, por hora, são apenas adolescentes em treinamento.
“ Recentemente, tive uma reunião holográfica com todos os pais líderes de países presentes do tratado de paz, e concordamos que tiraremos vocês do castelo.
— O que? – arregalei os olhos. Eles tinham perdido o juíso? As instruções eram bem claras: SE SAIREM DO PALÁCIO AS PESSOAS VÃO MORRER.
Murmúrios começaram a correr.
— Silêncio. – todos se calaram. – Vai tudo ser em segredo. Ninguém saberá que estão fora. Ninguém. Nós discutimos muito, e chegamos a essa conclusão. Raciocinem comigo: Se mandaram vocês ficar, querem matar não só a Emily.
— PETER! – A rainha quase socou a mesa, nervosa por mim.
Senti a mão de Andrew se entrelaçar a minha.
— Bem, desculpem pela indelicadeza. Seguindo meu raciocínio, elas têm planos para ameaçar todos vocês. Essa é a realidade. E nós queremos evitar a perda dos futuros líderes de grande parte do mundo. Vocês irão para uma fazenda de localização secreta, apenas eu, e algumas pessoas próximas a mim na hierarquia sabem. Vocês estarão seguros.
Georgia levantou a mão.
— Sim.
— Fazenda? Terão porcos, galhinhas em coisas do tipo?!
— Não, não, é algo bem luxuoso. Fazenda é um termo pra despistar.
Foi minha vez de fazer uma contribuição realmente importante.
— Sim, Emily.
— E se descobrirem? Acho que elas não gostam de ser enganadas, vão simplesmente bombardear qualquer cidade sorteada.
Vi várias pessoas concordarem comigo com a cabeça.
— Temos tudo sobre controle. Contaremos com os maiores espiões das nações em paz para ajudar. Está tudo sobre controle. Não precisam se preocupar. Vocês vão após o desfile, que ainda está de pé, devido aos acontecimentos da prolongação da sua estadia aqui. – um som alto que todo o país conhecia de cor, tocou. O toque de recolher. – Bem, estão dispensados.
Sai da sala.
— Perdoe meu pai. – ele chegou perto de nós dois. – Ele falou sem querer, mas seu orgulho nunca o deixaria admitir que foi desnecessariamente agressivo.
— Tudo bem. Convivo com você e seu orgulho todo dia, posso lidar com a demonstração de 5 minutos do rei do país. – Andrew começou a gargalhar, enquanto Jason apenas revirou os olhos, e sorriu, sabendo que não estava mentindo.
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