How To Be Popular
4 Como 'não' ir a um clube.
Notas iniciais
Fim de semana outra vez.
Primeiro sábado que eu não passo ou olhando o teto ou mexendo no notebook. Vou confessar, é a primeira vez que eu fico mega nervosa pra algo, e também é a 1ª vez que eu vou em um clube, deve ser legal. Saí do banheiro ajeitando o biquíni, Natalie para de mexer no celular (ê vício) e me olha, ela abre um sorriso de orelha a orelha.
–Cara, você tá magnífica.
–Obrigada — Digo indo pegar minha blusa.
–Que que “cê” vai fazer? — Pergunta nat colocando a mão no meu braço.
–Colocar a blusa, oras.
–Claro que não, você vai sem blusa.
–Tá “loca”? É um clube, eu não vou igual uma favelada.
–Você vai ter que tirar tudo pra tomar banho criatura, qual a diferença de ir de blusa ou não?
–Exatamente Natalie, qual a diferença de ir com ou sem blusa? — Cruzo os braços sabendo que eu a venci na discussão, ela bufa e volta a mexer no IPhone sem dizer nada, adoro quando isso acontece.
...
–Não pai, eles viraram a curva sim.
–Eles não viraram curva nenhuma, quantas vezes vou ter de dizer que…
–...Estamos perdidos. — Completa nat com ironia, meu pai a olha mortalmente pelo retrovisor, mas ela não percebe pois está virada para a janela.
–Aquele parece ser o carro deles. — Minha mãe aponta para um carro preto, mas o carro deles é branco.
–Marie, ou você é daltônica ou não prestou atenção no carro deles. — Meu pai diz sem tirar os olhos da estrada.
–Eu acho que é os dois.- Diz colocando os óculos de sol. — Vou dormir, não perturbem. — Ela se acomoda no banco, já eu, não consigo me concentrar em nada, eu sei que estamos perdidos, eles viraram a curva. É, parece que eu vou continuar sem nunca ter ido em um clube.
...
Acordo com alguma coisa me molhando, pisco um pouco e percebo que ainda estamos na estrada, suspiro. Abaixo o olhar e vejo uma Natalie babando na minha perna, grito como se estivesse vendo um monstro, isso faz com que ela acorde assustada e bata a cabeça na janela, faz minha mãe bater a cabeça no teto e faz meu pai frear bruscamente, causando vários xingamentos e buzinadas. Todos gritam igual a mim.
–O QUE FOI? QUE HOUVE? — Grita minha mãe assustada como todos os outros.
–A Natalie estava babando na minha perna.- Digo limpando a baba com a mão e limpando no banco.- Que nojo. — Vejo meu pai revirar os olhos e dar partida novamente.
–Porra Jolie, gritou tanto pra isso? — Diz minha mãe encostando na janela.
–Nossa mãe, ótimo exemplo você está me dando.
–Não dou exemplos, se você quiser fazer as mesmas coisas que eu, faça. Só que daqui a 20 anos, não me venha reclamando que você está uma velha com um emprego horrível, cheia de contas pra pagar e com celulites e estrias. — Reviro os olhos com o argumento de minha mãe, olho pro lado e vejo Natalie mexendo no celular, outra vez.
–Caralho Natalie, larga essa droga, não te convidei pra mexer no celular. — Ninguém fala nada por eu ter xingado.
–Ainda não chegamos e eu não tenho nada pra fazer.- Ela me olha. — Você tem que parar com esse recalque de não ter celular.
–Eu tenho celular, e você sabe.
–Mas não é melhor que o meu. — Ela dá língua e volta a mexer no celular.
–Pai, você já os achou? Por favor, diz que achou.
–Não filha, ainda não achei. — Encosto no banco com tanta força que chega a doer, eu estou começando a querer desistir dessa viagem.
...
Saio do banheiro com uma roupa qualquer. Desço as escadas e vou até a sala de jantar onde encontro todos, inclusive nat, sentados à mesa. Nós não conseguimos achar eles, então desistimos e acabamos por voltar pra casa. Eu? Como eu estou? Bem, não estou chorando um rio, mas estou meio decepcionada. Me sento na cadeira da ponta, dou minhas mãos para minha mãe e para nat e então começamos a orar, quando íamos comer a comida deliciosa de meu pai — isso mesmo, meu pai, minha mãe não sabe cozinhar muito bem — a campainha toca, quando meu pai vê que ninguém vai atender, ele bufa e resolve ir. Ele olha no olho mágico e então abre a porta totalmente. É quando um cara muito lindo, um pouco mais que o Josh, entra na casa (com permissão do meu pai, claro) e vem em nossa direção, ele nos dá 'Boa noite' e eu quase babo ao ouvir sua voz, rouca e sexy, eu diria o quanto ele é lindo e perfeito pra nat, mas ele vai até ela e lhe dá um selinho. Minha boca se escancara e então começo a acompanhar todos os passos da vacalinha vulgo Natalie, ela se levanta com a ajuda de seu mais novo bofe (e que bofe).
–Gente, muito obrigada mesmo por me deixarem ficar aqui, mas como vocês veem — Ela aponta pro garoto cujo o nome ele disse ser "Noah"- Eu tenho que ir. — Ela sai rebolando com Noah superdelicia agarrado a ela, ainda estou com a boca escancarada. QUE VADIA! Me deu vontade de gritar, mas eu estava junto com meus pais, então provavelmente receberia uma bela bronca... do meu pai. Começamos a comer a comida que por acaso está maravilhosa.
–Nossa pai, que delícia.
–Obrigado filha, eu usei um tempero esp…- A campainha toca outra vez, interrompendo meu pai, eu e minha mãe olhamos para ele dando a entender que é pra ele abrir a porta novamente — Ah, não! Fui na última vez, vai você Jolie.
–Mas por que eu? — Meu pai iria dizer ago, mas o som da campainha sendo apertada várias vezes o interrompe.- Ok, eu vou, aff, bando de preguiçosos. — Abro a porta e vejo uma Candace com cara de tacho. Espera ai, CANDACE? AFF, pensei que fosse o Josh, eu ficaria tão… Mas espera ai de novo, o que ela está fazendo aqui.
–Que foi? — Pergunto mal- humorada.
–Ui, isso é jeito de tratar uma visita. — Pergunta com sarcasmo, essa vad...
–Ah, me desculpe.- Digo mais irônica ainda, pego a jaqueta que estava no braço dela e coloco-o em um gancho na parede, é isso o que a maioria das pessoas daqui fazem quando chega uma visita.- Que foi? — Digo indiferente, ela me olha mortalmente e pega o casaco de volta.
–Eu queria dizer uma coisa pra você. — diz calmamente, estranho isso de primeira, vai vir coisa.
–Não demora.
–Não se preocupe, vai ser rapidinho. — Ela pausa — Fique longe do MEU Josh. — Ela diz com a voz alterada.
–O quê?
–É isso mesmo, fique longe dele. — Olho pra trás pra ver se tem alguém me vigiando. Ninguém. Saio e fecho a porta atrás de mim.
–Como assim, tapada? Ficou mais retardada do que já é? — Ela revira os olhos com raiva.
–Escuta aqui, 1°: tapada é você e retardada também, 2° Eu estou dizendo pra ficar longe dele. — Ela cruza os braços, que idiota essa garota.
–Essa parte eu já entendi, só não estou entendendo o porquê de você estar falando isso pra mim e não pra ele, porque é ele quem fala comigo e não eu com ele. — Ela parece pensar um pouco sobre o que eu falei.
–Foda-se. Só não aceite os passeios que ele propôr e o ignore ou se não sua vida social está acabada. — Ela diz, com a voz dela de taquara rachada, se virando pra ir embora.
–E que vida social eu tenho, hãm? — Pergunto quando ela já está na calçada fazendo-a se virar pra mim com um sorrisinho cínico.
–Não é só porque você é uma pateta antissocial que só tem aquela piranha ridícula que dá a bunda pra todo mundo como amiga não quer dizer que você não tenha uma vida social. Tchauzinho. — No momento que ela começou a falar eu finquei minhas unhas com força em meu braço e continuei apertando. Ela vai embora me deixando com muita raiva, mas eu não queria discutir, ela pode ser babaca, idiota, tapada, ignorante... enfim, ela pode ser muitas coisas, mas ela sabe o que dizer e quando dizer. Percebo que ainda estou apertando meu braço, pois começa a doer.
–Essa piranha vai ver.- Abro a porta — Ah se vai.
...
–Perai, me deixa entender.- Diz nat parando de lixar as unhas — Você ficou com raiva dela só porque ela te fez apertar seu braço? Cruzes. — Ela volta a lixar as unhas e então a olho como se ela fosse uma retardada mental, porque não é POSSÍVEL que depois de 3 explicações bem DETALHADAS, ela não tenha entendido.
–Natalie, você precisa de um médico. É. Sério. — Me viro para a minha escrivaninha e de lá pego um papel e uma caneta roxa.
–Pra que isso? — 8 Ela aponta para minha mão.
–Bem... a caneta serve para escrever e o papel... — Começo a explicar pra ela as coisas como se ela fosse uma besta, mas o pior é que parece mesmo.
–Eu não sou tão burra assim, Jolie. — Ela me interrompe revirando os olhos.
–Ok.- Suspiro — Eu quero me aproximar do Josh, vou anotar os planos que eu tiver.
–Mas não é isso que a Candace falou pra você fazer. — Ela cantarola, a olho já com muita raiva de sua burrice. Dou um grande suspiro.
–E você acha que eu vou fazer o que aquela VACA me falou para fazer? — Pergunto e ela dá de ombros voltando a lixar as unhas, suspiro de novo, só Noah pra aguentar tamanha burrice. Me sento na escrivaninha e tento ter ideias de me aproximar de Josh. Nada. Eu já disse o quão “criativa” eu sou com essas coisas? Depois de alguns minutos de silêncio ouço a música “Toxic” da Britney tocando extremamente alto, olho pra trás e vejo Natalie caçando seu celular em sua bolsa, olho para a mesa que fica ao lado da minha cama e vejo o celular vibrando em cima dela, olho pra nat com cara de bunda e a mesma continua procurando o celular na bolsa.
–Merda, acho que perdi o celular. — Ela diz ainda revirando a bolsa, levanto de mau gosto e pego seu celular na mesinha, ela não vê, então, só de sacanagem, eu atendo.
–Alô?
–Natalie?– Uma voz masculina fala, então reconheço ser de Noah.
–Sim? — Nat me olha descrente, ela tenta pegar o celular, mas eu a empurro e ela cai na cama e , como minha cama é fofinha até demais, ela quica e cai no chão. Abafo uma risada.
–O que houve ai? Ouvi um barulho.
–Ah, nada, só a minha amiga que caiu no chão.
–Oh, mas não foi pra isso que eu te liguei. Quer vir aqui em casa mais tarde? — Natalie parece ter ouvido pois estava fazendo vários gestos de não pra mim.
–Claro lindão.- Digo sarcástica, ela cai no chão em pura frustração.- Às 17:00 eu to aí. Tchauzinho. — Desligo o celular antes de ele falar algo. Nat se levanta e me fuzila com o olhar, dou de ombros e me sento na escrivaninha de novo.– Ideias? — Pergunto a nat que me olha furiosa e então se levanta do chão.
–Você quer uma ideia? Então tá! Seja menos chata, é por isso que você não teve namorado nenhum, é porque você é chata e nenhum garoto gosta de gente chata. — "Ah tá, não gostam de gente chata, mas gostam de gente burra." Penso em dizer, mas ela se joga na cama LITERALMETE e acaba por quicar e cair no chão, de novo, nesse momento eu não lembro mais o que ia falar já que estava chorando de tanto rir.
–Hahahaha. Que engraçado.- Ironiza nat se levantando do chão.
–É, é mesmo.- Digo começando a rir de novo, e então ela me acerta uma almofada, bem na cara, bufo de raiva e logo paro de rir e ela me olha vitoriosa. Pego a almofada do chão e jogo nela de volta, mas acabo acertando uma ursinha rosa que eu nomeiei de Sharon, fazendo-a rir muito.
–Cara! Você é muito ruim em pontaria.- Ela diz fingindo secar uma lágrima, porque eu sei que ela não é dessas que chora de tanto rir.- Eu sou a melhor! — Ela por fim se gaba me fazendo revirar os olhos , mas ela tem razão — cara, como eu ODEIO dizer isso -. Natalie pode ser burra, mas tem uma pontaria muito boa.
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