How To Be Popular
24 Como ir parar na diretoria 2 vezes no dia.
Notas iniciais
Ao acordar com o maldito sol no meu rosto, me levanto e pego a roupa que separei. No banho, não sei o porquê disso, eu fiquei refletindo sobre tudo que vem acontecendo. Tipo, nada disso acontecia antes, eu não tinha a vida tão animada, eu acho que é por causa dessa lista.
Realmente, um lugar ótimo para refletir é o banheiro.
Quando saio, vou até o quarto sem me importar em não fazer barulho e isso resulta no meu pé na barriga de Charlie.
– Foi mal, não precisa gritar — digo com voz de tédio. Vejo minha mochila e quando vou pegá-la, uma perna aparece na minha frente e então eu caio com tudo. Ainda bem que o carpete é fofinho. Não grito, nem reclamo, muito menos espanco a dona da perna — nesse caso, Tess -, apenas pego minha mochila e saio do quarto.
Que estranho. O que foi isso? Amadurecimento? Coisa horrível. Desço e pego um biscoito, pra ser mais complexa, três. Mas não três pacotes e sim três bolachas. (Odeio falar bolacha.)
Dessa vez eu não vou ter a moleza de pegar carona não, resolvi ir sozinha, andar... Para esticar...
Mentira, Noah conseguiu quebrar a moto no primeiro dia de uso, agora não tenho mais escolha e como a escola é longe e nem a pau que eu vou pegar ônibus, eu acordei 6:00 da manhã, provavelmente chego lá às 6:50, quem sabe.
...
Cara, isso é horrível, andar é horrível! É por isso que sou sedentária... Pelo menos não sou gorda né...
Mas é raquítica, que é igualmente horrível, aberração.
Olha, a Mila acordou.
Depois de uns, sei lá, 20 minutos de caminhada? É, tanto faz, depois de 20 minutos vejo o sol se fortalecer, infelizmente. Não que eu odeie o sol, não. Mas é que... Ok, eu odeio o sol.
Me. Julgue.
Viro uma curva e então percebo que estou perdida. Não me leve a mal, mas eu não sou de gravar o caminho para o inferno.
Depois de anos, Jolie.
Cala a boca, Mila, você não pode falar nada. Hmm... Ok, eu acho que agora eu tenho que ir direto e virar a segunda curva para a direita... Ou será que é esquerda? E se for a primeira curva?
ARGH!
Giro no lugar, dando uma boa olhada em volta, não tem ninguém na rua a essa hora (bando de preguiçosos) e então não tem como pedir informação.
Ok, Jolie, você consegue. Vamos lá, segura na mão de Deus e simbora.
...
Cheguei atrasada apenas porque eu errei duas curvas, tive que refazer o caminho umas três vezes e caí por causa do cadarço desamarrado umas bilhões de vezes. Sorte que não tinha ninguém na rua.
Viu? Isso que dá não prestar atenção no caminho para o inferno, sempre prestem atenção, é sério, não queiram chegar na escola toda suja e ainda ter de ser a celebridade do dia já que sempre quando você chega atrasada, as pessoas te encaram até você se sentar.
Olha, vou dizer uma coisa, se eu não estivesse usando jaqueta, garanto que minha blusa estaria estragada agora.
Por que eu fui usar blusa branca mesmo? Ah é, eu sou uma idiota.
Abro a porta da sala e automaticamente todos me encaram, inclusive o professor com o famoso olhar ou senta ou morre. Para dar a impressão de que estou 'tranks', eu começo a assobiar enquanto me dirijo a uma cadeira vazia.
E, adivinhem, não tem uma cadeira vazia.
– Que saco — murmuro, mas parece que o professor tem ouvidos biônicos.
– Como é?
– Ahn? — me finjo de desentendida — Ah, nada não — ele já iria se virar para o quadro novamente, mas eu interrompo tal ato -, entãão... As cadeiras estão ocupadas sabe, não tem uma vazia.
Ele me lança um olhar frio.
– Então pegue uma.
– Ér... Na verdade, quem tem de fazer isso é o senhor.- O olhar dele fica ainda mais furioso, se é que isso é possível.
– E por quê?
– Porque semana passada, você pegou uma cadeira para aquela garota — apontei para uma das discípulas da Candace, essa que apenas revirou os olhos -, e não adianta negar.
Cruzo os braços em forma de desafio.
– Eu peguei uma cadeira para ela pois estava de bom humor... E ainda mais, ela é uma boa aluna. — Ele lança um sorriso para a morena com silicone nos lábios, ela retribui. Só eu que achei isso muito suspeito?
Solto uma risada anasalada.
– Boa aluna? Ok, ok. Qual foi a última vez que ela fez um dos seus deveres?
Ele ficou em silêncio, me dirigindo um olhar fulminante. Não sei de onde veio toda essa coragem, mas só sei que esse é o professor que eu mais odeio nessa escola já que ele vive dando mole para as periguetes e trata o resto como lixo.
Semana passada, como eu disse, a siliconada chegou atrasada e ela não precisou dizer nada, ele já saiu correndo para poder procurar uma cadeira para ela, e o pior é que quando ele chegou com a cadeira, ela disse que não queria sentar naquela e sim aonde EU estava, então o professor me obrigou a sair do lugar e sentar lá na frente onde a cadeira fora colocada.
Estou torcendo para que minha coragem de enfrentá-lo não vá embora, eu sempre quis fazer isso.
– Ou pega uma outra cadeira, ou vai para a diretoria.
– Ou eu posso apenas me sentar aqui — me sento no canto da sala — e esperar você chamar a polícia, pois eu não vou sair apenas porque você se recusa a pegar uma cadeira.
– Você vai perder 5 pontos mocinha.
Dou de ombros.
–Tenho pontos o suficiente para perder.- Qual é, a única matéria que eu sou boa mesmo é na dele, Física. Acredita? Pois é, nem eu.
– Eu estou avisando...
– Estou ouvindo.- Ele, mais uma vez, me fulmina com o olhar e eu apenas dou um sorriso sarcástico.
...
– ME SOLTEM, VOCÊS NÃO PODEM FAZER ISSO! — Grito pela milésima vez, mas dessa vez mais alto, vejo as portas das salas se abrirem e um monte de fofoqueiros saírem para ver o motivo da gritaria.
E o motivo é esse: Dois professores estão me levando a força para a diretoria. Isso não é permitido, ou talvez seja, só que nunca aconteceu com ninguém e eu sou a primeira sem noção que fez isso acontecer.
Então eu tenho uma ideia.
– Ei, o que é aquilo? Aquele garoto deixou uma barra de chocolate cair.- O professor gordo me solta quase que automaticamente e corre em direção ao suposto chocolate, a professora não tem força o suficiente para me carregar já que ela deve ter uns 900 anos e então eu saio correndo, depois de virar umas cem curvas eu me jogo no chão, então ouço passos e gritos dos professores.
Que merda, penso, Me deixem em paz!
Em vez de correr, eu entro na primeira sala que vejo e então todos me olham assustados e, para minha sorte dourada, é a sala do professor gorducho e, adivinhem quem está tomando conta da sala?
Não, não é o Noah. É ninguém mais, ninguém menos que Josh Grey.
Solto, involuntariamente, um suspiro de alívio.
– Josh, você precisa me ajudar.
– O que houve?
– O professor Mark deu a louca e está querendo me levar para a diretoria, mas eu não fiz nada e iria ser muita injustiça ele me levar pois eu só queria...- ele coloca a mão na minha boca, interrompendo-me.
– Respira.- E então ele dá um exemplo de como eu devo respirar. Reviro os olhos e respiro fundo, logo ele tira a mão da minha boca.
– Me ajuda.
– E o que você quer que eu faça?
– Sei lá, alguma coisa.- ouço alguém tossir e lembro que estou em uma sala de aula, todos me encaram confusos — Ok, esquece, apenas... Não conte a ninguém que eu estive aqui, ok?
– Anh, ok...
– Isso é pra todos — aponto para a turma que me olha assustada agora.
Vou até a janelinha de vidro na porta e vejo se tem algum professor maluco nos corredores. Tudo limpo. Gente, vocês não imaginam como isso é legal, se esconder dos professores pela escola. É adrenalina pura. Estou me sentindo um poço de coragem agora.
Ok, então vamos aproveitar esse momento raro de adrenalina e coragem. Ando decidida até Josh e, antes de qualquer coisa, eu espremo seu rosto com minhas mãos e lhe dou um selinho, nada demais, apenas aproveitando a energia e o calor do momento.
Saio correndo antes mesmo de ele formar uma frase. Começo a correr de novo e como essa escola parece mais um labirinto, eu não sei para onde vou, então de repente dou de cara com uma professora quarentona.
– Ah, que merda.
...
– Tem alguma coisa a dizer em sua defesa, senhorita Jolie?- Pergunta o diretor.
– Isso aqui é um julgamento? Por que se for, eu exijo um advogado — brinco, mas ele não parece ter entendido.
– Não está em posição de exigir nada agora, senhorita Jolie.
– Para de me chamar de senhorita, me faz sentir velha igual a professora de química do oitavo ano.
– É impressão minha, ou a senhorita está fazendo piada?
– É totalmente impressão sua — me inclino e coloco os cotovelos sobre as coxas — Vem cá, é mesmo necessário esses professores aqui, eu juro que não vou fugir.- Ele olha para os professores, um homem e a mulher que me trouxe, e faz um sinal com a mão, os expulsando da sala.
– Bem, pelo que eu sei, você queria uma cadeira, não?
– Falando assim, parece um motivo ridículo para vir à diretoria.
– E é.
– Eu sei.
Ficamos um tempo em silêncio até ele se manifestar com um suspiro.
– Olha Jolie, você é uma das alunas aqui que não são, vamos supor, vacas.
Eu acho que isso foi um elogio.
– Hmm... Valeu?
– Eu vou deixar passar dessa vez — ele me ignora -, eu também não gosto muito do Mark, mas se você vier aqui outra vez em menos de uma semana, vai ser punida, estamos entendidos?
Abro um sorriso e meu primeiro impulso é de pular em cima dele e o abraçar, mas isso seria estranho, então apenas levanto e digo:
– Muito obrigada, Diretor, garanto que eu não vou voltar aqui tão cedo.
...
– Algum motivo para você estar aqui de novo? — Pergunta o diretor visivelmente irritado.
– Eu juro que eu não queria ter feito aquilo, eu apenas tropecei e precisava de algo para escorar, não é culpa minha se eu escorei errado.
– Você arranhou as costas de Bailey Dawson.
Dou de ombros.
– Se ela ao menos se vestisse adequadamente, ninguém mandou vir com uma blusa com um decote enorme nas costas.
– E essas unhas? Não está na hora de cortar? — ele pergunta meio calmo. Isso é estranho pois há alguns segundos atrás ele estava quase cuspindo fogo.
– Está sim — dou de ombros mais uma vez olhando para as unhas, logo depois levanto o olhar de novo -, mas estou com preguiça e ainda mais, eu gosto delas assim.
Ele semicerra os olhos e então começa a procurar algo na gaveta, logo ele coloca um alicate velho em cima de sua mesa e empurra pra mim. O olho totalmente pasma.
– Não.
– Sim — ele responde calmo.
– Não.
– Você não tem outra escolha, ou é isso ou é detenção pelo resto do mês.
Levanto e bato as mãos na mesa.
– Pronto, resolvido, vai ser a detenção, adiós, mi amigo.- Começo a andar em direção à porta, mas ele me interrompe.
– Não pense que vai ser fácil assim todos os dias, sua detenção começa amanhã — balanço a cabeça sem olhar para ele, então saio da sala. Natalie está escorada na parede com o bendito celular. Pigarreio para chamar a atenção, ela me olha, mas continua com o celular na mão.
– Como conseguiu ficar aqui? O intervalo já acabou — pergunto. Ela joga os cabelos para trás em um gesto ridículo.
– Eu disse que também fui mandada para a diretoria e que já tinha uma pessoa na sala, só estava esperando.
– Inteligente esse plano, milagre vindo de você.
Ficamos em silêncio por uns segundo até ela perguntar:
– E aí?
– Detenção por um mês, que tal?
Ela revira os olhos.
– Frescurisse tem limite.
– Diz isso pra ele — começo a andar, ela me acompanha. Resolvo não falar do negócio da unha — Gostei da frase que falou agora, iria dar uma boa indireta. Tem o face da Bailey?
– Eu tenho todo mundo no face.
– Que ótimo, então posta e vamos ver se a atinge.
– Deixa eu terminar a frase — ela levanta a mão em sinal de advertência — Eu tenho todo mundo no face menos ela, a Candace e suas discípulas, quer dizer, só tenho uma, que é a Hannah, ela é maneira.
Faço uma careta.
– Não consigo imaginar uma das escravas da vaca como gente boa — digo.
–Nem eu, mas a Hannah é legal.
– Qual delas é a Hannah?
– Uma que tem o cabelo colorido — Ah, ela está falando de uma que nunca implicou comigo — a única talvez. Ela em o cabelo quase todo pintado de lilás, ela só deixou parte das pontas na cor natural — castanho.
– Aaahh — faço um som de compreensão — O cabelo dela é foda.
– Uhum — andamos em silêncio até chegarmos na sala. Essa aula ela faz comigo, felizmente, pelo menos não vou ter que aguentar sozinha pelo resto do dia.
...
A tia da Natalie que veio buscá-la, e já que ela não gosta muito de mim já que eu já pisei no seu cachorrinho — não é culpa minha se ele parece um rato e ela cisma em levá-lo para a casa da nat — umas trezentas vezes, eu resolvi não pedir carona, nada como ir a pé de novo. Estou prestes a sair da escola quando sinto alguém cutucar meu ombro, viro e me deparo com Josh.
Josh! JOSH!
Ok, é o Josh. Cala a boca que eu quero dormir!
Mereço.
– Ah, oi Josh — falo meio nervosa pois automaticamente lembrei do meu breve momento de loucura e do selinho que dei nele.
– E aí, Jolie. Vai embora?
– Pois é, tô doida para sair desse inferno.
– Vai a pé? — não, vou voando, não está vendo minha vassoura?
– É o único jeito, né?
– Não — levanto uma das sobrancelhas e ele logo se apressa em completar — Quer dizer, se você quiser, eu posso te dar uma carona, sei lá.
Ok, para tudo. Ele está me oferecendo carona? Josh Grey está me oferecendo uma carona? OMG, É O MELHOR DIA DA MINHA VIDA!
Ele só está te oferecendo uma carona, não uma proposta de casamento, calma.
Estraga prazer.
– Hmm... Ok — digo, ainda flutuando. Ele faz um sinal com a cabeça em direção ao estacionamento, o sigo. Vejo a vaca loira nos queimar com os olhos, mas prendo a vontade de lhe lançar o olhar chupa essa, vadia. Ele destrava o carro e ao ouvir o bip, eu percebo que não é um sonho. Não é um sonho! Entro no carro e em segundos já estamos na rua. Depois de uns minutos de silêncio, ele se manifesta.
– E então, sobre aquilo que aconteceu na aula...
– Não vamos falar sobre isso.- O interrompo.
– E por que não? — Ele parecia indignado. O olho.
– Olha, me desculpa, ok? Se é isso o que você quer que eu diga. Eu sei que você é apaixonado pela oxigenada lá e to pouco me lixando para o que você vai achar desse apelido, mas eu...
– Eu não gosto mais da Candace.
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