How To Be Popular
13 Como fazer amizade.
Notas iniciais
Eu já disse o quão azarada eu sou?
Bem, não preciso dizer mais, né?
– Ah não... — murmuro com o objetivo de que ele não ouça e parece que funciona pois ele está apontando loucamente para a direção onde Noah e a vaca tinham ido e está alternando os olhares entre mim e o corredor.
– Você — ele para de apontar para o corredor e aponta pra mim.- não iria me contar nada sobre aquilo porque você é uma ótima amiga? — Ele parece indignado.
– Como você sabe que eles estavam se beijando?
– Eu não sabia — ele se acalma e semicerra os olhos.- Então era isso que eles estavam fazendo? — Ele volta a ficar com raiva.
– Droga.- Praguejo mentalmente e acabo verbalizando, mas ele parece não escutar.
– Você não iria contar, Jolie?- Ele diz meu nome de uma forma tão sexy. A voz dele é sexy, ele é sexy.
Jolie, esse não é o momento apropriado pra tarar o menino.– A parte racional da minha cabeça se manifesta, depois eu dou um nome a ela.
– Não gosto de me meter na vida dos outros.- Mentira, eu adoro fazer isso, mas não vou dar uma de fofoqueira na frente do meu futuro esposo, né?
– Isso é pedofilia – ele me ignora.-, ela só tem 16 anos e ele tem... Sei lá! 23? Pouco me importa, isso é errado e, ao contrário de você, Jolie, eu vou dizer o que esse estagiário anda fazendo.- Ele se vira e começa a andar, mas eu tenho uma pergunta entalada na garganta que eu não vou segurar.
– Por que você se importa tanto?- pergunto e ele para de andar na hora. Isso não vai prestar, ainda bem que estamos em uma área que poucas pessoas “frequentam”.- Porque, tipo, vocês terminaram, você não manda mais nela e ela não manda mais em você, ela pode beijar quem quiser e você também.- Querendo ou não eu estou, em parte, defendendo a brucutu, mas eu não ligo muito, bem... Mais ou menos.
– Bem...- ele se embola um pouco.- Quer mesmo saber? Ok... Eu ainda gosto dela!- Confessa e eu olho para o relógio e já passou 6 minutos.
– Ah...- Me esforço para parecer indiferente, mas eu acho que ficou muito na cara que eu estou decepcionada. Ele suspira e olha também para o relógio e logo se vira pra mim.
– Olha Jolie, eu sei que você gosta de mim e tals, mas...
– Eu não gosto de você.- Minto, é claro que gosto dele, mas eu sou orgulhosa e tímida demais para admitir isso na cara dele.
E ele percebe que estou mentindo pois sorri com sarcasmo.
– Ah não?- aceno negativamente.- Ok, então quer dizer que você não iria gostar se eu te beijasse, né?
Nossa, eu iria adorar! Me beija, me agarre, me possua! Eu sou só sua...
Ok Mila, já tá bom, né?
Acabo de descobrir que Mila também é a voz safada da minha cabeça.
– Exatamente.- Digo e ele semicerra os olhos e começa a se aproximar.
– Não mesmo?
– Não.- De repente ele para e dá de ombros, praguejo mentalmente. Ele faz um sinal com a cabeça indicando o corredor e começa a andar por ele, o sigo e ele me surpreende quando me empurra para uma parede qualquer que eu nem tinha me dado conta de que estava perto. Ele se aproxima de mim, seu hálito batendo em meu rosto.
– Você não gosta de mim, não é?
– É.- Minha voz falha e eu fico furiosa, cadê aquele talento de não ter a voz falha em situações tipo essa?
– Olha nos meus olhos e diz isso.- Ele diz e eu tento olhar pelo menos pra ele, mas não consigo, não mesmo, essa timidez não me larga e eu tenho certeza de que estou parecendo um pimentão agora. Tento mais uma vez e falho, até que junto toda a coragem que eu não sei onde estava até agora e olho nos lindos olhos verdes do meu esposo, se é que me entende.
– Eu não gosto de você, Josh.- Foi preciso bastante esforço para eu conseguir dizer isso, ainda mais olhando bem nos olhos dele e eu acho que ele percebeu isso.
Ele se afasta.
– Tudo bem então, não vou te obrigar a gostar de mim.- diz levantando as mãos.- Mas não pense que seu amigo sairá ileso.- Ele ameaça.
– O quê?- murmuro ainda assimilando o que ele disse e logo arregalo os olhos.- Ah não, Josh! JOSH!- Tarde demais, ele já sumiu pelos corredores. Ah, dane- se! A culpa não é minha se aquele asno resolve se pegar com uma cadela no banheiro da escola.
Nossa, agora eu imaginei a mistura de um asno com uma cadela.
Eca. Os filhos deles não seriam bonitos, a não ser se puxarem a ele e...
ARGH! Alguém pode, por favor, me jogar na fogueira? Ou quem sabe me doar um cérebro? De preferência que não tenha vozes que brigam constantemente umas com as outras;
Pelo amor de Deus, sim?
...
– Jolie! — minha mãe grita da cozinha.- O que você quer de almoço? — É, almoço, hoje é o dia de folga dela.
– De preferência algo que não me mate intoxicada.- Zombo ainda virada para a TV.
– Vem cá garota, não tem louça pra lavar não? — Minha mãe aparece na porta da cozinha com uma colher de pau em mãos.
– Sei lá, é você que está na cozinha, oras.- Dou de ombros. Péssima escolha. É sério gente, nunca provoquem alguém quando esse alguém estiver com algo em mãos, não mesmo.
Que pena que só comprovei isso quando a colher bateu com tudo na minha cabeça.
– Vai querer o que para o almoço? — Ela faz a pergunta novamente com um sorriso no rosto.
– Sei lá... Almôndegas? — Digo massageando o lugar onde a colher bateu.
– Ótima escolha, super fácil de fazer.- Ela entra na cozinha novamente.
– Mas você vai conseguir dar um jeito de estragar.- Murmuro quando tenho certeza que ela foi embora.
Linda a minha relação com “Lilian”, não?
– Filha!- ela me grita de novo. — Vai querer almôndegas de que? — Como assim “almôndegas de que?”
–Não que eu esteja sendo mal- educada nem nada agora, mãe, mas que eu saiba, só tem almôndegas de um só sabor.- Eu queria muito, muito mesmo parecer séria, mas a situação não deixou e eu acabei por soltar uma risadinha que não passou despercebida pois minha mãe apareceu na porta da cozinha outra vez com uma concha de metal em mãos.
– Tá me chamando de retardada mental que não sabe fazer nada direito, muito menos distinguir almôndegas?
– Calma, eu só disse que só tem almôndegas de um só sabor.
– E riu!- Ela aponta a concha pra mim.
– É proibido rir agora?- Parece que eu não aprendi nada com o episódio anterior pois dessa vez uma concha voou no meu rosto. — MÃE!
– Que é?
– Eu vou de denunciar pra polícia! — Ameaço e ela dá de ombros, vem em minha direção e pega a concha e a colher de pau e volta pra cozinha.
QUE RAIVA!
Às vezes me dá uma vontade enorme de ficar no lugar dela e dar umas boas palmadas nela porque tipo...
ELA ME JOGOU UMA CONCHA! DE METAL! E não vamos nem mencionar a colher de pau... Meu rosto deve estar mudando do vermelho pra roxo agora.
Que maneiro! Arco- íris facial!
Volto minha atenção para a TV e para meu doritos. Ainda não sei como eu não engordo, é isso mesmo, eu não engordo #SINTAMINVEJA. Ouço o barulho da campainha e antes mesmo de eu fazer menção em levantar, a porta se abre.
– O que tem pra comer? — Natalie passa direto por mim e vai em direção à cozinha.
– Oi Natalie, quanto tempo.- Ironizo, mas ela já entrou na cozinha e provavelmente está fuçando descaradamente o armário na frente de mamis querida que adora jogar coisas em mim, e provavelmente minha mãe não vai fazer nada, e com certeza eu vou ficar sem ter o que comer amanhã de tarde.
Viu? Isso que é amizade! #RIMOU
Tá, parei. #OFICIALMENTENOSTOP.
Foi mal, é mais forte que eu.
Ela sai da cozinha com um fandangos na mão e se joga ao meu lado no sofá.
– O que foi isso no seu rosto? — Ela aperta o lugar onde está realmente doendo.
– Au, droga! — bato na mão dela e pego um pouco de fandangos. — Minha querida mãe me jogou uma colher de pau e uma concha de metal. #RIMOU.
ARGH!
– Tia Marie fez isso com você? — aceno positivamente com a maior animação do mundo ~le ironia escorrendo pela boca. — Cara, eu amo essa mulher. OUVIU ISSO, TIA? EU TE AMO! — Ela grita virando a cabeça para a cozinha.
– TAMBÉM TE AMO, MEU AMOR. — Ela responde e Natalie se vira pra mim de novo e me encontra com a cara fechada. Não que eu esteja com ciúmes, mas eu acho que quando sua mãe fala “eu te amo” até para sua amiga abusada e não fala pra você, bem... Você tem que começar a se desesperar. Não que eu sempre diga eu te amo pra minha mãe, na verdade, eu só me lembro de ter dito isso apenas 3 vezes em toda a minha vida (deve ser o motivo de ela ser tão ranzinza.) e todos foram respondidos com: “Tô dura.”, “O que você quer?” e “Você não vai escapar do chuveiro não, mocinha!”. Ignorem este último, foi quando eu tinha 9 anos, eu odiava ter de tomar banho, mas esqueçam, ok?
– O que quer, Natalie?
– Educação mandou oi.
– Manda ela ir se ferrar — reviro os olhos. -, perai, quem é você pra falar de educação? Entrando na minha casa e pegando o meu fandangos! Simplesmente um poço de educação, não?- Ironizo e dessa vez é ela quem revira os olhos. Ficamos um tempo em silêncio até eu acordar e dar conta de que ela não me respondeu.
– O que que você quer, Natalie?
– Ser rica, ter um iate e namorar o gostoso do Matt Bomer. — Ela põe mais um bocado de biscoito na boca e eu reviro os olhos.
–Tantos caras por aí e você cisma com o Matt, eu já disse que ele é gay? — Acabo com a felicidade dela, mais ou menos...
– É claro que já, sua jamanta desgraçada, estragou minha vida e meus sonhos eróticos com aquele gostoso de olhos azuis.- Dramatiza me olhando, logo come mais biscoitos. Reviro os olhos, essa vaca engorda sim, mas a gordura vai para os lugares certos resultando em um corpaço. Infelizmente.
– Pensei que você estava namorando.- Ela revira os olhos.
– Ah tá, como se quando eu sonho com o Matt ele vem me satisfazer, faça- me o favor, né Jolie? Não tem nada de mais em admirar, ainda mais, o cara está fora do meu alcance pois além de ser gay, é famoso, gostoso demais, rico, casado e tem filhos. — A olho espantada, mas ela continua virada para a TV e me ignora por completo.
– Ok né.
– O que vamos fazer hoje?
– Você ainda não me res...
– Eu não tinha nada pra fazer então vim aqui.- ela interrompe e diz tudo rápido demais.- E então, o que vamos fazer?
Penso um pouco e logo dou um sorriso maléfico.
– Tive uma ideia. — Falo igual ao Gru do meu malvado favorito e
Natalie dá um sorriso, ela já sabe que eu estou pensando em uma coisa ridícula.
Uma coisa ridícula que ela com certeza irá gostar.
...
– Ok, ok. Hmmm... Ahá, tá vendo aquela garota ali?- ela aponta para uma garota sentada no banco mexendo no notebook alheia a tudo. — Quero que você vá até ela e diga que o sapato dela é horrível.
– Mas o sapato dela não é feio, é lindo!
– É claro que você iria achar isso, né Jolie? Você é uma assassina da moda como ela, todos sabem que tênis rasgado já passou da moda.
Reviro os olhos. Depois de — fingir — comer as almôndegas da minha mãe, viemos até o parque que fica a algumas quadras de casa e começamos a brincar de apostas. Não é bem uma aposta, é tipo um desafio, não vale nada, ainda mais porque ambas estamos sem dinheiro algum.
– Por que todos os seus desafios tem ligação com moda?
– Porque eu sou uma perfeccionista. — Ela arrebita o nariz como aquelas patricinhas que são devoradas pelas plásticas, silicones e pelo rosa.
E isso é porque ela não se acha. ⇆ Palavras dela.
– Fala outra coisa, Natalie. — Minha cara de tédio deve estar afetando a todos ao meu redor.
– Ok...- ela olha ao redor e se vira pra mim com um sorriso.- Vamos fazer isso ficar interessante?- Pergunta com um olhar malicioso me fazendo ficar preocupada. Eu conheço muito bem ela e sei que conceito de “interessante” dela é bem diferente do meu.
– O que quer dizer?
– Eu te desafio a ir até aquele cara e... Que tal fazer amizade?
Arqueio a sobrancelha.
– Fazer amizade?
– É.
– Você fez esse desafio apenas porque me acha antissocial, Natalie?- Semicerro os olhos.
– É isso mesmo. Então, tá esperando o que?
– Um milagre talvez, ou quem sabe um raio, sabe? Caindo bem na sua cabeça.
– Cruzes! — Ela põe a mão no peito com uma cara de espanto.
– Eu te amo. — Pisco e me levanto indo até o cara que ela apontou, ele está sentado em outro banco e parece não ter me notado pois não tirava os olhos de seu smartphone.
Legal! Mais alguém viciado em celular.
– Ér...Oi.- Cumprimento, mas ele apenas levanta os olhos e volta a mexer no celular.
Eu vou assassinar a Natalie, ela não podia ter escolhido alguém mais sociável não?
Quem é você pra falar?
Alguém maneira e perfeita.– Sqñ.
Ai, ótimo, minha consciência vai entrar em uma discussão outra vez.
– Calem a boca!- Droga, droga, droga! Pensei alto outra vez, isso anda acontecendo ultimamente, eu tenho ficado meio louca.
Gente, a doação de cérebros ainda está ativa, ok?
–Como? — Ah, agora ele resolve me ouvir. Ok, me diga o porquê de eu ter inventado brincar de desafio com nat em uma praça, não, melhor, por que eu simplesmente não aceitei o desafio de moda dela, hã?
– Nada não.- Me viro para ir embora.
– Você também discute com si mesma? — Ele diz e me viro instantaneamente.
– O quê?
Ele dá um sorriso.
– Bradford Hastings. — Diz levantando o braço, aperto sua mão.
– Jolie Mckylle.- Pois é, meu sobrenome é estranho, por isso nunca o mencionei. Ele vem do meu pai: Calton Mckylle e, vamos combinar, combina muito mais com ele. — O que você quis dizer com também?
Ele dá de ombros.
Ótimo, mais um louco.
Gostei.
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