Notas iniciais
Essa é a segunda fic que eu escrevo, meio que uma antecede os fatos da Dont Live You Life In Vain, mas do ponto de vista da Leana, ou seja, quando ela entrou no grupo e conheceu os garotos. Espero que gostem, e que deixem reviews "para a nossa alegriiiiaaa" haha. Enfim, criticas e sugestões são aceitas.
Boa Leitura.

Eram 7:40. Tinha chegado atrasada logo no primeiro dia de aula. Mudar de escola nunca esteve nos meus planos, principalmente para uma como essa. A maior parte dos meus amigos eram má influencia para mim, de acordo com minha mãe. Enfim, me mudei para a escola mais politicamente correta de Huntington Beach. Os garotos vestiam pólo, calça jeans cinza e tênis. As meninas vestiam saias um pouco acima do joelho, camisetas rosa e sapatilhas. Maravilha.

Sempre fui meio que a rejeitada, pois era muito estudiosa e por usar óculos e aparelho, me achavam a pessoa mais feia do universo. Até que um dia, passei a concordar com eles. Cresci e tirei o aparelho, mas continuava a mesma, a garota estranha de óculos e rejeitada pela sociedade. Estudar e ser uma boa filha. Minhas irmãs foram, não seria eu o desgosto de meus pais.

Cheguei a escola a pé, pois meu carro estava no concerto. Os portões estavam quase se fechando quando entrei. Claramente, todos estavam já na sala, então fui a secretaria pegar meus horários e segui para a classe. Todos os olhares se voltaram para mim.

- Olá, no que posso ajudar? – Um homem baixinho e meio gordo, sentado a mesa principal levantou o olhar para mim.

- Ahn, desculpa, sou a aluna nova. – Ele levantou uma sobrancelha.

- Sim, sente-se. – Me virei para o resto da sala, enquanto o professor me indicava as carteiras.

Para minha sorte, havia um lugar, a ultima carteira da ultima fileira, vago. Foi lá mesmo que me sentei. Um garoto baixinho, de camiseta preta do Black Sabbath, sentado a minha frente, virou-se e me olhou com um sorriso que exibia sua perfeita fileira de dentes pequenos, que quase o faziam parecer infantil.

- Oi – ele disse e sorriu ainda mais largo largo.

- Oi. – respondi, acho que minha timidez estava bem clara, pois ele riu.

- Sou Jonathan, mas pode me chamar de Johnny. – Estendeu a mão para mim.

- Ah, sou Leana. – Ajeitei os óculos, sorri e apertei sua mão.

------------------------------------

As aulas se seguiram normalmente, então na hora do intervalo, fui para o refeitório. Havia uma mesa vazia no canto mais afastado. Puxei a cadeira e comecei a comer meu lanche que tinha trazido de casa. Vi Johnny sentado algumas mesas a frente da minha. Estava com alguns garotos, um extremamente musculoso, um de olhos verdes chamativos e um alto, que particularmente achei muito interessante. Todos exibiam algumas tatuagens pelos braços. Johnny sorriu, acenando para mim e rapidamente os outros garotos olharam em minha direção. Desviei o olhar, continuando concentrada em meu lanche.

Poucos minutos depois, os vi seguindo em minha direção. Sentaram-se em minha mesa e eu os olhei, encabulada.

- Sou Matthew. Mas me chame de Matt. – o menino mais musculoso sorriu. – Esses são James Sullivan e Zachary Baker – apontou para o restante.

- Ahn, sou Leana MacFadden. – Sorri de volta.

- Então... por que veio para essa escola? – Ele perguntou.

- Minha mãe achava que meus colegas eram monstros e estavam destruindo minha personalidade, sabe? Não estudavam, só pensavam em sair, e – olhei apreensiva para as tatuagens em seus braços. – Tinham tatuagens. Enfim, não saio muito. Não por que não quero, mas por que não me deixam. Minha mãe achou que aqui era a melhor opção para mim, mesmo eu não querendo vir para cá. Fora que mudei para esse bairro a pouco tempo e a outra escola era longe.

- Interessante. – Apoiou as mão na mesa. – Então quer dizer que não conhece ninguém por aqui? – Assenti. Ele sorriu doce, mas percebi algo a mais em seu olhar.

- Pode andar com a gente, se quiser. Te mostramos a escola. – Disse Johnny.

- Seria ótimo. – Sorri timidamente. O celular de Matt tocou e pouco tempo depois uma garota loira com uma camiseta do Guns N’ Roses, calça jeans escura e coturnos gastos apareceu. Ela olhou para mim.

- Oi, quem é você? – Perguntou, sorrindo.

- Leana MacFadden, sou nova aqui.

- Bom, sou Valary DiBenedetto. – Sorriu e se sentou no colo de Matt. Imaginei ser sua namorada. – Mas me chama de Val. – Assenti.

Todos começaram a conversar e até então por fora, me perdi em pensamentos, até que Zachary, o garoto de olhos verdes, me chamou.

- Ei, vamos cabular as próximas aulas, quer vir com a gente?

- N-não é arriscado? Quer dizer, é o meu primeiro dia. Não gostaria de causar uma má impressão... – Falei logo me arrependendo, pois todos começaram a rir escandalosamente.

- Não tem problema. Não é a primeira vez que fazemos isso. Nunca sentiram nossa falta. – O menino mais alto falou.

- James, não é? – Perguntei.

- Jimmy.

- Sim. Bom, eu não quero ser grossa, mas acho que poderia deixar para a próxima não é?

- Como quiser. – Jimmy deu de ombros e então o sinal tocou.

Então eles foram para o pátio, enquanto eu ia para a sala. Até tentei considerar o fato de cabular. Iria ser diferente. Eles me parecem tão... legais. Eu achava que coragem era fazer uma tatuagem, mas meus pais não deixavam, diziam que era coisa de marginal e meninas boas não faziam tatuagens. Ou pintavam o cabelo. Ou escutavam “musicas pesadas”. Fui criada em um meio onde o correto era ser estudiosa, delicada e gostar de musica clássica era atingir um quase estado de perfeição. Me falavam o tempo todo que minha obrigação era estudar e que eu deveria dedicar exclusivamente a isso se quisesse ser alguém na vida. Até o momento, esse era o certo para mim.

Então no final, hora da saída, descobri que a escola tinha uma biblioteca. Dei uma passada por lá e se assustei com a imensidão de livros que encontrei. Todos os tipos. Eu lia muito, muito mesmo. Era o que eu fazia enquanto meus amigos iam se divertir. Peguei alguns que achei interessantes e segui para o portão da frente do colégio.

Minha casa não era muito longe, mas a pé era bem complicado, pois o caminho mais rápido era também o mais deserto. Fiz uma pequena rota de caminhos a seguir enquanto calculava o tempo para chegar em casa, durante as férias. Tudo estava perfeitamente calmo, até que esbarro em alguém.

- Desculpe-me. – Me abaixei para pegar os livros que caíram.

- Tudo bem, a culpa não foi sua... – Então a pessoa se abaixou também e olhei para frente. Era Jimmy. – Oi. – ele sorriu enquanto me ajudava a pegar os livros.

- Oi... é, foi mal. Sou muito desastrada.

- Não foi nada. – sorriu. – I don't belong here e Escape from this afterlife? – Leu a capa de um dos livros. – são ficções não é?

- Ah sim. É... me interesso por esses assuntos, sabe? Parece ser tão... distante. Me atrai um pouco, eu acho. – o encarei e dei um meio sorriso, colocando o cabelo que caia atrás de minha orelha.

- Legal... talvez possa me contar a historia depois. – Me entregou o livro. – Então, mas para onde a senhorita está indo?

- Pra casa... Fiz esse caminho algumas vezes durante as férias, é mais rápido. – Comecei a andar e ele veio atrás. – Mas e você?

- Minha casa é aqui perto. Estava acertando a conta no bar. Um amigo meu é o dono.

- Não é muito novo para beber?

- Sou sim. – riu, orgulhoso. – Você bebe?

- Não... mais ou menos. – Me olhou confuso. – Quer dizer, tomo um pouco de vinho com meus pais, mas nada de mais. – Dei de ombros.

- Se começar a sair com a gente posso te apresentar as maravilhas do álcool... Mas enfim, que tipo de musicas você gosta?

- Meus pais me obrigam a escutar musica clássica. Dizem que ajuda na concentração. – vi ele fazer uma careta e ri. — Eles são muito conservadores. Mas gosto de rock no geral. Se meus pais descobrissem, me matariam.

- Serio? Eu e os meninos temos uma banda. Está no começinho ainda e não temos um nome definido. Mas compomos algumas musicas. Pode ver um de nossos ensaios um dia.

- Adoraria, de verdade. Mas duvido que meus pais deixem. – Ele me olhou um pouco decepcionado, mas depois sorriu.

- Podemos inventar alguma coisa e tenho certeza que deixariam. – disse.

- É... bom, eu fico por aqui. – Chegamos em frente a minha casa.

- Ok, te vejo amanha? – Perguntou.

- Claro. – Falei acenando para ele.

Esse garoto tem o par de olhos mais lindos que já vi.

Notas finais
By: Vicky
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.