How It Ends

3 03. - A beautiful sunset


Notas iniciais
Nem demorei dessa vez!! Comentem, não esqueçam!

Ao se deparar com o pai, que mantinha uma postura ereta e olhar firme, de pé em pleno corredor, Rilian engoliu a seco e perguntou mais uma vez antes de ver o olhar de Caspian desviar de seu rosto para o interior do quarto:

– Pai? O que deseja? – questionou o rapaz, tentando manter oculta a presença da irmã, deixando a porta encostada em seu corpo enquanto posicionava o tronco para o lado externo.

– Primeiramente que sua irmã volte para os aposentos dela... – Caspian respondeu de maneira firme, embora tranquila e ponderada. – Depois, espero ter uma conversa com meu filho. Se for possível...

Rilian respirou fundo baixando os olhos, não como alguém que se sente envergonhado, mas sim como uma criança pega durante uma traquinagem, e se vendo obrigado a deixar tal ação de lado, mesmo que seu desejo fosse prosseguir com a brincadeira. Ele afastou a porta do seu tronco e deixou assim que o perímetro do quarto fosse avistado parcialmente pelos olhos do rei, que pode ver também a sua filha de criação, que segurava as franjas de seu vestido e os enrolava freneticamente entre os dedos, demonstrando seu total nervosismo mediante a presença de seu pai.

– Creio que já possa se retirar para seus aposentos minha pequena criança. – enfatizou o rei com palavras doces, e semblante sério.

– Sim meu rei. – respondeu Meridia com o rosto corado pela vergonha de ser pega às trancas no quarto de seu irmão.

Meridia atravessou o pequeno caminho desde a beirada da cama onde se encontrava até a porta,, passando por seu irmão, sentindo sobre si o olhar atento do mesmo que acompanhou cada passo dela, até que ela parasse em frente ao seu pai e se virasse para ambos dizendo com uma reverência:

– Com licença, e boa noite. – disse ela logo se voltando para a direção de seu quarto, sem olhar para Rilian, e se afastou deixando pai e filho a sós.

Caspian olhou para o filho, que o fitava com expressão de náusea, como se fosse por para fora o jantar que ele dispensou, mas na verdade se tratava apenas de uma insatisfação intima ao se ver interrompido em meio ao que pretendia. Caspian adentrou ao quarto do príncipe, que fechou a porta em seguida, assim podendo tornar a conversa mais particular...

...

Meridia andou até a porta de seus aposentos com passos pesados, como se a culpa por algo que ela não fez estivesse sobre seus ombros. Ela abriu a porta, e entrou em seu quarto recostando-se contra a porta e respirando fundo, como se ali dentro ela estivesse segura de algo, segura dos olhos acusadores do rei talvez? Ou apenas segura dos seus próprios sentimentos por seu irmão de criação. Ela andou até a cama, e recostou a testa contra a madeira longa que seguia desde o piso de grossa textura até o teto, e era coberta por uma cortina vermelha como o vinho servido nas taças em dia de festa. A princesa fechou os olhos, sentindo uma lágrima solitária escorregar pela maça de seu rosto, enquanto cenas de um passado não muito distante povoavam sua mente. Tudo acontecera há pouco menos de quatro anos, quando ela ainda tinha quatorze e seu irmão dezessete...

Meridia vagava pelo jardim em busca de uma flor bela o bastante para por em um vaso pequeno que ela pretendia levar para o quarto de sua mãe, que naquela ocasião estava indisposta o bastante para não sair da cama. Ao andar entre as rosas, ela cantarolava alegremente distraída o bastante para não notar que alguém surgia sob suas costas e a seguia em passos leves, e graciosos, até que em certo ponto se deixasse notar, quando cutucou de leve o ombro direito da garota, fazendo-a olhar imediatamente para a mesma direção, mas desviando seguindo para o lado oposto, e dando uma volta em torno do corpo dela, logo se prostrando a sua frente e a segurando pela cintura.

– Rilian! – ela sorriu surpresa. – O que quer?

– Estava te seguindo. O que vai fazer? – ele perguntou olhando-a nos olhos.

– Levar o café da tarde aos aposentos da rainha. Quero escolher uma flor bem bonita para dar a ela... – disse com ar dócil.

– Mais linda do que você? Impossível! – ele riu com ar galante.

– Não diga bobagens! – ela deslizou os dedos pela mecha de cabelo que caira em seu rosto o levando para trás da orelha. – Eu não sou uma flor.

– É mais bonita que elas... – ele rebateu.

Meridia o olho de volta, dessa vez com um sorriso tímido e curioso. Rilian por sua vez apenas deu uma leve piscada com o olho esquerdo, algo que apenas ele conseguia fazer em todo reino – ao menos era o que ela pensava. Ambos seguiram em busca da tal flor pelo jardim, enquanto falavam sobre muitas coisas, sem importância alguma. Mais tarde naquela semana, a rainha já se encontrava mais bem disposta, o bastante para sair de seus aposentos reais e se encontrar com seu amado esposo, no salão principal onde ambos puderam dançar ao som de uma suave canção tocada por uma harpa. Meridia que descia as escadas naquela tarde, não pode deixar de parar para admirar a alegria dos pais em seu momento “intimo”, ela se sentou em um dos degraus enquanto sorria e observava de longe em segredo a dança do casal real. Sem perceber, hipnotizada pela alegria nos olhos dos pais, Meridia foi surpreendida pelo irmão que desceu as escadas até onde ela estava e se pôs ao lado da mesma, com um dos joelhos dobrados abaixo de si mesmo e a outra perna esticada parcialmente a sua frente, um pouco encostada as pernas de Meridia, que se virou para ele e riu baixo levando uma das mãos ao coração em sinal de surpresa.

– Rilian, você me assustou! – disse ela.

– Desculpe, não foi minha intenção. – ele riu olhando-a nos olhos.

– Se não fosse teria feito barulho ao se aproximar.

– É verdade, teria! – ele sorriu com ar maroto. – O que está fazendo? – perguntou ele, embora fosse obvio.

– Já viu como eles se olham? – a garota sorria alegremente enquanto voltava os olhos em direção ao salão onde o rei tomava a rainha em seus braços a fazendo rodopiar. – Acha que algum dia alguém irá olhar assim pra mim?

Os olhos de Rilian se voltaram para o rosto dela, embora ela não tivesse notado, ele a olhava com expressão séria de modo fixo, e continha uma ponta bastante generosa de admiração. Ele continuou em silêncio até que a garota voltasse a encarar sua face com o mesmo sorriso delicado em seus lábios.

– O que foi? – perguntou ao ver a maneira como ele a olhava.

– Nada. – ele desconversou.

– Então me responda. Acha que vai acontecer? Acha que alguém um dia vai se apaixonar por mim da mesma forma como o rei se apaixonou pela rainha? – ela questionou com ar inocente.

– Vai. Qualquer um no reino a menos que não tenha olhos, poderia se apaixonar por você. –e ele respondeu, fitando sem querer os lábios dela parcialmente pintados de batom.

– Acha mesmo? – ela sorriu tornando seus lábios ainda mais belos.

– Tenho certeza. – ele permaneceu sério olhando-a fixamente.

– Deve ser quente... – ela suspirou.

– O que? – disse ele curioso franzindo a testa.

– Você sabe... – ela deu de ombros e o olhou de volta.

– Não, eu não sei. – respondeu o príncipe com ar divertido. – Me explique... –ele passou os braços sobre os joelhos, escorando os cotovelos sobre os mesmos.

– O beijo... Deve ser caloroso. Eu imagino.

– Você imagina? – ele riu.

– Sim, eu imagino... Já que nunca fui beijada.

– Sei... – ele olhou para o salão como se pensasse em qualquer outra coisa. – Vem comigo... – disse ao se levantar e puxar a garota pela mão escada à cima.

Ambos se apressaram pelo caminho cheio de degraus até estarem no topo de uma das torres mais altas aos fundos do palácio. Rilian arrastava a irmã pela mão quase sem esperar que ela tocasse o chão com os sapatos de salto. Já no topo, ela pode reclamar, mas sem indignação:

– Espere, onde está me levando?

– Aqui! – diz ele soltando a mão dela, e girando o corpo com ambos os braços estendidos nas laterais do corpo, como alguém que se mostra para o publico.

– E vai me dizer por que me trouxe aqui? –ela cruzou os braços o olhando com o mesmo sorriso gracioso de antes.

– Não disse que queria saber como é ser beijada? –ele sorriu se aproximando.

– Vai me beijar? – ela franziu o cenho dando um passo atrás.

– Não. – ele riu e tomou a mão dela levando-a até a beirada do muro que contornava o palácio. – Olha... – ele passou por trás da garota, fazendo-a recostar a barriga contra o muro frio, e passou seus braços pela cintura dela repousando o queixo sobre seu ombro esquerdo.

– O que eu devo olhar? – ela sentiu um frio percorrer sua espinha, e algo se contorcer em seu estomago, como borboletas inquietas.

– O por do sol... – ele sussurrou ao ouvido dela, não sabendo bem porque mudou o tom de voz, e a apertou mais contra seu corpo, já bastante forte por conta dos treinos com espada nos campos do palácio de Cair Paravel.

Os olhos da garota se fixaram no horizonte, assim como os do príncipe, enquanto ambos ficavam em silêncio e ouviam apenas a respiração um do outro. Enquanto o sol se punha, Rilian continuava abraçado a irmã, a embalando quase que sem perceber de um lado para o outro, enquanto explicava:

– Beijar alguém, é como ver o por do sol. – ele disse. – Você o contempla com reverência, enquanto sente seu calor se espalhar por todo seu corpo.

Enquanto ele falava, o coração de Meridia batia forte, e o embalo suave dos corpos a fazia suspirar. Suas mãos estavam naquele momento tocando as costas dos pulsos dele, trançadas ao redor do corpo dela. ele prosseguia:

– Mas para que se sinta assim, o beijo só pode ser dado em alguém que você realmente ame. – disse Rilian voltando os olhos sobre o rosto dela.

– Você já se sentiu assim com alguém? – ela perguntou virando seu rosto, hipnotizada pela voz grave e suave dele.

– Não. – ele respondeu fitando os olhos dela, em seguida descendo seus lindos olhos azuis esverdeados em direção à boca da garota.

Meridia sentiu um calor intenso atravessar todo seu corpo, assim como ele também pode sentir o mesmo calor dominar o seu. Eles ficaram em silêncio, enquanto se entre olhavam durante um longo tempo, até que a distancia entre seus lábios se tornasse mínima, e então nenhuma.