How Far We've Come
1 Prólogo
Não lembro como tudo isso começou. Em um dia, eu estava rindo em volta da fogueira com meus amigos. No outro, corria para salvar minha vida. Aquelas tardes de verão são lembranças do passado, tão vagas na minha mente quanto o som da minha própria risada. Bem, não tenho muitos motivos para sorrir ultimamente.
Os Sete da Profecia falharam, Gaia despertou. Leo Valdez, Nico Di Ângelo, Hazel Levesque e Frank Zhang foram mortos antes mesmo de chegarem à Grécia. Percy Jackson e Annabeth Chase não aguentaram a queda no Tártaro. Jason Grace e Piper McLean foram usados no sacrifício de sangue para despertar a deusa da terra. Quando os romanos finalmente viram que o real inimigo era Gaia, alguém cortou a garganta de Octavian. Dizem que a pretora, Reyna, conseguiu escapar da carnificina, mas não acredito nisso. Os deuses estão no Tártaro, mortais acreditam estar vivendo a Terceira Guerra Mundial, semideuses são mortos todos os dias... Estamos sozinhos.
Meu nome é Carollyn Black, filha de Hécate, dezesseis anos e eu sou uma sobrevivente. Não sei por quanto tempo. É horrível dormir sem saber se vou acordar viva.
Coloquei a cabeça para fora do meu esconderijo. Agora é noite e a escuridão vai me ajudar, antes os monstros nos caçavam de noite, mas como agora eles são a espécie dominante na Terra, vivem suas vidas e nos caçam de dia e descansam durante a noite.
Corri até a casa no fim do quarteirão com o maior cuidado possível, sempre no escuro. Os proprietários, duas manticoras, haviam saído. Pulei a cerca, fui até os fundos da casa e achei uma janela.
- Incantate: Aperire – murmurei passando a mão sobre a tranca da janela.
A tranca abriu-se e empurrei a janela para cima. Pulei para dentro da casa, corri até achar a cozinha, abri a geladeira e comecei a encher minha mochila com tudo que vi pela frente e que pudesse ser armazenado fora do gelo. Não me preocupo se vão dar a falta da comida, antes deles voltarem para casa já estarei do outro lado da cidade.
Fechei minha mochila e a geladeira, tranquei a janela novamente e saí correndo. Achar um lugar seguro é muito difícil hoje em dia. Não podemos ficar em terra por causa de Gaia, não podemos ficar em alto mar por causa dos deuses malignos da água e um avião iria trazer atenção negativa dos espíritos do ar.
O local que escolhi para passar a noite é um prédio abandonado. Existem planos para derrubá-lo e transformá-lo em uma estátua de algum deus do lado de Gaia, mas isso demorará a acontecer. Só preciso de uma noite.
Entrei no prédio, corri pelos degraus e entrei em um cômodo no terceiro andar. Estava vazio, desmobiliado e a única luz que entrava era a da lua.
Sentei em um canto, suspirei e refiz meus feitiços de ocultamento. Tenho que refazê-los todo dia para ter uma mínima proteção. Abri minha mochila e meu estomago roncou. Peguei um pacote de cookies integrais. Depois que terminei de comer, me enrolei no cobertor gasto que guardo na mochila, coloquei minha espada ao meu lado, abracei minha mochila e tentei dormir. Meu sono nunca é muito tranquilo, mas é o suficiente para me manter preparada para lutar a qualquer momento.
O sono chegou devido ao cansaço do dia e mergulhei numa escuridão sem sonhos. Acordei duas horas depois com o som de passos vindos do andar inferior. Sentei-me e peguei minha espada. Esse prédio está longe do núcleo da cidade, como me acharam?
Levantei-me, joguei o cobertor dentro da mochila e me escondi nas sombras da sala. Os passos se aproximaram e quando a primeira forma negra surgiu na porta, pulei das sombras e desferi um golpe. A forma gemeu de dor. Apontei a espada para as outras formas e uma flecha surgiu apontada para a minha testa.
- Um passo e essa flecha atravessa seu crânio – rosnou a arqueira que apontava para mim. Tinha cabelos ruivos, olhos castanhos escuros e porte de bailarina.
- Pare, Troian – mandou a forma que foi atingida por mim, era uma garota loira com olhos azuis que tinha dois machados de arremesso presos à cintura e seu braço estava sangrando – Ela pensou nós fossemos monstros. É uma semideusa. Em tempos como esses, não podemos lutar uns com os outros.
Troian não abaixou a flecha, assim como eu não baixei a espada. Quatro garotos saíram de trás da arqueira: Um garoto com cabelo preto e olhos cinzentos, um de cabelo castanho e olhos verdes, um moreno alto com cabelo preto em corte militar que tinha uma lança presa nas costas e outro com cabelo preto e olhos igualmente escuros.
- Seus nomes – exigi.
A loira do machado foi amparada pelo garoto de cabelos castanhos e o garoto de olhos cinzentos deu um passo à frente, com as mãos erguidas num sinal de paz. Ele tinha uma espada na bainha.
- Só estamos à procura de um lugar para passar a noite – ele disse – Eu sou Peter Saggio, filho de Atena. A que está apontando a flecha para a sua cabeça é Troian Goldstein, filha de Febo. A que você atingiu é Anne Smith, filha de Dionísio – ele apontou para o garoto de cabelos castanhos – Esse é Caleb Eason, filho de Mercúrio. O com a lança é James Thill, filho de Marte. E Damon Roy, filho de Hades.
- Um dos Três Grandes? – perguntei olhando para o garoto – Como sobreviveu?
- Hotel e Cassino Lótus – disse Damon, ele tinha um jeito formal e estranho de falar – Eu encontrava-me naquele local desde 1930, penso eu. Os servos de Gaia arrombaram as portas após a deusa despertar, e consegui refugiar-me dentro da tubulação de esgoto.
- Um grupo de seis semideuses chama atenção – falei – Como ainda estão vivos?
- Sorte – Peter disse – E habilidade, acho. Não passamos mais de uma noite em um único lugar.
- Você ainda não disse seu nome – disse Troian com a flecha ainda pronta para voar na minha cabeça.
- Abaixe o arco que eu abaixo a espada.
Hesitantes, nós duas abaixamos nossas armas.
- Sou Carollyn Black, filha de Hécate – respondi.
- Como você sobreviveu? – perguntou Anne, que tinha o braço sendo enfaixado por Caleb.
- Feitiços de ocultamento – respondi – E também muita corrida. Na primeira luz do amanhecer, vou dar o fora desse prédio.
- Esse era exatamente o nosso plano – disse Peter – Gostaria de se juntar a nós? Estamos indo em direção a São Francisco.
- Por quê? – perguntei – Não há nada lá, somente restos do que uma vez foi o Acampamento Júpiter.
- A pretora Reyna fundou um grupo de resistência no subterrâneo – disse James.
- Bem, desculpe estragar suas expectativas, mas Reyna não seria idiota de fazer um grupo de resistência no subterrâneo, considerando que Gaia é a deusa da terra – falei direta – Uma mentira mal contada.
- Não é uma mentira – insistiu James – Meu irmão mais velho, Brutus, foi para lá. Ele me mandou as coordenadas. Isso é real. Feitiços protegem o lugar.
Creio que não tenho nenhuma opção melhor do que isso. Melhor uma esperança difícil do que a vida que estou levando.
Sentamo-nos em uma roda e cada um abriu sua mochila, para mostrar seus suprimentos. Quando Caleb tirou um hambúrguer ainda quente de sua mochila, minha boca começou a salivar com o cheiro da carne. Já faz muito tempo que não como comida quente.
- Onde conseguiu isso? – perguntei encarando o hambúrguer.
- Entramos em um McDonalds essa noite – Caleb disse – Cada um de nós pegou dois hambúrgueres. Quer este?
Assenti e agarrei o sanduíche. Um pacote de cookies integral não é nada comparado a um hambúrguer. Devorei o hambúrguer.
- Vocês podem dormir – falei – Devem estar correndo o dia todo. Eu fico com o primeiro turno de vigia, acordo um de vocês daqui a algumas horas.
- Está certa de que não gostaria de descansar, Carollyn? – perguntou Damon – Posso ser o primeiro vigilante, se desejar.
- Não, pode dormir. Eu dormi a tarde toda.
Isso é mentira, mas posso ficar acordada mais um pouco. Todos concordaram e enrolaram-se em cobertores que estavam em melhores estados que o meu. Sentei-me a beira da janela e fiquei olhando a cidade banhada pela lua.
Só espero que as esperanças do nosso recém-formado grupo sejam verdadeiras. Vamos ver o quão longe iremos.
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