House of Cards
1 Prologo
Notas iniciais
Seus passos eram automáticos, as luzes coloridas da avenida eram apenas borrões diante de seus olhos, e os sons chegavam abafados até os seus ouvidos. Ela não estava com medo, talvez voltasse a si assim que pisasse no asfalto escuro da rua, ou talvez ela apenas continuasse a caminhar e seguisse até o seu destino, finalizando assim o seu plano.
Ela não se arrependeria, afinal, não teria como se arrepender quando tudo acabasse. Tudo que ela precisava dizer estava escrito na folha dobrada em cima da escrivaninha da mãe, na folha dobrada cuidadosamente e posta no bolso do casaco dele, e na folha de cor rosa, escondida no meio do caderno de sua melhor amiga.
Ela olhou para trás, mas não havia ninguém ali para salvá-la. No fundo do seu coração, ainda havia esperança de que alguém estivesse ali e a parasse, que a abraçasse e então a protegesse. Mas a esperança era muito pequena perto da dor que ela sentia, perto dos sentimentos de fracasso, desanimo e inutilidade. Fazia tempo que seu coração estava rasgando, que o vento soprava forte o bastante para derrubar a casa de cartas que ela era. E uma vez que uma carta caía, não tinha mais volta.
No fim, talvez o vento levasse as cartas, ou então talvez alguém estivesse disposto a construir tudo de novo.
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