Hotel California
6 Capítulo 6 - Saída
Notas iniciais
– Pelo menos sabemos que o The Eagles não está envolvido no sumiço da Mia. — concluiu Dean.
– Isso não tem graça, Dean. — repreendeu Sam — Crowley está. O que é bem pior do que uma banda de rock.
– Nós precisamos invocar aquele desgraçado e obrigá-lo a dizer onde Mia está. — afirmou Castiel.
Sam e Dean se entreolharam e Sam continuou:
– Cas, eu duvido que ele apareça. Crowley sabe que estamos procurando a Mia e não vai facilitar. Além disso, ele sabe que estamos perto de fechar o Inferno. Ele já matou várias pessoas que salvamos por causa disso. E Mia não só nos ajudou com o primeiro teste como o mandou para o Inferno há alguns meses. Isso é pessoal. Crowley com certeza quer se vingar.
– E o que devemos fazer? — indagou o anjo — Permitir que ele consiga o que quer? Facilitar pra ele?
– Claro que não... — respondeu Sam, mas não soube o que sugerir naquele momento.
– Talvez a gente possa invocar outro demônio e torturá-lo com a faca da Ruby até o desgraçado dar alguma pista. — sugeriu Dean.
– Eu gosto desta ideia. — animou-se Castiel.
– Desculpe, mas eu acho que isso também não vai funcionar. — cortou Sam — Nenhum demônio vai aparecer. Crowley sabe que precisamos de um deles para completar o último teste. E eles têm ordens de ficarem bem longe da gente por causa disso.
– Então que alternativa nos resta? — perguntou Castiel ainda mais nervoso.
– Parece que só uma. — disse Sam depois de alguns instantes — Confiar na Mia.
– O quê? — não entendeu Dean.
– A Mia já venceu o Crowley uma vez, talvez ela consiga desta vez também. — explicou Sam.
– Talvez? — repetiu o anjo inconformado.
– Cas, Dean, se vocês tem outra sugestão, eu estou ouvindo. Mas acontece que Crowley foi muito esperto desta vez. Ele levou a Mia para um lugar que não existe e se ele está na cabeça dela, eu não vou conseguir rastreá-la pelo cartão de crédito ou celular. Sinto muito... Mas parece que não temos muita escolha desta vez. A Mia está por conta própria.
O fantasma da recepcionista sorriu mais uma vez antes de se dissipar no ar deixando Mia confusa. Ela olhou em volta enquanto as luzes se acendiam e o hotel se transformava revelando um lugar destruído pelo tempo. O barulho de alguém batendo palmas chamou ainda mais a atenção de Mia que olhou na direção de um homem sentado em uma cadeira de Diretor.
– Errado! — gritou Crowley — Ela não era eu. Eu sou eu. Tipo, insubstituível. Ela na verdade nem existia. Ou melhor, ela só existia na sua cabeça. Aliás, quantas coisas obscuras você têm aí dentro, não é? Mas, de qualquer forma, eu estou surpreso. Você é mais esperta do que eu imaginava. Está ficando mais forte...
– Crowley... — murmurou Mia com ódio — Então era mesmo você o tempo todo. Eu devia ter desconfiado.
– Você é esperta, mas nem tanto. — debochou o demônio.
– Por que você fez isso? Tudo isso? — quis entender a garota.
– Não é óbvio, querida? Eu sou um fã da música! — ironizou ele e depois de alguns instantes, continuou — Ah! E claro, vingança. Afinal, você teve a petulância de me mandar para o Inferno no verão passado. Mas como pode ver, não funcionou por muito tempo. E eu voltei e vim atrás de você, como eu disse que viria. Mesmo assim eu confesso que gostei de passar férias lá embaixo... Torturando os seus pais pessoalmente. Todos os dias. A propósito, eles mandaram lembranças.
Mia sentiu um nó na garganta ao ouvir isso. E era exatamente o que Crowley queria. Provocá-la. Mia tentou ser forte e disse a primeira coisa que veio na sua cabeça:
– O ritual... Funcionou. Você estava comigo este tempo todo... Por que você não apareceu naquela igreja?
– Eu apareci, mas não deixei você me ver. Eu não costumo ignorar um chamado, sweetie. Mas eu precisava da minha vingança primeiro, antes de responder o que você quer tanto saber. — explicou ele.
– Então você está disposto a responder as minhas perguntas? — estranhou Mia hesitante.
– Claro! De certa forma, isso também faz parte da minha vingança. Eu acho que você não vai gostar nada de saber, mas vamos lá! Pergunte! "Crowley, por que eu sou assim? Crowley, que tipo de pacto meus pais fizeram? Por que eu tenho problemas para dormir e sonho com coisas que não deveria?" — prosseguiu o demônio com certo deboche.
– Chega! — cortou Mia — Eu não quero saber! Você é um demônio e demônios mentem. — disse ela se virando — Eu só quero sair deste lugar.
– Covarde. Você veio até aqui e vai sair de mãos abanando? — provocou ele — E sim, demônios mentem, mas neste caso, eu faço questão de te contar a verdade. Será um prazer.
Mia se virou para ele novamente e continuou:
– Tudo bem. Então fale! O que tem de errado comigo, Crowley?
– Por onde eu devo começar? Com o fato de você dormir com um anjo, talvez? Não, isso é asqueroso demais até pra mim... Ah! Já sei! — disse ele levantando e andando até ela.
Mia ficou apreensiva e deu um passo para atrás. Crowley segurou seu braço.
– O que você vai fazer? — temeu ela.
– Te mostrar a verdade. — respondeu ele.
Depois que Crowley disse isso, Mia olhou em volta e não estavam mais no Hotel. Estavam numa encruzilhada. Os pais de Mia estavam esperando para encontrar com um demônio.
– Eu já vi isto antes. Castiel me mostrou. — lembrou Mia.
– Ah, mas ele não te mostrou a melhor parte. Tudo bem, ele não fez por mal. Foi mais uma tentativa patética de proteger você. Em vão ao que parece... Bem, eu sugiro que você assista os créditos desta vez. Confie em mim, vai valer a pena. — expôs ele.
Mia voltou a olhar para a encruzilhada, tudo aconteceu exatamente como da outra vez, quando Castiel lhe mostrou aquelas coisas há alguns meses. Mas Crowley estava certo, não terminava com seus pais selando o pacto. Crowley fez um corte na mão e a mãe de Mia abriu a boca. Em seguida o demônio fez o mesmo com o pai da garota.
– O que você fez com eles? — estranhou Mia cada vez mais confusa.
– Eu curei os seus pais da infertilidade. Com meu sangue. — revelou ele.
– O quê?
Mia observou atônita os seus pais bebendo o sangue de Crowley.
– Ah! Eles estavam tão desesperados para terem um filho que fariam qualquer coisa para conseguirem. E fizeram como você pode ver. — disse ele.
– O que isto significa? — temeu Mia.
– Que seus pais eram dois idiotas.
Mia deu um passo para trás em choque com o que tinha visto ali e com tudo que aquilo significava. Crowley continuou:
– Sangue de demônio é bem mais poderoso que sangue de vampiro. Oh! Sim, eu estava em Mystic Falls... Cidade interessante por sinal. Quem sabe um dia eu volto lá e mato todos aqueles bastardos que ficaram seus amigos? Seria divertido.
– Crowley... O que você fez? O que isso quer dizer? — relutou em acreditar a garota.
– Oh! Por favor, você sabe o que isso significa. — desafiou ele — Ok, eu explico mesmo assim. Aqueles dois idiotas ali beberam meu sangue para conseguirem ter um filho. No caso, uma filha. Você. Então... Se eles tinham o meu sangue e geraram você, logo...
– Não! — recusou-se a acreditar ela — Isto não é real! É mais um dos seus truques!
– É? Você realmente acha isso? Pense bem, querida. Pegue como exemplo, seu grande amigo Sam Winchester. Ele também tinha sangue de demônio no corpo. Sangue do Azazel. — lembrou o demônio.
– Pare! Saía da minha cabeça! — pediu Mia levando as mãos à cabeça.
– E ele costumava ter pesadelos como os seus... Claro, isso foi há muito tempo, talvez ele não tenha te contado, mas ele também tinha algo especial. Sangue de demônio. Como eu disse, bem melhor do que de vampiro. — prosseguiu Crowley.
– Eu não acredito em você! — gritou a garota.
– Sim, acredita. Vamos lá! Não pode ser tão ruim assim. Talvez isso até já tivesse passado pela sua cabeça. Você tem meu sangue, querida. De certa forma, você também é minha filha. — disse ele.
– Cala a boca! — gritou Mia dando um soco na cara de Crowley — Eu não tenho absolutamente nada a ver com um monstro como você.
Ele a olhou com ódio e estalou os dedos a fazendo cair no chão. Mia olhou em volta e percebeu que estavam de volta ao Hotel Califórnia.
– Não seja ridícula! — gritou Crowley — Você acha que isso significa alguma coisa pra mim? Você não é nada pra mim. Mas negar a verdade, negar o que corre nas suas veias, não vai mudar nada, sweetie. É o meu sangue, ou parte dele, que o seu coração está bombeando neste exato instante. O que faz de você um monstro. Exatamente como eu.
Lágrimas vieram aos olhos de Mia enquanto Crowley caminhou até ela e pisou na sua perna. Mia gritou de dor. Em seguida, Crowley a levantou do chão segurando-a pelo pescoço e a empurrou contra a parede. Mia sentiu a madeira se quebrar atrás da sua cabeça enquanto Crowley dizia:
– Mas você é um monstro fracassado. Como Sam Winchester e como todas as crianças de Azazel. E agora que você já sabe a verdade e que ela está te consumindo por dentro, eu vou terminar a minha vingança!
Mia o olhou sem entender e ele continuou ainda mais ameaçador:
– O quê? Você achou mesmo que eu ia deixar você ir embora? Não seja estúpida. Logo agora que você estava indo tão bem. O final é a melhor parte e eu pensei em algo especial... Filhinha. Uma morte bem dolorosa... Lenta... E depois talvez eu leve a sua alma pro Inferno. Te jogue num canto onde eu possa te torturar quando ficar entediado. Ah! E claro, para fazer companhia pros seus pais. — ameaçou ele enquanto apertava o seu pescoço.
Mia começou a perder o ar e de repente Crowley a soltou e começou a tossir. Mia caiu no chão e também tossiu antes de perguntar com ironia:
– O que houve? Não tem coragem para me matar? Logo agora que você estava indo tão bem...
– O que está acontecendo? Eu não entendo... O que você fez?! — perguntou ele com raiva e confuso ao mesmo tempo.
– Eu também tenho uma coisa para te contar, Crowley... — provocou ela se recuperando e o observando se recuperar também — Sobre o ritual.
– O que você fez, sua desgraçada?! — gritou ele a segurando pelos ombros e a empurrando contra a parede novamente.
– Não era um simples ritual de invocação. Tinha algo mais... Um feitiço. Um poderoso feitiço. — revelou ela com um sorriso.
– O quê...?
– Se você quiser me matar, ótimo, vá em frente. Mas é bom você saber que o que você fizer comigo, o que acontecer comigo... Acontece com você também. Sim! Se você me matar, você morre também. Nós estamos ligados. Bem além do sangue ao que parece. Mas eu não estúpida, o feitiço só funciona contra você. Então se algo acontecer com você, e eu espero honestamente que aconteça, como ser trancafiado no Inferno ou morrer, nada acontece comigo e eu ficarei livre. — contou a garota.
Crowley ficou sem reação por alguns instantes. Queria acabar com Mia, mas não podia e isso o deixava louco e com mais raiva.
– Eu estou impressionado. Você cresceu, filhinha. — reconheceu ele por fim — Acho que eu subestimei você.
– Eu não sou sua filha. — quis deixar claro Mia.
– Tecnicamente, não. Mas não esqueça que é o meu sangue que está correndo nestas veias aí. E quer saber? Essa é a melhor vingança que eu posso ter. Você vai ter que conviver com isso. Pra sempre. Se torturando, se odiando, tendo pesadelos e visões horríveis... E acredite, tudo isso vai piorar. No fim, eu não poderia me sentir mais vingado. — disse ele.
Crowley a soltou e começou a se afastar quando ela exigiu:
– Eu quero sair deste lugar. Agora!
Crowley sorriu e disse:
– Claro! Volte pra sua vida de caçadora medíocre. Quem sabe dê tempo de se despedir daquele anjo idiota.
– Do que você está falando?
– Oh! Ele não te contou ainda? Outro covarde... Talvez ele nunca conte... — provocou o demônio.
– Contar o quê? — quis entender ela.
– Que ele vai voltar para casa. Para o Céu. Para sempre. Te abandonar à própria sorte. Parece que você não é tão importante para ele quanto imaginava. — revelou o demônio gostando da forma como aquelas palavras machucaram a garota.
Mia relutou em acreditar naquilo, mas no fim percebeu que fazia sentido. Castiel estava escondendo alguma coisa. E não parecia muito preocupado em recuperar a Tábua dos Anjos.
– Você está mentindo... — relutou ela.
– Estou? — desafiou ele.
– Como eu saio daqui? Eu quero sair daqui, Crowley! — exigiu ela querendo se livrar daquele assunto.
– Foi como você disse, nada disso é real. Descubra a saída. Agora, se você me der licença, eu preciso ir. Eu tenho um encontro com a Xerife Mills. Pena que você não a conheceu antes porque eu vou ter que matá-la esta noite. Espero que tenha aproveitado a sua estadia. Eu adorei dirigir este momento. Aliás, eu acho que nasci para ser diretor... — disse ele antes de desaparecer e deixar Mia sozinha no hotel.
Ela olhou em volta e correu até a porta. Tentou sair, mas não conseguiu. Mia não conseguia entender. Aquilo não era real. Então por que não conseguia sair do maldito Hotel Califórnia?
– Isso não é real, Mia. — repetiu para si mesma enquanto andava em círculos — Isso não é real, nada disso... Você precisa sair... Você precisa impedir aquele anjo idiota de fazer a coisa mais estúpida deste mundo! Voltar pro Céu? Pra sempre? O que ele estava pensando? Anjo idiota! Isso não é real! Eu preciso sair... Você não está aqui de verdade... Isso só existe na sua cabeça, Mia... Isso não é real. É como um pesadelo! É! É isso... E tudo que você precisa fazer é...
Mia parou de repente e finalmente entendeu o que estava acontecendo. Na verdade, ela nunca tinha saído do carro. Ela ainda estava lá. No carro, ferida e desacordada. Foi bem mais fácil para Crowley entrar na sua cabeça desta forma. Ele provocou o acidente, ele armou tudo aquilo. Por um instante Mia lembrou do que ele lhe mostrou. Sobre o sangue de demônio e sentiu seu coração apertado. O que ia fazer agora? Como ia conviver com aquilo?
Resolveu se concentrar em encontrar uma forma de sair daquele lugar e lembrou do que Castiel lhe disse quando apareceu ali aluno hotel, quando ele conseguiu passar por Crowley e entrar na sua mente... Quando tentou avisá-la... Então disse para si mesma finalmente entendendo completamente o que havia acontecido e como sairia daquele lugar:
– Tudo o que você precisa fazer é abrir os olhos, gênia.
Mia olhou o hotel pela ultima vez e fechou os olhos. Respirou fundo e os abriu novamente. E acordou dentro do carro naquela ribanceira.
Olhou sua perna machucada, rasgou uma blusa e amarrou o pano em volta do joelho. Em seguida, pegou o celular e saiu do carro. Voltou e desligou o rádio. Não queria correr o risco de começar a tocar aquela música novamente. Saiu do carro, abriu o porta-malas e pegou uma bolsa. Colocou dentro dela um pouco do seu arsenal, inclusive a máquina de dar choque que Garth lhe deu. Em seguida, começou a subir a ribanceira e tentou encontrar o sinal do celular, mas só conseguiu isso vinte minutos depois quando alcançou a estrada. Ainda era noite. Estava surpresa porque todo o tempo que passou no Hotel Califórnia, que parecia ter sido uma eternidade, na verdade tinha sido apenas uma ou duas horas. De qualquer forma, tudo o que viveu ali a marcou profundamente. Finalmente entendia por que era diferente e não gostava nada disso. E muito menos, de descobrir o plano idiota de Castiel. Mas naquele momento não queria pensar em nada daquilo. Primeiro tinha que sair daquele lugar e cuidar da sua perna.
Seguiu andando pelo acostamento e olhou para o outro lado da estrada. Não havia nenhum hotel ali. E teve certeza que desta vez estava mesmo acordada. Resolveu ligar para Dean. Ele atendeu aliviado segundos depois:
– Mia? Graças à Deus! Onde você está? O que aconteceu? Você está bem? Cowley machucou você?
– Ei! Uma pergunta por vez, cowboy! Eu estou bem... Já estive melhor, é verdade, mas eu vou sobreviver. — respondeu ela.
– O Crowley machucou você? — repetiu ele.
Mia pensou um pouco e respondeu:
– Sim. Mas não se preocupe, eu vou ficar bem. O Crowley não pode mais me machucar...
– Como assim? Como você escapou desta vez? — quis saber Dean.
Ela ia responder quando ouviu uma voz do outro lado da linha. Era Castiel perguntando preocupado:
– Mia? Onde você está?
– Mia, o Cas está aqui. — explicou Dean — Nos diga onde você está e ele irá até você. Mia?
– Eu posso falar com ele um instante? — pediu ela.
– Claro... — estranhou Dean passando o celular para o anjo.
– Mia, me diga onde você está... — pediu o anjo.
– Quando você ia me contar, Cas? — indagou ela o interrompendo.
Ele ficou mudo por alguns instantes e depois respondeu:
– Eu sinto muito, Mia, mas eu preciso fazer isso. É a coisa certa. Se eu pudesse escolher, acredite, eu escolheria você, mas eu não tenho escolha. Eles são minha família, meus irmãos... Eu preciso fazer isso.
– Sabe... É engraçado porque por um instante, só por um instante, eu pensei que Sam e Dean fosse a sua família. Que talvez até eu fosse... Mas pelo visto eu estava errada, não é? Eu? A garota com sangue de demônio...
– Crowley te contou... — deduziu ele.
– Sim, ele contou. Mas a pergunta é: por que você não me contou? Por que eu tive que saber por ele? Da pior maneira? Ele é mestre nisso... — disse a garota magoada.
– Eu sabia que você iria sofrer, Mia, e eu só quis evitar isso. Me desculpe. Se tiver alguma que eu possa fazer para me redimir com você... Eu farei. — propôs o anjo.
– Então não vá. — pediu ela.
– Eu preciso. — respondeu ele.
Mia enxugou as lágrimas e respirou fundo antes de continuar:
– Eu realmente posso te pedir uma coisa? Uma última coisa?
– Sim. — garantiu ele.
– Ok. Então... Você resgatou Dean do Inferno há alguns anos. Acha que consegue fazer os mesmo pelos meus pais?
Castiel pensou um pouco e respondeu:
– Claro, Mia. Eu farei. Eu prometo que resgatarei as almas dos seus pais e as levarei ao Céu antes de...
– Antes de partir. — completou Mia.
Houve um momento de silêncio em que Castiel ouviu Mia tentando conter o choro do outro lado e sofreu com isso.
– Mia... Eu sinto muito.
– Cas, eu não quero que você volte para o Céu. — reforçou ela — Eu quero que você fique. Fique comigo, Cas. Por favor, não vá.
– Eu não posso... — lamentou ele — Mas, por favor, me diga onde você está. Eu sei que você está ferida. Eu posso te curar, Mia.
– Não. — recusou ela rispidamente — Você fez a sua escolha, Cas, e se voltar para o Céu é o que você realmente quer, então conviva com o fato de que você não poderá mais me proteger... Me curar, entrar nos meus sonhos, me alertar para os perigos... Eu estarei por conta própria.
– Mia...
– O quê? — perguntou ela parando de andar e tentando conter as lágrimas.
– Eu te amo. Sempre amarei. — declarou o anjo.
Mia não conseguiu responder. Sua voz não saía engasgada pelo pranto.
– Eu sinto muito... Por tudo. — disse ele mais uma vez.
– Adeus, Cas. — despediu-se ela com a voz trêmula antes de desligar o celular.
Em seguida, ela fez sinal para um carro que passava pela estrada e enquanto isso no quartel dos Homens das Letras, Castiel repetia:
– Mia? Alô? Mia?
– Cas... Eu acho que ela desligou. — deduziu Dean.
– Você consegue localizá-la? — perguntou ele entregando o aparelho para Sam.
– Cas... Você fez a sua escolha. E a Mia está sofrendo com isso. Talvez seja melhor... Deixá-la ir. Seguir em frente... — aconselhou Sam.
– Eu preciso saber onde ela está, Sam. Ela está ferida. — disse o anjo.
– Ah! Com certeza ela está. — concordou Dean — Mas quando você abriu mão de ficar com ela, você abriu mão de todo o resto. Mia não terá mais você para protegê-la. Então é melhor, você se acostumar com isso e deixá-la ir de uma vez. Ela não quer te ver, Cas. Mas não se preocupe, eu o Sammy vamos encontrá-la. Mas precisamos dar um tempo pra ela. Pelo menos sabemos que ela está bem. Viva. Escapou do Crowley e do Hotel Califórnia. Ela vai ficar bem.
Castiel se sentou com eles e pensou um pouco antes de perguntar:
– Vocês vão protegê-la quando eu não estiver mais aqui, não vão?
Sam e Dean se entreolharam.
– Claro que vamos, Cas. — garantiu Sam.
– Ela dá um certo trabalho, só se mete em confusão, mas nós vamos cuidar dela, não se preocupe. — completou Dean.
– Tem uma coisa que vocês precisam saber. — avisou o anjo — Sobre a Mia...
– O que é? — interessou-se Sam.
– Ela tem sangue de demônio no corpo. Do Crowley, especificamente. — revelou ele levantando em seguida — Por favor, não deixem ela... Pirar com tudo isso. — e após uma pausa disse — Eu preciso ir.
Castiel desapareceu da sala. Precisava atender o pedido de Mia sobre os seus pais. Sam e Dean se olharam surpresos.
– Ele disse...? — quis confirmar Dean.
– Sim. Sangue de demônio. — confirmou Sam — Nós devíamos ter desconfiado... Principalmente eu. Faz todo o sentido.
– Nós precisamos encontrá-la, Sammy, antes que ela faça alguma besteira. — temeu o mais velho.
Ao dizer isso, o celular dele começou a tocar. Ele olhou o número e murmurou:
– Só pode ser brincadeira...
– Quem é? — indagou o mais novo.
Dean mostrou o número para Sam. Era 666. Eles ainda não sabiam, mas naquele exato momento, Crowley estava num restaurante, jantando com a Xerife Mills. E fazia um feitiço para matá-la enquanto ela foi retocar a maquiagem. Dean atendeu.
Enquanto isso na estrada, o veículo parou e Mia subiu. O motorista a olhou da cabeça aos pés e perguntou:
– O que diabos aconteceu com você?
– O diabo. — respondeu Mia sem paciência.
– O quê? — não entendeu o homem e em seguida colocou a mão na perna de Mia — Como eu posso te ajudar, boneca?
Mia sorriu, pegou sua máquina de dar choque e descarregou na mão do homem que gritou e se afastou assustado.
– Ficando bem longe de mim. — respondeu ela.
– Qual o seu problema, garota?!
– Eu não sei... Talvez seja o sangue de demônio que corre nas minhas veias. — respondeu ela friamente.
O homem arregalou os olhos e fez o sinal da cruz, antes de descer do carro e correr na direção oposta.
Mia pulou para o banco do motorista e seguiu viagem. De repente, uma forte dor de cabeça a fez parar o carro. Mia levou as mãos à cabeça e gritou. Olhou fixamente para o horizonte e teve mais uma visão. Algo revelador e que a deixou em choque... Algo que estava caindo do Céu. Como estrelas cadentes.
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