Hotel California

4 Capítulo 4 - Bem Vinda ao Hotel California


Notas iniciais
Oieeeeeeeee!!! Olha eu aqui de novo! Desculpe a demora, people, mas estou com problemas com computadores, internet e afins. Mas, para me redimir, escrevi um capítulo bem legal, meigo e agoniante! Divirtam-se!PS: Escrevi o capítulo enquanto ouvia a musiquinha eheheheh

Quando Mia acordou, ainda estava tocando Hotel Califórnia. Aquilo era estranho porque ela tinha quase certeza que havia ouvido a música terminar antes de perder a consciência. De qualquer forma, estava feliz por estar viva. Tinha que reconhecer que desta vez havia sido por pouco. Por um momento lembrou de Sam e Dean e de como eles se preocupavam com ela. Assim como Castiel. Tinha que reconhecer que definitivamente ela era um perigo para si mesma. Dormir ao volante? Onde ela estava com a cabeça? Ela podia ter se machucado ainda mais ou machucado alguém.

De repente, uma dor aguda na perna esquerda a fez perceber que era melhor não comemorar tanto. Abaixou a cabeça e viu que havia sangue saindo do corte um pouco acima do seu joelho. Gemeu enquanto tentava se mexer. Sua cabeça girava e também doía. Devia ter batido com muita força no volante.

Com certo esforço pegou uma blusa no banco de trás e rasgou um pedaço do tecido. Em seguida o amarrou com força em volta da perna para estancar o sangue.

– Ótimo... — resmungou ela.

Se olhou pelo retrovisor e viu que também havia um corte no supercílio. Então rasgou mais um pedaço da blusa e pressionou sobre o ferimento.

– Obrigada, Cas. — disse sozinha feliz por não ter acontecido algo pior.

Resolveu desligar o rádio, mas inexplicavelmente ele ligou de novo. Desligou mais uma vez e novamente ele ligou. Sozinho. Achou aquilo estranho e em seguida sentiu um calafrio percorrer o seu corpo. Parecia que a temperatura tinha despencado em questão de segundos. Viu uma fumaça sair de sua boca por causa do frio e entendeu que era melhor sair daquele lugar o mais rápido possível. Aquilo não era um bom sinal. Queda na temperatura nunca era um bom sinal...

Então rapidamente pegou uma arma carregada de balas de sal e também uma lanterna no porta-luvas. Abriu a porta e saiu do carro puxando a perna que estava machucada. Estava tão escuro que mal conseguia enxergar. Mas a lanterna ajudava um pouco.

Ficou um tanto tonta e se apoiou no Mustang. Esperou até o mal estar passar, mas permaneceu em alerta olhando tudo em volta. Então teve a impressão de que algo passou rapidamente na sua frente e olhou em volta assustada.

– Qualquer coisa, menos Wendigo... — pediu ela.

Colocou o braço dentro do carro e pegou o seu celular. Tentou ligar para Castiel, mas ali aonde estava, não havia sinal. Também não tinha certeza se ele saberia como atender. A ideia de manterem o contato desta forma não tinha dado certo. Castiel preferia entrar em seus sonhos. O problema é que ela não podia dormir naquele momento com um possível monstro à espreita. Então tentou ligar para Sam e Dean, mas também não teve sucesso.

Então começou a caminhar em volta do carro e a levantar o celular tentando encontrar o sinal, mas novamente não conseguiu. Foi quando atropeçou e caiu em cima de alguma coisa. No começo, pensou que fosse o tronco de uma árvore, mas ao lançar a luz da lanterna sobre o objeto gritou e se afastou rapidamente ao mesmo tempo em que se coração disparou.

Não conseguiu se levantar porque o susto a paralisou por alguns instantes que pareceram uma eternidade. Precisava se acalmar, antes de voltar a raciocinar. Mas não precisava pensar muito para afirmar que aquilo definitivamente não era um tronco. Aquilo era um corpo! Ou o que sobrou de um. Pelo estágio de decomposição devia estar ali há meses.

Quando se recuperou um pouco do susto e também da náusea, levantou e se escorou na porta do Mustang. Só então olhou em volta de verdade. E mesmo naquela escuridão, o que Mia viu a deixou ainda mais chocada. E com um medo aterrador. Isso porque o Mustang era só mais um carro ali. Mais um carro no meio de um cemitério de dezenas de veículos abandonados.

Começou a caminhar pelo lugar e a iluminar os veículos com a lanterna. Viu que havia corpos em alguns deles e tampou o nariz. Sentiu náusea mesmo assim. Em outros havia apenas os restos mortais. Esqueletos. Mas a maioria dos carros estavam vazios. Para onde tinham ido os ocupantes?

Teve medo de imaginar uma resposta para aquela pergunta. Definitivamente aquele lugar parecia algum tipo de armadilha. Uma espécie de Triângulo das Bermudas. Seu instinto de sobrevivência lhe dizia para sair dali imediatamente, mas o instinto de caçadora lhe dizia para investigar aquilo explorando mais o lugar. O problema é que se morresse ali não conseguiria desvendar o mistério do lugar, então decidiu que era mais prudente seguir o instinto de sobrevivência primeiro.

Olhou para o Mustang e prometeu para si mesma que ele não seria mais um carro no meio daquele ferro velho bizarro. Depois que sobrevivesse e solucionasse aquele caso, voltaria com ajuda e rebocaria o seu bebê dali.

Pensando nisso, abriu o porta-malas do Mustang e encheu uma mochila com tudo o que precisava. Antes de fechar o porta-malas viu algo que Garth tinha lhe dado depois que soube de tudo que ela passou em Mystic Falls. Ele se sentia culpado por ter dado a dica do caso dos vampiros e lhe compensou com uma máquina de eletrochoque. Mia não tinha certeza se aquilo teria algum efeito em vampiros ou em outras criaturas, mas de qualquer forma era a forma de Garth pedir desculpas. Não pode deixar de pensar que mais uma vez uma dica do caçador tinha a colocado em uma situação difícil. Se sobrevivesse, bloquearia o número dele do seu celular. Riu ao pensar nisso, afinal nada daquilo era culpa de Garth. Ela é que tinha subestimado o seu sono e insistido em dirigir.

Começou a se afastar do carro e a subir a ribanceira com certa dificuldade enquanto continuava procurando o sinal do celular. Quando estava a uma certa distância do Mustang ouviu a música terminar. E parou intrigada ao notar que ela havia recomeçado. Queria que aquele fosse mais um dos seus pesadelos, mas sentiu que infelizmente não era. Aquilo era assustadoramente real. E com certeza, havia algo sobrenatural naquele lugar. Algo que explicaria o desaparecimento daquelas pessoas. Algo que tinha as levado dali. E algo ou alguém que definitivamente gostava daquela música. Mia sentiu um arrepio ao pensar que talvez ela fosse a próxima vítima e repetiu para si mesma:

– Não morra, Mia. Não morra.

Depois de vinte minutos caminhando com dificuldade, finalmente ela alcançou a estrada. Estava completamente deserta e a temperatura ali era cada vez mais baixa.

No fim, Mia lamentou por ter rasgado a blusa, mas também estava aliviada por ter conseguido estancar o sangramento.

Tentou ligar novamente para Sam e Dean, mas embora tivesse conseguido o sinal, a ligação caiu diretamente na Caixa Postal. Estava decidida a deixar recado, mas algo chamou a sua atenção e ela desligou o celular ao mesmo tempo em que parou de andar.

Do outro lado da estrada, no meio de um bosque, havia um letreiro em néon. E após alguns instantes sem conseguir acreditar naquilo, Mia voltou a caminhar fascinada pelo que leu no letreiro: Hotel Califórnia.

– Só pode ser brincadeira... — disse para si mesma incrédula.

De repente, ela parou de caminhar ao lembrar do que acontecia na música do The Eagles. E riu se sentindo ridícula por pensar isso.

Tudo bem, aquilo era indiscutivelmente estranho, mas ela não podia se deixar impressionar por um hotel chamado Califórnia que ficava na Califórnia. Era apenas uma coincidência. E a música era apenas uma música. Uma ótima música, mas ainda assim, uma música.

Observou o hotel a medida que se aproximava dele. Tinha uma cor meio alaranjada, uma escadaria que levava à entrada e três torres que deviam reservar os melhores quartos. Era bonito, imponente, mas um tanto sombrio.

Observar o hotel nos detalhes tinha prendido tanto a sua atenção que sem perceber ela parou de caminhar novamente, mas logo um trovão fez com que ela voltasse a si. E embora uma parte dela ainda estivesse intrigada e dissesse para ela se afastar dali, a outra parte dizia para ela continuar. Olhou para a estrada na esperança de conseguir alguma carona, mas não havia ninguém. Nenhuma ajuda. Apenas aquele hotel. De repente começou a chover e os trovões se tornaram mais intensos. Ela voltou a olhar o hotel ao longe e disse para si mesma:

– Não seja ridícula, Mia. É só uma música. E aquele é só um confortável, seco e quentinho hotel, gênia.

Embora aqueles carros na ribanceira ainda a intrigassem, ela não podia passar a noite ali no meio do nada. Muito menos com aquela tempestade. Precisava de um banho, roupas secas e um telefone para pedir ajuda.

Então se encheu de coragem e começou a atravessar a estrada e a seguir a trilha que levava ao hotel. O arsenal que trazia na mochila a fez se sentir mais segura. Nenhum fantasma iria querer cruzar o seu caminho aquela noite. Além disso, depois do que aconteceu com ela nos últimos meses, dificilmente algo a assustaria. Precisava mais do que uma música e um hotel sombrio no meio do nada para impressioná-la.

Um trovão a fez parar assustada e as luzes do hotel se apagaram. OK... Não precisava de muito para assustá-la. Mas se queria ser uma caçadora de respeito, tinha que enfrentar os seus medos. Não podia se deixar impressionar por uma simples lenda urbana. Aquilo era só uma coincidência. Uma curiosa e esquisita coincidência, mas ainda assim uma coincidência.

Voltou a caminhar, mas novamente parou. Desta vez, intrigada ao ver a figura de uma jovem mulher parada na entrada do hotel. Era jovem, bonita e tinha longos cabelos negros. Mas mesmo na escuridão a achou um tanto pálida. Riu ao pensar que talvez aquele hotel existisse justamente por causa da música. Talvez quem o construiu quisesse justamente chamar a atenção de quem passava por ali e era fã da música. Talvez quem o projetou fosse um fã também. Era como uma jogada de marketing. Mesmo assim, foi inevitável não pensar que aquele lugar podia ser o Paraíso ou o Inferno. Foi inevitável não lembrar da música novamente...

Começou a subir os degraus e a mulher, segurando um vela a cumprimentou com um leve sorriso:

– Bem vinda ao Hotel Califórnia.

– Só pode ser brincadeira... — deixou escapar Mia ainda hesitante na porta.

– Como é? — não entendeu a mulher.

– Esquece...

A chuva aumentou e Mia resolveu entrar enquanto tentava afastar os pensamentos ruins e se convencia de aquilo era só uma coincidência.

– Eu preciso de um telefone. — pediu Mia.

– Todos precisam. — disse a mulher sem olhar para ela e enquanto pegava uma chave — Mas, com esta tempestade, os telefones pararam de funcionar.

– Mas começou a chover há cinco minutos. — estranhou Mia.

– Estamos numa área instável. — explicou a mulher — Sugiro que você fique por esta noite. Amanhã tudo será resolvido e você poderá pedir ajuda.

– Como você sabe que eu preciso de ajuda? — desconfiou Mia.

A mulher sorriu de um jeito misterioso e respondeu enquanto observava Mia:

– Sua perna e sua cabeça estão machucadas.

– Oh! Claro! Como eu sou idiota... Eu devo estar com uma aparência horrível, por falar nisso... Eu tive um problema com meu carro... Na verdade, eu quase morri... — disse Mia.

– Que bom que você está bem..- respondeu a mulher gentilmente.

No entanto, Mia não gostou muito da maneira como ela falou aquilo. Soou meio falso. Mas em seguida, se convenceu de que estava ficando paranoica. A mulher só estava tentando ser gentil.

– Ok, então é melhor eu ficar por esta noite. — concordou ela colocando a mochila em cima do balcão para pegar os seus documentos falsos.

Enquanto isso, Dean abria a geladeira e pegava duas garrafas de cerveja. Ao fechar a porta se assustou com Castiel e quase derrubou tudo no chão.

– Droga, Cas! Qual o seu problema, cara? Eu já disse que isso é assustador. — reclamou o caçador.

– A Mia sumiu. — despejou o anjo.

– De novo? — surpreendeu-se Dean antes de voltar pra sala e jogar uma garrafa para o irmão.

Castiel viu a televisão ligada e perguntou:

– O que vocês estão vendo?

– É um filme amador sobre um ritual que cura demônios. — explicou Sam pausando o vídeo — Desculpe, você disse que a Mia desapareceu?

– Sim. — respondeu o anjo.

– De novo? — surpreendeu-se Sam.

– Sim e eu preciso de ajuda para encontrá-la. — pediu o anjo um tanto nervoso.

– Ok. Quando foi a última vez que você falou com ela? — quis saber Sam.

– Mais ou menos há meia hora. Ela estava dormindo. E tendo um sonho esquisito, à propósito. — explicou Castiel.

– Você experimentou procurar no banheiro? Vai ver ela acordou e resolveu tomar um banho. — brincou Dean.

– Mia sumiu há meia hora? — quis confirmar Sam.

– Você não acha que é um pouco cedo para declará-la... Desaparecida? — perguntou Dean.

– Vocês não entenderam. — tentou explicar Castiel — Ela estava dirigindo quando eu entrei no seu sonho.

– Isso não é bom. — preocupou-se Dean enquanto Sam tentava ligar para o celular de Mia.

– Ela não atende. — informou ele desligando o celular logo em seguida.

– Isso não é nada bom. — repetiu Dean.

– Nós precisamos encontrá-la. — disse Castiel ficando ainda mais preocupado.

– Espera um pouco. — pediu Dean lembrando de alguma coisa — A Mia deixou um recado ontem dizendo que ia investigar um caso na Califórnia. Se ela não está seguindo uma pista de algum pesadelo, provavelmente Garth sabe de alguma coisa. Talvez ele possa ajudar.

– Ótimo! Então eu vou encontrá-lo. — anunciou o anjo se preparando para partir, mas parou quando Dean colocou a mão em seu ombro.

– Vai com calma, Cas. — pediu ele mostrando o celular — Vamos ligar pra ele primeiro. Depois você bate as asinhas se for preciso.

– Não se preocupe, Cas. Nós vamos encontrá-la. — tranquilizou Sam.

– Mas da próxima vez que você pensar em desenhar símbolos nas costelas dela para escondê-la de todos os anjos, por favor, não faça, ok? — aconselhou Dean.

No Hotel California, a recepcionista abriu um livro de registro de hóspedes e deu uma caneta para Mia assinar. Ela tentou ler os nomes ali, mas estava escuro e mal conseguiu escrever na linha certa. Em seguida a mulher lhe entregou uma chave e disse de um jeito um tanto misterioso:

– Aproveite a sua estadia.

– Eu só vou ficar por esta noite. — lembrou Mia — Mas obrigada de qualquer forma...

Mia se virou e andou em direção a uma escada que levava ao andar de cima.

– Srta. Mary Collins? — chamou a mulher fazendo Mia parar e olhar para a recepção — Mais uma vez, bem vinda ao Hotel Califórnia.

Um relâmpago iluminou o rosto da mulher quando ela disse isso e Mia pensou ter visto algo estranho nele. Algo fantasmagórico e maligno. Um trovão veio logo em seguida e Mia voltou a si.

– Obrigada. — agradeceu tentando parecer natural — E, por favor, me avise quando os telefones voltarem a funcionar, ok?

– Claro. — concordou a mulher.

Mia pegou uma das velas que estavam espalhadas pelo lugar e começou a subir as escadas. Quando chegou no corredor, teve a impressão de ouvir vozes sussurrando alguma coisa. Parou para ouvir e elas se silenciaram. Mia pensou que talvez estivesse delirando. Devia ter batido a cabeça com muita força naquele volante e agora estava ouvindo coisas que não existiam. E por mais que não quisesse admitir, tinha ficado inexplicavelmente impressionada com aquela música e com aquela bizarra coincidência de encontrar o Hotel Califórnia.

Voltou a caminhar e novamente as vozes começaram a sussurrar. E novamente Mia parou para ouví-las com atenção.

– Bem vinda ao Hotel Califórnia. — diziam elas.

Enquanto ouvia aqueles bizarros sussurros, Mia olhou para a porta do quarto e comparou com a numeração da sua chave. O número era 666.

E quando você acha que a coisa não pode ficar mais estranha... — murmurou ela colocando a chave na porta.

Entrou no quarto. Trancou a porta. E ouviu as vozes pararem de sussurrar segundos depois.

– Não seja ridícula, Mia... É só uma música... — voltou a dizer para si mesma.

De repente as luzes se acenderam. Mas não completamente. Deviam vir da energia de algum gerador. Piscaram rapidamente antes de se estabilizarem. Mia apagou a vela e animou-se com a ideia de tomar um banho quente. Agora semi iluminado, o quarto não parecia tão assustador. Aliás, não havia nada de assustador nele. Nada de móveis destroçados, poeira ou teias de aranha. Era um limpo, arrumado e confortável quarto de hotel.

Mia jogou a mochila em cima da poltrona e foi até o banheiro. Encheu a banheira. Tirou a blusa e a calça com cuidado. Sua perna estava ainda mais dolorida. Só então examinou melhor o ferimento. Era um corte profundo e o local estava febril e levemente avermelhado. Mas pelo menos tinha parado de sangrar.

Terminou de se despir e entrou na banheira. Fechou os olhos tentando relaxar um pouco e parar de pensar naquelas coisas que tinham a deixado um tanto impressionada. Os carros, o hotel, aquela mulher estranha... E tudo parecia pior com aquela chuva caindo lá fora. Tudo ficava mais assustador com aqueles relâmpagos e trovões. Admitiu para si mesma que estava apavorada e saiu da banheira. Vestiu o roupão e foi até o quarto. Parou surpresa ao ver Castiel sentado na cama.

– Cas? O que você está fazendo aqui?

– Mia, eu preciso saber onde você está. — pediu o anjo.

– Como assim? Eu estou bem aqui, gênio. Hotel Califórnia. Você não leu o letreiro lá fora? A propósito como você me achou...? — perguntou sentindo-se confusa e aliviada ao mesmo tempo, mas parou de falar em seguida engasgada com alguma coisa.

Começou a tossir e não conseguiu mais parar. Caiu de joelhos no chão e cuspiu a água que a sufocava. Tossiu com mais força e mais água saiu de sua boca. Não estava conseguindo respirar, quando Castiel colocou a mão em seu ombro e pediu:

– Abra os olhos, Mia.

Ela obedeceu instintivamente e percebeu que estava submersa na banheira. Tentou emergir, mas alguma coisa estava a empurrando para baixo. Seu coração disparou enquanto ela tentava lutar contra aquela estranha força. Começou a se debater e parte da água se espalhou pelo chão com seus movimentos desesperados. Por fim, conseguiu tirar a cabeça da água e tossiu sem ar. Mesmo com dificuldade, conseguiu pegar a arma carregada de sal que havia deixado no chão ao lado da banheira. Mirou, mas não atirou. Não havia mais ninguém ali. Sem soltar a arma, saiu da banheira e vestiu o roupão. Foi até o quarto e também não havia ninguém. Abaixou a arma e tentou ordenar os seus pensamentos. Pensou que talvez tivesse imaginado aquilo ou que fosse parte do sonho, mas ao olhar para a porta viu que estava semi aberta. Andou até ela e a fechou rapidamente. Tinha certeza que havia trancado a porta minutos antes...

Em seguida olhou para a janela. Estava aberta e o vento invadia o quarto. Também não tinha deixado a janela daquele jeito. Prontamente correu e a fechou. Viu que tempestade estava começando a passar.

Mia sentia-se cada vez mais confusa e assustada. Definitivamente havia algo sobrenatural no Hotel Califórnia. Algo que queria matá-la.

Enquanto isso, Dean voltou para a sala e informou:

– O Garth não sabe de nada. Aliás, ele não fala com a Mia há dias.

– Se não foi o Garth, então quem ligou pra ela? — questionou Sam intrigado.

Castiel reapareceu na sala de repente e Dean perguntou:

– Onde você foi?

– Eu consegui entrar no sonho dela de novo. Por alguns instantes. — respondeu ele.

– Isso é ótimo. Pelo menos sabemos que ela ainda está viva. E tratando-se da Mia, isso é um progresso. — disse Dean aliviado.

– O que foi, Cas? — estranhou Sam ao perceber que o anjo estava um tanto perturbado.

– Eu estava no sonho dela e de repente foi como se algo ou alguém estivesse atrás dela. Ao mesmo tempo em que também me repeliu de lá... A Mia está em perigo. Eu pude sentir, mas não consegui avisá-la... E não consigo encontrá-la... — disse o anjo visivelmente nervoso e preocupado.

– Sammy, nós precisamos descobrir com quem a Mia falou, pra quem ligou... — sugeriu Dean começando a entender que talvez o desaparecimento de Mia envolvesse mais coisas do que eles estavam imaginando.

Sam acessou o site da operadora e inseriu o número do celular de Mia.

– Cas, quando você apareceu no sonho dela, ela não deu nenhuma pista? — indagou Dean.

– Ela disse que estava no Hotel Califórnia. Mas eu chequei todos os hoteis da Califórnia e ela não está em nem um deles... — respondeu o anjo.

– Espera um pouco. — interrompeu Dean — Ela disse Hotel Califórnia?

Houve um longo momento de silêncio e Sam percebeu que o irmão havia ficado empolgado com aquela informação.

– Dean, eu sei o que você está pensando, mas isso não faz sentido. — cortou o mais novo.

– Por que não? — rebateu Dean.

– Porque o Hotel Califórnia não existe. — respondeu Sam.

– Hotel Califórnia? — repetiu Castiel lembrando de algo — Estranho.. A Mia estava sonhando com uma música que falava exatamente sobre um hotel assim...

Sam e Dean se entreolharam e Sam insistiu:

– Não faz sentido.

– E o que faz sentido quando se está falando do sobrenatural? — argumentou Dean.

– É só uma lenda, Dean. — devolveu Sam.

– Nós já trabalhamos em muitos casos que começaram com simples lendas. — lembrou Dean.

– A Mia não está no Hotel Califórnia. — afirmou Sam.

– Na verdade, ela disse que estava... — lembrou Castiel achando aquela conversa sem sentido.

– Não no Hotel Califórnia da música. — explicou Sam — Ela não poderia estar lá porque o lugar não existe, é uma lenda. Ela deve estar em outro hotel na Califórnia.

– O Cas disse que procurou em todos os hoteis de lá. — insistiu Dean.

– Então ele deve ter deixado passar algum. — cogitou Sam.

– Não, eu não deixei. — garantiu o anjo — Eu não estou entendendo... O que vocês querem dizer?

– Bem, eu acho que devemos nos concentrar nos fatos e o Dean acha que devemos interrogar uma banda de rock. — resumiu Sam.

Dean fechou a cara, pegou o palhaço que Mia havia dado para Sam e o jogou em cima do irmão resmungando:

– Hilário...

Sam ajeitou o palhacinho perto do notebook e disse para surpresa de Dean:

– Mia estava certa. Até que ele é bonitinho.

– Ok, Sammy, você venceu. — desistiu Dean — Se concentre nos fatos, descubra alguma coisa útil, que eu vou pegar mais cerveja.

Castiel observou Dean sair da sala e confessou confuso:

– Eu continuo não entendendo.

– Tudo o que você precisa entender, Cas, é que Mia não está presa num hotel mal assombrado. Nós vamos encontrá-la, não se preocupe. — esclareceu Sam.

Enquanto isso, Mia começava a se convencer de que talvez aquele hotel fosse mal assombrado. Precisava descobrir o que estava acontecendo ali. Vestiu-se depressa e foi até a porta. A abriu e apontou a arma em direção ao corredor. Estava vazio e semi iluminado. Saiu e fechou a porta atrás de si. Ela rangeu. Assim como o assoalho a medida que caminhava por ele. Estava frio. A temperatura estava caindo. Mas agora mais do que nunca Mia precisava entender o que estava acontecendo ali e não ia desistir até descobrir o que era. Precisava falar com alguém e descobrir se aquilo tudo era loucura, se era real, sobrenatural ou se era marketing.

Pensando assim, bateu discretamente na primeira porta. Ninguém atendeu. Aliás, o quarto estava silencioso demais. Resolveu arriscar e girou a maçaneta. Hesitou por um instante, mas a vontade de decifrar aquele mistério era maior. Entrou sussurrando:

– Com licença... Tem alguém aqui?

Parou ao ver um homem sentado numa poltrona de costas para ela.

– Graças a Deus... — suspirou aliviada enquanto se aproximava — Senhor?

O homem permanecia em silêncio e completamente imóvel.

– Sabe... Esse negócio de não falar assusta um pouco... E de qualquer forma, eu odeio silêncios constrangedores... — disse ela dando um passo a frente.

De repente e sem perceber Mia, que ainda puxava da perna, tropeçou no tapete e caiu de frente para o hóspede. Ao levantar o rosto em sua direção, um grito de horror saiu da sua garganta. Aquele homem estava morto. E devia estar morto há semanas. Só então Mia sentiu o cheiro forte do corpo em decomposição e colocou a mão sobre o nariz.

O homem ainda tinha na mão uma arma. E via-se um orifício de bala pouco abaixo do queixo.

Além do nariz, Mia tampou a boca para abafar o grito de terror e de medo que insistia em querer sair.

– Não entre em pânico, Mia... — disse para si mesma — É só um homem morto... Ai meu Deus... É um homem morto!

Levantou o mais rápido que pode e saiu do quarto. Mas ao chegar no corredor algo a fez parar ainda mais assustada. Algo havia mudado ali. Estranhamente, todas as portas de todos os quartos estavam abertas. Era quase como se estivessem a convidando para entrar e conhecer os outros hóspedes. Mia teve um mau pressentimento sobre aquilo, mas resolveu arriscar. Precisava entender o que havia acontecido naquele lugar. Foi pensando assim que parou em cada porta e observou o interior de cada quarto. Os hóspedes estavam lá. Mas todos estavam mortos. A princípio pensou que todos haviam se suicidado como aquele homem, mas, alguns pareciam simplesmente terem morrido de fome ou de sede... Ou de desespero. Alguns tinham atirado nas próprias cabeças, outros haviam se enforcado. E outros... Pareciam terem sido assassinados. Ao ver aquele cenário de morte por toda parte, teve certeza que não havia imaginado ou sonhado com aquilo que aconteceu no banheiro. Alguma coisa tentou mesmo matá-la. Assim como matou todas aquelas pessoas.

A cada vez que parava na porta de um quarto, Mia colocava a mão na boca tentando conter o grito. Estava morrendo de medo. Ela parecia ser a única pessoa viva ali. E aquelas pessoas, deviam ser as donas daqueles carros que ela viu na ribanceira quando sofreu o acidente. Os que não morreram nos acidentes, encontraram o hotel. Vieram em busca de ajuda. Entraram. Mas nunca conseguiram sair. Por quê? Por que eles simplesmente não pegaram suas coisas e foram embora?

Tinha medo de imaginar uma resposta para aquilo. Novamente a música lhe veio à cabeça e não pode evitar... Começou a pensar que talvez, assim como na música, aquelas pessoas tinham ficado presas naquele hotel. Maldito Hotel Califórnia!

E após semanas, talvez meses, vivendo aquele pesadelo, tentando encontrar uma saída daquele lugar, os que não foram mortos, entraram em desespero e tiraram a própria vida. O medo de Mia crescia a cada instante ao pensar nessas coisas. Ao imaginar o que aqueles hóspedes teriam vivido ali.

Parou na ultima porta e reconheceu que aquele era o seu quarto. E lá estava aquela mulher. Parada no meio dele a encarando.

– Isso não é justo... Nada disso acontecia na música. — protestou Mia sem saber o que dizer ou fazer naquele momento.

– Isso importa? — indagou a mulher para sua surpresa — Você não vai embora do mesmo jeito.

OK. Aquela não era a resposta que Mia esperava ouvir. Queria que a mulher mentisse, que dissesse que Mia estava imaginando tudo aquilo, que a xingasse de louca, que fizesse qualquer coisa, menos que dissesse aquelas coisas e que confirmasse o que Mia temia.

– O caminhão... Não era real, era? — deduziu Mia.

– Claro que não, bobinha. Era uma armadilha. — respondeu a muler.

– Todas aquelas pessoas... Foram atraídas para este hotel dessa forma, não foram? Por quê? — quis entender a caçadora.

– Não é obvio? — desafiou a mulher.

Mia pensou um pouco, lembrou das vozes que tinha ouvido no corredor e deduziu:

– Oh meu Deus... Eram eles. As vozes.... Eles estão presos aqui... Viraram fantasmas. Então você os atraiu pra cá porque queria ter amigos? Você precisa sair mais...

A mulher a observou intrigada e disse enquanto andava a sua volta:

– Você é diferente dos outros. É mais esperta do que eles. Mais forte. Não parece tão assustada quanto eles ficaram. — e passando a mão por seus cabelos indagou — O que você é exatamente?

– Ok, pode parar por aí. — cortou Mia rispidamente — Sem esse papo de que eu sou diferente, ok? A última pessoa que me disse isso quase bebeu todo o meu sangue e aquilo não foi nada divertido... — lembrou ela e em seguida se virou para a mulher e ordenou — Eu quero sair daqui. Agora.

– Era o que todos queriam, mas você conhece a música, não conhece? Você nunca poderá sair, querida. — afirmou a mulher em tom ameaçador — E logo você será apenas mais um deles. Apenas mais um dos meus amigos...

Ao dizer isso, a mulher se moveu rapidamente na direção de Mia, que mesmo surpresa e um tanto zonza conseguiu pegar a arma que havia prendido na cintura e atirar contra ela. O fantasma se dissipou no ar.

– Eu não teria tanta certeza, bitch! — afirmou Mia — Se eu digo que vou sair daqui, acredite, eu vou.

Em seguida, ela pegou a mochila e saiu do quarto. Desceu as escadas e passou pela recepção. Cruzou a porta, mas inexplicavelmente voltou para dentro do Hotel. Seu coração disparou enquanto ela tentava sair de lá novamente. E novamente voltou para o mesmo lugar...

– Que diabos... — xingou ela sentindo-se confusa e sem acreditar que aquilo estava realmente acontecendo.

– Eu te avisei. — lembrou a mulher aparecendo na recepção — Você nunca sairá do Hotel Califórnia.

De repente Mia sentiu a temperatura cair ainda mais e outros fantasmas começaram a aparecer. A surgirem dos cantos. A saírem dos quartos e a se juntarem aquela mulher. Começaram a se aproximar de Mia e ela reconheceu os seus rostos. Eram os hóspedes.

De repente, Mia sentiu mãos frias a puxando, segurando suas roupas, passando as mãos por seus cabelos e começou a atirar para todos os lados.

Começou a correr e a subir as escadas enquanto os fantasmas sussurravam "Bem vinda ao Hotel Califórnia". Um deles agarrou o pé de Mia e ela gritou. Se desequilibrou e caiu da escada. Mia atirou no fantasma e quando ele desapareceu, ela começou a subir os degraus novamente.

Entrou no quarto e trancou a porta bem no instante em que um dos fantasmas apareceu no corredor. Despejou tudo que tinha dentro da mochila em cima da cama. Pegou alguns potes de sal e o colocou na porta e janela. Em seguida sentou na cama e recarregou a pistola com mais balas de sal. Ficou apontando a arma para a porta enquanto ouvia os fantasmas arranharem a porta do quarto ao mesmo tempo em que continuavam sussurrando "Bem vinda ao Hotel Califórnia ". Mia colocou a arma próximo ao seus pés e tampou os ouvidos. Começou a entender por que alguns hóspedes se suicidaram... Aquilo era o Inferno... Se sobrevivesse aquilo, nunca mais conseguiria ouvir a música.

Estava presa naquele maldito lugar e a munição não ia durar por muito tempo. Olhou para a janela e viu o vidro trincar e quebrar completamente em seguida enchendo o quarto de estilhaços. Mia protegeu o rosto. A porta abriu e ela atirou em tudo o que viu pela frente...

Notas finais
Vixe...Em breve mais um capítulo!