Hotel California

3 Capítulo 3 - O acidente


Notas iniciais
Bem, o nome do capítulo já diz tudo. Complicações, people... Complicações...

O sol da manhã entrava pela janela do quarto e iluminava o lençol que cobria os corpos nus de Mia e Castiel. Ele observava a delicadeza dos seus traços e as curvas de seu corpo com certo fascínio. Como se aquela fosse a primeira vez que a visse daquele jeito ou... Como se fosse a última.

Mia estava deitada de bruços e seus longos cabelos castanhos caíam pelas suas costas. O lençol cobria os seus quadris e parte das suas pernas.
Castiel observou a tatuagem contra possessão no final de suas costas e admirou o contraste com a sua pele branca e delicada quando Mia se mexeu um pouco. Lembrou do dia em que Garth fez a tatuagem em Mia.

Ele afastou algumas mechas que caíam pelo seu rosto delicado e deslizou os dedos suavemente pelos seus ombros. Acariciou suas costas e desceu mais um pouco. Mia sorriu ainda de olhos fechados e perguntou:

– O que você está fazendo, pervertido?

– Tentando entender. — respondeu ele.

Mia abriu os olhos e perguntou interessada:

– Entender o quê?

Castiel se aproximou mais e tocou seu rosto com carinho antes de responder:

– O que Deus estava pensando quando criou você? Tão linda... Tão perfeita...

Mia riu e disse incrédula:

– Perfeita? Você é sempre tão engraçado assim de manhã?

Ficaram se olhando sem dizer nada por alguns instantes até que o anjo deixou escapar:

– Eu vou sentir falta disso. De você.

– Como assim? — estranhou Mia e em seguida emendou — Ah! Claro! Você precisa recuperar aquela tábua... E é bom você se apressar com isso porque eu nem consigo imaginar como seria desastroso se Crowley descobrisse como fechar o Céu... Sim, porque se a Tábua dos Demônios mostra como selar o Inferno e trancar todos eles lá embaixo, não é preciso ser muito inteligente pra deduzir o que a Tábua dos Anjos pode fazer... E isso me assusta.

– Mia, eu não quero que você se preocupe com isso. Você não precisa de preocupar com nada. — disse o anjo.

– Como eu não vou me preocupar, Cas? Eu nem sei o que aconteceria comigo se você de repente não estivesse mais aqui. — contrapôs ela.

– Você sobreviveria. Como sempre fez. — afirmou ele.

– Não. — discordou ela se enrolando no lençol, se virando e olhando para o teto — Eu acho que eu morreria. De tristeza e... De abstinência sexual...

Mia riu ao falar isso e Castiel concordou:

– É... Eu também vou sentir falta desta parte.

Mia franziu o cenho e se aproximou mais do anjo antes de dizer com certo temor:

– Você fala como se estivesse indo para uma guerra e não fosse voltar. Você vai voltar, Cas. Você sempre volta.

– Eu não tenho certeza desta vez, Mia. — tentou explicar ele.

– O que você está dizendo? — estranhou ela.

Castiel ficou um longo período sem dizer nada e percebeu que mais uma vez não teria coragem de se despedir de Mia.

– Nada. — mentiu ele por fim — Eu só estou preocupado com o que Crowley pode fazer. Você está certa. Eu tenho que recuperar aquela tábua.

– Tem mais alguma coisa que você queira me dizer, Cas? — insistiu ela sentindo que havia algo mais — Algo importante e que eu deveria saber?

– Sim. — respondeu ele tocando o seu rosto com carinho — Eu sempre vou te amar, Mia. Sempre. Não importa o que aconteça. Nunca se esqueça disso.

– Ok, agora você está me assustando... — temeu ela.

– Você é sempre tão pessimista assim de manhã? — tentou disfarçar ele.

Mia não respondeu e se aproximou mais dele, se aconchegando em seu peito. Queria acreditar que aquilo que estava sentindo era só uma sensação ruim, mas sabia que Castiel estava escondendo alguma coisa e teve medo disso.

– Só me prometa que vai ficar tudo bem. — pediu ela por fim — Você sabe, no final de tudo.

Castiel olhou para Mia e mais uma vez fraquejou. Não queria mentir para ela, mas ao mesmo tempo não conseguia dizer a verdade. Mas, como acreditava que estava fazendo a coisa certa e que ao fechar os portões do Céu, Mia poderia ter uma vida normal, uma vida melhor, respondeu por fim:

– Eu prometo que tudo vai ficar bem, Mia.

Ela fechou os olhos mais tranquila e Castiel beijou-a na testa. Logo, ela adormeceu novamente, mas o barulho do celular tocando a despertou. Olhou em volta e percebeu que Castiel não estava mais ali. Mia estranhou aquilo, mas sabia que ele tinha que recuperar a tábua dos anjos o quanto antes. Entendia a urgência daquela missão e confiava em Castiel acima de qualquer coisa. E não podia esquecer que ele havia prometido que tudo ficaria bem. E Mia acreditava nisso.

Então sentou na cama, pegou o aparelho no criado-mudo e atendeu após ver quem era:

– Oi, Garth, o que você manda? Hummm... Parece bruxaria ou fantasma vingativo. Não, Garth, eu não quero apostar. Cem dólares? OK, então eu aposto no fantasma. Onde fica? Sério? OK, então parece que finalmente eu vou conhecer a Califórnia. Estou indo pra lá.

Mia desligou o celular e foi tomar um banho. A ideia de caçar afastou um pouco aquela estranha sensação que sentia em relação à conversa com Castiel. Seria bom caçar alguma coisa para relaxar um pouco.

Perto dali, Castiel caminhava por uma estrada. Se culpava por não ter conseguido dizer a verdade para Mia. A verdade é que não tinha certeza se era capaz de se afastar dela para sempre. Mas sabia que era o que tinha que fazer.

De repente, ele parou sentindo uma presença familiar naquela estrada. Se virou e chamou:

– Metatron? Eu sei que você está aqui.

– Eu já disse. Aqui embaixo é Marv. — lembrou o anjo.

Castiel se virou novamente e o viu a poucos metros dele.

– O que você está fazendo aqui? — quis saber Castiel.

– Humm... Pelo visto você não conseguiu se despedir dela. — deduziu Metatron.

– Isso não é da sua conta. — respondeu Castiel com certa rispidez.

Metatron se aproximou e colocou a mão em seu ombro antes de continuar:

– Eu sei que esta humana é importante para você, Castiel. Mas você precisa deixá-la ir. O Céu precisa de você. A sua família, sua verdadeira família, precisa de você. Além disso, você sabe que a vida dessa garota seria bem melhor se você nunca tivesse aparecido nela. Ela merece ter uma vida normal, Castiel. Mas enquanto você insistir nisso, ela nunca terá chance. É isso que você quer?

Castiel hesitou por algum tempo, mas se convenceu que Metatron tinha razão. A vida de Mia seria diferente se eles nunca tivessem se conhecido. Sabia que ela nunca concordaria com aquilo, mas fechar os portões do Céu era o certo a se fazer. Consertar as coisas por lá e ainda dar uma segunda chance para Mia ter uma vida normal. Pensando assim perguntou com firmeza:

– Qual é o segundo teste?

Metatron sorriu levemente ao ouvir aquilo, enquanto Mia arrumava as suas coisas dentro do Mustang. Antes de ligar o carro resolveu ligar para os Winchester.

"Oi, você ligou para Dean Winchester. Você sabe o que fazer." — disse a mensagem de voz.

– Oi! Sou eu. Bem, antes que vocês fiquem preocupados comigo e resolvam entrar em pânico de novo, eu achei melhor avisar. Eu estou indo investigar um caso na Califórnia. Nada de mais, não se preocupem, eu vou ficar bem. Bem, espero ver vocês em breve e, por favor, mandem todos os desgraçados de olhos pretos para o Inferno. Literalmente. Boa sorte.

Mia desligou o celular e deu partida. Dirigiu o resto do dia e acabou com a garrafa de café. À noite parou para descansar em um hotel e retomou a viagem no dia seguinte. Dirigiu até anoitecer novamente, mas dessa vez resolveu não parar para dormir. Estava perto demais da Califórnia e resolveu continuar. Ligou o rádio e ficou ouvindo um pouco de musica para se manter acordada. O café tinha acabado de novo. Resolveu abrir um pouco a janela para sentir o vento no rosto.

Na verdade, começava a se arrepender por não ter parado no último hotel que viu. Aumentou o volume do rádio. Estava tocando Hotel California do The Eagles. Então, Mia começou a cantar, mas logo parou para bocejar. Passou a mão pelo rosto e checou a garrafa de café. Estava vazia. Não entendia como o café acabava tão rápido.

– Droga... — resmungou ela enquanto tentava manter os olhos na estrada.

Mas os seus olhos estavam ficando cada vez mais pesados e estava difícil mantê-los abertos.

O vento balançava os seus cabelos suavemente e sem perceber, Mia acabou fechando os olhos por alguns instantes. Sorriu e abriu os olhos novamente envolvida pela música. Mas, para sua surpresa, não estava mais no carro.

Estava sentada embaixo de uma árvore no topo de uma colina. O dia estava lindo. Completamente ensolarado. Lá embaixo, no meio de um descampado, o The Eagles tocava Hotel California única e exclusivamente para ela. Ela sorriu encantada e começou a cantar junto com eles. Era incrível como algumas músicas ganham outro significado quando você descobre que o sobrenatural existe e está sempre à espreita. Não que Mia acreditasse que o Hotel Califórnia existia, mas a ideia de um lugar assombrado de onde você não consegue sair era no mínimo interessante. No fundo, Mia adoraria que a lenda fosse real, só para poder caçar os fantasmas do Hotel Califórnia, desenterrar e salgar os seus corpos. Não podia negar que achava o lance de caçar divertido, apesar dos pesares.

Fechou os olhos por um instante e ouviu o familiar barulho de asas disputando atenção com a música. Abriu os olhos e viu Castiel sentado ao seu lado debaixo da árvore. Ele olhou para tudo aquilo sem entender e Mia perguntou naturalmente:

– Cas, o que você está fazendo no meu sonho? Não me entenda mal, mas eu não pensei que te veria tão cedo... Você sabe, todo aquele papo sobre...

– Eu só queria ter certeza que você estava bem. — explicou Castiel a interrompendo.

Novamente ele sentiu que seria muito difícil ficar longe de Mia. Não era só os seus sentimentos por ela, mas também sentia que tinha que protegê-la. Mia era um perigo para ela mesma.

– Claro que eu estou bem. — respondeu ela e depois olhou para a banda e acrescentou — Aliás, eu estou ótima! Por que não estaria?

Mia encostou a cabeça no ombro dele e confessou:

– Você, The Eagles... Este com certeza é o melhor sonho que eu já tive.

Ao ouvir isso, Castiel pensou um pouco e perguntou intrigado:

– Mia, onde você estava antes de estar aqui?

Ela se afastou um pouco tentando encontrar a resposta para aquela pergunta e tudo que conseguiu responder foi:

– Oh, meu Deus...

– Por favor, me diga que você está segura na cama de algum hotel. — pediu ele preocupado.

– Quase isso...

– Mia, você precisa acordar. — pediu ele.

A garota olhou para o The Eagles tocando e relutou:

– Eu não posso esperar até o refrão? Só até o refrão! Eu juro! Por favor... É a melhor parte...

– Não! — discordou ele segurando-a nos ombros — Você precisa acordar. Agora...

– Opa! Que barulho é esse? — perguntou ela ouvindo uma buzina ao longe.

– Mia, abra os seus olhos! — ordenou ele a segurando mais firme.

– O quê?

– Abra os olhos, Mia! Agora!

Em poucos segundos, o barulho se tornou ensurdecedor e ela não conseguia mais ouvir Castiel. Então abriu os olhos assustada com o caminhão que se aproximava em alta velocidade.

Mia havia entrado na contramão enquanto dormia e o Mustang ia se chocar com o caminhão bem no exato instante em que ela conseguiu desviar e saiu da estrada. Mas, com isso, o carro derrapou desgovernado e começou a descer uma ribanceira se chocando e derrubando a vegetação que via pela frente. Mia gritou e tentou parar o Mustang a todo custo, mas não conseguia mais controlá-lo. Ele só parou depois de se chocar violentamente com uma árvore a fazendo bater a cabeça no volante. Antes de desmaiar, Mia ouviu, pelo rádio do Mustang, Hotel California terminando...

Notas finais
E aí? O que vocês acharam do capítulo??? Gostaram do final??? Vixe que agora as coisas vão ficar ainda mais complicadas pra Mia viu...E sim, eu adoro a música kkkkkkk