Hot Chocolate
1 Capítulo Único - Hot Chocolate
Notas iniciais
Boa Leitura :)
¬ Tou-san! Tou-san!
¬ Chichiue! Chichiue!
Ichigo que estava no sofá corrigindo provas quando ouviu os filhos gritando por ele e em seguida adentrando a casa correndo.
Era um menino e uma menina, gêmeos de 5 anos. O menino era um Ichigo Chibi, literalmente, e seu nome era Sora. A menina também tinha o cabelo ruivo, mas seus olhos eram azuis, e seu nome era Yuri. Ambos pareciam desesperados.
¬ Não estão esquecendo nada? — ele ergueu a sobrancelha ao ver que os dois entraram na casa de sapatos e de casaco.
Os dois voltaram correndo para porta e tiraram os sapatos e os casacos pesados, era inverno. Depois voltaram correndo e gritando, de novo, pelo pai.
¬ O que aconteceu? Porque estão gritando tanto?
¬ Chichiue. — falou a menina. — Como o senhor e a hahaue se apaixonaram? — nada discreta.
¬ Porque querem saber? — ele ficou levemente vermelho.
¬ Porque temos uma atividade da escola, pro Dia da Família. — o menino se pronunciou nada animado. — E parte dessa atividade é criar uma temática com o tema de como os seus pais se apaixonaram. Isso é muito chato!
¬ Eu achei legal!
¬ Só você Yuri.
¬ Todo mundo gostou! — a menina estava vermelha de raiva. — Só você que não, besta!
¬ Idiota!
Os dois começaram a brigar, Ichigo aproveitou a distração dos dois e corrigiu as últimas provas e ainda guardou todas para entregar as notas no dia seguinte.
¬ Kodomo! — ele se pronunciou sério e os dois se calaram. — Então, querem saber como eu me apaixonei pela mãe de vocês para ser usado como um trabalho de escola, certo?
Os dois confirmaram, sentando-se cada um de um lado do pai, Ichigo, por outro lado, se levantou e foi até a cozinha. Eles ficaram quietinhos olhando para o Emblema de Shinigami do pai sobre a mesinha de centro, eles sabiam o que aquilo era e rezavam para que não começasse a apitar. Pouco tempo depois ele voltou com três xícaras de chocolate quente, entregou a azul para a menina, a branca para o menino e ele ficou com a laranja.
¬ Bem... Pro onde eu posso começar?
Flashback On
Ichigo andava irritado, e até mesmo triste, ao longo do rio. Era inverno, um inverno bem rigoroso, foi naquele dia que ele finalmente decidiu se declarar para Rukia. Depois de muito tempo ele percebeu que gostava de Rukia, não como amigo, mas sim algo mais do que isso. E para sua alegria, a reposta foi:
¬ Ah, Ichigo... eu também te amo. — ele até criou esperanças. — Mas não do mesmo jeito. — a felicidade acabou. — Eu te amo, como amo meu Nii-sama. — e o complemento. — Eu estou com o Renji.
Foi o fim. Ele não teve uma reação violenta, muito pelo contrario, no fundo ele ficou contente por eles, desejou felicidades e foi embora. Foi embora, mas foi embora irritado e triste, teve a mulher, que ele tinha descoberto “amar” recentemente, roubada pro um de seus melhores amigos.
Ele continuou andando até esbarrar em alguém e cair. Quando ergueu a cabeça viu um rapaz muito parecido com seu Hollow Interior, até o sorriso era igual, a diferença estava nas roupas que usava, eram normais. Ele apenas desconfiava, apesar de estar bem na cara.
¬ A quanto tempo, Ō? — nessa ele se entregou.
¬ O que você está fazendo aqui!? — ele apontou para o Hollow. — Pensei que você estava preso em mim! — se levantou batendo o casaco para limpar a neve.
¬ Sabia que está chovendo? — o Hollow respondeu com outra pergunta. — O velho não está nada contente. Está chovendo muito e vim pedir que você se anime um pouco.
¬ Sabe porque estou assim? — confirmou. — Então desista! Não ficarei de boa tão cedo.
¬ Ora seu... — o Hollow estava pronto para avançar nele, mas conteve-se, suspirou. — Daijōbu! Mas ao menos tome um chocolate quente. Está muito frio, não acha!? — a ideia não era tão ruim, um chocolate quente lhe faria bem.
¬ E onde eu vou tomar chocolate quente? — estava muito longe de qualquer lugar que vendesse tal bebida.
¬ Tem a casa da Orihime. — ele voltou a andar.
¬ E se ela... — não adiantava mais falar, sumiu.
Ele suspirou frustrado, não tinha como negar que ele estava certo. Estava muito frio, um chocolate quente cairia muito bem, mas pedir para Orihime fazer um para ele de cara lavada, era folga demais.
Não faria mal visitá-la, fazia mais de uma semana que eles não se viam e sobre o chocolate quente, era capaz dela oferecer um sem ele ao menos pedir. E não é que ele estava certo.
¬ K-Kurosaki-kun!? — ela estava surpresa com a visita dele.
¬ Yo, Inoue. — ele a cumprimentou. — Posso entrar? — ele tomou cuidado com as palavras.
¬ Ah! — ela ficou levemente corada. — Claro!
Deu-lhe espaço e entrou. Ele nunca entendeu o porque dela gaguejar de vez em quando ou porque ficava vermelha quando ele estava por perto, mas isso nunca impediu a amizade deles. Sempre notou o quão bonita ela era, o quão gentil, doce, carinhosa, corajosa e protetora, mas mesmo assim eram apenas amigos e aparentemente jamais passariam disso. O apartamento era aquecido e continuava o mesmo desde que ele entrou lá pela última vez, ele foi para sala e ela para cozinha. Logo em seguida ela voltou com duas canecas bem grandes de chocolate quente.
¬ Arigato. — os dois se sentaram em frente a baixa mesa na sala de Orihime.
¬ Porque está triste, Kurosaki-kun? — ela notou.
¬ Hun!?
¬ Porque está triste?
¬ Como sabe que estou triste? — fez uma expressão desconfiada.
¬ Eu te conheço tempo o bastante para saber diferenciar essas coisas. — sorriu envergonhada.
Soltou um suspirou e começou a contar tudo para ela. Ela sempre o ouvia quando precisava desabafar, sempre foi uma boa amiga, sempre esteve ao lado dele quando precisou, em momentos felizes e em momentos difíceis. Quando terminou de contar tomou um pouco do chocolate quente, que estava muito bom.
¬ Estou feliz por eles. — afirmou. — Mas ainda me sinto mal.
Tomou outro gole, só que dessa vez ficou com um bigode. Apoiou a cabeça na mão e permaneceu com aquela expressão cansada e tristonha. “Será que eu apenas a amo como irmã?” se perguntou, afinal de contas, se ele acabara de descobrir que amava Rukia, porque não estava disposto a lutar por ela? Porque estava se comportando da mesma forma de quando descobriu que as irmãs tinham namorado?
Enquanto essas perguntas martelavam em sua cabeça, Orihime estava corada e de cabeça baixa, fechou os olhos com força e tomou coragem. Sem que Ichigo notasse, ela se aproximou devagar e antes que ele desse conta de qualquer coisa, lhe beijou.
Ele se surpreendeu, sentiu uma agitação estranha na barriga, o coração acelerar e o ar faltar, corou fortemente e ela também. Aquilo era um simples beijo, um beijo que limpou seu bigode de chocolate. Ela se afastou corada e sorrindo, com a mão próxima ao queixo, enquanto ele estava tendo uma batalha interna, absurdamente corado e tentando entender o que acabara de acontecer.
Ele nunca ficou daquele jeito perto de Rukia, porque ficara daquele jeito perto dela? Sempre notou que se sentia estranho perto dela, mas ele achava que aquilo era algo parecido com o que sentia pelas irmãs de sangue, só que no fundo ele sabia que era algo muito mais forte. Será que aquilo era o que ele estava pensando?
Falshback Off
¬ Como eu e a mãe de vocês nos apaixonamos, eu não sei dizer, já que quando me dei conta estava apaixonado fazia tempo. — ele limpou os bigodes dos filhos. — Mas sei dizer quando eu percebi isso. Já no caso da sua mãe, tenho quase certeza de que ela vai responder desde sempre.
¬ Owwwwwwnnnnnnnnnnnnn!!! — Yuri estava corada e com as mãos juntas na frente do peito. — Kawaii!!
¬ “Kawaii”!? — Sora questionou indignado. — Como faremos nosso trabalho assim!?
¬ Ah, Sora, deixa de ser chato! — a menina voltou a ficar evocadinha. — Eu já tenho uma ideia para nosso trabalho, mas é muito Kawaii!! — o menino bufou. — Besta!
¬ Idiota!
¬ Kodomo! — chamou pelos filhos de novo.
¬ Hai! — eles responderam em uníssono.
¬ Vão fazer suas lições de casa, parem de brigar e elaborem logo o trabalho de vocês. — ele sorria enquanto bagunçava o cabelo dos pequenos.
Os dois pularam do sofá e foram correndo para o seus respectivos quartos. Ichigo olhou para o relógio da sala e viu que a esposa iria se atrasar, se levantou e foi para cozinha arrumar o jantar.
De fato Orihime chegou tarde, estava exausta por causa do restaurante e aquela barriga de grávida não ajudava. Quando foi dar um beijo nos filhos, viu que eles discutiam algo que envolvia ela e Ichigo, deu de ombros e saio. Foi até a cozinha e viu Ichigo sentado a mesa lendo um livro.
¬ Tadaima! — ela falou sorridente e ele tirou os olhos do livro.
¬ Okaeri! — foi para junto dele e este a beijou. — Como pode ver, o jantar já está pronto. — ele a abraçava com a cabeça apoiada levemente na barriga com o intuito de ouvir o coração do filho que crescia e ela acariciava o cabelo dele.
¬ Arigato. Eu estou exausta, iria sugerir que comprássemos a comida. — sorria e então se lembrou dos filhos discutindo. — Ah, o que você disse a Sora e Yuri? Os dois estavam discutindo sobre algo que aconteceu comigo e você durante nossa adolescência, mas eles falavam tantas coisas e tão rápido que não soube o que era.
¬ Nada demais. — sorriu ao sentir um pequeno chute. — Eu apenas contei a história do chocolate quente.
Ela se surpreendeu levemente e depois voltou a sorrir, de todos os trancos e barrancos pelos quais eles passaram, aquele com certeza era o favorito dela.
Notas finais
Bjs. L :3
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