Hostility
47 'cause nothing can compare in this world to you
Notas iniciais
Sim, o capitulo saiu. Desculpa se vocês esperavam mais essa semana e também pela importância do que acontece aqui. Mas eu me esforcei de verdade nele, e um capitulo muito especial mesmo para mim.
Queria agradecer as duas lindas recomendações que recebi essa semana!
Suas palavras foram incríveis meninas. Muito obrigada mesmo por gostarem de Hostility a ponto de recomendarem...
Então, moshgirl e geoaparecida esse capitulo é dedicado a vocês suas lindas!
Cammyss, Bat, laleliloluq, Extraordinary Avenger e ILikeDucks SEJAM BEM VINDAS DE VOLTA, SUAS LINDAS!!! Achei que eu era chata demais e vocês tinha me largado aqui! Obrigada mesmo por estarem aqui novamente!
Sem mais delongas, que o capitulo hoje é longo. Vamos ao tão aguardado momento!
Enjoy
Obs: perdoem os erros...
— Oh meu Deus! – Exclamou Taylor que me encarava atônito. — O que você tem na cabeça garota? Você trouxe a discórdia ao Avenged Sevenfold.
— Eu te conto minha história triste e você só pensa na discórdia que eu causei?
— Falou tudo agora hein! Você se meteu em algumas confusões mesmo...
Taylor se levantou da mesa com nossos pratos. A minha fome era imensa e eu não vou mentir que comi muito feliz as lasanhas congeladas que ele colocou a minha disposição no almoço.
— Mas agora tudo vai se resolver Tay.
— Você acha que fugir dos seus problemas resolve alguma coisa? – Ele encostou na pia me fitando com uma sobrancelha arqueada.
— Eu não estou fugindo de nada!
— Ah não? – Ele sentou na mesa novamente e segurou minha mão carinhosamente. – Sumir da vida de pessoas que querendo ou não, agora tem uma ligação com você eterna. Criar um plano mirabolante para esconder um bebê de seu pai e ainda envolver o melhor amigo do cara nisso. Para mim isso parece fugir . Fugir e ainda por cima foder com um monte de vidas de uma só vez.
Eu já esperava ouvir essas coisas, não posso negar. Sabia também que estava errada, mas mesmo assim achava que era o único método de ter paz e dar um pouco de paz as pessoas a quem eu me apegara tanto.
— Você está certo. Mas eu só fiz merda lá Taylor. Eu não vi mais saída. Tudo estava perfeito até esse maldito churrasco.
— Vai sentir falta do Zacky não é?
— Porra!- Disse rindo com os olhos brilhando pelas lágrimas. – Vou sentir uma falta que nem sei explicar dele. Do Jojo que fez com que eu me sentisse em casa em cinco minutos que me conhecia, da Val até do Arin que mesmo longe e estranho é um cara legal. Mas é melhor assim.
— E o Matt?
— Eu quero o Matt o mais longe possível de mim. Tudo estava normal até ele aparecer e estragar minha vida. Ele só fez isso desde que eu o conheci.
A campainha tocou e Taylor foi atender Syn que trazia o restante de minhas coisas. Eu agradecia a tudo que era mais sagrado ele não ter me abandonado. Eu não conseguiria mais viver sem ter Brian ao meu lado, ele era parte de mim e tudo seria muito pior se ele não estivesse mais ali.
Logo ele e Taylor já conversavam como velhos amigos e para meu espanto total, Tay se comportava normalmente sem crises de fã ensandecido que eu sabia que ele era.
A tarde foi calma e eu já me acostumara com a casa de Taylor. Era grande o suficiente para nos acomodar. Sua mãe tinha se casado novamente e se mudado para Orlando com seu novo padrasto, deixando a casa para ele. No primeiro andar ficavam a cozinha, área de serviço e sala. Tudo muito aconchegante e limpo. O quintal era grande o suficiente para uma criança crescer saudável. No andar superior ficavam 4 quartos e o banheiro comum.
A noite resolvi que era uma ótima hora para arrumar minhas coisas em meu novo quarto. Estava sem sono mesmo. Taylor havia saído para encontrar sua namorada e lhe explicar antes que a menina tivesse um surto, o porquê eu estava ali.
Entrei no quarto sendo seguida por Syn que fez questão de levar o peso das bagagens na desculpa de que eu não podia me esforçar. O médico havia decretado que eu não poderia me estressar e nem fazer esforço se eu quisesse tentar levar essa gravidez adiante.
— Você vai alugar o apartamento?- Ele me perguntou ao colocar minha mala no chão do quarto arejado e claro que havia pertencido a Taylor antes que ele prontamente se mudasse para o quarto da mãe, que era ao maior da casa.- Eu posso cuidar disso para você se quiser.
— Eu adoraria, vou precisar de renda até arranjar um novo emprego. – Sorri cansada.
— Você não vai passar por necessidades enquanto eu estiver vivo moça. – Disse piscando para mim de um jeito sexy e canastrão que me fez rir.
— Eu não vou usar seu dinheiro se é a isso que você se refere. – Sentei na cama aproveitando o colchão macio e chamei Brian para que se sentasse comigo. – Como fica meu contrato e a multa pela quebra?
— Não fica Jade, o laudo médico comprova que você não está apta a trabalhar. O advogado da banda já cuidou de tudo quanto a isso. E quem te disse que você usaria meu dinheiro? – Brian era ótimo em não deixar morrer assuntos que o interessavam. – Não é para você, é para meu afilhado. Ele precisa de mim e não aceito que você se intrometa nisso.
— Ah para né Brian, eu vou dar um jeito...
— Para você Cat. Ele já não vai ter pai por sua culpa, padrinho ele vai ter. Não vai faltar nada para ele e nem para você.
— Adianta discutir com você?
— Não! — Ele riu e eu o acompanhei. – será que o Taylor vai demorar muito? Não quero ter que ir e deixar você sozinha.
— Pode ir Bri... Não precisa se preocupar comigo, eu estou grávida não do...
— Claro que você está doente também e nós dois sabemos. Então nem termina essa frase!
Respirei profundamente e me deitei na cama com as pernas para fora ainda. Amei sentir a densidade do colchão e alisei as cobertas. Meu coração apertou. Seria a primeira vez em muito tempo que dormiria sozinha. E lá estava eu chorando de novo, me sentindo sozinha sem ter o Zacky me abraçando a noite. Syn se deitou ao meu lado e enxugou meus olhos. Sorriu docemente.
— Malditos hormônios femininos que se intensificam nessas épocas. – ri mesmo que por entre o choro de seu comentário. – Quer que eu fique aqui hoje?
Levantei da cama e fui em direção a mala verde com minhas coisas que estavam na casa de Zacky e a coloquei em cima da cama sob os protestos de Syn.
— Não precisa mesmo. Uma hora eu vou ter que me acostumar e você não pode ficar aqui para sempre não é? Tem sua namorada e sua vida para acertar, sei que você está com problemas ainda .
Abri a mala e me surpreendi em como minhas roupas estavam dobradas e muito cheirosas. Tinham o perfume de Zacky ainda misturado ao amaciante de roupas que usávamos.
— Mentira isso! – disse Syn se aproximando mais da mala. – Não foi o Zacky que arrumou isso. Você sabe muito bem que para ele dobrar é sinônimo de “embolar e arremessar em qualquer canto”.
Ri da afirmação de Brian. Aquilo era uma grande verdade. Tudo era arrumadinho na casa de Zacky, e ele era uma pessoa até que “organizada” com suas coisas. Mas ele nunca conseguiu fazer uma mala decentemente. Tudo dele era arremessado e jogado de qualquer jeito e depois ele dava um empurrãozinho básico e uma sacudida que tudo se acomodava. Pelo menos era o que ele achava.
Mas o que víamos ali era completamente diferente do que ele geralmente costumava fazer. Isso estava fazendo as coisas piorarem dentro de mim. Ele se preocupou em deixar tudo limpo e arrumado. Se preocupou que eu estivesse cansada e abalada para fazer isso. Não brigou comigo. Por que tudo não foi sempre assim?
Depois da segunda peça que retirei da mala e guardei na cômoda pude ver um pedaço de papel cartão dobrado com cuidado dentro da mala. O abri e uma foto minha dormindo no colo de Zacky caiu de dentro dela.
— Eu não acredito que ele fez isso. – Syn se aproximou de mim e pegou a foto em minhas mãos.
— Eu que bati essa. Você estava tão bonitinha, achei que seria legal. Acho que estávamos em Indiana não é?
— Eu acho sim.- desdobrei o papel e não contive o sorriso a começar a ler seu conteúdo.
Cartinha é uma coisa muito clichê não é?
Eu sei disso, mas eu não vou conseguir falar tudo o que eu quero quando você chegar. Vai estar doendo e eu não sei lidar muito com sentimentos. Acho que você já deve ter percebido isso.
Eu acreditei que poderíamos ser felizes juntos. Tudo com você foi tão intenso e incrível. Tudo mesmo. Inclusive a raiva, os ressentimentos. Tomaram uma proporção maior do que deveriam.
Eu estou aqui sentado pensando onde que agente se perdeu meu anjo. E eu não consigo achar.
Lembra do nosso primeiro beijo. Foi tão incrível saber que você me queria também. Eu ainda não sabia que tudo iria ruir. Estávamos só nos divertindo não é mesmo?
E agora? O que fazemos? Você simplesmente vai sumir da minha vida, não sei por quanto tempo. Mas vai. E isso está me incomodando. Eu me acostumei a ter você por perto. É hora de desacostumar?
Desculpa Jade por tudo o que eu te fiz. Tudo mesmo, inclusive nos momentos em que afirmei a mim mesmo que a culpa era sua. Quem acabou estragando tudo no final fui eu mesmo. Eu fiquei mais empenhado em participar em uma competição pra ganhar você do que em trabalhar pra amadurecer nosso relacionamento.
Acho que descobri. Nosso relacionamento nunca amadureceu, sabe? Nós sempre agíamos como adolescentes que acabaram de descobrir o que era sexo. Tudo nosso estava baseado nisso. E não fizemos nada para mudar. Juntos, nós nunca vamos crescer porque um alimenta a infantilidade do outro.
Mas eu vou sentir tanta falta dessa infantilidade. De sonhar em como seria nosso filho... Nem o vi e morro de saudades dele já. Queria ele aqui e você também. Essa casa teria valido a pena para três pessoas. Para uma só não faz diferença.
Eu deveria ter corrido quando eu pude...
Não vou encerrar isso aqui dizendo “te amo” porque não faria sentido. Ou faria? Eu amo você, não pensa que não. Só não sei que tipo de amor é esse que machuca tanto. Amor não deveria doer certo?
Z.B.
Ele tinha razão. Dentro da confusão que era aquela carta eu conseguia entender o que ele tentava me passar. E isso só piorava tudo.
— Brian... Pode dormir comigo hoje?
Ele sorriu e balançou a cabeça em seguida se erguendo e vindo me abraçar.
— Você sabe que dormir com Brian Haner Jr é muito mais gostoso. Sou quentinho.
Ri pelo nariz e me afastei.
— Eu sei sim!
Pov’s Matt
Eu apertei o interfone repetidas vezes e ninguém me atendeu. Na casa de Zacky ela não estava e devo confessar que não consegui esconder o quanto estava chocado com a cena que vi quando meu amigo me convidou a entrar em sua casa. Em primeiro momento acreditei de verdade que ele tinha feito alguma coisa com ela. A casa estava revirada e Zacky com uma aparência doentia.
Mas quando Vengeance me abraçou e chorou como criança em meu colo todos os meus medos foram embaçados e eu só sentia pena de o ver derrotado daquela maneira. Ele sempre havia sido meu melhor amigo. Vê-lo entregue fez meu coração apertar.
— O Syn levou ela embora. – Ele conseguiu balbuciar por entre o choro. – Levou ela de mim. Que eu faço agora?
— Levou ela pra onde Z.?
— Eu não sei! Acho que pro apartamento dela.
— Vai tomar um banho Zee...
— O quê? – Ele se afastou me encarando aturdido.
— Vai lá tomar um banho que você está fedendo, enquanto isso eu dou um jeito nisso aqui.
— Você não vai atrás dela? – Me perguntou já saindo do sofá.
— Quando agente terminar aqui. Ela está com Brian... Ela vai ficar bem. Você que precisa de mim agora – Disse erguendo minha sobrancelha. – Que tipo de cafetão eu seria se deixasse minha putinha nessa situação? Sem condições
Só vi um vulto de algo sendo arremessado em minha direção. Não reconheci o que era. Consegui ouvir o final de uma frase. Algo como “... se foder!” , e finalmente foi tirar aquele cheiro de cachorro morto do corpo. Dei um jeito por alto na casa e liguei pra faxineira de Zacky pra que resolvesse o resto. Ele não poderia ficar sozinho. Tinha medo de que ele surtasse de novo como parecia que tinha ocorrido e fizesse alguma merda. Então chamei Johnny para que ficasse de olho nele enquanto ia atrás de Jade.
Agora estava ali, na porta do prédio que Jade morava. Revirei meus bolsos em busca do chaveiro. Eu tinha a chave da portaria e do apartamento. Todos nós tínhamos.
Depois de localizar as chaves me abri o pesado portão de ferro que me separava do hall de entrada e nem estranhei o fato do porteiro nem estar ali. Ele nunca estava mesmo.
Cheguei a porta do apartamento em sem nem ao menos tocar a campainha a abri. Tudo estava quieto e estranhamento arrumado Uma leve camada de poeira se instalava nos móveis da sala , como se a alguns dias ninguém tivesse passado por ali.
Entrei no quarto de Jade e vi a cama sem nenhum lençol. Meu coração saltou quando me dei conta do que estava acontecendo e fui em direção ao closet. Nada. Ele estava vazio. Jade tinha ido embora de lá.
Sentei na cama tentando colocar meus pensamentos em ordem. Por que ela tinha ido embora logo agora? Ela estava magoada. Mas ela se magoou outras vezes e não foi, certo? Porém acho que dessa vez foi demais. Ela perdeu o filho. Nós perdemos nosso filho. Mas ir embora assim , sem nem se despedir. Eu teria dado tempo a ela. Tudo o que eu fiz até agora foi esperar. Eu teria esperado.
Uma idéia me ocorreu e peguei meu celular.
- Fala bicha.
- Onde ela está?
— No apartamento dela? Foi a onde a deixei – Brian, você respondeu rápido demais.
— Sei que é mentira Syn. Ela não está aqui e eu sei que você sabe onde ela está?
— Matt, você está ficando maluco cara. Eu deixei ela aí. Se ela não está aí, deve ter voltado para a casa da mãe ou qualquer coisa desse tipo. Eu não nasci colado nela não.
- Você não me convenceu Brian. Eu vou descobrir e quando eu descobri eu tenho certeza que você vai me dever explicações!
Desliguei o telefone sem ao menos dar oportunidade para que ele revidasse. Sabia que ele não me contaria. Brian era fiel demais aos seus amigos. Dá a própria roupa do corpo por eles. Se Jade tivesse feito ele prometer não nos contar ele não contaria. É o que ele faria por qualquer um de nós. Eu teria que descobrir sozinho. Eu iria descobrir.
Em trinta minutos eu estava na porta da casa da senhora Greenwood que não foi nem um pouco receptiva a minha chegada. O pouco caso com a situação que a mulher demonstrou me deu uma vontade louca de machucá-la.
— Aquela ingrata só está colhendo tudo o que plantou meu jovem. Ela era boa e cuidava de mim até vocês aparecerem na vida dela e ela ficar louca.
— Mas a senhora conseguiu ouvir pelo menos um pouco do que eu falei? Sua filha sofreu um aborto a dois dias e sumiu. Estamos preocupados com ela. Eu estou preocupado com ela. A senhora não faz idéia de onde ela esteja?
Pude notar o temor em seu olhar. Porém foi tão rápido que o orgulho substituiu que eu acreditei sinceramente que ela não possuía coração.
— O que ela faz da vida dela não me diz mais respeito Vocês já destruíram a vida da minha filha. Fizeram dela uma estranha para mim. Não me importune mais com isso, por favor!
E então a mulher bateu a porta na minha cara. Tive a impressão de ter ouvido um choro baixo vindo do outro lado da porta.
Isso não me comoveu. Que tipo de mãe viraria as costas para uma filha na situação em que Jade se encontrava? Das duas uma. Ou ela era uma insensível e sem coração nenhum que não ama a filha. Ou ela estava apenas a mantendo afastada de mim.
Independente do que fizessem, eu iria encontrá-la.
Pov’s Jade
“Eu sei mãe... Agora eu estou bem... Não precisa se preocupar... Não... O Bebê está bem também, pode ficar tranqüila e mãe... Muito obrigada... Se passarem aí de novo você continua afirmando que não sabe de mim... O Brian pode mãe e ele está aqui comigo... Não mãe, ele não é o pai... Por que todo mundo acha que o Brian é o pai do meu filho? Também te amo...”
Desliguei o telefone depois de todo o sermão que recebi da minha querida mãe sobre o quanto aquela atitude minha era imatura e incoerente. Minha mãe havia ficado chocada com a notícia da minha gravidez, no primeiro momento sua reação foi de raiva. Ela não havia me criado para isso. Mas jamais minha mãe viraria as costas para mim quando eu precisasse. E naquele momento eu precisava dela.
— Ele foi lá Brian.
Syn e Taylor jogavam video-game no sofá da sala e pareciam bem empolgados. Tinham dois dias que se conheciam e já pareciam amigos de infância.
— Eu sabia que ele iria. Cat, isso é loucura.
— Concordo com o Syn Jade. – Taylor se manifestou após vencer mais uma vez Brian em uma partida de Guittar Hero. – E eu te venci de novo Synyster Funckin Gates o grande Deus da guitarra. – Disse rindo.
— Caso você não tenha notado seu mané, isso é um controle, não uma guitarra. Eu vou trazer a guitarra dessa porra pra você ver o que é ser realmente humilhado. – Se voltou para mim e como se não estivesse se roendo de ódio por ter perdido no jogo, prosseguiu. – O Matt é cabeça dura cara. Você sabe muito bem disso. Ele não vai dar sossego enquanto não conversarem. E eu vou tomar porrada daquele armário.
— Quero ver ele bater em você passando por cima de mim. – Disse rindo e me sentando entre os dois, era minha vez de jogar.- Agora me deixa acabar com essa marra do Tay, chaga pra lá.
E nós passamos assim o resto da tarde, eu tentando me esquecer dos problemas enquanto me divertia com meus dois melhores amigos. Eu estava feliz. Mesmo sentindo no fundo que faltava alguma coisa, eu estava feliz.
Os meses passaram rápidos. Isso eu posso dizer. Minha vida era monótona nesse período. Mas o pior de tudo era minha alimentação e o excesso de cuidados constantes de Taylor e Brian. Eu não podia comer nada gorduroso, nem salgado para controlar a pressão. Resumindo minha comida era uma merda e por conta dessa dieta maluca eu apenas engordava um quilo a cada mês de gestação. Syn e Tay só me deixavam andar e mesmo assim me olhavam como se o apocalipse pudesse acontecer a qualquer momento quando eu fazia isso. Chegou ao ponto de com sete meses de gravidez, eu ter que expulsar a Brian do meu quarto porque ele havia cismado que eu não podia mais tomar banho sozinha.
Com exceção desses pequenos detalhes da minha nova vida, eu estava realmente feliz. Meu filho crescia forte dentro de mim e na ultra que fiz com cinco meses de gestação, ficou confirmado que era um menino. “Eu sempre soube disso” dizia Syn todo orgulhos enquanto olhava a tela em que meu bebezinho aparecia, como se ele entendesse alguma coisa que estava vendo.
Todos achavam que Brian era o pai da criança, inclusive Taylor, que por mais que soubesse exatamente tudo o que tinha acontecido achava estranho essa preocupação exagerada que o moreno exercia sobre mim. Ele nunca entenderia. Na verdade ninguém nunca entenderia ao decorrer dos anos a que ponto chegava essa ligação estranha entre Brian, eu e meu bebê.
Havia conseguido com a ajuda de Syn, alugar meu apartamento e isso ajudava nas despesas que eu tinha e gastos momentâneos. Claro que os dois babões já haviam montado um quarto em nossa casa exclusivo do mais novo membro da família. E eu não arquei com nenhum custo nisso, o que me irritou bastante. Mas o quarto era incrível. Todo decorado em Azul e amarelo em tons pastéis. Os móveis, o que incluía o berço, cômoda e a poltrona de amamentação era dos mesmos tons. E meu filho antes de nascer já tinha mais brinquedos e roupinhas do que eu a vida toda. E de todos os lugares do mundo, já que o padrinho voltou logo para o batente e começou a turnê européia e em seguida a asiática. Quando Brian retornava, lá estava ele cheio de presentes para mim e para o pequeno. Como ele conseguia comprar aquilo tudo, estar sempre presente na medida do possível escondendo isso da namorada e dos amigos era um mistério.
Durante esse tempo eu não tive notícias nem de Zacky menos ainda de Matt. Brian não mencionava nada que acontecia com eles, da forma que eu pedi que ele agisse. Eu percebia que as coisas haviam mudado entre eles.
O filho de Val nasceu quando eu estava começando meu sétimo mês de gravidez. E para surpresa geral, Arin surgiu assumindo a paternidade da criança. Brian me contou isso aos risos e não pude deixar de acompanhá-lo. Era uma situação engraçada mesmo. Queria saber como Matt estava depois disso, mas me contive em perguntar. Não precisava saber.
No final do meu oitavo mês os meninos estavam fazendo show pelo Canadá, eu sabia que era o último show deles por algum tempo e ficava muito feliz por saber que logo Brian estaria novamente aqui.
Eu estava sentada sozinha vendo filme enquanto acariciava minha barriga ternamente. Eu não parava de imaginar em como seria o sorriso, os olinhos o jeitinho do meu bebê. Sentia ele se mover dentro de mim como se eu fosse sua academia de ginástica particular.
Não tinha certeza se o ultimo show deles havia sido na noite anterior ou seria naquele dia. Queria saber se ele iria direto para casa ou viria jantar comigo e Taylor. Eu sabia que provavelmente seria a segunda opção, tendo em vista que Jessica iria direto de Toronto para o Brasil devido a problemas familiares que ela precisava resolver.
Tentei ligar diversas vezes para seu celular e nada de Brian me atender.Ele deveria estar ocupado, mas eram duas da tarde ainda. Tive que fazer aquilo que eu evitei a todo o custo durante esses meses.
Peguei meu notebook que estava na mesinha de centro e o coloquei no colo. Acessei com muito custo a página do fã site do Avenged Sevenfold que um dia eu atualizei. Quem fazias as atualizações agora era Zacky. Segui o cursor para os links relacionados e cliquei em um fã site. Muito mais seguro entrar em um, não queria ler nada que Zacky houvesse postado. Infelizmente para o meu azar, a primeira notícia que li fez meu sangue gelar.
Parabéns aos noivos!
Finalmente depois de anos de namoro e especulações sobre o fim de seu relacionamento, no ultimo dia 9 de julho, Zachary Baker, guitarrista base da banda Avenged Sevenfold e Gena Paulhus se uniram em matrimônio em uma cerimônia simples, apenas para os amigos e família. Nossas fontes disseram que a noiva não podia estar mais radiante e feliz. Também pudera, ela conseguiu a sorte grande “abocanhando” literalmente um dos homens mais cobiçados da música. Pois é meninas, vistam novamente seus lindos vestidos pretos de luto. Mais um Avenger resolveu se amarrar para nossa tristeza. Mas psicopatias de fã a parte, desejamos toda a felicidade do mundo aos noivos.
Ele havia casado com a Gena. Meu estomago deu um salto. Eu não acreditava no que eu lia. Mas o que eu poderia fazer? Zacky não era mais nada meu. E sem contar que eu e ele não tínhamos mais nada. Tirando o fato da possibilidade de eu carregar um filho seu na minha barriga. Por que a notícia do casamento deles tinha mexido tanto comigo? Por que finalmente eu tinha certeza de que ele tinha me esquecido. Não era isso que eu queria? Eu consegui.
Desisti de procurar sobre os shows deles e deixei note de lado. Me levantei do sofá e me dirigi a cozinha. Beber água sempre acalma pelo menos eu torcia para isso. Porém quando me levantei sentia um liquido quente escorrer por minhas pernas e congelei no lugar que eu fiquei. A principio eu acreditei que finalmente tinha chegado o dia que o xixi não me avisaria que viria. Mas era muita água. Sim, minha bolsa havia rompido.
Primeiro de tudo, peguei desinfetante e um pano enquanto tentava ligar para Taylor. Eu limpei a poça, porque eu não ia deixar aquilo no meio da sala. E o celular de Taylor só dava desligado. Minha mãe também não me atendia e Brian eu já tinha desistido de ligar. Subi as escadas ainda calma, na certeza de que as contrações demorariam ainda um pouco para aparecer, como o médico havia me explicado na ultima consulta.
Retirei a mala verde que Zacky havia me dado quando fui embora. Não comprei outra e não fazia idéia do porque. Ela já estava pronta para esse momento. Retirei também a bolsa com o primeiro enxoval do meu bebê e ouvi meu telefone celular tocar. O atendi , dando graças por alguém entrado contato comigo.
— Oi?
- Cat, me desculpa. Eu estava dentro do avião. Ainda estou perto dos caras, por isso estou falando baixo. Aconteceu alguma coisa?
- Brian, minha bolsa estourou.
— O QUÊ?
- Não grita, por favor.
— SENTA E ME ESPERA! Não é nada Zacky... – ouvi Syn dizer nervoso. – Foi a Mack que fez merda no cabelo de novo e ta com medo de contar pra Suzy... Hey Garota, - ele voltou a falar comigo. – Estarei aí em 15 minutos. Não se mova.
Desligou o telefone e eu para variar não o obedeci. Terminei de arrumar as coisas e ouvi alguns minutos depois a porta da casa sendo aberta bruscamente.
— CAT?
— Aqui em cima Syn... – Respondi começando a achar graça da situação.
A porta do quarto estava aberta mas mesmo assim a entrada de Syn foi triunfal. Fui obrigada a rir quando o vi vermelho e ofegante e me olhando com a expressão assustada.
— Você subiu as escadas assim? Deixa isso para lá... Vou pegar as malas... COMO ASSIM VOCÊ PEGOU ESSAS MALAS SOZINHA? Ai caralho... Ta doendo? Claro que está... Vamos... – Então ele saiu do quarto atordoado e eu continuei sentada na cama rindo. Alguns segundos depois ele voltou. – Esqueci você! Merda! Achei que ia fazer isso só quando fosse meu filho.
Levantei da cama e fiz ele sentar, apesar de ele estar relutante.
-Brian, respire. Calma. A bolsa estourou mas eu ainda não sinto contração nenhuma. Calma. Dá para chegarmos tranqüilos ao hospital. Então só respira.
- Não dá para ficar calmo Cat. Meu afilhado vai nascer!
- Então, pega as malas e a chave do carro. — Segurei em sua mão. – Vai dar tudo certo.
Minha ladainha de vai dar tudo certo funcionou durante cinco rápidos minutos. Logo Brian já estava surtando de novo e dirigindo como louco até chegar ao hospital. Dei entrada no hospital as 15 horas do dia 18 de julho no hospital e nada de contração. Saudade de quando elas não vinham.
Brian quase bateu no enfermeiro que disse que ele não poderia acompanhar meu parto, apenas o pai poderia. Então o que ele prontamente fez?
- VOCÊ ACHA QUE EU SOU QUEM ENTÃO? É LÓGICO QUE EU SOU O PAI DESSA CRIANÇA. EU VOU ENTRAR NESSA SALA VOCÊ QUERENDO OU NÃO!
Então, elas vieram. Tudo começou com uma cólica chatinha. Mas em algum tempo parecia que o mundo e acabar por conta da dor que eu senti. Tentei ao máximo não parecer escandalosa mas uma em especial me tirou do sério e eu gritei com todas as minhas forças enquanto agarrava o lençol do meu leito.
Brian estava sem cor nos lábios já e passava a mão em minha testa tentando me aclamar. Lógico que depois que havia passado eu dei o devido valor a tudo o que ele fez comigo. Porém naquele momento eu não conseguia pensar. Tudo era dor.
- MAS QUE CARALHO BRIAN! TIRA A MÃO DE MIM!
- Calma Cat. Vai passar, eu sei!
- VAI PASSAR? AAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIEEEEEEEEEEEEEEEEEEE QUE MERDA!– Outro grito que me fez esmagar os dedos de Brian que estavam agora entre minhas mãos. – VOCÊ SABE QUE VAI PASSAR? QUANTAS VEZES VOCÊ PARIU UMA MELANCIA, SEU VIADO? PORQUE SÓ PODE SER UMA MELANCIA QUE QUER SAIR DAQUI!
Ele riu gostosamente enquanto o médico entrou no quarto me dando o milionésimo toque que tomei naquele dia. Já me sentia uma prostituta de tanto que enfiavam o dedo em mim.
- Tá na hora papai. Seu garotão já está coroando. – Ele se posicionou na minha frente- Então querida, força!
- FORÇA É O CARALHO SEU INFELIZ. – disse após outra contração. – TÁ DOENDO PORRA!!! VOU TIRAR FORÇA DA ONDE? DO CÚ?
- Cat!!! – Syn já não sabia se ria ou se me amparava, ele chegava a lacrimejar de tantas gargalhadas que dava. – E a boca suja é a minha.
- Isso é normal... – O médico estava tranqüilo e isso me irritava mais ainda. – A dor é grande, é comum que as mulheres se descontrolem nesse momento. Ela não queria dizer nada disso.
- EU QUERO MORRER – Eu continuava a gritar e segurei o colarinho de Brian com força e o puxei deixando seu rosto perto do meu. – VOCÊ ME AMA NÃO ME AMA BRIAN? – Eu não conseguia parar de gritar e ele balançou a cabeça afirmando.
- Claro que eu te amo Cat!
- ENTÃO ME MATA! ME MATA POR FAVOR!!!!!!
O médico só balançou a cabeça sorrindo e se virou para mim.
- É hora do show querida. Papai... – Brian conseguiu se erguer e o encarou. – Você tem que ajudar agora certo? Não pode ficar nervoso. Sua esposa e seu bebê precisam de você. Incentiva ela , ela precisa empurrar.
Ele abaixou a cabeça até meu rosto e me encheu de beijos.
- Você ouviu o que o doutor disse. Força Cat!
Eu empurrava o máximo que podia. Apoiei meu queixo em meu peito e empurrava. Syn continuou a me incentivar e me beijar carinhosamente.
- Isso Cat. Você é muito corajosa... Nosso bebê vai ter muito orgulho de você!
O que aconteceu em alguns minutos, pareceram horas e então a dor cessou como se nunca houvesse existido e o som mais maravilhoso que eu já tinha ouvido na vida encheu o quarto. O choro fino se aproximou de mim e senti meus olhos ardendo de lágrimas.
- É um garotão lindo! – O médico disse sorrindo e o deitou em minha barriga. Senti o calorzinho que seu corpo possuía e logo ele se acalmou ao perceber onde estava. Brian abaixou até a altura do meu rosto e meu deu um selinho terno enquanto admirava meu filho que agora estava ali, entre nós. Depois de tudo o que esperamos.
- Ah meu Deus! É mais lindo do que eu podia imaginar. – Ele disse e eu só conseguia sorrir. Não conseguia pprocessar nenhuma palavra até que a enfermeira entrou para retirá-lo de cima de mim. E o ajeitar.
- Já o trago para a primeira mamada. – Disse a jovem loira sorrindo enquanto o enrolava em uma manta azul.
Brian me beijou novamente nos lábios e eu ri.
- Está realmente levando a sério essa de pai da criança. – Disse me sentindo cansada.
- Ah Cat! Só estou feliz! Ele é lindo. O que é incrível. Tendo em vista que ele é a cara do pai.
- A para Brian! Impossível você ter notado isso...
- Pronto mamãe... – A enfermeira disse sorridente. – Esse menino é pesado hein? Vai dar muito trabalho e ele está cheio de fome! Não para de resmungar um segundo sequer.
Me entregou meu filho e eu o encarei. Ele olhava diretamente em meus olhos e por mais que eu soubesse que a visão dos bebês era turva quando acabava de nascer, eu sabia que ele me via. Seus olhos eram verdinhos. A pele bem branquinha, quase translúcida. A boca carnudinha e bem rosinha e por mais que todo mundo dissesse que recém- nascidos tinham cara de joelho, eu discordava ali. Qualquer outro tinha. O meu não. Era a coisa mais linda que eu já tinha visto em toda a minha vida. Se aquilo era um joelho, joelhos eram perfeitos então. Fui obrigada a concordar com Brian. Ele era a cara do pai. Todinho. Eu não conseguia me achar ali. Parecia que o pai havia feito sozinho.
- E qual vai ser o nome do nosso garotão?
- Ué... Ele que sabe né? – Disse rindo para Brian que me olhou assustado. – Ele tem carinha de quê?
- Hum... – Brian pensou alguns segundos e sorrindo continuou. – Alexander, significa “o defensor do mundo” , Achei grande e combina com meu bebê.
- Deixa eu ver… — Encarei meu bebê que mamava tranquilamente, apoiando sua mão em meu seio esquerdo e parecia alheio a proposta de qual seria seu nome. — Você acha que Alexander é um bom nome para você bebê.
Como se ele tivesse me ouvido ele parou de mamar, com a boquinha aberta ainda ele me olhou. Seus olhinhos verdes eram espertos demais para um recém nascido, mas eu poderia estar vendo coisas. Afinal eu era uma mãe babona, eu tinha me convencido disso. Mas seus olhos me intrigavam demais. E brilhavam em uma intensidade que eu nunca vi e eu amava aquela intensidade. E então eu o reconheci. E me dei conta de que o reconheci no momento em que o vi pela primeira vez. E já tinha visto aquela intensidade antes e eu tive certeza de qual seria o nome dele.
- James.
- Lindo nome, concordo muito com ele. – Brian disse e já chorava novamente ao mesmo tempo que sorria bobamente. – James... Jimmy... Soa bem não é? Sempre soa...
- Então – alisei o rosto do meu Jimmy com a ponta dos dedos e ele prontamente agarrou o bico do meu peito voltando a mamar, como se estivesse satisfeito pela decisão. – James Alexander Greenwood!
- To quase colocando um Haner nisso aí. Ficou muito bom!
E eu tinha meu Jimmy comigo e o mundo parecia em paz agora. Nada mais poderia me abalar enquanto eu o tivesse ao meu lado. Enquanto seus olhos verdes lindos olhos verdes me encarassem eu saberia para onde ir. Eu estava segura agora. Porque nada no mundo se comparava a ele. Ou ao que senti naquele momento.
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