Hostility

50 Nothing tears the being more then deception.


Notas iniciais
Olá coisas lindas da titia Lilith!!!
Tudo bem com vocês? Bem nem vou me extender muito por aqui porque tenho que terminar de responder aos comentários do capitulo anterior ok?
Espero não decepcionar ninguém com esse capitulo.
Beijos e não esqueçam de comentar. Inclusive você Fantasminha que passou por aqui. Eu sempre respondo todos...
Enjoy!
obs: Sobre os erros, vocês já sabem né?

Pov’s Matt

- MAS QUE MERDA!- Meu grito ecoou pelo Country Club e alguns de seus associados esnobes me encararam com um olhar de reprovação. Fodam-se eles! Era o décimo oitavo buraco e eu errei mais uma vez.

- Cara o que há com você? – Jason perguntou preocupado também sem se importar com os babacas que cochichavam quando passavam por nós.

Respirei fundo algumas vezes e arremessei meu taco no chão. Caminhei em direção ao vestiário. Queria tirar aquela blusa ridícula pólo que eu usava toda a vez que ia jogar golf. Nem sei porque usava aquilo. – Matt, você não me respondeu.

- Ah Jason! Eu nem sei o que é. – Sentei no banco do vestiário retirando a camisa pela cabeça sem me preocupar em desabotoá-la. – Zacky, Syn e Johnny deveriam estar aqui com agente, mas não, precisavam urgentemente fazer qualquer merda por aí. E o Arin? Ah... O Arin tem que brincar de casinha com a Val e a Jen... – Jason começou a rir o que me irritou mais ainda. – rindo do quê viado?

- Shadz meu caro amigo, acho que você está sofrendo de um mal muito conhecido.

- Que mal?- O encarei enquanto retirava o sapato ridículo e cheio de tachinhas na sola que machucava meu pé.

- Quando um homem tem essa necessidade absurda de ter seus amigos perto nessa intensidade, só pode significar uma coisa.

- Para de enrolar e fala logo.

- Falta de sexo! – Disse rindo e eu me levantei caminhando em sua direção com a expressão séria.

- Você tem toda a razão Jason. Sabe, eu estava sentado ali e pude ver que sua bunda anda meio empinadinha, dá para o gasto. – Ele me olhou assustado e eu comecei a rir malevolamente. – Vem cá seu lindo! Vou resolver esse problema hoje!

Ele correu do vestiário comigo em seu encalço. Gritando a todos os pulmões que eu era gay e queria violar seu corpo. Não pude deixar de rir e quando o alcancei nos embolamos no chão em uma briguinha típica de crianças no colegial. Os associados nos encaravam horrorizados mas isso não importava. Ser infantil as vezes era necessário para minha sanidade.Mas por mais que fosse prazeroso deferir golpes de um jiujitsu meio capenga em Jason enquanto ele revidava. Por mais que fosse impagável perceber o quanto incomodávamos aqueles playboys asquerosos com nossas atitudes, eu sentia que algo estava por vir. E que era algo grande o suficiente para virar meu mundo de cabeça para baixo. Por isso eu estava tão nervoso e sem motivo aparente.

Pov’s Jade

Uma hora isso iria acontecer, eu sabia que iria. Só não sabia que seria tão rápido assim.

Brian conseguiu convencer Jimmy de tomar um banho demorado e brincar um pouco antes do almoço. Seria tempo o suficiente para que eu encarasse meus convidados inesperados.

— Então? Quando se sentir a vontade em nos contar eu vou ficar muito grato. A propósito nem precisa se apressar. Temos o dia inteiro para isso. – Zacky dizia isso sarcástico.

Eu não sabia bem por onde começar. Meu coração disparava e eu suava de tensão. Eu tinha tomado a decisão de contar a verdade a todos os interessados nessa história. Só não queria ter sido pega desprevenida. Para ser sincera, eu precisava ensaiar pelo menos uma boa desculpa. E o pior, agora que tinha Johnny e Zacky sentados a mesa da minha cozinha me encarando enquanto esperavam minhas palavras, eu considerei que não havia sido uma boa idéia tomar as atitudes que tomei. Finalmente a coragem veio e eu comecei.

— Antes de mais nada eu quero deixar claro que o Brian não tem absolutamente nada haver ...

— Com isso? – Zacky me interrompeu com um sorriso cínico em seus lábios. – A sim... Claro que ele não tem nada haver com isso. Vamos ver, durante cinco anos ele escondeu você e o filho do Matt a o quê? Sete quadras da casa dele? Não tenta explicar a parte dele nessa história, isso agente resolve com ele mais tarde. – Suas palavras eram duras e eu não queria que Brian pagasse por qualquer atitude minha. – Quero saber de você Jade.

Johnny me encarava e pude notar uma leve mágoa em seu olhar quando ele começou a falar. – Chris por que você sumiu? Nós éramos amigos... Achei que eu significava a você tanto quanto você significava para mim. Por que nem em mim você confiou? Não sou digno da sua confiança tanto quanto o Synyster? – Suas palavras me machucavam quase como se ele estivesse me batendo. Me fizeram refletir o por que de não ter confiado em Johnny também. Johnny nunca havia me julgado, se mostrou valoroso e jamais virou as costas para mim em nenhum momento. Por que eu fugi dele?

— Eu não pensei direito Joh... Eu só queria sair, eu estava assustada e praticamente obriguei ao Brian que me ajudasse...

— A Jade... por favor. Eu vi o jeito de vocês dois... Vocês estão fodendo. Isso sim... É fato que você enjoou dos homens todos que você tinha por lá, queria investir no Brian e armou isso tudo para ficarem juntos...

— Cala a boca Zacky. – Johnny o interrompeu. – deixa ela falar.

Zachary bufou cruzando os braços e se recostou na cadeira me encarando com raiva.

— Algum dos dois consegue pelo menos lembrar o que aconteceu antes que eu sumisse? – Encarei Zacky que pela primeira vez parecia envergonhado ao invés de raivoso. – Eu não podia mais ficar lá. Isso por vocês e pelo Jimmy. Se eu não fizesse isso talvez hoje eu não estivesse aqui ou pior... – Não consegui terminar a frase. Não poderia nunca cogitar a possibilidade da minha vida sem meu filhote.- Eu estava assustada e desesperada. E quando o médico me passou duzentas restrições para que eu conseguisse levar minha gravidez a diante eu não pensei duas vezes. Sem que eu estivesse lá a vida de vocês voltaria ao normal como se eu não tivesse existido e meu filho teria alguma chance de nascer. Foi dessa forma que eu raciocinei na época. O Brian eu envolvi sem pensar nas conseqüências e o ameacei a contar a Jess que ele traia ela comigo se não me ajudasse...

— Cat não seja ridícula! – Brian apareceu na cozinha e se sentou ao meu lado encarando os amigos. – Não precisa mentir para aliviar meu lado. – Ele encarou Zacky e Johnny com um sorriso sincero nos lábios. – Eu fiz isso porque eu quis e se querem saber, Jimmy e Jade são as pessoas mais importantes da minha vida, não vou deixar que façam nada com eles por estarem com raiva.

— Agora quem está sendo ridículo é você Brian. – Johnny riu e Zacky o acompanhou. – Quem disse que alguém vai fazer alguma coisa?

— Mas vocês o seguiram por qual motivo então? – Aquilo já estava ficando estranho, era para estar acontecendo uma briga ou algo do tipo.

— Preocupação? – Zacky não parava de me encarar mas não parecia mais ter raiva. Não conseguia mais identificar o que era. – Nosso amigo estava estranho demais e queríamos saber o porque.

— Mãeeeeeeeeeeeeeeeeeee! – Gritou Jimmy fazendo com que todos se sobressaltassem enquanto ele invadia a cozinha correndo. – Eu to com fome e a conversa de gente grande está me atrapalhando!

Ele cruzou os braços em seu peito fazendo um bico incrivelmente fofo.

— E você está me saindo bem mal educado. O que se faz quando chegamos em casa e encontramos visitas?

— Cumprimentamos... – Disse revirando os olhos .

— Então ... – Eu o encarei sorrindo e ele se voltou a Johnny estendendo a mão esse logo a apertou. Fez o mesmo com o Zacky. Zacky estendeu a mão e também retribuiu o comprimento

— Boa tarde , meu nome é James Alexander Greenwood.

— É um prazer conhecê-lo formalmente. Sou Zachary e aquele anão estranho ali . – Johnny fez uma careta e Jimmy sorriu. – Johnny. Pode me chamar de Zacky.

— Ok... Pode me chamar então de Jimmy. – Jimmy se voltou para mim como se merecesse um prêmio por ter sido educado. – Então mãe já fiz, agente já pode comer?

Todos riram e Brian colocou a mesa enquanto eu retirava a travessa de bolo de batata do forno. Naturalmente convidei os meninos a almoçarem com agente e eles a principio negaram. Mas Jimmy insistiu que ficassem por que ele queria mostrar todas as coisas legais que ele havia aprendido com Syn na guitarra. Todos almoçamos tranquilamente, rindo como se nunca tivéssemos nos separado em algum ponto de nossas vidas. Johnny tinha aceitado tudo tão rapidamente o que me fez lembrar quem ele era e o porque era tão maravilhoso. Ele não se importava com passado ou futuro. Ele gostava de viver o presente e por mais que estivesse magoado, talvez tenha entendido essa situação toda e colocado uma pedra no assunto.

Já Zacky, sorria bobamente toda a vez que via meu filho falando ou brincando. Seus olhos brilhavam de uma forma que eu não lembrava ser possível. Se divertiu ao perceber que Brian estava morrendo de ciúmes da intimidade que estava nascendo entre rapaz de olhos verdes e Jimmy. Porém toda a vez lançava-me olhares furtivos e quando passei pela cozinha, os deixando a sós na sala enquanto Johnny mostrava alguns acordes a James, sussurrou ao pé do meu ouvido.

— Quero conversar com você a sós.

Assenti e pedi que ele me acompanhasse.

Chegamos ao quintal e o direcionei a namoradeira branca que colocamos presa a maior arvore que tínhamos ali. Taylor a usava quando queria ser romântico em seus encontros. Como era o único lugar que não estava coberto de terra, não tive opção. Zacky sentou e eu me acomodei ao seu lado mantendo uma distância segura.

— Parabéns mesmo Jade- Ele começou com um sorriso sincero. – O Jimmy é incrível, a propósito, belo nome.

— Obrigada . – Respondi sem graça colocando uma mecha de meu cabelo atrás da orelha.- Fazemos o que podemos por ele.

— Devem fazer mesmo. – Ele se aproximou de mim no banco e eu fiquei estática. – Calma... – Ele estendeu os braços e me puxou para si me abraçando muito apertado e deitando sua cabeça em meu ombro. Aspirou profundamente enquanto embrenhou seu rosto por meus cabelos e após o choque inicial que foi aquela atitude, retribui com vontade. Sentia muita falta de Zacky, na verdade de todos eles. – Senti falta de te abraçar meu anjo. Seu cheiro é muito bom. Sentimos sua falta.

Zacky se afastou de mim sorrindo e eu retribuí seu sorriso.

-Também senti a falta de vocês.

— Posso saber o que rola entre você e o Syn?

— Por que? – perguntei talvez parecendo um pouco rude. – Não sei de onde você tirou que rola alguma coisa entre nós dois.

— Talvez seja porque eu estou interessado em você? – Disse divertido. Depois apontou com a cabeça para a janela da cozinha e quando me virei vi Brian saindo dela rapidamente. – Ou talvez seja porque ele está nos espreitando e também pela forma com a qual vocês se trataram desde que chegamos aqui. Agem como casados. Ou como pessoas casadas deveriam agir...

Ele abaixou a cabeça e respirou pesadamente. Talvez o assunto “casamento” não fosse o seu favorito. O que era estranho tendo em vista que ele já era casado.

— Posso mentir?

— Acho que já chega de mentiras para nós certo? Fora que a forma que vocês se tratam sempre foi um pouco suspeita.

— Tudo bem, não tem o porque mentir. – Ele piscou para mim me encorajando e eu prossegui. – O Brian foi o homem mais presente em minha vida nesses últimos anos. Até mais que Taylor, meu amigo e infância que mora comigo e é o dono dessa casa. – Ele assentiu com a cabeça , como se compreendesse e continuei. – Bem no domingo passado foi aniversário de Jimmy e acabou acontecendo algo entre Brian e eu. Foi isso.

— Ah... Cheguei atrasado então? – Ele disse rindo. – E isso significa que estão juntos?

Considerei por alguns instantes e neguei balançando a cabeça.

— Eu e você sabemos que não é a mim que Brian ama. Não da forma que se espera que um homem ame uma mulher. – não sei o porque de estar contando isso a Zacky, mas sentia a necessidade de ser sincera com ele. E não sabia o por que.

— Você o ama?

— Mas é claro que sim. E é confortável ter o Brian na minha vida. Sou grata demais por ele não ter me abandonado mesmo quando eu agi como idiota com todos vocês. Mas ...

— Você tem medo de que ele te abandone assim que a Jessica voltar.

— Ela vai voltar não é?

— Esse fim de semana, queria fazer uma surpresa ao Brian.

Sorri tristemente abaixando minha cabeça e Zacky apoiou o dedo em meu queixo me obrigando a olhá-lo. – Você não vai ficar sozinha meu anjo. Eu prometo.

— Vindo de uma pessoa que chegou aqui me odiando...

— Eu não tenho motivos maiores para odiá-la do que você tem para me odiar Jade. Afinal eu causei isso em partes. Depois deixei você ir sem nem brigar por isso. Não podíamos ficar juntos. Estávamos nos destruindo.

— Então quer dizer que a Gena te faz uma pessoa melhor do que eu fazia?

Ele riu sem humor e se recostou na cadeira parecendo tenso.

— Você sempre toma conclusões precipitadas das coisas. Enfim... Agora o mais importante que quero falar. Você vai ter que encarar o Matt.

Foi tão rápido que ele jogou isso em cima de mim que eu levei um tempo de boca aberta, parecendo literalmente uma retardada, tentando assimilar aquilo. Eu tinha que encarar o Matt? Claro. Mas que merda! Por que tudo não poderia ficar como estava?

— Não quero! – Exclamei assustada.

— Mas vai precisar. – Sua expressão se tornou tão séria que eu me encolhi. – Tem idéia de como ele sofreu quando você sumiu? Ele ficou louco Jade. Queria correr o país atrás de notícias suas. Pertubava sua mãe sempre mas ela nunca dizia. Até que conseguimos distraí-lo com turnês e mais trabalho. E ele só faz isso agora.

— E a garota que ele namorava? – perguntei com desdém.

— A Dani? Ele nunca namorou ela. Ela as vezes aparece e eles se encontram. Ele se relaciona com muitas mulheres, não vou mentir. Mas nunca consegue namorar ou ficar com elas por mais de duas semanas Jade. Vive enfurnado na casa da Val e do Arin brincando com a filha deles. De vez em quando vai lá em casa, nos chama para beber. Mas nunca, nunca está com uma mulher. Ele ficou destruído Jade. E fora que temos um motivo que deve pesar bem uns 20 kg do qual ele precisa saber da existência.

-Zacky, ele vai me odiar. Eu não posso viver sabendo que ele me odeia Zee... – Minhas mãos tremiam. Falar sobre Matt sempre me causava isso. – Fora que quando ele souber do Jimmy vai querer me matar ou tomar ele de mim. Eu não posso permitir isso.

— Ele tem direito de saber sobre isso. Temos um show aqui perto no domingo. Vou falar com o Syn para te dar uma credencial ok? – Eu acho que não tinha escolha só assenti com a cabeça. – Conversa com ele, vai ser difícil eu sei, mas estaremos ali com você.

Agora sim eu ia precisar de ajuda mesmo. Encarar Matt não ia ser nada fácil. Na verdade nem vê-lo seria.

(...)

— Estou bonita Tay?

— Não... Está uma baranga... – Fiz uma cara feia e ele começou a rir e levantou para beijar minha testa. – Você está linda. Adoro quando você usa verde.

Sem perceber eu havia escolhido o mesmo vestido que usei no aniversário de Jimmy. Era um verde musgo com bordados em preto. Seu decote era tomara que caia em forma de coração o que deixava meus seios em evidência. Era justo até a cintura e quando chegava ao quadril ficava levemente rodado. Ia até a metade da minha coxa as deixando a mostra. Eu não estava tão ruim para a mãe de um menininho de cinco anos. E queria mostrar isso a Matt. Comecei a rir quando me dei conta de que havia escolhido o vestido simplesmente por ser a cor favorita dele. Terminei de amarrar minhas sandálias altas de salto agulha que tinham tiras presas até a panturrilha. Minha maquiagem nos olhos era bem escura. Olhos bem marcados no preto e na boca meu gloss cereja. Prendi minha franja com um pente pequenino cheio de pedrinhas que Syn havia me dado e estava pronta.

Respirei fundo e passei pela porta indo em direção ao local do show. Disse que chegaria só após já ter começado. Não agüentaria passar muito tempo lá mesmo. Estacionei o carro perto da entrada de funcionários da boate na qual eles se apresentavam e peguei a credencial em minha bolsa juntamente com a minha identidade. Instruções de Zacky, claro. Bati na fria porta de metal e com um xingamento vi Steven abrir a porta mas ele parou quando me viu.

— Você ... Não... Eu acho que te conheço.

Levantei a credencial e a identidade então ele começou a rir e me abraçou.

— Jade como você pode ter sumido assim garota? Quer dizer que é você a visita misteriosa dos rapazes? – Afirmei rindo e ele abriu caminho para que eu passasse. Hoje vai ser então a noite do reencontro. Jessica está vindo também.

— Que bom não é mesmo? – Disse sorrindo amarelo tentando esconder a pontada de ciúmes que sentir ao imaginar Jessica e Brian se reencontrando.

— Muito mesmo, vocês “causaram” por aqui como diria minha irmã.- Ele riu gostosamente.- Bom... Vou te levar até perto do palco.

Meu coração parecia que ia sair pela boca enquanto caminhávamos pelo corredor. Ele me mostrou onde era o camarim caso eu quisesse ir para lá antes de terminar o show. Então paramos ao lado do palco. O barulho do publico era ensurdecedor. Pude ver o palco e meu nervosismo era tanto que não conseguia definir que música era tocada. Então meus olhos se focaram nele. Meu corpo tremeu e senti como se fosse perder os sentidos a qualquer momento. Seu cabelo estava bem mais comprido. Mesmo pelo boné pude perceber que algumas mechas se enrolavam perto da orelha. Os braços definidos expostos pela blusa do Misfits preta a qual usava. Sua voz rouca, um sorriso cativante e sádico ao mesmo tempo que dirigia a platéia. Mesmo sob os óculos eu sabia que seus olhos continuavam verdes, intensos e incríveis como os de nosso filho. Ele era perfeito e eu o havia abandonado. Nunca em minha vida algo me doeu mais que aquela certeza.

O Show acabou e em um impulso me escondi atrás de uma caixa de som gigante quando ele passou. De lá mesmo pude o ver sorrindo e felicitando seus companheiros de trabalho pelo excelente show. O vi caminhar em direção ao corredor que levava ao camarim e então saí de trás da caixa. Senti uma mão tocar com carinho minha cintura. Sabia que era o Syn.

— Cat. – Me virei para ele e ele me encarou sorrindo cansado. – Sabia que você iria se esconder.

— Eu não estava me escondendo.

— Ah não? – Ele me estendeu a cerveja que estava em sua mão e eu dei um gole tão longo que quase acabei com tudo o que havia na garrafa. – Vai lá! Aproveita... Já está tudo certo para vocês ficarem sozinhos. Só não me traí ok?

— Trair você? – perguntei e ele riu gostosamente. – Ele vai querer me matar Syn não me comer.

— Bom, mas é melhor prevenir do que remediar. – Ele me puxou pela cintura e colou seus lábios nos meus gentilmente. Colou sua testa a minha. – não esquece que me prometeu me dar beijinhos mesmo que esteja namorando ta? E a propósito, você fica linda nesse vestido. Mais tarde faço questão de tirá-lo de novo.

— Menos né Brian... – disse rindo mas antes que pudéssemos nos beijar novamente um pigarro chamou nossa atenção.

— Espero sinceramente não estar atrapalhando nada Haner. – A voz de Jessica era cheia de desdém e raiva. Olhamos ao mesmo tempo para onde a morena se encontrava dentro de seu vestido preto e instintivamente Brian me afastou de seu corpo, exatamente como eu sabia que isso aconteceria.

— Jessica? Você chegou quando?

— A algumas horas. – então ela focou sua visão em mim e o reconhecimento a acometeu. – AH MEU DEUS! – Correu e me abraçou com força e quando me soltou lançou um olhar feio ao Brian. – Não sabia que esse safado estava com você. Como está? Por que sumiu? Ah... Vou querer saber de tudo...

— Jessica, respira. – Disse sorrindo ainda tristemente. – Eu não estou com o Brian... Eu vou resolver logo o que vim fazer aqui. O Brian vai explicar tudo para você...

Me virei para deixá-los sozinhos então Brian segurou meu braço e aproximou seu rosto do meu. – Vou levar você para casa ok? E qualquer coisa, estamos todos aqui.

Assenti enquanto Jessica ainda nos encarava confusa, e caminhei até o camarim. Parei em frente a porta branca que tinha uma folha de A4 colada com fita adesiva onde se lia “AVENGED SEVENFOLD”. Não havia barulho vindo lá de dentro então bati na portar. Um “Entre” sorridente e rouco fez corpo gelar. Eu segurei a maçaneta e a girei com cuidado empurrando aos poucos a porta. Queria adiar aquele momento o máximo que podia então eu o vi. Estava colocando uma blusa simples, branca de gola V e se virou sorrindo para mim.

— Até que enfim alguém apareceu nessa porra... – seu sorriso foi murchando aos poucos quando me viu. Matt arregalou os olhos e caminhou decidido em minha direção. Eu tomei fôlego para gritar mas fui interrompida pelo choque agressivo do seu corpo ao meu. Por suas mãos que seguraram com força meus braços os prendendo e por sua boca que buscou a minha com sofreguidão e desespero. Quase com ódio. Nunca esperaria essa reação vinda dele. Seu beijo era tão raivoso que machucou meus lábios e não tive coragem o suficiente para retribuir. Ele se afastou de mim ofegante e colando a mão grande e desajeitada em minha face. – Não pode ser...- Balbuciou e então se afastou subitamente de mim como se sentisse nojo e repulsa. Sim... Matt estava muito estranho.

— O que faz aqui?- perguntou rudemente me encarando confuso.

— Vocês... Fizeram um ótimo show!- tentei soar levemente despreocupada mas ele se aproximava de novo aquilo estava me assustando.

— O que você está fazendo aqui? Não é possível que só tenha vindo aqui para me dizer que o show foi bom depois de mais de cinco anos sem dar notícias.

Respirei algumas vezes tomando coragem. Seus olhos me queimavam com uma intensidade desesperadora. Por dentro eu era um misto de tristeza e vontade. Me sentia triste por ter me afastado todos esses anos e tinha uma vontade louca agora de me atirar em seus braços e implorar para que ele me perdoasse e nunca mais me deixasse ir. Eu esqueci de tudo o que fui fazer ali só por ele ter me encarado. Me esqueci da tristeza repentina que senti ao perceber que pela Jessica o Syn me trocaria de olhos fechados. Me esqueci que eu fugi do homem da minha vida. Que o que eu lhe contaria o faria nunca mais olhar para a minha cara. Só lembrava do calor reconfortante que eu sentia só por ocupar o mesmo espaço que Matt. Como pude ser tão tola a ponto de acreditar que não amava esse homem? Eu amava. Cada detalhe, cada defeito, cada sorriso, gesto e atitude fosse ela carinhosa ou agressiva. Amava sua impulsividade, sua determinação, sua paixão e até seus surtos de gritaria. Precisava do seu toque, da sua pele na minha e da promessa de que ele sentia tanto quanto eu.

— Me responde Jade. Para de agir como se fosse altista e me responde. – Sua impaciência me tirou do meu devaneio e tudo voltou a minha mente.

— Matt eu sinto muito por tudo mas precisamos conversar. Desculpa ter vindo sem avisar mas os meninos...

— Eles sabiam que você estava aqui? – Ele me encarou confuso e eu assenti com a cabeça. Ele se sentou na poltrona em minha frente cruzando as mãos atrás da cabeça. Ele riu sem humor. – claro que sabiam, por isso me deixaram aqui sozinho.

— Eu juro que não vou tomar muito do seu tempo Matt. Eu vou ser rápida, prometo...

— Eu disse que iria esperar você amadurecer Jade. E tudo o que eu fiz até aqui foi esperar você. – Ele dizia quase que desesperado me interrompendo. – Não precisa ser rápida, sei que a história deve ser longa. Afinal foram mais de cinco anos.

— Só me deixa falar ok? Eu faço o que você quiser, mas me deixa falar .

— O que eu quiser? – Ele riu e retirou as mãos de trás da cabeça e as acenou no ar me chamando. No inicio fiquei parada no mesmo lugar. – Vem aqui Jade. O que eu quiser lembra?

Me aproximei dele com a certeza de que era visível que meu corpo tremia. Parei a sua frente e ele segurou meus pulsos encarando nos meus olhos. – Senta. – Ele ordenou e eu sentei no braço da poltrona. Ele balançou a cabeça rindo.- Não Baby Doll – que saudade eu senti de ouvir aquilo. – Eu não quero aí, eu quero aqui. – ele bateu em sua coxa.

— Não mesmo Matt. – Me levantei pronta para desistir de falar qualquer coisa mas então com uma gargalhada ele me puxou fazendo com que eu me desequilibrasse e sentasse em seu colo.

Suas mãos alisaram cada pedaço desnudo da parte superior de meu corpo me causando um arrepiou delicioso. Eu sentia a aspereza de sua pele enquanto ele explorava meus braços , colo, nuca e pescoço. No ultimo eu tive a nítida sensação de que ele o esmagaria após ouvir o que tinha para contar.

— Olha, eu preferia que você estivesse me olhando enquanto eu falo... – tentei começar a conversa mas ele não deixava.

— Cinco anos sem saber o que era sentir isso. – Ele segurou minha mão e a levou até seu peito rindo sem graça. Suas covinhas eram tão lindas e perfeitas como as de Jimmy. Senti seus músculos e senti seu coração disparando tanto quanto o meu. – È assim que você me deixa depois de todos esses anos. Como um adolescente bobo Baby Doll. Não quero ouvir nada agora. Porque eu senti a semana toda que alguma coisa ruim iria acontecer. Então por favor, me deixa aproveitar só um pouquinho isso tudo bem? Só um pouco aí você despeja tudo o que você quiser.

Ele virou meu rosto com delicadeza e aproximou o seu. Meus lábios rapidamente procuraram o dele e tudo parecia se resumir aquele momento. Eu comecei a chorar descontroladamente quando sua língua pediu passagem por meus lábios. Ela tocou a minha tão calmamente que nem parecia que estávamos desesperados um pelo o outro. Uma massagem lenta e torturante começou desencadeando outras reações como suas mãos que agora tocavam todos os pontos do meu corpo em que podiam tocar. O seu corpo começou a dançar na poltrona enquanto me acomodava melhor em seu colo mas tomando cuidado para que eu sentisse que ele começava a se excitar com isso. Então seu beijo abandonou meus lábios e ele mordeu meu ombro com um pouco de força me fazendo gemer de dor. Olhei por cima do ombro e pude vê-lo sorrindo para mim.

— Matt eu não posso... – tentei sair de seu colo e ele me puxou de volta. – Preciso falar com você sobre ...

— Não quero saber se você está casada, se tem filhos... Se tem uma casinha no subúrbio e um cachorro. – pegou minha mão e colocou sem cerimônias por cima de sua ereção e com a dele me fez apertá-la . Mordeu o lábio inferior contendo o gemido e continuou rouco. – Eu quero entrar em você.Quero ouvir você gemendo meu nome Jade... Só isso Jade. Depois agente resolve o que temos que resolver...

— Eu tenho um filho sim Matt! – Disse rápido antes que ele me convencesse a ceder e ele bufou entediado.

— Eu já disse que não quero...

— E nosso filho tem cinco anos agora e é exatamente igual a você. – Pronto eu consegui falar porém sua mão soltou a minha e ele não tocou mais em mim. Achei que era uma excelente hora para levantar de seu colo. Fiquei em pé em sua frente e ele me encarou como se eu fosse uma desconhecida.

— Nosso filho? – Ele continuou me olhando. – Como assim nosso filho? Você perdeu o bebê aquele dia...

— Eu menti, pedi ao médico que não contasse nada e foi isso.

Ele me olhou por mais alguns segundos calado. Em seguida ele se levantou e a fúria que exalava dele era tão intensa que fazia com que ele ficasse o dobro do tamanho. A forma que ele me olhava era assustadora. Eu nunca havia visto a Matt daquele jeito.

— Você simplesmente foge carregando meu filho na sua barriga. Me faz ficar como um louco durante cinco anos e aparece aqui querendo contar como se isso fosse mudar alguma coisa? Tenho uma coisa para te contar que talvez você não saiba Jade. – Sua voz era fria e cortante e eu me encolhia e andava para trás a cada passo que ele dava em minha direção. – Pessoas não podem ser quebradas e depois coladas como se fossem brinquedos. Você não tinha o direito de brincar com a minha vida, com a do Zacky, com a do meu filho... Eu avisei a você aquela vez que se esse filho fosse meu ia dar merda Jade! Como você pode?

— Pera aí, eu não brinquei com a vida de ninguém. Isso não, muito pelo contrário eu só estava zelando pela vida do meu filho. – O encarei no mesmo tom e seus olhos faiscaram na minha direção. – Eu fiz o melhor para o meu filho, você estava tentando destruir a vida que eu tinha com Zacky. Parabéns a você Matt, conseguiu destruir. Deveria estar feliz até agora porque eu e ele nos afastamos de vez depois do seu showzinho...

— NÃO TENTA INVERTER ESSA PORRA!- ele gritou e rapidamente minha coragem se desfez.- EU ERREI JADE MAS O QUE VOCÊ FEZ? – Matt colocou as mãos nos cabelos desesperado e os puxou com força se afastando de mim. – CARALHO JADE! A PORRA DE CINCO ANOS! EU NÃO VI MEU FILHO CRESCER – Ele socou com força a parede ao meu lado o que me fez piscar, escutei movimentação no corredor. – VOCÊ NÃO ME DEIXOU VER ELE NASCER, NEM ELE FALAR... VOCÊ É UMA VADIA! – Ele gritava e eu só conseguia chorar e ouvir aquilo calada.

A porta foi aberta e logo Arin seguido por Brian entraram. Arin foi na direção de Matt que com apenas um empurrão o afastou. Syn me abraçou tentando me tirar de lá porém Matt o segurou pelo colarinho.

— Você sabia filho da puta? – O puxou para frente o sacudindo e Brian fez força para soltar- se de Matt. – Como você pode deixar ela fazer isso comigo Syn? – Os olhos de Matt estavam vermelhos de ódio e logo Johnny, Zacky e Val já estavam entrando ali.

— O que está acontecendo ... – Val se interrompeu ao me ver chorando e Brian ainda com a blusa presa pelas mãos de Matt. – Ah merda! A senhorita depois me explica. – Disse apontando para mim e em seguida andou até Matt e segurou seu braço o fazendo soltar Syn. – Para com isso Matt, ta de cabeça quente. Vamos parar com essa porra agora!

Ele olhou para ela como se fosse uma criança suplicando ajuda e aquilo dilacerou meu coração. Ele encarou Brian e depois a todos na sala como se voltasse a razão. Até que ele me viu.

— Saí daqui Jade.- pediu dolorosamente.

— Calma cara. – Era a primeira vez que eu ouvia a voz de Zachary desde que chegara. – Agente vai resolver isso. Agente sempre resolve.

— EU NÃO QUERO ELA AQUI. EU NÃO QUERO OLHAR NA CARA CÍNICA DESSA VAGABUNDA! – Definitivamente eu preferia ter tomado um soco do que ter ouvido isso vindo de Matt. Mas eu merecia. Ele se aproximou de mim e me segurou com força pelo braço me arrastando pela porta do camarim antes que alguém pudesse fazer alguma coisa. – Some da minha frente. Eu não quero olhar sua cara agora! Por favor Jade.- Ele praticamente me implorou e me empurrou pra fora do camarim. – Some da minha frente antes que eu faça uma loucura e acabe partindo sua cara.

Eu não tinha mais o que fazer. Pude ver Johnny e Brian puxando Matt para dentro do camarim enquanto Jessica surgia no corredor esbaforida.

— Garota, no que você se meteu? – Ela tentava me acalmar e logo Val surgiu atrás de nós.

— Jade meu amor, venha. Vou levar você para casa.

— Não é necessário... Eu estou de carro.

— Você não está em condições de dirigir. Vai ser melhor tudo bem? – Eu assenti e me despedi de Jessica que disse que me ligaria. Valary circulou as mãos em volta do meu ombro e me encaminhou para fora daquele lugar.

O que eu mais temi até ali aconteceu. Finalmente eu consegui fazer com que Matt me odiasse. Agora era só rezar para que ele não tentasse nada contra meu Jimmy, porque se ele tentasse, encontraria em mim sua pior inimiga. Que ele fizesse o que queria comigo, eu aceitaria sem pestanejar. Mas que nunca passasse pela sua cabeça fazer algo contra James. Iria se arrepender para o resto de sua vida.

— Jade se acalma. – Val pedia enquanto dirigia com as coordenadas que por entre o choro eu passava.

— Não consigo Val. Eu sabia que seria assim, mas não sabia que seria tão dolorido. Odeio vê-lo daquela forma...

— Nos acostumamos a isso, desde que você foi embora.

— Como assim? O Matt? Desse jeito...

— Nunca nessa intensidade, você deve realmente tê-lo magoado com alguma coisa. – Então ela me encarou preocupada com minha reação. – Mas ele já fez algumas cenas semelhantes algumas vezes. Só nunca ameaçou bater em alguém. Mas já quebrou muitos espelhos, janelas e alguns objetos. – Val completou sem emoção e meu choro triplicou. Para variar eu fiz mal a todo mundo. – Hey... Não fica assim Jade... Vai passar. Você não conhece o Matt? Ele precisa explodir para aceitar algumas coisas. Ele é assim mas logo volta tudo a ser como antes. Pode ter certeza disso.

Valary que me desculpasse. Mas eu não conseguia ter certeza de que tudo voltaria a ser como antes entre Matt e eu.

Notas finais
So... Coments?