Notas iniciais
Obrigada mais uma vez pelos Reviews... Você são maravilhosas e prometo responder um por um!!!

Ta aí mais um capitulo... espero que gostem...

O carro parou em um estacionamento que eu não conhecia. O que não é surpresa, já que eu nunca conhecia nada em lugar nenhum. Eu desci do carro e fiquei impressionada com o fato de não ter notado o ônibus imenso que estava à esquerda de onde paramos.Ele provavelmente deveria ter dois andares e sua lataria era prateada. Um enorme deathbat estampado na lataria acusava quem deveria estar dentro do ônibus por onde quer que ele estivesse. Syn segurou minha mão, entrelaçou seus dedos nos meus e me levou na direção do veiculo no exato momento que Matt saia do ônibus. Shadows vestia uma calça jeans escura, uma blusa machão manchada de cinza e óculos escuros. Só ele mesmo para usar um óculos escuro daquele tamanho na cara, altas horas da noite e mesmo assim não parecer idiota. Para todos ele podia estar vestido normalmente. Para mim, ele era a imagem da perfeição. Derrepente tomei conciência da minha situação. E por algum motivo estranho me incomodou que Syn estivesse me dando a mão. Eu não queria que o Matt nos visse assim. Não queria que ele pensasse que havia acontecido alguma coisa entre Brian e eu. Delicadamente eu tentei me soltar da mão que me prendia. Synyster olhou nos meus olhos e sorriu falando baixo:

- Você agora me deixou muito confuso Cat. – E encarou Matt sorrindo enquanto soltava minha mão.

- Como assim Syn?- Indaguei curiosa parando no meio da caminho. Eu queria retardar o máximo possível meu encontro com o Deus grego tatuado que já havia encostado na lateral do ônibus de braços cruzados nos esperando. Johnny apressou o passo e já estava junto com ele.

- Depois vamos ter uma conversa Cat. – Syn olhou nos meus olhos serio por alguns segundos e logo abriu um sorriso encantador.- Já vi tudo. Sério Cat, você é muito fácil de “ler”.

- Eu não sou não!- E ele revirou os olhos de o que o deixou com uma cara muito engraçada. A essa altura estávamos parados ainda no meio do caminho e Matt pareceu ter se incomodado com isso.

- VOCÊS PODEM CONTINUAR AÍ CONVERSANDO A NOITE TODA! NÓS NEM ESTAMOS COM PRESSA MESMO!

Como esse homem gostava de gritar. Não é a toa que vira e mexe ele perde a voz. Apressamos um pouco o passo. Quando chegamos, fui cumprimentada por Matt que logo me levou para dentro do ônibus. Fiquei embasbacada em como o interior de um ônibus pode ser tão legal. E eu só estava na cozinha ainda. Zacky estava sentado na mesa, comendo biscoitos e quando me viu, abriu um sorriso que iluminou todo seu rosto. Eu não pude deixar de retribui. Matt me indicou o assento a frente do Zacky. Antes de me sentar, pude ver que haviam algumas pessoas ao longo do ônibus. Todos homens enormes e pude reconhecer o segurança grandão e com cara de mal que me tirou do meio do show na noite anterior. Me sentia invadindo uma espécie de “clube do bolinha”.

Matt sentou-se ao meu lado roubando o prato de biscoitos da frente de Zacky que ignorou completamente o fato. Syn e Jonny logo se juntaram a nós.

- Onde está a Val? –Perguntei. Ser a única mulher no meio de tanto homem estava começando a me deixar incomodada.

- A Val vai viajar no outro ônibus. – Disse Matt ainda com a boca cheia de biscoito. – Ela vai ficar no ônibus de apoio.

- Onde eu deveria estar então...

-Claro que não... A Val foi para lá justamente para você ficar com... Synyster, você não explicou nada para ela?

- Não deu tempo ...- Syn se sentou ao lado de Zacky e segurou minha mão por cima da mesa- Nós estávamos muito ocupados, não é Cat?

Eu só conseguia o encara horrorizada. O que esse idiota estava fazendo? Ele insinuou que nós fizemos alguma coisa mesmo? Idiota, idiota... Puxei minha mão da dela bruscamente e ele riu da minha reação. Johnny vendo aquilo, apenas balançou a cabeça serio.

- Brian , para de fazer isso com a garota, ela vai ficar com trauma de você é serio.

- Impossível alguém ter trauma de mim, eu sou um amor.

- Eu tenho. – Johnny disse levantando a mão.

-Eu também... Desde a época da escola- Zacky disse rindo. Synyster cruzou os braços sobre o peito.

- Mas alguém tem trauma de mim?

Todos, inclusive eu , encaramos Matthew.

- O que? – Disse ele sorrindo?- Ah... Vê se eu tenho cara de que sou traumatizado com alguma coisa?- Disse apontando para si. – Pensando bem... Eu tenho trauma de você também...

-Como? – SYn o olhou indignado.- O Porpeta e o Anão até vai... Eu e o Jimmy não deixamos eles em paz durante um longo tempo na escola... Mas você cara? Eu nem implicava com você.

- Só por que você tinha medo- Disse Zacky com um sorriso irônico no rosto.

- Claro que tinha. Ele sempre foi maluco... O nome Shadows não é a toa Cat.

- Eu não duvido que seja- Disse olhando Matt de esguelha. Sinceramente eu não queria nem saber todos os motivos para que ele tivesse um apelido desse, os que já conhecia me eram suficiente.

- Mas Syn... Você me traumatizou pela vida inteira. Lembra de um certo lual, no segundo ano... Onde uma certa menina chamada Jenny fez com que você corresse pelado atrás dela pela praia? Aquilo cara, foi o ponto da minha vida em que descobri que o inferno deve parecer muito com você pelado.- Disse Matt rindo- Até hoje tenho náuseas de lembrar daquela bundona branca balançando e dele implorando “ Devolve pelo menos a minha calça Jenny, eu não sabia que ela era sua irmã”.

Todos riram. A essa altura parecia que todos haviam esquecido que deveriam me explicar alguma coisa. Mas não seria eu que acabaria com o momento de saudosismo dos caras.

- Mas foi muito idiota Syn- começou Johnny- Como você não sabia que a irmã gêmea dela era “irmã” dela.

- Na hora que ela veio tomar satisfação comigo eu não pensei direito. Falei a primeira vez que veio na cabeça.

- Foi ai que ela percebeu que você é um grande idiota...

Syn fuzilou Johnny com o olhar e dessa vez eu preferi não rir de comentário nenhum. Da ultima vez, eles se atracaram e eu fiquei com cara de tacho. Matt me encarou e sorrindo e tirou os óculos.

- A situação é a seguinte Jade. A Val se ofereceu para ir no outro ônibus porque assim você pode ter mais contato com agente daqui.

- Só não sei se vocÊ vai gostar muito desse contato...- disse Arin que já se juntava a nós nesse momento. Eu tinha até esquecido dele, tadinho.- Eu tenho duvidas até hoje se eu gosto.

- Até parece...- Johnny após dizer isso deu um tapinha na cabeça de Arin que sorriu sem jeito.

Finalmente o ônibus deu a partida. Eles me mostraram o resto do ônibus, como as poltronas reclinavam e logo eu já estava me sentindo em casa. Zacky era muito simpático comigo, porém bem mais distante do que na noite anterior. Ele , como os outros me explicou que no inicio era meio inconveniente dormir no ônibus e tal, mas que logo eu me acostumaria e sempre tinham os hotéis das paradas, onde poderíamos lembrar o que eram camas. Me apresentaram aos seguranças e a um dos roadies que viajavam naquele ônibus, que por sinal era Jason Berry, como se fosse necessário me apresentar a ele. Por volta de uma da manhã, os meninos já estavam cochilando em seus assentos com exceção de Johnny que levantou e me chamou para ir ao fundo do ônibus. Após abrir uma portinha eu me deparei com tal sala de vídeo de dentro do ônibus. Ela era toda decorada em bege e vermelho e tinha realmente uma tela gigante de LCD. Vi os controles do vídeo game jogados no chão, desviei deles com cuidado e me sentei no sofá.

- Pode deitar se quiser, não precisa ficar com vergonha, esse ônibus vai ser sua casa na maioria do tempo. – Disse Johnny enquanto colocava a serie para nós assistirmos.

Eu sorri, já que ele insistia eu ia me sentir em casa. Tirei o tênis E coloquei os pés no sofá que até era confortável para o seu tamanho. Johnny abriu uma espécie de gaveta que ficava em baixo do sofá e puxou um edredom, se sentou ao meu lado, nos cobriu e deitou a cabeça no meu ombro, dando inicio ao DVD. Eu não poderia me sentir mais sortuda. Eu acho que estava ficando amigo do baixinho mesmo...

Acordei com um solavanco que o ônibus deu. Abri os olhos e percebi que ainda estava escuro. E eu não estava mais coberto. Johnny estava caído com metade do corpo no chão e metade em cima do sofá e o edredom estava tão enrolado em suas pernas que eu tive duvidas se um dia ele ia conseguir solta-lo. Levantei e desliguei a TV. O relógio na parede marcava três e meia da manhã. Eu não sabia se dormia ali mesmo, ou se ia caçar uma poltrona. Decidi o mais simples. Ir à cozinha e abrir a geladeira. Eu estava com fome.

Sacudi delicadamente Johnny que abriu os olhos um pouco confuso. O ajudei a deitar no sofá e em cinco segundos ele pegou no sono novamente. Sai tentando não fazer muito ruído. Tirando o barulho do motor, o ônibus estava silencioso. Passei pelas poltronas e pude ver Syn dormindo quase que agarrado ao Matt. Eu sorri. Queria estar com a minha câmera, seria uma foto ótima para o site com certeza. Não notei os outros e fui direto para a cozinha. Depois de umas duas horas olhando lá para dentro peguei uma caixinha de achocolatado. Quando me virei dei de cara com Zacky. Ele estava lindo com o cabelo completamente bagunçado, o rosto amassado e os olhos inchados de sono.

- Parece que agente sempre se encontra essa hora perto de uma geladeira não é.- Ele sorriu. Que sorriso fofo que esse menino tem. Eu juro que quero me controlar, mas fica difícil quando ele não colabora. Ele poderia ser um pouco menos fofinho. Enfim, sorri sem graça e ele, percebendo que havia me deixado constrangida, continuou.- Eh... Sobre a outra noite... Eu queria me desculpar, não foi uma atitude legal da minha parte...

- Deixa isso para lá Zacky. Não precisa se sentir obrigado a se desculpar nem nada... Nós estávamos bêbados e a situação... Então deixa para lá.

- Mas por culpa disso, o Synyster não parar de nos sacaniar. E eu já estou acostumado com isso. Foi a minha vida inteira assim, agora você vai se sentir constrangida toda a vez que ele falar.

- Eu me adapto rápido, pode ficar tranqüilo.- Disse sorrindo. Me virei, abri a geladeira de novo e peguei outro achocolatado. Joguei para Zacky. Ele se aproximou de mim, e abriu o armário pegando um pacote de cookies com gotas de chocolate, e diferente da outra noite nem mesmo esbarrou em mim. Eu sentei na mesa de um lado e ele do outro, abriu o pacote e me ofereceu enquanto chupava o canudinho do achocolatado. Que cena mais linda, gay, mas muito linda mesmo. Eu fiquei alguns minutos analisando aquilo em silencio, silêncio esse que logo ele quebrou me fazendo acordar do transe.

- Sabe Jade, se eu encontrar com você toda a noite eu vou ficar mais gordo do que eu já sou.

- Mas eu não acho você gordo, eu acho você lindo- Por que agente só percebe depois que fala ? Eu enfiei o biscoito na boca, porque assim eu seria obrigada a não emitir som. Olhei para ele e um sorriso se formou no canto de sua boca.

- Você só quer ser simpática... – Pelo menos ele não era igual ao Brian. Syn a essa altura com toda a certeza ia arranjar um motivo para me deixar mais envergonhada, com certeza. Ele me tirou novamente dos meus pensamentos. – Você estava dormindo lá dentro com o Johnny?

- Nem percebi a hora em que peguei no sono, estávamos vendo TV.

-Eu sei, eu fui lá, mas como vocês estavam dormindo decidi não incomodar... – Ele tinha ido lá para quê afinal?

Com isso terminamos de comer em silencio. Depois eu fui caçar uma poltrona para dormir.

- Pode ficar do meu lado, eu não gosto mesmo de ficar de cara para a janela, se isso não te incomodar.

- Mas é claro que não. – Me sentei e logo Zacky me acompanhou, reclinou a poltrona para mim depois de ver que eu estava em um duelo com a trava. E me virei para janela.

- Boa noite Jade.

- Boa noite ...

Eu fechei os olhos e quando quase estava pegando no sono, senti o calor de uma mão se fechando sobre a minha, e o dedo polegar de Zacky acariciava lentamente as costas da minha mão. Não seria eu que ia ligar para isso. Instintivamente me virei para Zacky e vi seus olhos verdes me encarando.

- O que está acontecendo comigo? – Ele sussurrou quase desesperado.

- Eu não sei... – Pousei minha mão em seu rosto e ele fechou os olhos. Nem eu sabia o que estava acontecendo. Era estranho conhecer um cara a dois dias e sentir a necessidade que eu estava sentindo de ter ele por perto.

- Acho que é seu cheiro- Ele respirou fundo e então também fexei os olhos.

Tinha uma atmosfera estranha que na época eu não sabia identificar, talvez fosse um pressentimento. Mas quando nos encaramos, algo estranho foi passado para mim. Se ali eu estivesse atenta a esse sinal, talvez tivesse evitado tudo. Mas não. Eu queria ficar ali, perto dele, mesmo que seus olhos naquele momento tivessem me deixado agoniada sem motivo. Mesmo que seu toque em minha mão tivesse me queimado a ponto de machucar. Eu senti vontade de chorar. Mas ou invés disso, eu deixei queimar, apenas dormir, sem ter a mínima desconfiança de que queimaria muito mais do que eu imaginava.