Hostility
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Há 7 meses atrás...
— Jade, eu não acredito que você está me fazendo ficar aqui em baixo desse sol sem ter lugar para sentar.- Taylor, meu melhor amigo já estava a horas segurando um guarda- chuva, tentando se esconder o máximo que podia do sol que estava insuportável naquele dia.- Poderíamos ter vindo na hora do início do show. Não temos mais idade para isso!
— Você não está em baixo do sol...- Disse abrindo minha mochila, pegando um pacote de batatas fritas sabor churrasco.- Fora que lugar para sentar é o que não falta.
Imediatamente sentei no chão da entrada da casa de shows, abri o saco de batatas oferecendo, sem nem perceber, a Tay. Ele me olhava incrédulo.
— É sobre isso que eu estou falando. Nós não temos mais dezesseis anos. Não podemos passar a vida em filas de show, nem sentar no chão sujo, muito menos comendo batatinhas!
Olhei para cima e com um sorriso cínico o chamei com o dedo.
— Vem cá. Senta aqui do meu lado.
— Não mesmo!
— Eu sei que você quer...
Eu sabia que dentro daquela cabecinha as engrenagens começavam a trabalhar. Seria sentar no chão e acabar com sua suposta dignidade recém adquirida ou ficar em pé pelas próximas horas até terminar o show. O cansaço o venceu mais rápido do que imaginava. Logo seu corpo dividia o espaço no solo com o meu.
— Eu sabia que você seria sensato, Killer!
Cheguei a me preocupar quando vi uma coloração arroxeada tomar conta do rosto do meu amigo. Ele olhou para os lados desesperado com medo de que alguém pudesse ter ouvido o nome pelo qual o chamei. A verdade é que ninguém estava nem aí para o que estivéssemos fazendo ou falando. Todos estavam ansiosos demais pelo show para se importar.
— Você faz essas coisas para me irritar, só pode...
— Mas você gostava. — O interrompi.
Killer era como Taylor se intitulava em nossa adolescência. Até em provas ele assinava seu nome assim, tendo sua mãe como figura certa na sala do diretor do colégio onde estudávamos. Com os anos, percebeu que não era uma idéia muito inteligente e aceitou que seu nome soava melhor. Ainda assim, morreria de vergonha eternamente. E ele estava certo, eu fazia para irritar mesmo.
— Você tem levado tudo muito a sério. — Deitando minha cabeça em seu ombro, o encarei com um sorriso sincero. — Sei que você precisou amadurecer bem rápido desde que sua mãe se mudou, mas as vezes você exagera.
— Não é exagero, Jade. É a realidade.
— Eu não ligo de me portar como uma adolescente, Tay. Na verdade, eu gosto bastante.
Senti seu corpo vibrando ao som de seu riso. Ele apenas balançou a cabeça, fazendo um carinho desajeitado em meus cabelos.
— Menina... Eu nunca vou saber o que fazer com você!
Minha relação com Taylor era assim. Eu a implicante, ele o revoltado. Nos conhecemos desde sempre. Tudo o que fazíamos era juntos. E de tanto contato, no segundo ano do colegial passamos a ser namorados . O baile de formatura foi a nossa noite mágica. Ou melhor, a noite mágica dele. Que após sair de cima de mim, com o rosto corado pelo esforço físico, trazia um lindo sorriso satisfeito. Já eu... Bom, digamos que geralmente as meninas não se divertem muito em sua primeira vez. Quando recebi pelo correio minha carta de admissão a faculdade, chegamos a um acordo de que nosso relacionamento amoroso não continuaria. Eu mudaria de estado, seriam quatro anos de visitas esporádicas. Nosso lindo romance adolescente chegou ao fim. Mas nossa amizade só se fortaleceu. Ao terminar a faculdade, lá estava Taylor para me recepcionar na volta para casa. Agindo como se nunca houvéssemos nos distanciado.
—E resultado do concurso? Você não me falou nada sobre isso.
Bufando, levantei a cabeça de seu ombro.
— Nem quis saber do resultado. Minha idéia era ridícula.
Eu me inscrevi, com mais milhares de pessoas em uma promoção que a banda divulgou. O autor da melhor idéia, ao que eles propuseram, passaria um ano em turnê com os caras. Além da companhia muito bem vida, toda semana um cheque gordo seria depositado na conta do sortudo. Eu só pensava em como seria perfeito. Além de passar esse tempo com os meus maiores ídolos, eu iria ter um salário de verdade. Não aquilo que eu recebia na empresa se TI em que trabalhava. A pena, era que minha idéia era muito simples. Acreditava verdadeiramente que nunca ganharia.
— Sua insegurança sempre me irritou. Você precisa ter mais confiança em você.
— Para quê eu preciso aumentar minha confiança? Eu tenho você para fazer com que eu me sinta melhor.- Pisquei meu olho sorrindo o que o fez gargalhar.
E quando prestei mais atenção percebi como o bichinho estava com o rosto muito vermelho. Os cabelos castanhos de Taylor estavam grudados na cabeça de tanto suor. Por sua pele ser bem mais clara que a minha, facilmente se irritava mais rápido perante a exposição solar. E eu tenho que admitir, era muita maldade mesmo fazer ele ficar mais de dez horas esperando por um show. Mas eu precisava disso. Eu precisava ver eles, afinal era o ultimo show na minha cidade. Na próxima semana eles entrariam em turnê pelo país.
Passados os momentos de irritação de Taylor/Killer, o sol de rachar e uma pequena indigestão causada por excessivo consumo de batatinhas e bebidas alcoólicas, os portões da casa de shows foram abertos e nós entramos pro meu show. Mais meu do que deles. Eu era a fã ali, certo? Eu esperei por eles, não eles por mim.
****************************************************
POV”S MATT
Depois que escolhemos a vencedora do concurso, só nos restava esperar que a Val conseguisse falar com ela. As ligações começaram a ser feitas pela manhã, e só quem atendia era a mãe da menina. Eu já mandei a Val dizer sobre o que se tratava, mas ela está com medo que a garota tenha uma crise histérica. Como se ela já não fosse ter assim que ficasse sabendo. Pelo menos ela ia ter tempo de assimilar a idéia de que ia passar um ano com agente. A única coisa que eu peço é que ela não seja um porre que nem a maioria das meninas são nessa idade. Nossos fãs geralmente são legais. Mas percebesse que eu falei “geralmente’.
Em menos de duas horas iria começar o show, e os outros estavam junto comigo no camarim. Johnny dormia largado em um sofá. Como sempre de ressaca. Arin brincava com as baquetas sentado em uma poltrona. Não havia sombra de Syn (que provavelmente devia estar colocando o milionésimo chifre na cabeça da Michelle). E Zacky pra variar, com a cara enfurnada no notebook fazendo sei lá o quê. Agente nunca sabia o que Bolota tanto fazia ali. Espero que ele esteja vendo site de sacanagem cara, desde que ele terminou com a Genna ele tem andado muito estranho, estressado sabe... E ta a Val passando de novo na minha frente, falando pelo celular com a mãe da menina de novo!
Não me chamem de grosseiro nem de mal educado, mas ver a Val andando de um lado para o outro com telefone na mão sem resolver nada estava me deixando maluco já. Então o que eu fiz? Levantei e fui na sua direção, ela ficou com os olhos arregalados esperando que eu fosse falar alguma coisa, mas tudo o que eu fiz foi tomar o telefone de sua mão, e resolver eu mesmo a situação. Se você quer que algo seja bem feito, faça você mesmo... Ou pelo menos tente fazer você mesmo..
— Alô? Meu nome é Matthew Sanders, falo com a senhora Greenwood, certo?- Quase um operador de telemarketing. E foi assim
que eu comecei a explicar a situação a ela. Fiquei impressionado em como minha voz é sensual e persuasiva no telefone. Porque com cinco minutos de papo eu já sabia onde a famosa (pelo menos agora) Pietra Jade Christine Greenwood se encontrava. Confesso que esse é um nome muito estranho, mas a quem eu vou julgar. Ela não escolheu o nome que tem. Já eu...
Com um sorriso no rosto me despedi e arremessei o telefone no colo da Val que estava sentada agora no mesmo lugar em que eu estava.
— E então? -Ela sorriu cheia de desdém, o que eu odiava. E ela sabia disso.
— E então que você vai levantar daqui e procurar a garota. Ela ta aqui.
— Matt , você não manda mais em mim, não somos mais casado...
— Exatamente doll. Não somos mais casados, mais ainda sou o seu CHEFE. – Admito que adoro ser o chefe da minha ex mulher.- E eu estou pedindo educadamente. Por gentileza... Não temos muito tempo e você sabe melhor disso do que eu, afinal a idéia foi sua.
— Vai dizer que não foi uma boa idéia.
— Geralmente suas idéias são muito boas Val. – E eu usando de novo o “geralmente”.
Ela sorriu ainda mais, e se levantou – Ok Honey, eu vou lá buscar a menina. Você caça o estorvo do meu cunhadinho lindo e tranca ele aqui dentro até a hora do show, por favor. Ela deve conhecer todos vocês ao mesmo tempo
certo?
— É verdade... Val, como vamos passar um ano com uma fã nossa sem estragar os sonhos dela. Porque eu fico imaginando tudo o que ela já idealizou da gente. Com certeza vai ser a decpção da vida dela descobrir que somos normais e temos tantos ou mais defeitos a mais que todo mundo.
Valary é tão carinhosa às vezes, muito às vezes mesmo que eu quase senti saudades dela. Ela pousou a mão sobre meu rosto e deu uns dois tapinhas,
— Querido... Se for ou não... A culpa é só de vocês.- animadora ela, não?
Ela se virou e foi. Agora era minha parte da missão. Ir atrás do Syn. Acho que o Brian nunca vai tomar jeito. Tomara que essa nossa fã que ganhou o ingresso não seja nem um pouco bonita, a ultima coisa que precisamos é da Michelle fazendo outro escândalo.
Dei um tapa na cabeça do Zacky enquanto saia do camarim, fechei a porta antes de escutar o final da bela frase que ele dirigiu a mim. Espero ter sorte e encontrar o Synyster vestido. Não preciso mesmo ver a bunda branca dele antes de um show. É capaz de eu ficar indisposto.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
POV’S JADE
É incrível como tinha gente naquele show. E eu consegui ficar na grade. Meu telefone celular tocava a horas, mas eu não conseguia colocar a mão no bolso para ver quem era. Nem conseguia tirar minha mão de cima da grade. Então o show começou e eu não parava de gritar e cantar a cada música. Algumas vezes pensei que fosse desmaiar porque ficava sem ar. E o medo de passar a mal e ser retirada dali? Todos que passavam mal eram retirados do meio da confusão e ia assistir ao show, depois de constatado que não era nada grave, lá no fundo da casa. Longe demais do palco. Na terceira musica, senti minha vista escurecendo, o som foi ficando abafado. Eu estava definitivamente passando mal. Também depois de horas na fila, pular e cantar igual a uma doida. Era o mínimo que poderia acontecer. Tentei me controlar. Abaixei um pouco a cabeça, respirei fundo. A visão foi voltando e aos poucos o som também. Senti uma mão me segurar e quando olhei para frente congelei. Era Valary Dibenedetto. Imaginem qual foi a minha reação quando vi aquela mulher, minha eterna rival, mesmo que fossem só nos meus sonhos. Uma das pessoas que eu mais detestava na terra, encostando em mim. Consegui pular pela grade e arranhei a cara dela toda. Arranquei uns tufos de cabelo loiro oxigenado dela e sorri sadicamente banhada em seu sangue.
Mentira.
Fiquei parada , de boca aberta uns 30 segundos até que ela disse:
— Querida, você está se sentindo bem? Eu vou precisar mesmo fazer isso, por favor não me odeie- Tadinha, não tinha como eu odiá-la mais do que já odiava. Como e estava engada. Ela chamou um segurança grande, de colete jeans e calaça coladinha, uma barba gigantesca é óculos escuros, que tinha uma tremenda cara de motoqueiro malvado. Ela se afastou e ele conseguiu me segurar pela cintura e me puxar pela grade. O que eu fiz? Gritei, chutei, arranhei e empurrei. Ele não se moveu um centímetro. Também parecia um armário. Fechei os olhos para tentar controlar o ímpeto do choro que me assolava. Não adiantou, as lágrimas começaram a rolar. Eu nem queria olhar para o palco mais. Se eu antes odiava a Valary, agora eu tinha além de ódio, repulsa e uma insistente vontade de enforcá-la. Mas logo todos esses sentimentos foram substituídos por uma imensa tristeza. Eu ia perder o show.
Senti meus pés tocarem o chão. Eu nem queria abrir os olhos. Engraçado é que eu estava tão perdida dentro da minha melancolia que não notei que eu não estava mais na pista , na verdade, de onde eu estava eu escutava o show mas estava um pouco abafado.
— Pietra, acho melhor chamar o médico responsável pra dar uma olhadinha em você. Mas também, você está aqui a 16 horas querida.- Abri os olhos lentamente. Queria saber porque ela tinha que ser tão doce. Eu precisava extravasar minha raiva. Olha que beleza, só tinha a Val ali. Ia ser nela mesmo.
— Eu não estou me sentindo mal. Na verdade eu estou ótima. Eu só queria ver o show. Isso para você não deve ser importante, afinal você está com eles o tempo todo. Mas era o momento da minha vida. Não é justo você estr....
— Pietra, me deixa ...
— Pietra não. Meu nome é Jade! E se tem alguém no mundo que não tem o direito de me chamar pelo meu nome é... Pera aí. Como você sabe meu nome?
— Se você me deixar falar vai poder entender o porque tirei você de lá.
Juro que depois dessa, minha raiva diminuiu bastante. Ela me levou até um sofá que estava encostado na parede. Eu consegui pela primeira vez desde que me tiraram do show, visualizar e entender o lugar que eu estava. A luz era forte, tinha um espelho comprido no meio. Uma bancada em frente ao espelho cheia de coisas como maquiagem e produtos de cabelo. Umas garrafas de cerveja vazias em uma mesa no canto, um cinzeiro tão cheio de gimbas que eu senti vontade de fumar. Eu sentei no sofá seguida por Valary. Ela sorriu. Ela tinha algum problema?Ela era tão feliz assim? Bem... No lugar dela eu também seria.
— Bom, nem me apresentei. Eu sou Valary... Mas pode me chamar de Val, é assim que meus amigos me chama. Menina, você não sabe como é difícil de te achar. Quase uma missão impossível. Gostaria de ser a primeira pessoa a dar essa notícia. Meus parabéns, a idéia do seu site foi de longe a melhor e mais simples de todas. Fico feliz em dizer boas vindas ao mais novo membro da equipe de apoio do Avenged Sevenfold- Depois disso ela me abraçou. Eu fiquei tão estática que não conseguia dizer nada. Ela me olhou preocupada.
— Desculpa, não perguntei se você aceitava trabalhar com agente. É claro que você não é obrigada..
—Você está louca mulher?! É claro que eu aceito. — Eu sorri como se estivesse realizando meu maior sonho, e eu estava não é mesmo?
E quando eu comecei a digerir essa informação a porta do camarim se abriu e Matt entrou, seguido por Zacky e Synyster Gates. Isso mesmo. Synyster “fucking” Gates. Uma voz rouca invadiu meus ouvidos.
— Então finalmente você a encontrou Val... – E se voltando para mim, continuou — Menina, você não sabe o trabalho que deu para te encontrar. Achei que não íamos conseguir. Mas aqui está você. A Val já te explicou tudo?
Qual reação você teria escutando o ídolo da sua vida dizendo que finalmente te encontrou?
Fale com o autor