Hostes Celestes - A Devoção Obsessiva
1 Preludio em dó menor.
Tudo começou naquele dia chuvoso, o crepúsculo havia sido sereno mas todo aquele cenário mudou quando a luz do sol se foi, caminhei pela casa vazia, passeando pelos corredores iluminados pelos clarões da tempestade, as paredes de madeira rangiam suportando com dificuldade o vento. Se fosse apenas uma casa vazia, mas não era apenas isso, um mundo inteiro para uma unica existência, um querubim fugitivo das hostes celestiais refugiado em um mundo vazio de uma dimensão paralela, ainda pensar nisso me faz andar por esta casa sem saber porque ainda estou aqui.
Parei numa janela antes de chegar no saguão, de longe podia ver o mar agitado e a chuva formando o véu que descia impiedosamente sobre o oceano. Continuei caminhando ate a porta da sala e sai para fora da mansão, para mais perto da praia, as gotas de agua mais pareciam pedras caindo em meus ombros, o vento forte era o suficiente pra me fazer sentir um frio congelante, a sensação de laminas passando sobre meu rosto, as ondas constantes e grosseiras sobre as pedras nada se comparava ao som dos trovões tremendo completamente meu corpo, aquele som perturbante me trazia paz enquanto me trazia aquele sentimento nostálgico... Como quando eu escutava sua voz. Depois de cortejar meus olhos com o horizonte negro pude sentir uma sensação ruim invadindo-me repentinamente, como uma lembrança que não conseguiria esquecer, me pus a imaginar de onde viria. Notei uma luz pequena no céu e meu peito se encheu de medo, alguma coisa estava caindo dos ares e eu mal conseguia olhar para cima por conta da chuva densa. As nuvens se abriram e uma bola flamejante cortou os céus ate encontrar o oceano, um impacto tremendo de uma força maciça que foi o suficiente para fazer o oceano subir com ondas gigantescas. Se eu continuasse naquela forma iria ter grandes problemas, tirei o selo que havia sobre minhas asas e fui rumo as nuvens fugindo das ondas, depois de séculos pude ver novamente minha aura cobrindo meu corpo. O vento estava ainda mais cruel nas alturas, não consegui me manter parado no ar. La de cima vi as ondas gigantes destruírem completamente minha mansão na pequena ilha, tudo foi coberto pelo mar como se não fosse nada, aquela sensação estranha e nostálgica aumentava gradativamente em meu peito, eu deveria ver o que atingira o mar, talvez lá estivesse a razão desse medo... Uma voz próximo a meu ouvido me cortou os pensamentos. Não sabia que Haziel o escarlate estava se apegando a uma pequena cabana... eu conhecia aquela voz que estava sussurrando, tanto como aquele sotaque me perdoe se destruí sua pequena ilha e metade desse continente. me virei e entendi o porque daquele medo, eu sabia que um dia voltaria a ver essas asas negras e imponentes... Loviah o querubim da noite. Eu não me importo muito com esse mundo, mas é o que tenho. O que traria Loviah a este humilde plano? nossos olhos se perfuravam em meio aquele caos e meu corpo já estava tremendo com sua presença tremenda. Haziel, Haziel... A quanto tempo este mundo não via essas asas ardentes? E logo acompanhada da minha grandeza... Já seria o suficiente para este mundo antes de ser destruído não acha? ele me olhou como se esperasse mesmo uma resposta, realmente se começarmos uma batalha entre querubins aqui esse mundo seria completamente destruído. Não estou surpreso que depois de séculos você tenha tido a preocupação de me procurar Loviah, você sabe que não pode me destruir, temos a mesma essência, somos uma mesma criação, então o que você vai fazer pra satisfazer seu ego? HAZIEL SEU TOLO!!! HA HA HA!! Você esteve muito tempo afastado das hostes celestes, esta fraco, mal consegue se manter flutuando ao meu lado, você fugiu como um covarde e agora chegou a hora de te destruir... HA HA HA. — ele apontou o dedo para mim e continuou rindo. Acho que você enlouqueceu com o tempo, se você acha que eu vou ficar parado apenas assistindo sua loucura você esta enganado... coloquei as mãos para os céus e materializei minha espada, sua gargalhada se conteve. Olha que bonitinho as asinhas dele brilhantes como um rubi e sua espada ardente como o fogo ... Suas lendas não são tão ruins assim sabia? Uma pena que nada disso vai adiantar. Loviah colocou as mãos sobre o peito fechou os olhos e sussurrou algumas breves palavras que me pareciam familiares. Agora não á mais volta para nós... Liberado esta este selo!!Os céus se abriram o ar ficou denso e quando dei por mim estava dentro do olho de um furacão, não conseguia me mover, em fim me lembrei daquelas palavras antigas, ele estava destruindo aquela dimensão junto com tudo que estava nele para selar nossas essências. O poder mutuo de dois querubins, talvez aquela cena seja a ultima na minha existência, dois seres alados flutuando com suas asas imponentes sobre o céu. Talvez você tenha razão, nos selar ao universo seria realmente a melhor maneira de terminar isso tudo. Universo? Chegou a hora de acertarmos as coisas Haziel, mas se você acha que esse será o fim, você esta enganado suas asas negras começaram a desaparecer junto com a aura negra que a cobria. Esse mundo será sucumbido por nossas forças e nós seremos selados mas não ao universo, eu fiz aquelas mudança nesse selo, lembra? Como? Você teria que ter a aura de um Serafim para fazer isso.. não me diga que... Acho que você entendeu agora para onde estamos indo. Você deve ter enlouquecido para usar esse tipo de força... Agora tudo vai se colocar no seu lugar Haziel... Ate amanha e tenha bons sonhos. foram suas ultimas palavras antes de sua essência sumir por completo.
Podia ver o tempo e espaço se distorcendo ao meu redor, meu corpo já estava quase sendo consumido, aquele mundo não passaria de um passado inexistente, o selo não podia ser quebrado nem mesmo com todas as taças de poder, não a nada que eu possa fazer... É ate engraçado saber que seremos selados na terra, em fim ele conseguiu o que tanto almejava, talvez agora os três poderes poderão em fim guerrear.
Notas finais
Estarei colocando um capitulo por dia a partir de hoje. Obrigado por ler.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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