Horror Movie
1 Capítulo 1
Tamborilei os dedos no controle remoto, ansioso. Podia ouvir o barulho abafado do secador de cabelos no banheiro. Ruki estava lá dentro há pelo menos 40 minutos, e eu já havia ocupado meu tempo com qualquer tarefa doméstica que havia conseguido encontrar enquanto o esperava. Havia pegado meu baixo e tentado tocar alguma coisa, tentado criar alguma melodia nova que poderia resultar futuramente em uma música de sucesso.
Mas estava difícil me concentrar em algo que não fosse o pequeno que tomava banho em meu apartamento. Ruki e Kai haviam passado o dia todo ali, resolvendo alguns assuntos de última hora sobre a próxima etapa de nossa turnê pelo Japão. Tínhamos o final de semana de folga antes de viajarmos, e planejávamos passá-lo em alguma boate qualquer, mas os planos haviam mudado. Kai havia ido embora mais cedo, alegando que precisava resolver alguns problemas em relação ao contrato, e Ruki havia ficado mais um pouco, já que não tinha mais compromissos pelo resto do dia. Ruki parecia sempre gostar de ficar em meu apartamento, mesmo quando só ficávamos espalhados pelo chão da sala, conversando e não fazendo nada em especial. Eu sempre o atormentava, dizendo que ele tinha um apartamento belamente decorado, mas que preferia passar seu tempo em um lugar que não possuía o menor estilo (e muitas vezes, organização). “ Eu gosto daqui, só isso” – era sempre sua resposta, acompanhada por um dar de ombros. Nossos planos de sair foram cruelmente adiados por uma chuva torrencial que se abateu por toda a região, fazendo com que ficássemos ilhados em me prédio. Eu havia notado a tempestade se formando lá fora e sabia perfeitamente que Ruki não poderia sair caso chovesse como parecia, mas eu simplesmente não podia deixar de criar uma oportunidade para ficar a sós com o vocalista. Ouvi o barulho do secador de cabelos cessar de repente, e voltei meu rosto na direção em que Ruki entraria na sala. Poucos segundos depois ele apareceu, e eu não consegui evitar o sorriso em meu rosto. — As roupas ficaram um pouco grande – ele disse caminhando em direção ao sofá e estendendo os braços para a frente, me deixando ver as mangas do moletom escuro cobrindo suas mãos quase que totalmente, somente as pontas dos dedos pequenos à mostra. Pego desprevenido, emprestei uma muda de roupa para Ruki passar a noite, já que a chuva não parecia que ia ceder tão cedo. Ruki se acomodou ao meu lado no sofá, pegando de bom grado o cobertor que eu lhe ofereci, dividindo-o comigo. — Eu achei que você ficou ótimo com minha blusa, Ru-chan – comentei, tocando carinhosamente seu cabelo – parece ainda mais um menininho. — Baka – ele disse, sorrindo a contragosto, chegando mais perto de mim para pegar mais um pouco do cobertor, trazendo os pés cobertos com meias brancas até o sofá, abraçando os joelhos. Eu sabia que aquela proximidade não era normal entre dois homens que eram somente amigos, mas eu sempre parecia precisar desse contato, e ele também, o que me deixava imensamente feliz. Ruki e eu éramos muito amigos, mas já fazia algum tempo que meus sentimentos haviam começado a bagunçar minha vida. Eu demorei algum tempo para perceber que o que estava acontecendo comigo era ridiculamente simples: eu estava me apaixonando pelo pequeno. Cada dia mais, com cada toque carinhoso que ele me dispensava. E, para minha felicidade, seus toques eram freqüentes. Ruki já era normalmente carinhoso, comigo um pouco mais do que com os demais, mas nada que me fizesse pensar que seus sentimentos iam além daquela forte amizade que compartilhávamos. Sentia seu corpo quente ao lado do meu, o cabelo loiro ainda emanando calor devido ao tempo exposto ao secador. Mas o que mais me afetava era seu cheiro. Mesmo encoberto pelo cheio do sabonete e do xampu que eu usava, junto ainda com o amaciante que eu usava nas roupas, eu podia distinguir claramente seu cheiro. Aquele cheiro que me inebriava e no qual eu me pegava pensando quando estava longe dele. Seu rosto estava desprovido de qualquer maquiagem e o cabelo de qualquer estilo, mas eu não podia achá-lo mais lindo, ainda mais quando virou seus olhos inocentes em minha direção, indagadores. — O que a gente vai assistir, Aki? Peguei os DVDs novos que ainda não tínhamos visto e os entreguei para ele. Seus olhos percorreram rapidamente as capas e brilharam em contentamento quando encontrou a imagem de uma moça, obviamente morta, espiando por de dentro de uma caixa com as abas parcialmente abertas. — Esse – me entregou sorrindo. Tive que me conter para não mordê-lo. — Você vai ficar com medo, Taka. Tem certeza que quer ver esse? — Mas eu gosto de sentir medo! – protestou – Está uma tremenda tempestade lá fora, com raios e trovões. Está um clima perfeito pra ver filme de terror! — Certo, certo – eu disse me levantando e indo até a televisão para colocar o filme no aparelho. — Espera, vou fazer pipoca! – ele disse saltando do sofá e indo em direção à cozinha.Sorri para mim mesmo enquanto configurava a imagem do filme e o ouvia cantar algo na cozinha. Não reconheci a letra. Alguns minutos depois ele estava de volta, uma tigela enorme de pipoca em mãos. Apagou as luzes e se ajeitou novamente ao meu lado, ficando ainda mais junto de mim do que antes.
— O que você estava cantando, Ruki? — Uma música nova que estou fazendo – disse, displicentemente – coloca logo o filme, Aki – disse, naquele tom mimado que lhe era tão característico. Sorri e fiz o que me foi pedido. Eu não tinha certeza se os fãs tinham aquela imagem de pervertido que ele representava no palco, ou se tinham idéia da personalidade por trás daquela personagem.Ruki era uma pessoa muito carinhosa, ocasionalmente tímido e incrivelmente mimado. Todos na banda acabavam amolecendo diante de seus sorrisos e olhares inocentes, eu sendo o que mais me dobrava às suas vontades. Com sua baixa estatura que contribuía com seu jeito de criança, Ruki com certeza era uma das pessoas mais encantadoras que eu já havia conhecido. — Aki... – chamou minha atenção para a tigela com pipoca em seu colo, e eu peguei um pouco de seu conteúdo com um meio sorriso, que morreu assim que comecei a tossir por causa da quantidade absurda de sal que foi direto em minha garganta. Senti suas mãos pequenas batendo levemente em minhas costas e sua voz arrependida em meu ouvido — Nee...eu acho que exagerei um pouco no sal, desculpa... — Tudo bem, Ru – disse, com lágrimas nos olhos, tentando soar normalmente para que ele não se preocupasse – Vamos ver o filme? — Hai! – ele disse, voltando-se para a tela, prestando atenção no filme pela primeira vez. Eu sabia que não conseguiria me concentrar na história com ele tão próximo de mim. Um trovão soou lá fora e Ruki parecia absorto demais no filme para notar, levando mãos cheias de pipoca à boca, distraidamente. Eu o observava pelo canto do olho, estudando suas feições tão bonitas, me concentrando naqueles lábios tão perfeitos, que eu daria tudo para beijar. Após alguns minutos assistindo, Takanori se sobressaltou ao meu lado, assustado. Eu nem estava prestando atenção no filme para me assustar, e ri baixinho de sua reação. — Eu disse que você iria ficar com medo... – caçoei. — Eu não estou com medo. Eu me assustei um pouco, só isso – disse levemente emburrado. Pegamos os últimos pedacinhos de pipoca da tigela, e Ruki a colocou no chão, do lado do sofá. Assim que o fez, puxou o cobertor mais para cima, cobrindo-nos até os ombros e envolvendo nossos corpos num calor gostoso. Alguns minutos se passaram e meu coração disparou quando o senti apoiar a cabeça em meu ombro, me sobressaltando levemente. Ruki imediatamente se afastou. — Desculpa, Aki, eu achei que... – começou, me olhando envergonhado. — Eu que peço desculpas, Taka, eu acho que estou meio tenso por causa do filme. Volta aqui... – pedi, manhoso. Ele sorriu, deitando novamente a cabeça em meu ombro, mas dessa vez virou seu corpo na direção do meu, abraçando minha cintura. Meu corpo imediatamente se retesou, relaxando logo em seguida. — Posso ficar assim, Aki? – perguntou, olhando para mim. Eu fiquei em silêncio por alguns segundos, preso em seu olhar tão quente e intenso. — C-Claro, pequeno – eu disse, me permitindo passar o braço por cima de seu ombro, fazendo com que a parte superior de seu corpo ficasse colada ao meu. — Hum... eu gosto quando você me chama assim – disse, a voz baixa, parecendo muito satisfeito. Se já estava difícil me concentrar no filme antes, agora seria humanamente impossível. Seu corpo estava imensamente quente, e eu não conseguia não me encantar com o modo que seu corpo parecia moldar-se ao meu, como se ali tivesse sido sempre seu lugar. Respirei fundo, sentindo seu cheiro e me deixando envolver por ele e pelo peso gostoso que seu corpo fazia contra o meu, mal acreditando que o tinha ali, tão próximo de mim. — Você é confortável, Rei – ele disse, e eu podia notar o leve tom de divertimento em sua voz. Ri, sentindo mais ainda seu peso em mim. — Você também é bem macio – disse, apertando levemente sua cintura, tão ato me rendendo uma gargalhada gostosa do pequeno. Sorri, satisfeito. Seu riso sempre me fazia me sentir leve, e eu adorava ser o motivo de seus risos. Ficamos em silêncio por vários minutos, eu ainda impossibilitado de prestar atenção ao filme, me focando apenas no pequeno próximo a mim, apertando-o levemente contra mim a cada vez que ele se sobressaltava. — Você ta com medo, Reita? – perguntou, levantando sua cabeça e olhando para mim – Seu coração tá acelerado... – apoiou sua mão em meu peito, logo acima do meu coração. — Só um pouquinho – disse, culpado. Por sorte, ele pareceu interpretar minha culpa por sentir vergonha de ter medo de um filme, e não pelo fato de que eu não conseguia nem acalmar meus batimentos cardíacos quando ele estava perto de mim. — Quer acender a luz? – perguntou, se afastando de mim e se sentando normalmente no sofá. Tive que em conter para não pegá-lo pelo pulso e puxá-lo de volta. — Não precisa, pequeno. — Pausa o filme? Eu queria pegar um doce... – disse, quase culpado. Sorri para ele. — Tem chocolate no armário -disse, vendo seu rosto se iluminar com um sorriso quase infantil. Em um gesto que ao mesmo tempo me surpreendeu e me encantou, Ruki se aproximou e plantou um beijo rápidoe carinhoso em meu rosto. — Já volto – disse, e disparou até a cozinha. Eu fiquei na sala, sorrindo como um bobo enquanto o esperava. Não demorou nem um minuto e ele estava de volta, sentando-se novamente e cruzando as pernas, olhando avidamente a barra de chocolate ao leite em suas mãos. O observei quebrar cuidadosamente um pedaço do doce e o estender para mim. O aceitei, murmurando um “obrigado”, mordendo somente um pedacinho. Eu não era lá muito fã de doces, mas sempre os tinha em casa para quando Ruki me visitasse. Ao contrário de mim, Ruki devorou o doce em grandes mordidas. Ruki parecia bastante interessado no filme, os olhos fixos na tela. — Pega mais, Aki – disse quando o chocolate estava quase acabando. — Obrigado, Taka, mas eu não quero mais. Pode comer – após um pouco de insistência Ruki terminou o doce, e eu torci mentalmente para que ele se aconchegasse novamente em mim. O filme estava quase no fim, e eu queria aproveitar o pouco tempo que ainda tinha com ele para abraçá-lo de novo. Para minha decepção, Ruki continuou empertigado no sofá, e após uma pequena disputa mental, decidi que não iria mesmo perder as oportunidades que me eram oferecidas essa noite. — Vem cá... – disse, levantando o braço em um gesto para ele se aproximar novamente. Um sorriso tímido surgiu em seu rosto e ele pareceu muito feliz com o convite. Aquele sorriso e o modo como ele imediatamente se prontificou a se aconchegar a mim novamente foram a gota d´água para que eu finalmente fizesse o que tinha vontade há tempos. Ruki ofegou quando encostei nossos lábios em um gesto súbito. Ao contrário do que pensei, seus músculos não se retesaram e ele não se afastou. Seus braços imediatamente me circularam e seus lábios se moviam contra os meus de maneira deliciosa. Tive que refrear um gemido quando sua língua tocou meu lábio inferior, tentativamente. Mais do que prontamente deixei que nosso beijo se aprofundasse. Apertei o pequeno em meus braços, adorando o modo como beijo foi ficando cada vez mais sensual. Ruki poderia ter aquela personalidade tímida e mimada, e que muitas vezes o fazia parecer uma criança, mas definitivamente não havia nada de infantil no modo como ele me beijava, sua língua acariciando a minha de maneira ávida. Eu podia sentir o forte gosto de chocolate em sua boca, e nunca havia apreciado tanto o gosto do doce quanto agora. Meu corpo todo começou a esquentar, e interrompi o beijo antes que ficasse em uma situação embaraçosa. — Taka... – sussurrei, mantendo seu rosto próximo ao meu. Ruki passou a língua pelo lábio inferior em um gesto quase... sexual. Novamente tive que conter um gemido. — Finalmente... – ele disse, baixo o suficiente para que eu duvidasse do que ele tinha dito. — O que? – perguntei, confuso. Ele sorriu, travesso. — Achei que você não ia me beijar nunca! Tive que colocar um filme de terror e fingir que estava com medo só pra me aproximar de você. — Você... você planejou isso? – perguntei incrédulo e, ao mesmo tempo, divertido. — Você não tomava uma atitude... – disse, baixando os olhos, parecendo envergonhado – Me desculpa por isso... — Taka – eu disse puxando seu rosto para cima e o fazendo me olhar. Tomei novamente seus lábios em um beijo longo e carinhoso. – Eu adorei que você se atirou pra cima de mim – comentei, brincalhão, e ele riu gostosamente. Seu olhar lentamente mudou de divertido para quase predador, antes de me atacar em um beijo que me tirou o fôlego.
Só percebemos que o filme havia acabado depois de vários minutos de seu término, tão entretidos estávamos. Ofeguei baixinho quando Ruki saiu do meu lado e se acomodou em meu colo, ao mesmo tempo surpreso e muito satisfeito com sua atitude. Meu olhar estava fixo em seu rosto perfeito, e apertei levemente sua cintura quando Ruki mordiscou meus lábios de maneira tentadora.As segundas intenções estavam inegavelmente presentes em sua voz quando disse: — Nee, Rei-chan... vamos ver outro filme?
Notas finais
Muito obrigada por ter lido minha história! E agora...que tal deixar um review e fazer uma autora feliz, hein? XP
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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