Hormônios Femininos
1 Capítulo 01
Notas iniciais
Hormônios Femininos
Olhos claros, cabelos louros, marquinhas nas bochechas. Qualquer um diria que eu estaria ditando as características do meu pai, mas este de quem eu falo é meu irmão gêmeo; Boruto. Não sei como alguém tão graciosa como minha mãe (que por sinal eu sou muito parecida com ela, esteticamente) pôde se casar com alguém como papai, de quem Boruto herdou quase tudo dele na aparência. São coisas inexplicáveis que vão além do meu conhecimento, assim como essas coisas que andam acontecendo comigo, aqui dentro.
Sou tão nova para esse tipo de coisa que me pergunto se isso veio através de algum gene de minha mãe ou de meu pai (óbvio que veio da mamãe; papai as vezes é um tapado assim como Boruto), o que comprovaria que era genética ou algo do tipo. Uma vez escutei umas das histórias de onde meus pais se conheciam, e detestei saber que minha mãe escondia tudo o que sentia dentro do seu coração, como eu acho que estou fazendo a algum tempo.
É tão difícil e proibido pensar a respeito que acabo ficando vermelha, e diz o meu pai que quando eu estou desse jeito eu acabo parecendo muito com a minha mãe quando era mais nova. Como odeio quando meu pai fala isso na frente do Boruto, que faz questão de ver se minha temperatura tá normal! Sinto vergonha; sinto minha pele esquentar quando ele toca em meu rosto só para conferir essa maldita temperatura!
Eu já estava naquela de tentar esquecer o que meu coração fazia comigo quando meu irmão gêmeo estava por perto, o que estava quase se tornando um tabu em minha vida. Pois, mesmo que eu não quisesse ficar perto dele, eu teria que ficar perto dele. Éramos gêmeos, afinal. O que um sentia de diferente, o outro pressentia de volta. E no meu caso interno não era tão diferente, porque ele acabou notando que isso me deixava incomodada, e quando aparecia alguma brecha de estarmos sozinhos ele insistia muito para que eu contasse o que estava acontecendo. Era difícil mentir para meu irmão, descaradamente, mas eu não podia simplesmente abrir o jogo e falar esse tipo de coisa para uma criança, ainda mais para uma criança como o Boruto.
Só que aí aconteceu, aconteceu quando eu menos esperava, e de um jeito totalmente acidental. Poderia ter sido evitado, entretanto Boruto me tirava do sério, e suas insistências estavam me sufocando, ainda mais na frente dos nossos pais. Estávamos nos encarando há um bom tempo, tudo porque ele não quis acreditar que comigo estava tudo bem. Um fuzilava o outro com os olhos, como se só aquilo fizesse sentido na sala; vencer quem encarava mais. E então, mamãe acabou me empurrando sem querer, e num ato de desequilíbrio, fui parar nos braços dele, ou melhor, meus lábios foram parar nos lábios dele. Claro, minha reação foi tentar sair daquela cilada, mas Boruto segurou meus ombros e me levou ao chão, suavizando minha possível queda, ainda com os lábios nos meus e em cima de mim. Foi tudo rápido; papai começou a rir e mamãe ficou pasma. Quando saiu de cima de mim ele ficou nervoso, e eu ri tanto quanto papai da cara dele. Foi engraçado.
Acho que só bastou aquele episódio acontecer para que eu entendesse que eram apenas hormônios femininos fluindo pelo meu corpo. Ele era meu irmão, e gêmeo! Era totalmente inacreditável que eu estivesse apaixonada por ele, e que eu sofreria por isso pelo resto da minha vida, assim como mamãe passou a sofrer quando não conseguia dizer nada pro papai na época da academia ninja. Claro que não sofreria por ele (eu não era minha mãe, afinal), porque além de eu implicar muito com ele sobre aquela cena, eu acabei conhecendo o Inojin.
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