Horizontes Virtuais

2 Bem Vindo a Selva


O ruído de metal raspando em metal vindo do motor, apenas reforçava a ideia de que o mesmo estava quebrado, ou em seus últimos dias de utilização, os outros que estavam com ele no caminhão não pareciam se importar, estavam ocupados demais olhando seus PDAs ou olhando a paisagem formada por diversas árvores com folhas e flores de diversos tamanhos e cores. O caminhão balançava, tremia e vibrava a cada buraco ou irregularidade a qual passava.

James já se acostumara com os solavancos que as vezes sacudia todos dentro, nada demais, já havia passado por tanta coisa pior, segurou sua plaqueta de identificação, ou “dog tag” como eram popularmente chamadas, ficou observando o painel digital com seu nome, tipo sanguíneo, idade e esquadrão, atrás de sua plaqueta, havia um crachá verde que havia sido entregue assim que entrou no caminhão, porém não sabia oque aquilo significava e nem todos haviam recebido.

–Olha lá, Falcons- disse um soldado que estava na ponta do transporte, com as pernas para fora.

Falcons eram as novas aeronaves de ataque, eram caças a jato de propulsão de plasma, seu sistema de defesa possuíam núcleos de nova geração, que reduziram as chances de falha e panes no sistema que sua versão anterior, seu design lembravam pequenas naves espaciais, só que com asas, puxadas para trás e um pouco alongadas.

James colecionava réplicas em miniatura de aviões militares, tanto jatos antigos como os F22 e F35-B como os mais novos, os Vectors e as Crowns. Seu pai sempre trazia uma nova miniatura quando ele partia para alguma missão de longo prazo, até que, mais tarde, tal gosto se tornou um hobby, esperava seu pai da janela de seu quarto e colocava a nova aeronave em sua estante junto com ele enquanto riam e se abraçavam conversando.

–Soube que outro piloto desapareceu- o soldado que também estava na ponta do transporte disse com um tom de tristeza.

–Outro? Meu deus... É o quarto nesse mês, os superiores fizeram alguma coisa?- Disse outro mais afastado dos dois primeiros.

–Suspenderam as operações por algum tempo, mas parece que já voltaram com as missões dos aviadores.

–Mesmo que seja uma coisa triste, não podemos ficar com as operações paralisadas por muito tempo, esse programa já está gastando mais dinheiro que o necessário.

–Mas é algo bom, nós somos a última garantia de defesa das naves civis e comerciais, sem falar que encontramos diversos metais preciosos aqui só nos primeiros dois meses quando desembarcamos aqui pela primeira vez, oque estou dizendo é que, sem nós, não vai ter ninguém pra proteger do setor dez ao nosso treze, sem falar nos minérios que eu mencionei antes, também precisamos dele, então acho que o programa acaba ganhando mais dinheiro que gastamos.

–Nossa Castro, você gravou isso tudo do panfleto que deram para a gente no desembarque, ou ficou com medo de descobrirem que você é burro e mandarem você para casa?- Disse o soldado ao lado de James em um tom sarcasmo e todos explodiram em risadas.

–Vai à merda Almeida!- Disse irritado levantando a voz.

–Calados, nós chegamos- Disse o segundo soldado a porta.

O barulho que o motor fazia logo parou, assim como o caminhão, todos os soldados inclusive James ficaram de pé dentro da caçamba coberta, a pequena rampa na porta desceu e do início da caçamba subiu o sargento que havia posto todos dentro do caminhão

–Espero que a viagem tenha sido tranquila, senhores, esta é a base avançada Spear, é a segunda base construída em solo Kronospheriano, como podem ver é maior do que o posto avançado onde vocês aterrissaram há um mês, os alojamentos ficam na área norte, identificado pela área amarela, sigam as placas amarelas e chegará aos seus alojamentos, toda nova missão a qual foram requisitados irá aparecer em seus PDAs, assim que conferirem os detalhes da missão, prosseguir com maior rapidez possível para a central de logística, que é o prédio com a bandeira vermelha, sigam para ele e achem a sala onde a equipe recrutada está reunida, não se percam dentro do prédio, ele tem atualmente 150 salas de reunião distintas, 30 em cada andar, verifiquem três vezes o número e o andar, a área de esportes fica a leste da base junto da pista de corrida e treinamento, o depósito de armas fica no centro, por gentileza evitem perder seus rifles e pistolas, pode parecer palhaçada, mas acontece muito por aqui, então tenham cuidado, e nem quero pensar em disparo acidental vindo de alguém presente nesse caminhão, alguma dúvida?

–NÃO SENHOR!- Responderam todos em coro em voz alta.

–Muito bem, todos aqueles que possuem o crachá verde anexado junto a sua plaqueta, por favor, ir para o fundo e permanecer dentro do transporte, todos os que não possuírem quero em forma, correndo até a pista de treino, Bem vindos a Kronosphere, agora vamos, vamos, mecham se.

Todos saíram junto do sargento, sobrando apenas James e outros três soldados dentro do caminhão, James encostou o ombro na parede da caçamba no final dela e logo os outros três foram se aproximando.

–E então gente, oque acham que aconteceu?- Perguntou o primeiro.

–Provável que iremos pra outra instalação- Respondeu James com certa indiferença.

–Espero que não voltemos pra casa- Disse o mais próximo do início da caçamba.

–Do que está falando imbecil? Não iriam cometer um erro desses- Disse o primeiro.

–Não Sei... Só não quero arriscar, estudei anos a fio pra entrar pro programa.

–Relaxa, se não fossemos para estar aqui, não iríamos nem ter embarcado na gateway, ou ter entrado em criogenia- Respondeu James.

O som de passos em metal, logo na rampa surgiu um soldado com uma armadura azul e um capacete com um visor escuro que logo ficou transparente, era impossível não reparar em seus chifres e pelo seu tamanho só poderia ser um touro.

–Saudações soldados, sou o tenente Hank.

Todos dentro da caçamba bateram continência ficando em posição de sentido.

–Descansar

Colocaram então as patas pra trás, separando um pouco as pernas.

–Estou aqui para informar a nova situação de vocês, os que estão com o crachá verde serão mandados para a primeira missão em solo.

–Mas já? Achei que todas as missões seriam informadas pelo PDA- Disse o soldado mais próximo do tenente.

–E serão, porém, achamos que seria algo mais simples se destacássemos vocês do pelotão em que estavam.

–Qual a missão senhor? – Perguntou James.

–Chegarei lá, como vocês sabem, todos vocês ganham dinheiro conforme o número de missões que realiza, dependendo do tempo de duração e da dificuldade, podendo ser acrescentados em suas contas, dinheiro extra, dependendo da situação durante a missão, caso ela fique mais feia do que quando foram designados para, alguma dúvida?

–Não senhor!

–Ótimo. Vamos direto ao assunto então. Essa não é uma missão oficial, embora todos vocês irão receber um pagamento por ela, considerem mais como uma oportunidade de conseguirem alguma experiência. Semanas atrás, nossos radares começaram a apresentar algumas falhas, nada de preocupante até ontem, as vinte e duas horas do dia de ontem, nossos radares, com um conjunto de aparelhos de comunicação e alguns computadores pararam de funcionar, nossos geradores ativaram e nossas operações continuaram com certas cautelas, embora nossos geradores ainda estejam com noventa por cento de sua capacidade, não podemos apenas sobreviver à base de deles, a missão dos senhores é escoltar e proteger os cientistas enquanto eles fazem os reparos necessários na antena e nas baterias dos nossos radares, vocês são livres para recusarem a missão, alguém?

Todos permaneceram em silêncio com as patas pra trás.

–Muito bem, o equipamento necessário para vocês está debaixo dos bancos, preparem as armas agora.

O tenente saiu e levantou a rampa, logo todos tiraram de debaixo do banco uma caixa com todas as peças de um rifle e alguns cartuchos extras, que estavam em um compartimento a parte, montaram rapidamente o rifle como fizeram diversas e diversas vezes enquanto treinavam durante o período de recrutamento e colocaram os cartuchos em um compartimento do traje militar que usavam como uniforme.

A viagem foi rápida e com menos solavancos do que a primeira, assim que a rampa desceu de novo, saíram e juntaram-se a outras duas equipes em fila dupla, havia três soldados em cada fila e com a chegada deles iria totalizar doze soldados, ficaram ao lado da outra fila, fechando assim as duas equipes.

O tenente de antes apareceu na frente das filas com dez pessoas trajando jalecos brancos que eram como grandes trajes pressurizados de laboratório, capacetes de vidro amarelo que refletia tudo como um espelho e maletas.

–Atenção! Esses são os cientistas encarregados de concertar os nossos radares, cada equipe irá ficar com cinco cientistas e deverão então defendê-los, uma equipe irá seguir para o pátio norte concertar os capacitores das antenas, enquanto a outra equipe irá concertar as baterias do radar, cada equipe terá duas subequipes, estarei designando um chefe de equipe para ambas as equipes principais, podem ser identificados pelos capacetes vermelho, a equipe alfa irá cuidar dos capacitores enquanto a equipe bravo irá comigo concertar aquelas antenas, por favor, chefes de equipes, aproximem-se.

Dois cabos, com a mesma armadura que todos, ficaram mais próximos de onde o tenente falava, porém tinham capacetes vermelho.

–Irei comandar a operação do campo com vocês, todos liguem o rádio, equipe alfa acesse a frequência cinco ponto nove, equipe bravo acesse a frequência quatro ponto oito, todos vocês, não se preocupe, irei manter contato com vocês, chefes de equipe, alguma dúvida?

–NÃO SENHOR! – Todos responderam em coro.

–Ótimo, então vamos, nosso objetivo fica a dois quilômetros ao norte, vamos a pé, a selva é densa demais para nossos veículos atravessarem, quando chegarmos à metade as equipes vão se separar e começarão o plano.

O tenente começou a andar na dianteira e James ligou o rádio e confirmou sua comunicação no canal de sua equipe, todos começaram a seguir para o portão a qual estavam próximo. Todos os portões daquela grande fortaleza murada eram duplos, possuíam pesadas dobradiças e engrenagens, tinham uma espessura para impedir ataques de grandes armas, eram reforçados na parte interna e externa, quando abriam, grandes engrenagens dentro dele giravam, liberando as dobradiças e faziam o grande portão liberar a passagem, levavam cerca de quarenta segundos para completarem o ciclo, tanto de abertura quanto o de fechamento.

Assim que a passagem liberou as duas equipes seguiram para a floresta densa que ficava a poucos metros, ligaram as lanternas dos rifles e era possível ver vários feches de luz mexendo com os passos que davam, embora não estivesse escuro, era apenas uma manobra pra que pudessem saber onde todos estavam, os cientistas ficaram por último, James e seus dois companheiros de equipe ficaram responsável pela retaguarda da fila, assim como a segurança de cinco dos dez cientistas que foram designados, seus passos abriam caminho perante as folhas e grama alta, algumas cortadas e amassadas com a passada dos outros, que formavam o solo irregular e macio da floresta, varias das árvores a qual viram no caminho de ida para a base estavam presente naquele lugar, assim como alguns troncos caídos no chão, que tinham que passar por cima, o som de passos, galhos quebrando e alguns animais e insetos levavam a dianteira na formação do cenário natural onde James se encontrava, devido a, somente algumas florestas terem sobrado na terra e a falta de vegetação no solo lunar, James nunca havia visto uma com seus próprios olhos, quanto mais estar em uma, era algo belo e um tanto hipnotizante para ele, tanta vida, tanta paz, se ao menos Derick visse aquilo, pensou ele com certa tristeza.

–Equipe Bravo, assegurar perímetro às quatro horas, após esse tronco haverá uma clareira e então as instalações do radar vão estar perto- Disse o tenente no rádio.

A luz começou a ficar mais forte devido a floresta começar a ficar menos densa, pelo menos por uma parte, depois do dito tronco havia uma clareira grande em forma de um quadrado, daquele ponto era possível ver o início das instalações do radar e uma trilha que levava a um pequeno edifício, onde residia as baterias do radar.

–Certo; equipe alfa siga para o leste até as antenas e equipe bravo seguirá para o norte até as baterias do radar, vamos.

As equipes começaram a se dividir, as duas metades formadas seguiram seus objetivos, o ambiente estava silencioso, os pássaros que antes estavam por perto cessaram os sons que produziam apenas o som da grama sendo pisada podia ser ouvido, a luz coincidia com o visor de James, seu capacete fornecia a posição dos outros de sua equipe através do radar que ficava no canto direito superior, podiam ser identificados por esferas azuis que piscavam. A floresta voltava a fechar aos poucos conforme se aproximavam do edifício onde estavam as baterias.

Um soldado a frente de James levantou a pata em punho fechado em sinal para parar, James e os cientistas pararam, o soldado a sua frente se ajoelhou no chão e tirou um objeto metálico, James só pode o reflexo do sol que foi em seu visor.

–Oque achou soldado?- Disse o chefe da equipe

–Uma dog tag senhor, é um dos nossos, está ensanguentada, alguma coisa aconteceu aqui.

–Quem é o dono?

–Soldado Frank Gregory.

–Então foi isso oque aconteceu com ele, ele já está desaparecido a mais de duas semanas, deram falta dele no posto e muitos acharam que ele havia desertado e voltado para a terra ou para algum outro planeta em uma nave.

Outro soldado começou a falar no rádio dando um alerta, todos ouviram e levantaram seus rifles olhando ao redor, mirando nas árvores e para cima, James percebeu que seu radar estava estranho, os pontos azuis que piscavam as vezes não voltavam a aparecer, começou com um e logo se tornaram três, até que do rádio ouviu um grito e das árvores perto deles viu vários projéteis avançando, eram espetos de ossos de aproximadamente vinte e cinco centímetros cada, um pouco de sangue jorrou em seu capacete e o cientista que estava ao seu lado caiu no chão, os espetos o acertaram, dois em seu capacete quebrando o vidro e três em seu peito, logo outra rajada, desta vez atingiu um soldado a sua frente, em suas costas, três acertos e ele caiu no chão

–RECUAR!-gritou o chefe de equipe empurrando o soldado que estava ao seu lado e disparando contra as árvores, James olhou em volta, paras as árvores, mas não viu nada, levou os outros cientistas para trás, no rádio conseguia ouvir vários gritos e avisos de ataques, vindo de diferentes frequências, sabia que a outra equipe também havia sido atacada e estavam sofrendo baixas.

–Voltem para a clareira, precisamos de uma linha de fogo limpa, saiam das árvores agora!

James, junto com os outros cientistas chegaram primeiro na clareira que os outros e não pararam de correr até chegar ao meio dela, todos abaixaram e James mirou para as árvores de onde vieram e destravou o rifle, vários soldados começaram a emergir dentre elas, ouviu o som de tiros e gritos, viu alguns caindo enquanto corriam, com espinhos nas costas.

–Mas que merda é essa tenente?- disse um dos soldados.

–Jackals, entramos bem no meio de uma emboscada.

Os soldados começaram a formas um círculo de contenção deixando os cientistas no meio percebeu que dos dez, só estavam ali quatro.

–Mirem nas árvores, quero o perímetro seguro, não desperdicem munição.

O círculo de soldados virou suas armas para a floresta de onde vieram, o mesmo silêncio e tensão encheram o ambiente novamente, James controlou sua respiração atento ao ponto vermelho de sua mira e ao seu radar. Algumas folhas farfalhavam e desprendiam-se dos galhos, algumas moitas e plantas de médio porte começaram a mexer também, foi então que do meio de algumas moitas e arbustos surgiu o primeiro, era uma criatura que James nunca havia visto, apenas em projeções holográficas, mas aquilo era completamente diferente do que estava esperando, possuía dois tentáculos grandes que iam de suas costas até sua cauda, que era uma espécie de clava com vários espinhos, era todo preto sem pelos com o corpo longo e esguio, suas patas eram grandes e possuíam poderosas garras em forma de gancho, rosnava mostrando os grandes caninos e dentes afiados, em passos lentos começou a avançar, deveria estar a uns quinhentos metros do círculo.

–Disparar- O tenente gritou enquanto apertava o gatilho de sua arma

Todos começaram a disparar na direção do Jackal, alguns tiros acertaram o solo, o fez dar um pequeno salto para trás e moveu-se em ziguezague até que alguns disparos o acertaram, e ele caiu a uns trezentos metros, expelindo um líquido roxo viscoso que James deduziu ser o sangue.

–Cessar fogo- O tenente levantou a pata em punho fechado- recarregue e prepare-se para a próxima.

Todos fizeram como mandado e levaram cartuchos novos aos seus rifles, o próximo jackal teve uma estratégia diferente, ele aparecia e rapidamente voltava para a floresta, provocando todo o esquadrão, até que saltou definitivamente e em disparada correu em direção ao grupo, o mesmo comando foi dado e todos começaram a disparar, o jackal guinchou de dor quando os disparos o acertaram e antes de cair levantou sua cauda e a balançou em arco, imitando um chicote, lançando os espetos na direção deles, que acertou então, um soldado que estava perto de James, todos recarregaram novamente, os batimentos de James começaram a aumentar devido a adrenalina em seu sangue, conseguia ver as gotículas de suor nas extremidades do seu visor e o mesmo ficando embaçado com o aumento de sua respiração e logo depois ficando nítido de novo, a tecnologia no visor não o deixava ficar embaçado por muito tempo, quando ameaçava embaçar, logo o vidro ficava limpo novamente, porém, com sua respiração acelerada, não dava tempo para que ele limpasse por completo então ficava ainda embaçado por alguns segundos.

O rápido e suave som que se deu junto com um estalo sobressaiu em meio ao silêncio que se fez pela terceira vez, James viu o cientista atrás de você cair para frente no chão com um jackal em suas costas, ele o derrubou e ambos deslizaram para frente por causa da velocidade que o jackal o acertou, ele então rapidamente se recuperou e correu para a floresta novamente, o cientista ainda gritando com o susto e pedindo para que o tirassem de cima dele. James entendeu ali, aquilo não era simplesmente um comportamento hostil, era um complexo instinto de caça, onde eles não iriam apenas devorar suas vítimas, eles queriam também se divertir com sua comida, estavam apenas brincando com os soldados e quando fosse o ataque principal, seria imprevisível e letal, a análise de seu comportamento acabou o distraindo do fato de ele estar na mira dos jackals.

–Soldado, contate a base e peça o expedidor de vida selvagem, diga a eles que o tenente Hank está autorizando, imediatamente, vocês, cuidem de seus flancos, equipe o restante defendam a retaguarda, estamos em campo aberto, disparam a vontade.

James então virou-se para sua direita, ajoelhou-se no chão para ter mais estabilidade e ficou atento ao ponto vermelho de sua mira, viu movimento nas árvores e, sem pensar duas vezes, apertou o gatilho até o final, ouviu um guincho de dor e um som agudo, acertou outro deles, em seguida ouviu vários disparos.

– A base respondeu, quarenta segundos e estarão aqui senhor.

–Vocês ouviram, precisamos de quarenta segundos com esses bastardos.

A notícia encheu de motivação os soldados, um deles abriu uma bolsa com vários cartuchos novos e algumas caixas de munição para pistola. James pegou cinco novos cartuchos, jogando os usados fora, guardo-os em seu cinto e voltou a olhar seu flanco, novos disparos puderam ser ouvido junto com um grito de dor, dessa vez, vindo de um dos soldados.

Com a pequena brecha, outros jackals se aproximaram e puderam realizar novos ataques contra os soldados, um deles investiu contra James para morde-lo, levantou o antebraço e o parou com o protetor de pulso do traje, mesmo com a placa de metal do protetor de pulso, sentiu os dentes rasgando a armadura e perfurando sua pele. James levantou um pouco mais o braço deixando toda a barriga do jackal exposta, que não iria desistir até arrancar o braço de James, levou a pata esquerda rapidamente a sua coxa, puxando a faca tática de combate, levando-a ate a barriga do jackal a perfurando, puxou e o apunhalou de novo, o iackal fez um som agudo, como um grito, e perdeu as forças soltando a mordida, caindo ao chão.

–É assim que se faz garoto- disse alguém que havia presenciado a luta.

A dor começou a subir e o sangue a escorrer, embora sua armadura tenha parado boa parte do ataque, havia uma perfuração um tanto quanto profunda em seu pulso agora, imaginou oque poderia acontecer se não tivesse usando aquele traje.

Foi quando ouviu turbinas de um avião passar e no céu uma pequena aeronave apareceu liberando uma carga a uns quatrocentos metros de onde eles estavam e logo foi embora.

–Eles chegaram, Soldados James e Leroy, assegurem a carga e liberem o pacote, corram, saiam daqui agora.

James ficou de pé de novo e começou a correr em direção a caixa que havia caído, Leroy estava correndo ao seu lado, conseguiu ver alguns jackals vindo em direção a eles, mas o grupo atrás estava cobrindo os dois, os disparos fizeram um de seus inimigos cair e outro correr pra longe, Leroy parou de correr e começou a mirar através do seu rifle nos arredores.

–Libera a caixa, eu dou cobertura pra você, depressa!- disse Leroy enquanto disparava contra alvos encima das árvores.

James ajoelhou em frente à caixa deixando o rifle no chão, abriu um painel à força e apertou em um botão verde piscando, logo a caixa começou a abrir e a se fixar no chão, sua parte superior abriu também e dela começou a erguer-se uma antena e uma esfera brilhante na base, a caixa havia expandido para algo maior que era antes e a antena começou a fazer bipes, um som fino e agudo, tão baixo que James achou não ter sido real, emitiu da antena, todos os jackals começaram a recuar e a correrem para a floresta, entendeu que aquele dispositivo era um emissor de um som a uma frequência que não afetasse os outros como James, porém para os animais selvagens era algo insuportável.

O alívio pesou em todo seu corpo, ouviu comemorações e gritos de alegria dos soldados e cientistas. James caiu sentado com as costas na antena um pouco ofegante, fechou os olhos por alguns segundos e ao abrir de novo viu um jackal parado em sua frente rosnando para ele e se aproximando lentamente, os olhos verdes e a pupila em forma de fenda o olhavam com um desejo ávido de matá-lo, virou para o lado e tentou levantar para pegar seu rifle, mas o sangramento havia feito com que perdesse bastante sangue, estava fraco, o jackal avançou e pulou encima dele, a saliva pingou no visor de James enquanto ele tentava pensar em alguma opção, segurou em seu pescoço mantendo a boca o mais longe do capacete dele quanto possível, sentiu um golpe com a cauda sem os espetos em seu braço o tirando da garganta do jackal e os tentáculos de seus ombros prenderam-se nos seus dois pulsos, imobilizando-os, o jackal começou a apertá-lo com seu peso enquanto abriu a boca, sem opção, James fechou os olhos e começou a perder a consciência, ouviu disparos e o jackal começou a pesar menos, abriu novamente os olhos e viu Hank tirando-o de cima dele e com alguns tiros da pistola o matou, olhou para James e o ajudou a levantar.

–Bem vindo à selva garoto- O sorriso sarcástico e convencido junto à mistura de vultos e o céu azul e limpo foram as últimas coisas que viu antes de perder a consciência.

–Precisamos de um médico, ele perdeu muito sangue- disse o tenente enquanto tirava o traje de James para estancar o sangramento.