Horizonte

9 Hsabek.


– Angel... Mas se existem anjos e Lucifer e coisa e tal, existem demônios certo?

– Sim.

– Por que isso tudo? Por que envolveram você nisso.

– Bom... Dizem que nossos espíritos são muito bons e puros, que vieram para cá por que queriam ajudar – Ele parou um instante e fitou o céu – A briga celestial é extensa e existe a tempos, desde que Lucifer conseguiu corromper os humanos essa luta existe, muitas vezes os seus enviados são obrigados a vir, vendem seu corpo ou alma por alguma coisa em troca ou nascem cria de um demônio.

– Mas “Deus” não perdoa a todos?

– Isso já é um pouco mais complicado, só posso te dizer que quando a alma de alguém é tocada por Lucifer ela começa a se sujar, logo é necessário que a pessoa “queira” ser libertada.

– Entendo... Algo como um vicio?

– Sim.

Começamos a caminhar pela garagem, o vento desarrumava meu cabelo e eu andava desajeitada no cascalho.

– Eles também tem uma marca?

– Sim, sua coluna inteira é marcada, como símbolo de controle, e quanto mais corrompida estiver sua alma mais marcas pelo corpo aparecerão.

– Confesso que estava pensando em um rabo ou algo assim.

Ele riu.

Nós entramos no carro e ele me levou até em casa.

– Bom... Até amanhã – Eu disse.

– Obrigado por não pirar – Ele se esgueirou para perto e me beijou suavemente – Até amanhã.

Meus pais já tinham ido dormir, comi alguma coisa e subi as escadas silenciosamente. A noite estava clara, o vento estava frio e seco, típico de inverno.

O dia tinha sido tão agitado que eu dormi e em um estalo acordei, como se não tivesse dormido o suficiente e um caminhão tivesse me atropelado.

Minha mãe estava tomando café e gritava para meu pai acordar.

– Bom dia – Ela disse.

– Auw! – Não... isso não foi a minha resposta.

Havia cachorro Caramelo enorme na varanda, todo sujo.

– Olha! De onde você saiu fofinho – Dizia minha mãe.

Uma suposta veterinária de 14 anos de experiência e não tinha nenhum animal em casa, sua desculpa era de medo de sofrer pela perda do bicho, igualmente ao que aconteceu quando minha cachorra (Meg) morreu a 2 anos atrás.

– Hm... – Ele choramingava.

– Olha, você tem uma coleira de identificação – disse ela segurando um pequeno broche metálico preso a coleira dele – Rua das Oliveiras, 214, Casa da Família Angel Gen.

Fiquei pasma olhando para o cachorro.

– Vamos cuidar de você e levá-lo de volta okay?

– NÃO! – Rompi o momento feliz – Err... Eu sei onde fica, e... Eu levo ele.

Capaz de minha mãe e meu pai desconfiarem de alguma coisa, mas agora aquele segredo também era meu.

Meu pai descia as escadas esfregando os olhos.

– Sério, é a casa de uma amiga... Só preciso fazer uma ligação.

– Mas que Merd....? – disse meu pai ao encarar o cão babado.

Disquei o número do celular de Angel que logo atendeu.

– Oi Mel!

–Oi Angel, posso depois dar um pulo ai? Queria perguntar mais algumas coisas e aproveito e devolvo seu cachorro.

– Claro mel, eu já ia... cachorro?!

– Sim, seu cahorro, Hsabek.

– Hsabek?! Tudo bem... é tome cuidado com ele okay? Nos vemos depois.

– Tá... Tchau.

Hsabek me olhava fixamente com seus grandes olhos vermelhos.

Tomei banho, me troquei, engoli alguma coisa que estava em cima da mesa e amarrei uma corda no pescoço de Hsabek.

O dia estava bem frio, andamos cerca de meia hora até chegar a manção, sempre com Hsabek me olhando fixamente.

Angellus me esperava no portão.

–Por Deus! Entre e vista-se Kebash! Que idéia maluca foi essa? Argh! Demônio idiota!

– Kebash? – Olhei para o cachorro esbaforido abanando o rabo.

Ele se soltou da minha mão e saiu correndo para dentro da mansão.

– Ora! Eu disse para ele que você não contaria nada, mas ele com essa alma desconfiada não acreditou.

– Ele é um demônio?

– Sim, “redimido” – disse ele sem muita convicção.

– Ah! Esquece isso, não fiquei ofendida, precisava mesmo te ver.

Angel me fitou sério de novo porém preocupado e caminhou para dentro da mansão. Parei na porta.

– Humanos podem entrar aqui assim?

– Você sim – Disse ele sorrindo e corei levemente.

Entramos na casa e subimos um par de escadas até chegara um corredor que parecia mais um hotel, cheio de portas.

Angel abriu uma porta que dava para um pequeno quarto com banheiro, cama, uma estante de livros e um computador.

– Esse é o meu quarto.

Entrei um tanto cautelosa e ele revirou os olhos um tanto ofendido.

– Por que todos me olham assim?

–Assim como?

– Com um ar de desaprovação?

– Talvez inveja, não que isso seja correto, mas afinal eles também são humanos.

– Por que inveja?

– Por que eu pude contar a você devido a situação, eles não podem.

Sentei na cama impecavelmente arrumada e senti culpa por ter estragado sua perfeição.

– Angel... Cadê a família de todos esse celestes? – Ele fitou o teto e também se sentou.

–A maioria tem família, vem para cá como um colégio interno super disputados, ou uma irmandade para escolas do arredor – Ele me olhava agora – Outros a família abandonou quando descobriu seus poderes, e uma pequena parte é simplesmente órfão como eu.

Decidi definitivamente não peguntar mais nada depois daquela.

– Está tudo bem – Ele disse como se lendo meus pensamentos – Meus pais foram mortos por um estúpido demônio que seguindo meu cheiro pensou que meus pais fossem celestes.

– Sinto muito – disse muito arrependida.

– Tudo bem, já disse, aliás, eu continuo tendo noticias deles através de Hayn.

Ficamos abraçados por um tempo até que alguém irrompe na porta.

Era Kebash com o cabelo molhado e enrolado apenas com uma toalhinhas na cintura, seu abdômen era muito esculpido e sua pele bronzeada combinava com seu estilo.

Ele sorria maleficamente enquanto chacoalhava o cabelo com uma das mãos.

– Ah! Você não me deixa em paz! Já está me irritando demônio, vá se vestir!

– Qual é? Não tenho ciúmes não – Disse ele rindo e olhando para mim.

Angel pulou da cama e encostou uma mão no peito dele, Kebash em um estrondo luminoso ele estava do outro lado do corredor.

– Ei! Parem de brigar! – Alguém gritou.

– De novo esses dois?

– Acabou o show pessoal – disse Angellus –Vamos mel.

Ao sair do quarto reparei que a parede que estava imaculadamente branca agora tinha um borrão preto impresso do formato de uma pessoa, e o local estava com muito cheiro de enxofre.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.