Horizonte
7 A senhora Hayn.
Estava um dia quente e ensolarado. Angel e eu acabávamos de sair da escola.
Nós estávamos conversando no carro enquanto ele dirigia, e do nada surge uma senhora de muita idade, pálida e esquelética, atravessando a rua correndo.
– Ei! – gritavam alguns guardas – Segurem essa senhora!
Abri a porta do carro e interceptei a velhinha.
– Não, por favor – Disse a senhora.
Ela me olhava muito assustada e tremia terrivelmente.
– Calma... Vai ficar tudo bem! – Disse a ela.
Angellus encarava ela com uma expressão assustada.
– Você não entende – Ela respondeu e olhou para Angel – Você! Irmão do bem! Me ajude!
– O que está acontecendo? – Ele perguntou.
Nesse instante os guardas se aproximavam e uma estranha névoa começou a correr e o sol foi encoberto por nuvens. A senhora tremia cada vez mais e em um súbito movimento desmaiou.
– Obrigado por parar ela – Disse um guarda – agora precisamos levar ela de volta.
– Levá-la para onde? – Perguntei exaltada.
– Para o hospital – Respondeu ele – Ela estava tentando fugir.
Angellus encarava os guardas friamente.
– Não hoje.
Eu olhei para ele atônita. Aquele assunto não nos dizia respeito, a senhora realmente parecia que precisava se recuperar, o estranho é que eu nunca tinha reparado em nenhum hospital por aquela quadra.
– Ora seu moleque! Não se meta em assuntos dos Grandes!
Angel ergueu as mãos e começou a sussurrar alguma coisa quando um raio caiu do céu e se materializou em forma de uma espada. Ele empunhou a espada e proferiu um golpe no Abdômen do homem. Nesse exato momento o guarda gemeu e explodiu em fumaça negra com cheiro de enxofre.
O outro guarda que observava de longe correu alguns passos na direção oposta e explodiu também.
– Mas o que??! – Eu estava paralisada com a senhora desmaiada nos braços, seus cabelos longos e pratas se movimentavam com o vento que diminuía pouco a pouco.
Angellus soltou a espada que se desmaterializou imediatamente.
– Vamos – Disse ele – Eles vão voltar, tenho muita coisa para te explicar.
Entramos no carro e ele seguiu para um caminho oposto ao da minha casa. Eu não conseguia entender nada.
Chegamos a um casarão enorme, com pilastras gregas e brancas, janelas amplas e um portão dourado. Uma placa pregada no muro dizia: “Residência da Família Angeli Gen”.
O portão abriu e adentramos na mansão.
– Angellus, o que está acontecendo? – Disse uma mulher loira e alta que vinha ao nosso encontro – Nós dissemos que ainda não era hora.
– Houve um imprevisto – Ele olhou para a velhinha adormecida em seus braços.
– Você tem que tomar mais cuidado com as escolhas que faz, não é em tudo que devemos intervir.
– Ela é uma vidente, alias juramos proteger a todos que precisarem de nós.
– E quem é que vai nos proteger? – Disse ela enraivecida.
– Você não crê mais?
Ela suspirou
– Vamos logo com isso.
Eles começaram a andar em direção a um saguão maior, só que desta vez não os segui.
– Vamos Mel, você tem que confiar em mim – Disse Angellus me olhando preocupado.
– Alguém aqui pode me dizer o que está acontecendo.
– Eu te ajudo com isso – Disse uma voz atrás de mim.
– Não se meta nisso Kebash – Replicou Angel.
– Obrigada – Respondi e me virei para Kebash..
Era um homem alto e musculoso, loiro, cerca de 25 anos e de olhos... Vermelhos?!
– Pois não minha querida – Sorriu ele, senti minhas bochechas esquentarem.
– Melissa! – Gritou Angel – Não fique perto dele.
– Pare com isso, o que posso fazer de mal a ela? – Sorriu ele maleficamente.
Senti o puro medo correr pelas minhas veias.
– Venha querida – disse a mulher loira – Logo tudo vai ser explicado.
Suspirei e caminhei com eles até o outro cômodo seguida pelos olhares de Kebash.
Um longo arco de luz se formou e uma figura apareceu no centro dele, outras pessoas estavam na mesma sala e pareciam não estar incomodadas.
A figura parecia ser composta apenas de luz em um formato humano.
– Feche os olhos se ficar incomodada – disse Angellus.
E no instante que fechei consegui enxergar perfeitamente a mulher iluminada, vestia uma túnica azul e tinha cabelos dourados e extensos, como se nunca os tivesse cortado.
– Olá meus filhos.
– Olá senhora Hayn – todos disseram em coro.
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