Horda de magos ocultos
6 A amizade
Notas iniciais
Agora já faz vários meses que kirian vem estudando magia em segredo. Ele, sorrateiramente, rouba um livro e vai escondido para alguma parte da floresta ou quando é noite e estão todos dormindo, ele estuda no alto de uma torre. Já consegue manipular agua e ar. É capaz de tocar uma lucare sem tocar os lábios no bocal. – Espécie de flauta de madeira que se parece com uma concha. – Faz uma brisa em cômodos fechados, movimenta a agua de um balde e esta a ponto de poder congelar a agua também. Como se pode ver, nada muito incrível.
Mas isso é o que ele faz voluntariamente. Já há anos coisas estranhas acontecem com ele. O mais recente acontecimento foi numa noite meio fria, a janela estava aberta, uma corrente de ar entra e acaba fazendo-o espirrar, mas o que saiu não foi ar, mas sim fogo, uma enorme labareda saiu por sua boca. Já aconteceu de tropeçar em seu quarto e quando estava prestes a cair de cara no chão, caiu em suas almofadas que deveriam estar em cima da cama.
O acontecimento mais marcante e que começou boatos pela cidade inteira fui numa vez que ia para a floresta para estudar. Passava por caminho que levava a floresta quando um carrinho com feno escorrega das mãos de um camponês em cima de um morro. O carrinho ia em direção ao Kirian, que desatento não viu ele começar a descer. Os camponeses gritaram alertando-o, ele vira a cabeça e o carrinho já pegara velocidade, se o acertasse ali iria ficar seriamente machucado. Por instinto virou o rosto para o outro lado cobrindo com uma mão. Mas jogou a outra mão como se fosse parar o carrinho. Gritou por alguns segundos, esperando o choque que o levaria ao chão em uma dor tremenda, mas nada aconteceu. Olhou de volta para onde o carrinho deveria ter vindo e viu apenas os dois homens encarando-o como se fosse uma Phoenix azul fantasmagórica. Eles apontaram para o lado direito deles. Quando Kirian virou o rosto, viu algo que nunca iria imaginar ser possível. Uma rocha enorme acertou bem no meio do carrinho, que tinha uma roda a girar. Dias depois, boatos falavam que foi um meteoro, outros diziam que foi o garoto que usou magia, mas ninguém acreditava, ele era novo demais para saber esse tipo de magia.
O jeito misterioso de kirian incomodava seu quase irmão, Caligan. Que estava sempre se perguntando por que Kirian sumia de vez em quando. Certo dia resolveu segui-lo e ver o que ele fazia. Esperava pega-lo fazendo algo constrangedor como encontrando uma garota em segredo e assim espalhar isso para a cidade inteira. Viu o garoto saindo com um manto para fora dos portões e foi atrás dele. Kirian entrou numa plantação de milho, isso dificultou sua perseguição. Quando o perdia de vista, pulava e procurava por galhos que se mexiam, logo que encontrava continuava seguindo. Depois ele entrou na floresta, fora de qualquer caminho feito. Fui se escondendo atrás das arvores e andando lentamente, sem perder ele de vista.
Kirian para em frente a um lago raso coberto por folhas secas que caiam das arvores em volta. Poucos raios de sol chegavam até o chão. Ele abre um livro que escondia no peito, procura por alguma passagem e lê por alguns minutos. Caligan estava prestes a voltar, pensando que ele vinha apenas para ficar distante dos outros para ler quando ele se levanta e coloca o livro sobre a pedra que estava sentado. Ele se vira para o lago, chacoalha as mãos no ar e começa a pronunciar algumas palavras estranhas. O ritmo daquela melodia aumentava fazendo correntes de ar, o vento ia em direção a ele, que parecia controlar aquilo tudo. O vento ficava mais forte e forma algo parecido com um mini furacão sobre a superfície da agua. De repente ele para, olha novamente para o livro e começa tudo de novo. Voltando no mesmo estagio de antes ele faz o mini furacão tocar a agua, transformando-se num ciclone. Assustado, Caligan da um passo para traz e acaba quebrando um graveto no chão. Rapidamente todo aquele espetáculo volta ao normal. Kirian olha para traz e diz:
– Quem está ai?
Silencio. O coração de Caligan batia muito rápido. Ficou parado por alguns segundos, esperando não ser visto.
– Caligan, é você que estava me seguindo então?
– Droga. – Pensou. Já que tinha sido descoberto saiu de traz da arvore. (idiota, podia ser um blefe)
– Como sabia que eu te seguia?
– Eu sabia que alguém estava me seguindo quando no milharal esse alguém ficava pulando atrás de mim, mas só fui saber que era você agora que vi seu braço atrás da arvore. – disse de modo debochado.
– Pare de se gabar. O que era isso tudo que estava fazendo?
– Agora que já me viu não tenho mais o que esconder. Estava praticando.
– Magia? – completou Caligan.
– Sim. Faz alguns meses que venho treinar na floresta sem que ninguém me veja. Pelo menos foi você a primeira pessoa que me viu. E é por isso que não irá falar para ninguém o que acabou de ver.
– O papai sabe disso?
– Não. Ele me aconselhou a não aprender isso, ainda. Mas quando achei esses livros não pude esperar para saber o que tinha neles.
– Esta dizendo que esses livros são do castelo?
– Isso mesmo. Achei-os numa sala meio escondida. Peguei os livros sem pedir, mas com total intenção de devolvê-los depois de ler.
Os dois ficaram quietos por uns segundos. De repente Caligan fala de maneira empolgada.
– QUE LEGAL! – Essa mudança de tom intrigou Kirian.
– Como assim? Não esta assustado por eu saber um pouco de magia? Não pretende me dedurar para o conde? O que esta acontecendo com você?
– Amigo. – essa foi uma das poucas vezes que Caligan chamou kirian de amigo. – Eu não acredito que esta estudando magia e não me contou. Eu sei de que sala esta falando, eu já tentei ler essas coisas ai também. Mas o papai não deixou, não sei por que.
– Foi a mesma coisa comigo. Ele pareceu triste com alguma coisa e não me deixou estudar.
– Você vem aqui só para treinar ou faz alguma outra coisa também?
– Isso depende do que eu vou fazer. Às vezes eu treino algumas poções, então procuro por animais, plantas e às vezes insetos.
– Teria como me ensinar alguma coisa?
– Não posso, já é difícil para eu mesmo aprender, ensinar eu não consigo.
– Tudo bem. Eu estou muito empolgado.
– Eu quero um dia poder lutar numa grande batalha e me tornar um herói. Daqueles que contam historias nos livros.
– Eu também. Poder derrotar os vilões com nossa força. Seria muito emocionante.
– Mas olha, está ficando tarde e é quase a hora de jantar. Eu não queria fazer muita coisa hoje, era apenas isso e voltar de qualquer jeito.
No caminho de volta Caligan estava como outra pessoa, fazia varias perguntas, estava muito mais do que na cara que ele se interessou por isso. E sem querer falou algo que iria selar a união do futuro dos dois garotos para sempre:
– Quando eu e você ficarmos maiores e mais fortes, vamos ser uma equipe, seremos aliados, companheiros de guerra, O guerreiro e o mago. É uma promessa!
Nesse momento Caligan já não se importava mais se Kirian era um irmão verdadeiro ou não, ele apenas via duas pessoas que poderiam se tornar muito fortes no futuro. Kirian pensou um pouco, fingindo que analisava bem a proposta.
– Mas é claro. – e soltou um sorriso para Caligan. – Eu serei o mago e você será o guerreiro mais forte do reino.
– já sei. Temos que ter nosso próprio cumprimento. Que tal isso.
Pegou a mão do amigo e apertou o punho, seguido por Kirian, depois viraram as mãos para cima entrelaçando-as.
– Esse será nosso cumprimento secreto. – Disse Caligan.
Os dois garotos deram um sorriso e seguiram em direção ao castelo.
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