Hora extra
1 Hora extra
Eu fazia turno extra aquele dia, ele me chamou, aquele bastardo, quando eu passava batom, preparava-me para mais um cliente que como os outros devia cheirar mofo e aspirar cigarro com um pingo de cerveja.
Nunca me imaginei tão sórdida, sabia que estaria sujeito a homens agressivos, eu só queria o meu dinheiro, não imaginava sair daquela espelunca de bar cambaleando com as pernas levemente abertas, ainda me lembro de olhar para atrás e ver gotas de sangue roxeadas deixar um rastro de violência naquela calçada de puro cal.
Com o cabelo bagunçado após um furacão, com a roupa rasgada em partes ... Eu tenho nojo de mim, por que eu fiz isso? Eu podia trabalhar como vendedora, ou seja lá o que for, então eu venho entrar num salão com uma roupa provocante me achando incrível como nos tempos de colegial e orgias programadas com garotos populares.
“A nossa estrela faltou hoje, ligou dizendo que não passava bons bocados, você vai fazer a parte dela hoje, é só cantar.”. Foi o que ele me disse, de primeira estância questionei.
“Sem perguntas, entra lá e improvisa, qualquer música, se for preciso pode se exibir, só deixe os clientes satisfeitos e ponha o vestido de bolinhas que está atrás de você, vai lá.”
Eu, uma idiota, uma burra, fui com uma confiança exacerbada para o momento inconveniente, assustei-me com a presença rústica de homens peludos e gordos, comecei a cantar e logo começaram os gritos rudes: “gostosa”, “vem para o pai, vem, vem!”
Só vi a situação que eu estava quando me vi cercada de homens, no chão, quando eles começaram a rasgar as minhas roupas, o resto você deduz, não gosto de lembrar, sinto nojo de mim mesma.
FIM
1/12/2013
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