Hora de Recomeçar
6 Lembranças II
Notas iniciais
Lembranças II
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Aquela semana não estava sendo fácil... Pensava em Mu o tempo todo, era muito pior do que imaginava... Já ia para duas semanas e a dor só parecia piorar... Olhou em volta e novamente pensou que havia retrocedido uns 15 anos na sua vida... De volta em uma pensão velha e detonada do centro da cidade... O cheiro de mofo e pó constantes perturbavam suas narinas e a pintura e móveis velhos davam um tom ainda mais mórbido. Sentia num filme nacional alternativo, com aquelas personagens esquisitos e problemáticos. Nem mesmo acreditava que poderia ter descido tanto de novo. A vida não saíra como havia programado. Estava difícil conformar-se a isso. Era o retrato de todo seu fracasso.
Sentado embaixo da janela aberta, sentia a solidão das noites de maneira arrebatadora. Bebia seu whisky cowboy enquanto relembrava tantos momentos que dividira com o outro... Como a primeira vez... Em um lugar com esse... Uma pensão velha e fedorenta...
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Já estavam juntos a algumas semanas. Se beijavam às escondidas, nas escadas de emergência da faculdade, atrás das árvores no Parque do Ibirapuera. Após muita insistência de Mu, levou-o até seu quarto, na velha pensão.
Não podia dizer que não estranhava ver aquele Shaka tão asseado e elegante vivendo em um muquifo daqueles... Pelo menos o quarto era limpo e organizado. Sentou-se na beirada da cama.
— Legal aqui Sha! – Tentava descontrair, pois percebeu o constrangimento do outro com relação à sua moradia.
— Mu, não é legal, é horrível! Pode ser sincero... Não parece lugar de gente decente... – As palavras saíam doídas, humilhadas.
— Shaka, eu pensei que você morava com sua família... – Estendeu a mão, chamando o outro para sentar-se consigo, sendo atendido prontamente.
— Eu não tenho ninguém, sou sozinho nesse mundo...
— Como assim, e sua família? Seus pais?
— Não quero falar disso agora Mu... – Virou o rosto para não encará-lo.
— Mas Shaka, você não pode ser tão sozinho assim! Você fugiu de casa? – Tocou-lhe o queixo, forçando-o a lhe olhar para si. Seu coração estava cada vez mais entregue e precisava saber tudo do outro.
— Não, eles moram no exterior desde que eu tinha 16 anos, e pararam de me sustentar aos 18... Não tenho ninguém por mim Mu! Por isso moro aqui. Estou juntando dinheiro para financiar um apê, então me sacrifico ficando aqui por enquanto. – Tentava disfarçar a tristeza, mas ela mesmo assim transparecia em seus olhos tão azuis... Tão opacos...
— Shaka, você é especial. Deus te dará tudo o que a vida te privou... – Seus olhos se encheram de lágrimas, sentia-se extremamente afortunado por ter um lar. Muitos assim como Shaka não tinham. Abraçou-o fortemente... Começava a entender melhor a personalidade difícil e distante dele...
— Obrigado... – Retribuiu o abraço se agarrando fortemente a ele, buscava algo que nunca tivera... Carinho...
Num impulso beijou-o intensamente deixando todas as suas emoções aflorarem.. Mu era tão doce, que não resistiu à todo aquele aconchego que lhe proporcionava... Os toques era ternos e suaves. Seus dedos entrelaçavam-se nos cabelos volumosos e amendoados, enquanto sentia-o acariciar suas costas. Separou o ósculo e passou a beijar o pescoço... Tão alvo, tão cheiroso, tão macio, se perdia naquelas carícias... Ele estava tão delicado, tão meigo...
Empurrou-o devagar, deitando por cima, beijando intensamente aquela pele alva, mas sem marcar. Escutava-o gemer baixinho, acariciar seus longos cabelos loiros, beijar sua face, tão gostoso. Sentia seu corpo esquentar ao contato com a pele dele... Era quase magnético.
Tentou tirar a camiseta do ariano, mas estava tão atrapalhado que foi ajudado por ele. Estava nervoso. Nunca estivera tão íntimo de alguém. Era embaraçoso tocar outro corpo que não fosse o seu.
— Desculpe.
— Não se desculpe... – Suspirou quando o viu retirar a própria camisa e deitar sobre si. Sentir o corpo dele direto no seu... Pele com pele... Aquele virginiano realmente o excitava. O roce das ereções já despertas o fez movimentar-se sensualmente... Adorava aquilo. Mas estranhamente sentiu-o tirar o peso de cima de si.
— Mu, a gente tá quase... Você sabe... Eu não queria que fosse nesse lugar horrível... – Sentiu seu rosto tomado entra as mãos macias do outro, junto com olhos verdes brilhantes lhe fitando.
— O lugar não importa! O que importa é o que eu sinto Shaka! Eu quero ficar com você, aqui e agora. Quero fazer amor com você! – Abraçando-o, voltou a acaricia-lo, mas dessa vez mais sensualmente. O único que almejava era ser tomado por aquele ser incrível de olhos tão tragantes quanto o mar.
Sentiu-o tocar seu tórax com volúpia, estimulando seus mamilos enquanto distribuía leves mordidinhas por seu corpo... Era suave e sensual. O puxou pelo braço com certa força, beijando com desejo, enquanto suas mãos procuravam o fecho da calça de Shaka, abrindo-a. Virou-o na cama, subindo por cima, seduzindo-o com movimentos intensos sobre seu corpo. Descendo, tirou a calça que já havia aberto, observando-o só com a boxer preta.
— Você é tão lindo Sha! – Terminou de despi-lo deparando com sua ereção já desperta. – Tão grande... – Sussurrou sensualmente, no intuito de enlouquece-lo. Lambeu a extensão devagar, sedutor, arrancando gemidos do outro, que se contorcia de prazer.
Após várias lambidas sensuais sentiu-se sugado pelo outro... Deliciava-se... Era tão bom, ele fazia tão bem... Uma pontada de ciúmes despontou em seu peito, imaginando como ele havia aprendido... Mas não era hora de pensar... Aquela boca molhada, a língua dançante... Seu corpo nunca estivera tão quente e seus instintos nunca o dominaram tanto. Tinha pouco controle sobre e seus desejos que se multiplicavam a cada instante. Não iria resistir muito. Sem avisar puxou o ariano para cima, interrompendo o contato.
— Mu, eu quero você! Agora! – Sentira que estava perto de seu ápice e não queria que fosse daquela maneira. Inverteu novamente as posições e agarrou os cabelos amendoados com força enquanto abria a calça incômoda do corpo do outro. Seu cheiro adocicado lhe embriagava.
— Isso Sha, assim que eu quero! – Gostava de vê-lo verter desejo pelos olhos, lhe atacar como se fosse uma presa fácil. Amava essa sensação.
Retirou a calça juntamente com a roupa íntima de Mu, começando assim a tocá-lo intimamente. Percebeu que ele começou a gemer e se agarrar no travesseiro com as investidas de sua mão sobre o falo. Era excitante demais assistir àquela cena. Sua própria ereção chegava a doer de tanto desejo. Levou um dedo à boca e introduziu na entrada apertado do outro, sentindo o corpo resistir intensamente.
Nesse momento a razão já havia lhe abandonado por completo e seu ser era feito de apenas luxúria e desejo. Fechou os olhos e se imaginou ali dentro, tão quentinho, tão apertado. Suspirou profundamente e voltou a concentrar-se no que fazia. Quando o percebeu mais relaxado, acrescentou outro dedo à exploração, procurando aprofundar mais enquanto sentia-o contorcer-se.
— Ah, tão bom! – Tinha de admitir, o loiro era calado, mas era profissional no que fazia. Estava delirando de prazer, sentindo sua sensibilidade tocada algumas seguidas vezes. – Agora Shaka, eu quero agora! – Sua voz era sensual e autoritária, mostrando melhor sua personalidade.
Não atender aquele pedido de Mu era praticamente um sacrilégio... Retirou os dedos e subiu em cima de seu corpo tão alvo e macio. Posicionou-se na entrada, e beijou-o intensamente enquanto penetrava devagar. Teve de segurar-se pois sentia-o contrair-se de dor, apertando-se contra si. Acariciava suave seu rosto, enxugando as lágrimas.
— Desculpe...
— Já disse pra não se desculpar... Continua... – Um misto de dor e prazer invadia seu corpo...Estava tão excitado... Shaka era tão gostoso, doce... Diferente de tudo que havia vivido até então. Entregava-se por completa àquelas carícias, movimentando-se impulsivamente, num pedido mudo por mais.
Começou a movimentar-se devagar naquele corpo apertado lutando contra o próprio instinto que lhe devorava por dentro, estava extasiado com tamanho prazer... Percebia que ele recebia seus carinhos de bom grado e retribuía. Era bom daquele jeito, com ternura... Escutava-o gemer sensualmente em seu ouvido pedindo por mais, enquanto lhe arranhava de leve as costas. Passou a aumentar o ritmo das investidas, percebendo-o abrir mais as pernas para dar-lhe passagem.
Os movimentos eram ritmados e profundos, vez ou outra atingindo sua próstata. Via o loiro mirar-lhe com um olhar diferente, como nunca o havia visto... Luxurioso demais... Perfeito demais... Nunca ninguém lhe tratara tão respeitosa e atenciosamente como ele. Parecia mais preocupado com o prazer do outro que com o seu próprio. Mu o abraçava carinhosamente e beijava seu rosto, sentia-se tão bem...
Gradualmente elevava o ritmo, procurando dar-lhe o máximo de prazer possível. Por si mesmo já estava enlouquecido com tudo, aquele corpo delicioso, aquele cheiro magnífico, aquele rosto angelical corado de prazer... Via o outro se remexer abaixo de si e gemer despudoradamente. Agarrou seus cabelos, arremetendo-se o mais profundo possível. Poucas estocadas mais ouviu-o gritar intensamente, melando os abdomens que pressionavam a ereção do ariano. Sentiu o corpo contrair-se sobre si e dificultar a movimentação. Logo sentiu-se explodir, preenchendo-o com seu sêmen, num grito rouco.
Sua visão se turvou com a intensidade do prazer e desabou sobre o corpo do amante, com a respiração ofegante, acarinhando-lhe a cabeça.
— Foi maravilhoso! Você é incrível! – O beijou ternamente na bochecha, abrindo um bonito sorriso.
— Você, você que é incrível... Perfeito... Eu prometo, nunca mais vai se sentir só...
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Seu olhos secavam ao fitar o whisky no copo, aquelas lembranças eram dubiamente doces e amargas. Tinha medo de enlouquecer... Havia momentos em que parecia perder o controle de si mesmo assim como foi naquela lembrança que lhe invadiu a alma.
Seus sentimentos eram tão confusos e contraditórios assim como suas lembranças...
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— Shaka, eu não queria ter te magoado. Me perdoa! – Sua voz era fraca e chorosa, sentia certo desespero... Não sabia bem o que dizer. Observava o loiro apático, desligado desse mundo, sentado ao chão da sala de estar à frente de si.
— Mu, você... Você fez – Não conseguia pronunciar aquilo, sua garganta se fechava. — com ele, na nossa casa. Me traiu com ele. Na nossa casa Mu, na nossa casa... Eu... Não, não. – Diante dessa situação seus olhos secaram por completo. Sem emoções ou lágrimas... De alguma maneira ainda tentava digerir tudo aquilo.
— Foi um impulso, só isso. Eu tô arrependido, por favor me perdoa! – Suas lágrimas demonstravam seu estado de dor e desesperança. Completamente descabelado, trêmulo e desorientado. Tudo aquilo parecia apenas um pesadelo.
— Impulso... Mu, eu não sou bom o suficiente pra você? Eu não te satisfaço? – Talvez o que melhor o descrevesse aparentemente nesse momento fosse Estado de Choque. Mas a verdade é que sentia lúcido e estável como nunca antes.
— Você é perfeito, maravilhoso! Só pude perceber o quanto você é incrível depois de estar com alguém que não chega a seus pés... – Engatinhou até à frente do virginiano, o encarando. Podia ver a dor encrustada naqueles olhos agora tão escurecidos, tão opacos.
— Eu não entendo Mu, eu não entendo... – retribuiu àquele olhar verde, demonstrando toda indignação que sentia, toda decepção.
— Sha, ele perdoou o Milo! Me perdoa também! Não vamos jogar esses cinco anos fora amor! Podemos superar isso! – Queria poder voltar no tempo e desfazer toda a desgraça daquela noite, nada parecia real...
— Ele perdoou... Mu, vocês não foram somente infiéis, vocês foram desleais... Destruíram as nossas vidas... Tudo isso Mu, você consegue ver tudo o que a falta de respeito de vocês fizeram em nossas vidas? – Levantou-se e caminhou até o quarto a passos leves, ritmados. Parou em frente a janela, apoiando a mão na beirada da mesma, fitando o vazio.
— Shaka, me perdoa pelo amor de Deus! Eu te amo e não quero te perder! – Abraçou-o por trás, apoiando a cabeça em suas costas e chorando copiosamente.
— Eu te perdoo Mu, simplesmente porque não posso ficar sem você! É tudo o que eu tenho na vida agora, pois você mesmo me tirou todo o restante essa noite...
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Aquilo ainda doía imensamente, como naquele dia a 10 anos atrás. Olhou o copo quase vazio em sua mão e com uma raiva súbita da vida, lançou-o contra a parede, escutando o barulho do vidro estilhaçado, assim como seu coração.
Tentava medir quantitativamente as alegrias e tristezas daquele relacionamento, para ver se todos aqueles anos tinham realmente valido a pena... Mas não conseguia fazê-lo. As lembranças eram relativas e não lhe davam nenhuma conclusão a não ser que a decisão de deixa-lo foi a mais difícil e dolorosa de sua vida.
Novamente sua racionalidade excessiva batia de frente com suas emoções...
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Tentava não demonstrar seu olhar cansado e abatido da noite mal dormida e ressaca de whisky. Mas àquela hora da tarde, já estava completamente esgotado. Bem, pelo menos acreditava que o último paciente não viria, já que não tinha marcado a próxima consulta. Pelo menos assim acreditava... Até escutar o ramal tocar e a secretária lhe avisar que ele havia chegado.
Era seu dever e tinha que enfrenta-lo, mas admitia que estava fragilizado demais para àquele paciente. Deixou-o entrar e acomodar-se no sofá frente à sua poltrona. Armou-se de toda defesa que possuía, assim como soldado pronto para mais uma batalha.
— Boa tarde Ikki, pensei que você não vinha!
— Boa tarde Shaka, e eu pensei que você não me atenderia, que já tinha colocado outro em meu lugar! – Sua serenidade era simplesmente aterradora.
— Esse é seu horário Ikki, e eu estarei aqui disponível enquanto você quiser. – Qualquer contato com aquele paciente, por mínimo que fosse, era extremamente desgastante.
— É realmente muito bom saber disso! Olha, eu queria te pedir desculpas pela semana passada, eu perdi um pouco o controle. Passei dos limites. Você não está com raiva de mim, está? – Sua postura altiva e desafiadora era a mesma de sempre e não conseguia se equilibrar com as palavras pacificamente forçadas.
— Não estou com raiva de você! Sempre me diz que as pessoas não toleram seu jeito ríspido de trato. Você estava me testando, pra ver se eu poderia aguentar. Eu posso aguentar tudo o que você quiser me mostrar Ikki.
—Eu gostei disso Shaka, você diz poder aguentar tudo o que eu quiser te dar. Lindas palavras. – Havia alguma ironia do moreno, que o fitava desafiadoramente com seus grandes olhos escuros e apagados.
— Ikki, são mais que lindas palavras, é para isso que estou aqui. Para te aceitar sem reservas. – Apesar de toda agressividade, aqueles eram preciosos sinais que ele estava começando a aderir ao processo terapêutico de maneira efetiva.
Realmente o moreno estava mais aberto e falou um pouco mais do que costume sobre suas atividades diárias e também sobre sua relação com o irmão caçula, que havia se assumido homossexual e até lhe apresentado o suposto namorado. Parecia relativamente conformado com aquela situação, desde que o mesmo fosse feliz.
— Shaka, eu preciso te perguntar. Você está mais pálido e abatido que semana passada. Está tudo bem com você? Posso ajudar em algo?
— Não se preocupe Ikki, está tudo bem sim. – Sentia que ele entrara em território impróprio novamente.
— Sabe, eu fiquei pensando sobre semana passada. Imaginando se você estaria se divorciando, como havia sido... Eu não imagino alguém deixando uma pessoa tão especial quanto você. A atitude deve ter sido sua, deve ter saído de casa.
— E imaginar essas coisas sobre mim, te faz refletir algo sobre nossa relação terapêutica?
— Talvez, não sei... Deve ser só curiosidade. Bem, vejo que nosso tempo acabou. Bom, guarda meu horário, estarei aqui sexta que vem! — Sem mais dizer palavra, levantou-se e saiu da sala, dessa vez de maneira mais amena e educada.
— Boa semana Ikki.
Ficou sentado em sua poltrona, esgotado psicologicamente. Pensou em até mesmo tirar um rápido cochilo antes de ir à Universidade. Novamente aquele paciente ultrapassava barreiras aceitáveis e lhe chamava cada vez mais a atenção, era como se houvesse nele algo familiar... Cada vez que olhava para ele, sentia-se incomodamente próximo.
Relaxando o máximo que conseguia, sentia-se sonolento, entregando-se aos poucos ao descanso quando escutou seu telefone no bolso vibrar. Despertou assustado, verificando que tinha esquecido de desligar o celular antes de começar a atender. Isso não era usual. O estresse das últimas semanas atrapalhara alguns hábitos de sua singular rotina.
Sem olhar o visor, atendeu de maneira interrogativa. Escutou aquela voz que conhecia tão bem... Ele estava calmo, seguro do que dizia, mas o fez de uma só vez.
— Tudo bem Mu. Não, tá ótimo! Obrigado por guardar minhas coisas, você fez bem sim. Amanhã eu passo aí e pego. Ok. Boa Noite.
Aquele telefone simples e rápido, despertou-lhe sentimentos contraditórios... E de alguma maneira aquela familiaridade que sentia nos atendimentos de Ikki se mesclou em seus sentimentos... Talvez porque ele tivesse tocado no assunto da separação novamente e... Faziam exatas duas semanas que havia deixado a casa.
Admitia não conseguir lidar com tudo aquilo sozinho e em plena consciência fez algo que passou a semana inteira jurando a si mesmo que jamais repetiria. Tirou o telefone do bolso andando de um lado a outro da sala.
Sentia-se humilhado por aquilo, mas na verdade acreditava ter chegado ao ápice do fracasso, recorrer novamente a ele era só mais um.
— Kamus, sou eu de novo. Realmente desculpe o incômodo, mas aquele horário na segunda ainda está disponível?
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