Hora de Recomeçar

25 O Sentimento é Compaixão


Notas iniciais
Olá gente linda! Desculpem a demora, mas são tempos difíceis pra todes nós! Pra mim tem sido também! Espero que estejam todes bem e esse cap traz um sentimento novo... Espero que gostem! Mil Bjs ♥

O Sentimento é Compaixão

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Andava completamente atordoado, sem rumo, sem saber bem o que fazer da vida... Trabalhava no automático e havia dobrado seu consumo de cigarros...

Decidiu sair e caminhar novamente pela cidade elegante e acinzentada, assim como a própria alma. Por um momento, queria ter alguém para conversar, um amigo... Mas estava completamente sozinho... Assim como era antes de conhece-los... Sua vida havia voltado para a adolescência sem mesmo perceber...

Outra segunda-feira e esquecera completamente da supervisão, de Kamus... Tinha de ligar para dar uma satisfação. Decidiu ligar e dar uma justificativa, afinal desrespeitar o trabalho e esforço que vinha tendo consigo era injusto e ingrato.

Porém teve uma surpresa pouco agradável ao ouvir a voz do outro lado...

“- Alô, quem fala?”— Não se atentou em ver o número que havia ligado, afinal atendera tantas ligações de trabalho do Kamus, desmarcando consultas, palestras entre outros.

— A-Aqui é um paciente do Kamus e eu estou ligando para desmarcar a consulta de hoje. – Os ruídos da cidade eram intensos e davam um tom mais melancólico às suas palavras. Era embaraçoso, não sabia o que dizer, porém sua educação não permitiria desligar na cara do outro.

“- É você, Shaka! Não tem como não reconhecer sua voz! Olha, vou ser direto, o Kamus teve um acidente e tá internado há quase uma semana e não tem previsão de voltar a atender...”— Havia uma voz forte interrompendo seu discurso “frio e indiferente”.

— Milo, é o Shaka, me passa o telefone, me passa o telefone! – Agradeceu por sua boa audição, precisava falar com o loiro, mas Milo sempre o distraía quando tocava no assunto.

Podia ouvir a agitação por trás da ligação, mas sem conseguir distinguir o que se passava fazendo-o ficar mais ansioso. Aquilo era terrível e sentiu seu coração doer. – Ele está bem? Quer dizer, fora de perigo? – Sua voz enfraquecera e soara quase rouca ao ouvir a dura notícia.

“- Ele quer falar com você! Vou passar o telefone.”— Seu tom era duro, mas sabia que dentro de seu coração, não conseguia mais sentir rancor do loiro, apenas ciúmes...

“- Alô, Shaka? Como você está?”– Não deu tempo para que Milo pensasse muito ou que Shaka se pronunciasse.

— Eu estou bem, mas e você? O que aconteceu, como você está? – O coração parecia querer sair pela boca.

“- Tive uma batida leve e quebrei um braço, o esquerdo. Algumas escoriações também. Acabei transferido para um hospital do convênio e terei alta provavelmente na quarta-feira. Eu estou bem, não se preocupe. Quero saber de você, como está? Eu já soube de tudo, por motivos óbvios...”

— Eu estou bem, é muito triste isso, e não sei o que dizer. Eu sinto muito, muito mesmo pelo Shun e...

“- Não é sua culpa, lembre-se disso. Por favor Shaka...”

— Eu não vou fazer nenhuma besteira Kamus, nem para isso eu sirvo ultimamente. Concentre-se na sua melhora e...

“- Venha no hospital Shaka, eu preciso ver você!”

— Mas...

“- Por favor, venha..”.— Suspirou profundamente enquanto Milo o fuzilava com o olhar.

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— Senhor Shaka, tem uma correspondência que parece importante! – Disse Tânia com um tom preocupado na voz. – É do Conselho...

— Eu já imagino o que seja, provavelmente estão me chamando para prestar esclarecimentos pelo falecimento do Ikki. É normal em casos de suicídio de pacientes que passavam por processo psicoterápico. — Tinha o incrível dom de acalmar as pessoas à seu redor e tomar o peso da vida apenas em seus ombros.

Ao abrir a carta, percebeu que sua experiência acertara em cheio e que agora, além de tudo, corria o risco de perder também sua carreira, seu prestígio... Afinal, era o único que sobrara.

— Isso mesmo Tânia, amanhã pela tarde. Desmarca os dois últimos de amanhã e não se preocupe, vai ficar tudo bem. – Olhou com delicadeza para a assistente que parecia nervosa. Acenou com a cabeça e virou-se em direção à porta. – Agora vou à outra sessão de inquisição. São tempos difíceis. – Seu tom baixo fora quase inaudível, e com certo receio fez o que o ruivo lhe solicitou, sentia que de alguma forma devia isso a ele.

Dirigiu com cautela, conseguindo driblar o trânsito, pois tinha pouco tempo antes de ir para a faculdade.

Andou pelos corredores sombrios do hospital a passos lentos, até chegar a porta do quarto. Bateu com extrema suavidade.

— Pode entrar Shaka, venha. – Aquelas batidas discretas e formais, não havia dúvidas. Ficou feliz em receber sua visita.

— Boa tarde Kamus. Eu sinto muito, espero que esteja bem. – Ao entrar, percebeu que estavam a sós e sentiu-se aliviado.

— Eu estou bem, chegue mais perto, por favor, sente-se aqui, quero falar com você! – O francês parecia um tanto mais amoroso que o habitual, algo havia mudado em si com a iminência da morte.

— Eu... Eu não quero incomodar seu descanso... – Em relutância, mas atendeu o desejo dele, sentando-se à beirada da cama. – O que aconteceu, Kamus? Fiquei preocupado.

— Só um acidente sem importância. Eu quero saber como você está! Estive angustiado. Porque não me ligou?

— Recebi uma carta do Conselho hoje, querem esclarecimentos do caso clínico...

— Você sabe que não tem culpa e que fez o seu melhor, não sabe? – Buscava os foscos olhos azuis, que mantinham-se escondidos pela cabeça baixa.

— Não é tão simples assim... É uma cadeia de situações. Imagino a dor do irmão dele, o que eu fiz com essa família... – Sua mão tremia sobre a perna. Logo a mesma fora tomada pela direita saudável do ruivo.

— O Shun está bem, na minha casa. Ele é um bom garoto e vai se sair bem. Não se culpe por tudo, como você sempre faz. Você precisa ficar bem... – Conseguira um olhar recuado do outro, que parecia relaxar um pouco.

— Boa tarde amor! – Abriu a porta num rompante e cumprimentou o convalescente animado, antes de encontrar a visita. – Boa tarde Shaka.

— Boa tarde Milo. – Voltou a resguardar-se e tentou escapar da mão amiga, sem sucesso, tendo a sua ainda mais apertada. – Bem Kamus, fico satisfeito ao ver que você está bem, desejo melhoras, agora eu preciso ir pra Universidade.

— Está tudo bem, quando eu sair daqui, quero conversar com você! Ficar de frente com a morte me fez querer aparar várias arestas na minha vida.

— Tudo bem, quando quiser.

— Quero que você se cuide Shaka e se quiser que eu vá com você... – Estava perto de ter alta e talvez conseguisse ajuda-lo um pouco mais.

— Não. Eu preciso fazer isso sozinho. Vai ficar tudo bem, eu prometo. Agora você precisa se cuidar, tem muita gente que precisa de você. – Apontou com a cabeça para um Milo absorto em seu celular, sentado no sofá do sofisticado quarto. – Fique bem e melhoras. Levantou-se devagar, sentindo sua mão sendo solta e recebendo um leve sorriso.

— Agradeço a visita, vá com Deus!

— Obrigado por ter vindo Shaka! – Levantou-se e saudou a certa distância e com todo polimento, a visita que ia desajeitada e cabisbaixa. – Tenha bom retorno.

— Desculpe o incômodo e agradeço a gentileza. Obrigado. Boa noite. – Fitou-o com tranquilidade e suavidade, apesar de seu coração estar aos pulos.

Deixou o recinto um tanto anestesiado. Havia doído menos do que acreditara. Os passos ecoavam pelo corredor deixando um rastro de silêncio por onde passava, o que não deixou de inquietar o coração do acompanhante, que andava de um lado para o outro no quarto.

— Milo, vem cá. – Chamou com um tom de voz ameno, quase rouco e estendeu a mão sã num pedido de reciprocidade, que fora atendido com prontidão. – Obrigado. Você foi gentil e educado.

— Tudo bem amor, eu disse que iria mudar, me tornar um adulto. E esse foi o primeiro grande passo. Não vou mentir e dizer que o sangue não me ferveu e que não relembrei e pensei em milhares de coisas, mas fiz o que acreditei ser certo e... – Passou a mão pelos longos cabelos loiros e desabafou. – Ele parecia tão vulnerável e magro. Cheio de olheiras, pálido e... Eu não sei dizer... Não era pena... Mas ver alguém como ele era, desse jeito...

— Compaixão Milo, você sentiu compaixão pelo Shaka e isso é muito bonito. Ele não está bem, precisa de ajuda. No lugar dele, eu estaria igual. – Ouvir essas palavras fizeram um nó na garganta do loiro.

— Me desculpe por ter sido duro com você... E com ele. Agora eu posso te entender melhor e vou ficar do seu lado sempre ok! Eu te amo Kamus! – Apertava forte a mão do amado, tentando evitar que a maré dos seus olhos descesse para seu rosto.

— De tudo que eu fiz, você foi a melhor escolha! – Sorriu, de certa forma, aliviado.

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— Tio Dohko, estamos tão felizes que está aqui conosco! É muito bom ter pessoas sábias como o senhor em nosso humilde lar! – A jovem senhora retirava os pratos e limpava a mesa, após todos já terem feito suas refeições...

O pequeno Ryuho não parava de pular e brincar no colo do tio avô, demonstrando todo seu carinho.

— Agora que está aqui tio, acredito que vai ficar tudo bem! Foram momentos difíceis, o governo reivindicando a casa, afirmando que não haviam herdeiros legítimos do vovô.

— Eles não podem fazer mais nada e em pouco tempo a documentação será passada pro meu nome e em seguida para o nome de vocês, podem ficar tranquilos! – Sentia-se pesaroso, por ser o último elo deles com a família, mas ainda sim, sentia-se feliz por tê-los.

Shiryu havia casado com uma jovem muito bela e amorosa e isso era muito bom. Shunrei era disposta a cuidar de todos que estivessem ao seu redor e tinha lhe presentado com um “netinho” lindo e sapeca.

— Vai ficar conosco agora né tio? — Disse o rapaz em tom sério, porém amoroso. – Aqui o senhor vai ter boas oportunidades para exercer a medicina e é sempre bom estar com a família.

— Eu intenciono ficar, mas não quero atrapalhá-los e também me preocupo com o Mu.

— Por favor tio, nós desejamos muito que fique conosco e o senhor mesmo disse que ele estava bem, que o livro é um sucesso e que ele está ascendendo na carreira.

— Eu sei, eu sei. Me preocupa o caminho que ele está decidindo seguir...

— Mas o senhor não pode fazer nada com relação a isso. Só as lições da vida podem trazer a sabedoria. E agora sem ele...

— Você está certo! Não faz sentido ficar lá sozinho enquanto o Mu cuida da própria vida. Talvez aqui eu seja mais útil a vocês...

— Você sempre será útil tio Dohko e nós cuidaremos com muito amor de você, né Ryuho? – Disse a mulher, tomando a criança nos braços e abraçando-a com carinho. – Agora vamos tomar banho.

Sorriu ao ver cada um se entreter em suas ocupações e foi à janela da sala, por onde escorria uma chuva intensa, quase não se enxergando nada do lado de fora. – É Shion, você me faz muita falta e acho que um velho como eu já não é capaz de superar assim tão fácil... Olhe pelo nosso menino, pelo nosso Mu, ajude-o a seguir pela estrada correta, para que ele não sofra...

Notas finais
Gostaram da rápida aparição do nosso Dohkinho? Espero que tenham gostado! Fiquem todes bem e se cuidem!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.