Hope's End

4 Capítulo 3 - À luz das estrelas


Notas iniciais
https://www.youtube.com/watch?v=n0AY4ebPy4w

Delwyn avançou para o meio dos oito jogadores, para além de Oguak que empunhava um machado e de Gauthier que tinha equipado um lança e um escudo, haviam ainda mais seis jogadores, quatro deles com espadas de uma mão, um com um florete e o último com um martelo.

Os oito formaram um círculo para que este não pudesse escapar, a tensão entre eles aumenta, cada vez mais.

Delwyn mantém-se no meio deles, totalmente imóvel, mas algo não parece correto, ele está com um sorriso na cara. Oguak não gostou desta atitude e gritou:

— Está na hora de te tirar esse sorriso idiota da cara!

Sem perder tempo, ele começa a correr em direção a Delwyn, este continua sem se mexer, Oguak salta, levanta o seu enorme machado e desfere um golpe fortissímo em direção a Delwyn. Ao acertar levanta-se um enorme nuvem de poeira.

—NÃO! — Gritou James, tentando sair em socorro do irmão, mas Edil segura-o e impede-lhe a passagem.

—O Delwyn disse que esta luta não era tua. — Disse-lhe a namorada fitando-o nos olhos. — Não te preocupes, estamos dentro de uma cidade, é uma zona segura, ninguém pode morrer aqui dentro. Deixa-o lutar.

Di-to isto ouviu-se uma gargalhada vinda da zona do combate. Era Oguak, apenas era visível a sua silhueta, mas a poeira estava lentamente a dissipar, tornando a visibilidade cada vez melhor.

—Parece que afinal era só fogo de vista. — Exclamou Oguak ainda rindo. — Foste derrotado apenas com um golpe, parece que afinal não precisamos de Beta-Testers, são apenas uns gatinhos assustad....

Ainda Oguak não tinha acabado de falar quando a poeira dissipou totalmente, no lugar onde supostamente estava Delwyn agora estava apenas uma cratera causada pelo impacto.

—Não é possível! — Exclamou Oguak em espanto. -Ele não é capaz de se mover assim tão rápido, muito menos com uma arma grande e pesada como a dele! Não é possivel ele ter desviado o meu golpe, tinha quase a certeza que lhe tinha acertado! Onde está ele?

—Mesmo atrás de ti.

Ao dizer isto, Delwyn brandiu a sua espada e acertou um golpe em Oguak, um golpe tão poderoso, preciso e rápido que era impossível de ser bloqueado. Oguak foi projetado no ar por volta de 3 metros e ao cair apareceu uma mensagem que dizia:

"Jogador perdeu o duelo"

Todos ficaram boquiabertos. O que tinha acabado de acontecer? Instalou-se um silêncio de morte. Todos achavam ter visto Delwyn a ser atingido. O que tinha acabado de se passar?

—Eu bem me parecia que já o tinha visto antes. — Exclamou uma voz no meio da multidão.- É ele não é?

— É ele sim! — Exclamou outra. — É o Berserker Escarlate!

— O Berserker Escarlate?!? Impossível! — Retorquiu outra voz.

—É verdade, eu já o vi a lutar, tenho quase a certeza que é ele.

A multidão começou toda a murmurar, o silêncio desapareceu de um segundo para o outro.

— Berserker Escarlate? Quem é o Berserker Escarlate? — Perguntou James um pouco confuso.

—Não sabes?- Perguntou um jogador que se encontrava ali ao pé. — Apesar de só estarmos no jogo há pouco mais de um mês, já há alguns jogadores que se destacam é verdade, mas há outros que são quase como lendas. O Berserker Escarlate é um deles, muitos dizem que ele não é real, outros dizem que é apenas um mito, que é impossível tal jogador existir, que foi apenas uma história inventada com o intuito de incentivar os jogadores.

—E o que dizes tu?- Perguntou James.

—Eu? Eu digo-te o que vi, pois segundo dizem, ele limpa campos cheios de monstros em dois minutos, dizem até que metade dos monstros da masmorra foi morta ele. Não sei se nada disso é verdade, mas garanto-te que o que vi é. Eu e a minha equipa fomos emboscados por Lobisomens numa noite em que demoramos mais tempo a explorar, nós eramos apenas 5 e haviam pelo menos 10 deles. Num abrir e fechar de olhos, ele apareceu matou os lobisomens todos, e desapareceu tão rápido com tinha aparecido. Tudo o que fui capaz de ver foi um pequeno vislumbre do seu casaco vermelho. Dizem que simboliza o sangue dos inimigos que matou.

—Incrível — Disse James olhando com admiração para o irmão.

Entretanto, o resto dos combatentes olhava espantado para Delwyn. Ele voltou a sorrir e disse:

—Vamos ficar aqui em pé o dia todo, ou vamos lutar?.

Os sete lutadores que sobravam investiram contra ele, todos tentavam acerta-lo com os golpes mais fortes possíveis, mas ele esquivava-se de todos a uma velocidade impressionante. Foi então que, Delwyn saltou para longe, fechou os olhos, respirou fundo, e quando os voltou a abrir, lançou-se contra eles eliminado os sete com apenas um golpe.

Apareceu mais uma mensagem:

"Vencedor do Torneio: Delwyn"

A multidão ficou ao rubro, todos correram e rodearam Delwyn.

—Contigo do nosso lado vamos de certeza ser capazes de derrotar o Chefe do andar. É impossível perder. — Diziam todos.

Delwyn olhou para James que se encontrava do lado de fora da multidão. James ainda se encontrava meio perplexo com o que acabara de acontecer. Dalwyn lançou-lhe um sorriso, e James sorriu de volta.

Depois de toda a multidão dispersar, James foi ter com ele e disse:

—Não fazia a menor ideia que eras assim tão forte.

—Não é sou nada de especial.- Respondeu Dalwyn sorrindo.

—Tás a brincar certo?- Retorquiu James — O que tu fizeste foi incrivel.

—Obrigado maninho. — Disse Dalwyn num tom gozão piscando-lhe o olho.

Ao dizer isto a barriga dele roncou.

— Sabes que mais.... Esta luta deixou-me completamente esfomeado.

A barriga de James ronca também.

— É normal. — Respondeu James. — Eu fiquei com fome só de ver. — Ambos se riram — Anda, vamos andando, o nosso acampamento é aqui ao pé, não tinhamos dinheiro para ficar num hotel na cidade então decidimos acampar.

—Parece-me bem — Respondeu Dalwyn.

—Vamos andando, por esta altura a Edil já deve ter acabado de fazer o jantar. — Disse James. — Só de pensar já me vem água à boca.

Os dois começaram a andarem direção ao acampamento, que ficava situado numa pequena mata nos arredores da cidade. Ao chegarem ao portão da cidade, já o sol se estava a pôr, os dois irmãos deram de caras com quatro jogadores, três homens e uma mulher. Um deles chegou-se a frente, era um tipo não muito alto, com uma barba meia loira e era bastante encorpado, tinha uma armadura pesada e carregava uma lança. Ele tomou a palavra e disse:

—Tava a ver que nunca mais James, estamos a espera há horas.

—Desculpa Groliur, mas aqui o Dalwyn é famoso agora. — Disse James num tom trocista. — Pois é Dalwyn, ainda não te contei, eu e a Edil criámos uma guild, somos os Paladins of Dawn, temos 12 membros, no entanto só viemos 6 lutar contra o chefe, este que acabou de falar, como já deves ter percebido, é o Groliur. Ele é o irmão mais velho da Myhi e do Entur, e por ultimo temos o Azast, são estes os membros que vieram.

Myhi era ligeiramente mais baixa que Groliur, tinha um longo cabelo roxo, uma armadura leve e tinha equipado um florete. Ao contrário dos irmãos, Entur, o mais novo, era quase da altura de Dalwyn, tinha cabelo preto uma armadura pesada e carregava um machado. Por ultimo Azast, ele era um jovem alto, cabelo preto curto e pele meio bronzeada, carregava uma espada de uma mão e tinha um escudo preso as costas.

—Então este é que é o famoso Berserker Escarlate. — Disse Myhi — Prazer em conhecer-te.

—Prazer em conhecer-te — Disseram os outros em coro.

—Prazer em conhecer-vos também. — Respondeu Dalwyn. Depois virou-se para James e perguntou:

— Isso quer dizer que o último membro da equipa não é da vossa guild?

—É verdade. — Respondeu James — A Adhara é a irmã mais velha da melhor amiga do irmão da Edil, isto já para não dizer que ela e a Edil andam na mesma escola. Elas encontrara-se há bocado e a Edil convidou-a para se juntar a nós por este tempo, eu conhecia quando tu estavas armado em vedeta.- Disse James rindo-se. — Eles estão as duas no acampamento, vamos andando que já a vais conhecer.

Partiram então todos em direção ao acampamento, estava a anoitecer rapidamente e a visibilidade estava a ficar bastante reduzida. Eles andaram mais um pouco até que avistaram uma fogueira.

Ao se aproximarem, Dalwyn foi capaz de ver Edil e Adhara, ao olhar para ela, Dalwyn não queria acreditar.

—Tu?!? -Disse ele meio impressionado.

—Tu?!? — Disse Adhara confusa.

.Vocês conhecem-se? — Perguntou Edil.

— Mais ou menos, este idiota esbarrou contra mim e atirou-me ao chão há uns tempos na entrada de uma loja. — Respondeu Adhara.

—Foi sem querer, peço mais uma vez desculpa. — Respondeu Dalwyn sorrido.

Adhara olhou-o com desprezo e virou a cara.

Dalwyn lembrou-se desse dia, ela era a rapariga baixinha, de cabelo azul e com uns lindos olhos castanhos que ele derrubara, ao contrário de todos os outros, ela também não estava a usar armadura, continuava com um equipamento parecido aquele com que a tinha visto antes, botas castanhas, calças azuis, casaco preto de capuz e uma adaga presa ao cinto.

—Bem deixem-se lá de coisas, vamos mas é comer. — Disse Groliur.

Eles comeram e conversaram em volta do fogo durante horas, até que se foram todos deitar.

Já estavam todos a dormir quando, mas Dalwyn não conseguia, levantou-se, e foi dar uma volta.

Ao sair de dentro da mata, ele era finalmente capaz de ver o céu, estava um lindo céu estrelado que lhe acalmava a alma. Mais a frente, sentada numa pedra, estava Adhara a olhar para as estrelas, o brilho das estrelas transmitia-lhe uma beleza especial.

—Que bonita.- Pensou Dalwyn.

Ele aproximou-se dela e sentou-se.

—Também não consegues dormir? — Perguntou Dalwyn.

Adhara apercebeu-se da presença dele e perguntou com um ar meio de desprezo:

—O que é que queres?

—Fazer-te companhia. — Respondeu Dalwyn.

—Faz o que quiseres.- Retorquiu ela.

Dalwyn esperou um pouco e perguntou:

—Tu não gostas lá muito de mim pois não?

—Não é não gostar — Respondeu ela. — Eu estive a observar-te durante e depois da luta. Há algo que tu fazes que é diferente de todos os outros e me irrita profundamente.

—O que é? — Perguntou Dalwyn.

—Porque é que estás sempre a sorrir? — Perguntou Adhara. — Achas que tem piada estar aqui preso? Achas que é engraçado não poderes sair e teres de arriscar a tua vida? A vida não é um sorriso, ok? Simplesmente não é.

Dalwyn olhou para ela e disse:

—Não é por isso que eu sorrio, há uma razão para eu não parar de sorrir.

—Não quero saber. — Respondeu Adhara.

—Tudo bem — Disse Dalwyn — Era algo que provavelmente não se aplicaria ao teu caso de qualquer das formas. Mas vá pelo menos vamos trabalhar em equipa até ao final da luta com o Chefe pode ser? — Perguntou Dalwyn estendendo-lhe a mão e esboçando um sorriso.

Adhara revirou os olhos, mas segurou-lhe na mão e disse:

—Pode ser vá.

Dalwyn ajudou-a a levantar-se e voltaram juntos para o acampamento.

Na manhã seguinte os oito levantaram-se cedo, e partiram em direção à masmorra. Enquanto caminhavam Dalwyn pensava para consigo mesmo:

—É hoje que finalmente fazemos algum progresso, é hoje que derrotamos o primeiro chefe, não podemos perder...