Hopelessness
1 Prólogo
Notas iniciais
Edward respirava com dificuldade, quase sem sentir os próprios pulmões. Havia corrido mais quadras do que pudesse se lembrar e suas pernas já estavam começando a endurecer.
Sabia que não poderia pensar na hipótese de parar e descansar; sabia que eles estavam o perseguindo, preparados para qualquer tipo de violência.
Havia se esquecido do maldito dinheiro, havia se esquecido da maldita data.
Era um viciado em cocaína e havia se metido com a gangue de traficantes mais procurada de Nova Iorque. E agora estava pagando o preço sem ao menos ter um centavo.
Correu o mais rápido que conseguiu quando avistou um beco escuro no meio de dois prédios feitos de tijolos. Atirou-se por de trás de uma grande lixeira e tentou respirar — o que parecia uma missão impossível.
Não demorou muito para ouvir passos apressados se aproximando do beco. Passos de mais de seis pessoas. Passos que o faziam tremer.
– Você realmente acha que pode se enfiar dentro de um beco estúpido e sair sã e salvo? — perguntou um homem com uma voz grossa e ofegante, provavelmente tinha uns trinta e poucos anos.
– Você parece uma vadiazinha assustada. — debochou uma outra voz.
– Só lhe digo uma coisa, meu amigo: se você não tiver a porra do dinheiro, vivo você não sai. — disse uma voz em tom malicioso.
Edward, por sua vez, estremeceu. Olhou para o céu totalmente escuro e sem estrelas — deveriam ser três da manhã, presumiu — e se sentiu sem saída.
Era ou morrer ou morrer.
Os passos foram se aproximando do lugar onde estava escondido e tentou, inutilmente, procurar por uma saída.
– Cadê a porra do dinheiro, seu drogado de merda? — as vozes gritavam e penetravam sua cabeça como uma facada em suas costas.
Estava ficando zonzo, enjoado e sem forças. Sabia que não tinha o dinheiro necessário e isso iria custar a sua vida, mas estava muito desesperado para assimilar e, até mesmo, acreditar nisso.
Tentou pela segunda vez procurar por uma saída mas quando girou sua cabeça para o lado esquerdo, em vez de ver a rua por onde antes corria, viu um rosto.
Não conseguiu ver detalhes, não conseguiu ver cor do cabelo, não conseguiu ver as vestimentas. Viu apenas um sorriso malicioso nos lábios do tal homem.
– Achei você. — o sorriso apenas aumentou. Estremeceu novamente.
Edward sentiu um arrepio percorrer sua espinha: aquele homem era muito anormal para ser apenas um traficante.
Depois disso, tudo o que sentiu foi uma terrível pontada no peito e, então, a escuridão veio à tona.
–+-
Por um momento, tudo o que conseguiu sentir foi fortes dores e pontadas por todas as partes de seu corpo.
Tentou abrir seus olhos e tentou se mover pelo menos umas cinco vezes e, ao ver que isso seria uma tarefa muito complicada, tentou prestar atenção no que ouvia.
Apesar de estar um pouco inconsciente, soube que estava em um lugar totalmente quente e abafado.
Sentiu cordas entorno de seus tornozelos e pulsos. Estava amarrado.
Quando finalmente abriu seus olhos, desejou não ter feito isso.
Estava dentro de um porão totalmente feito de tijolos à vista e mal iluminado. A única coisa que o lugar obtinha era uma escada de madeira e ele, que estava deitado em uma mesa metálica com o corpo cheio de ferimentos.
– Já pensou em quanto somos inúteis, Edward? — perguntou a voz que vinha de algum lugar escuro. Edward tentou localizar a voz mas não precisou muito, logo, um homem com vestimentas totalmente pretas e com um capuz que cobria todo seu rosto, menos sua boca, apareceu em sua frente segurando um frasco de vidro com um líquido esverdeado e borbulhante dentro.
– Mas você, Edward, além de ser inútil é desprezível. — continuou o homem, que começou a fazer a volta entorno da mesa, aproximando-se dele. — Pegava o dinheiro que sua família lhe dava para pagar a universidade, você usava para comprar drogas. E ainda ficou devendo dinheiro para a gangue. — estava a alguns metros de Edward que tentou se mexer, criando um sorriso no rosto do homem. — Não tente se mover, meu caro. Só vai fazer com que as cordas se apertem ainda mais. — disse chegando ao lado de Edward. — Talvez a vida não seja para todos.
E quando disse isso, aplicou o liquido esverdeado no nariz de Edward e em toda a sua face. Ácido.
Edward tentou gritar mas estava sem voz, saindo apenas o som de um chiado. Começou a se debater na mesa, fazendo com que as cordas apertassem seus pulsos e tornozelos, os cortando. Sentiu cheiro de bife sendo fritado e constatou que era o cheiro da própria pele. Chorava, soluçava, tentava gritar, tentava se soltar, mas tudo apenas ficava pior e pior.
O homem apenas ria. A morte sempre fora um parque de diversões.
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