Hopeless Love
11 Essa e a Forma de Um Uchiha Pedir as Coisas.
Notas iniciais
Seu olhar prende o meu. É enervante. Quero desviar os olhos mais estou presa, enfeitiçada.
Balanço um pouco a cabeça, tentando clarear minhas idéias. Lágrimas espontâneas e inoportunas se acumulam em meus olhos.
Só quero ir embora. Nunca mais vê-lo. Essa proposta é ridícula.
Encaro o mesmo, um pouco atordoada, mas com muita raiva.
– Que tipo de merda você tem na cabeça ? Esta louco ? Mas que proposta mais... Idiota.
Ele permanece impassivo e neutro. Acho que já esperava uma recusa.
– Que mais vinho ? – Pergunta já se levantando e pegando a garrafa de vinho.
– Vinho ? Eu quero ir embora, caramba.
Ele pega mais uma taça e a enche de vinho, assim como enche a sua própria taça. Sasuke se volta para mim, com seus olhos negros ainda mais enigmáticos. Senta-se de novo no sofá ao meu lado, segurando sua taça na mão esquerda e a minha na direita.
– Eu fiz minha proposta, quero uma resposta.
O que ? Resposta ? Ele ainda não entendeu que a respostas é não ?
Olho-o furiosa. Essa sua pose neutra estava me tirando do serio. Ele estava agindo como se estivéssemos negociando algo que ele sabia que iria obter. Isso me enervava tanto que sinto minha pulsação aumentar.
– Mas é claro que não. Nunca vou concorda com algo assim. Um filho não é uma mercadoria que pode ser encomendada de uma hora para outra. Você está agindo como louco. E pior, agora eu estou me sentindo como uma prostituta. Muito obrigado, Uchiha.
Tento conter a todo custo minhas lágrimas.
Cretino. Miserável. Maldito. Ordinário.
– Eu vejo esse filho como um começo... Um novo início para meu clã. Um inicio para mim. Não se sinta como uma prostituta, afinal, se você fosse você não me contraria. Só aceitava e pronto.
Tenho vontade de pular em cima dele e desfigurar seu lindo rosto.
– Será que não vê... Sasuke, isso que você esta me propondo e de partir o coração. Você sabe o que sinto por você e mesmo assim continua a me ferir... Por quê ? É tão divertido assim me fazer chorar ? Dar-te tanto prazer assim pisar em meus sentimentos ?
Libero minhas lágrimas, que caem sem pudor.
Que se dane ! Ele sempre vai me ver chorar mesmo.
Ele me parecia atordoado e muito confuso. Como se não entendesse o que estou dizendo. Sua testa se franze e ele passa as pontas dos dedos pelo cabelo. Despenteando-o.
– Como assim ? Sakura, como assim eu estou pisando em seus sentimentos ? Não entendo.
Suspiro, limpando minhas lagrimas com a manga de meu vestido. Um ato não muito sexy, diga-se de passagem.
Pego a taça de vinho de sua mão direita e bebo todo o liquido da mesma com poucas goladas. Sasuke me olha de modo repreendedor. Seus olhos me fuzilam.
Tanto clarear minha mente, mas tanto o vinho quanto sua aproximação me impede de formular algo decente.
– Somos... Isso é muita loucura. Não quero mais falar sobre isso. Vou embora – Afirmo.
Levanto-me rapidamente, tudo gira um pouco. Ele me segura antes que eu caia, e me faz sentar de novo.
– Eu ainda não terminei. E creio que você não está em condições de ir para casa sozinha e ainda mais há essa hora.
Tento me afastar do mesmo, mas ele não deixa. Segura-me ainda mais forte contra seu corpo. Fecho meus olhos, esperando a tontura passar.
– Então... Me leve para casa. Por favor, Sasuke ! Você sabe que não vou aceitar – Afirmo, sentindo a tontura passar aos poucos.
Ele agarra com força meu pulso direito, com uma das mãos. Não dói, apenas incomoda um pouquinho.
– Não... Você ainda não comeu. E temos ainda muitas coisas para conversa.
– Não tenho fome e não quero conversa.
– Não seja indelicada. Vamos, você precisa comer.
Ele me puxa, com delicadeza, de encontro ao chão, onde coloca duas almofadas para que nos sentemos em cima delas. Eu estava bem melhor. Minha tontura havia passado.
Nunca mais bebo álcool na minha vida. Ainda mais na presença dele.
Olho para a comida, sem vontade de engoli — lá.
Tinha de tudo um pouco. Tudo ainda permanecia quente, deve ser por conta de que estava tudo embrulhado em um papel transparente que era especifico para deixar a comida aquecida. Não percebi antes, acho que porque eu estava mais focada no que ele ia dizer, não na comida.
Ajudo-o a retirar o plástico da comido. Tentando me focar em algo que me fizesse esquecer sua presença e sua proposta. Ele faz menção de servi à comida para mim, mas eu dispenso com um gesto rígido e exaltado.
Ele fica quieto, me vendo servi a comida – Macarrão, um pouco de salada e alguns pedaços de churrasco. Encho dois copos com suco de tomate.
Comemos em silencio. Nossas respirações eram o único som presente naquele cômodo.
Um filho... Uma criança e uma responsabilidade muito grande.
Espeto a carne do churrasco e a levo até minha boca. Mastigo com calma.
Se eu não lhe der esse filho ele vai continuar tentando descobrir meu segredo, e também, com certeza, ele vai procurar outra mulher.
Olho para o mesmo que me encarava. Beberico meu suco.
Não sei se vou suportar vê-lo com outra. Não... Ele mesmo sem querer já se infiltro em minha vida e em meu segredo.
Deixo os talheres caírem em meu prato. Ele me encara e repousa também seus talheres no prato.
– Algum problema, Sakura ?
– Eu tenho uma irmã – As palavras saem naturalmente, do nada.
Vejo o mesmo se sobressaltar. Eu mesma me sobressalto por ter-lhe contado isso, ainda mais de forma natural.
Ele se ajeita em cima da almofada, desconfortável e surpreso.
– Esse era seu segredo ? – Pergunta, com uma voz rouca.
Solto uma risada forçada.
– Quem me dera. Essa só é uma parte, uma não tão sombria assim.
Ele fica genuinamente curioso.
– O que aconteceu com ela ?
Não conte. Não conte. Não conte. Isso vai aguçar ainda mais a curiosidade dele. NÃO CONTE, grita meu inconsciente.
Cometo um dos piores erros de minha vida. Acabo revelando o que não devo.
– Meu pai a deu a um casal quando ela era bebe, para que cuidassem dela, já que ela era muito parecida com a minha tia.
Ele franze a testa, só ai percebo a burrada que fiz. Engulo em seco, completamente atordoada.
– Parecida com sua tia ? Essa sua tia e irmã da sua mãe ou do seu pai ?
Fico calada e me encolho em meu canto.
– Você não vai me contar mais nada, não é ? – Pergunta-me, com a voz rouca.
Afirmo com a cabeça. Ouso ele suspira.
– Tudo bem, então... Hum... Vamos terminar de comer ? – Ele parecia bem desconfortável com a situação.
Nego, um pouco cansada de tudo. Das perguntas, de tudo.
– Estou sem fome. Quero ir para casa. Estou cansada, de tudo.
Me levanto e sem querer acabo esbarrando com os joelhos no centro derramando a jarra de suco de tomate em minha roupa. Molhando de minha cintura para baixo.
– Droga ! – Xingo baixinho.
Sinto o liquido passa pelo tecido da roupa e gelar minha pele – Coxas, tornozelos e pés.
– Ta vendo, isso e o que da você ser apressada.
Olho feio para ele, que sorri de lado.
Tento limpar com um guardanapo, mas isso não funciona muito bem.
– Vou pegar uma toalha, fique ai.
– E para onde eu iria assim ? – Pergunto, petulante.
Ele alarga seu sorriso.
Fulmino-o com meus olhos, que sai em busca da toalha. Volto a me sentar no sofá, tentando limpar com o guardanapo a parte de baixo do meu vestido. Minhas coxas estavam completamente úmidas e geladas, o que faz com que eu me arrepie.
– Aqui – Diz, me entregando uma toalha branca.
Tento limpar, mas nada. Não sai nem nada.
– Você precisa trocar de roupa.
– Então tenho que ir para casa. Não trouxe roupa – Digo, usando um tom óbvio e zombador.
– Vamos, posso te empresta uma camisa minha e você pode se trocar no banheiro.
– O que ? Não, não mesmo. Preciso ir para casa.
Abandono a toalha em cima do sofá, sigo em direção a porta de saída. A mesma estava trancada.
– Sasuke, abra a porta e me de minhas chaves.
– Não. Eu falei serio quando disse que você seria minha por essa noite, então me siga até o banheiro, porque você não vai embora hoje. Talvez só amanhã. Ou depois. Vou pensar no seu caso, Haruno.
Ele me da as costas e segue por um corredor, de onde tinha vindo com a toalha.
Respiro fundo e sigo o mesmo.
Esse... Esse... Mas que filho da mãe. Nunca que... Mas que desgraçado. Idiota. Babaca.
Continuo a seguir o mesmo, me concentrado em xingá-lo. Ele abre uma porta e adentra aquele cômodo, era um quarto imenso, de casal. Era rústico e bonito ao mesmo tempo. Amei a lareira que tinha ao lado da cama de casal. A cama era imensa e coberta por lençóis de seda, pretos.
O piso era em madeira, bem polido, e as paredes em um tom creme. Tinham-se duas portas a mais no quarto, fora a de entrada.
– Ali e o banheiro – Sasuke aponta para uma porta próxima à lareira – Entre e tire o vestido, vou pegar uma camisa para você.
Ele adentra na outra porta, que vejo de relance que era um closet.
A contra gosto entro no banheiro fecho a porta, mas não de chave, e retiro o vestido. Pego-o e fico encarando a mancha que havia se formado nele. Era enorme.
Olho para os lados, o banheiro era muito bonito por sinal, tinha uma grande banheira nele, assim como também tinha um chuveiro.
Nossa, os Uchihas são... Eram bem de vida.
– Não sei se vai servi mais... – Ele para e me encara.
– SASUKE !! – Grito.
Coloco o vestido a frente de meus seios, para tenta impedi-lo de vê minhas roupas intimas. Ou minhas partes intimas.
Ele me encara, enquanto o fuzilo.
– Sasuke, saia. AGORA.
– Calma Sakura. Eu só vim trazer minha camisa. Não se estresse – Diz, colocando a camisa preta em cima do suporte para toalhas.
Fico extremamente vermelha de vergonha. Quero que um buraco apareça no chão, para que eu suma.
– Deixe ai e sai.
– Certo. A propósito... Adorei a lingerie. Muito sexy. Combina com a minha camisa.
Pego a primeira coisa que vejo e jogo nele, que foi uma saboneteira. Ele desvia e sai do banheiro, fechando a porta atrás de si. Mas antes posso notar que o mesmo sorria de lado.
Respiro fundo, mortificada de vergonha.
Não... Não acredito, ele me viu só de calcinha e sutiã.
Pego a camisa e coloco-a, ela fica extremamente curta. Muito mesmo. Coro ainda mais.
Droga !
Assim que saiu do banheiro, toda encolhida de vergonha, percebe que o mesmo havia acendido a lareira. E que bem enfrente a mesma estava ele, sentando. Encarava o fogo, compenetrado.
Pego-me admirando sua beleza estonteante.
– Sakura, por favor... Você é o tipo de mulher que toda sogra quer te como nora. Que todo marido que ter como mulher. Que todo filho que ter como mãe. Por favor, Sakura, seja a mãe dos meus filhos – Ele diz tudo sem me encara.
Sinto minhas pernas virarem gelatina ao ouvir suas palavras. Meu coração começa a bater mais rápido.
Como ele pode ser tão detestável e amável ao mesmo tempo ?
Ele deixa de encara o fogo e me olha, de modo intenso. Vendo minha alma, meus sentimentos.
– Eu sei que você pensa que eu só quero te fazer de barriga de alugue – Engulo em seco – Mas não é verdade. Eu... Eu estive pensando. Você e extremamente amorosa, delicada e paciente – Sorriu bobamente, sentindo meus olhos marejarem – Forte, decidida e misteriosa. Um pouco irritante confesso – Riu entre lagrimas, ele sorri para mim. Um sorriso verdadeiro – Mas mesmo assim você é uma mulher perfeita... Perfeita para ser a senhora Uchiha.
Meu coração para, logo começa a bater três vezes mais rápido.
Ele se levanta e caminha em minha direção, descido. A única coisa que posso fazer e chorar e encará-lo.
– Sou cheio de defeitos. Muitos mesmo. Não sou sentimental. Muito menos amoroso ou romântico. Sou frio e egoísta. Há única coisa de bom que tenho, e essa vontade louca e insana de te fazer minha mulher. De te fazer à senhora Uchiha, mãe dos meus filhos.
Ele rodeia minha cintura com as mãos, enquanto meu corpo todo treme de tanto eu chorar. Sua boca se une a minha.
Meu primeiro beijo... Esta sendo com ele, o amor da minha vida.
Era um selinho calmo, sem malicia. Apenas um encostar de bocas, que logo se torna algo mais urgente. Sua boca se move juntamente com a minha, sua língua pede passagem, cedo inocentemente. Ela adentra minha boca faminta. Quando nossas línguas se tocam, algo vibra dentro de mim. Agarro com uma de minhas mãos sua nuca, com a outra seguro seus cabelos sedosos. Tudo para puxá-lo para junto de mim. Ele me puxa ainda mais para junto de seu corpo. Paro de chorar e geme contra sua boca.
Separamos-nos por falta de ar. Mas ele continua a me impressa contra seu corpo, da mesma forma que eu ainda seguro sua nuca e seus fios sedosos. Ele me encarava com luxuria e desejo. Muito desejo.
– O que foi isso ? – Pergunto, tremula em seus braços.
– Um beijo ora – Diz, achando graça de minha pergunta.
Sorriu.
– Eu sei, mas o que é tudo isso... Essa proposta, o vinho, a lareira, o beijo... O que significa tudo isso ?
– Bem, essa e a minha forma de te pedir em casamento. Essa e a forma de um Uchiha pedir as coisas.

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