Hopeless II

34 Chapter 34 - I miss everything.


Notas iniciais
Olha aqui, vou contar isso pra vocês mas não é para rir de mim. To chorando igual uma cavala por causa do BBB #confissões NA VERDADE eu já tava um lixo o dia todo, então o BBB foi só uma consequência alkdjla

Como conseguir dormir, sabendo que você está grávida, o filho pode ser do seu irmão que você nunca soube que tinha, do seu melhor amigo ou do seu ex-namorado? E sua melhor amiga, a única pessoa que você podia recorrer agora, está com mais raiva de você do que nunca pensou que pudesse estar.

"Transar é uma coisa, droga. É ruim? É óbvio! Eu te perdoaria um dia, um dia, se eu não soubesse que você está grávida e tem, o quê? 33,3% de chances do seu filho ser do meu ex-namorado? Por isso, Jessica, por isso eu nunca vou te perdoar. Fique sabendo disso." "Eu não consigo nem olhar para você, Jessica." E assim, a Pamela saiu de casa, levando tudo consigo. E isso incluía o último pingo de esperança que me restava, de um dia minha vida ser como antes.

E para melhorar tudo, minha gravidez era de risco. Não sei que problema que tem dentro de mim, que o bebê não consegue se segurar direito na parede do meu útero. Alguma coisa assim, não prestei atenção na médica de peitos grandes me explicando.

–A Sarah está inquieta. Ela quer ficar aqui. — Mateus abre a porta do meu quarto, soltando a mão de Sarah, que corre e se joga na minha cama.

O Mateus deixou claro que não tinha saído de casa também, por consideração a Sarah, e a chance de ele ser o pai do meu filho. Ele também não tinha me perdoado. E eu nem esperava que ele fizesse o tal.

Eu e o Mateus já tínhamos passado noites acordados, conversando sobre nosso futuro, mesmo sabendo que um dia, eles complicariam e deixariam tudo mais difícil. Mas tinha que ser logo agora? Eu só tenho 18 anos, vou fazer 19 daqui dois meses, e minha vida tinha que mudar tanto, de uma hora para outra?

–Não esquece que amanhã é o seu médico, Jessica. — ele bateu a porta, deixando-me com a Sarah. Sarah se aconchegou em meu peito, levando um dedo até a boca.

O único barulho, por minimo que fosse, era o barulho da Sarah chupando o dedo. Fechei os olhos, imaginando cinco anos atrás. Quando nada disso tinha acontecido. Quando eu não tinha me envolvido com o Guilherme, e aberto a porta, que hoje se fechou novamente, entre mim e a Pamela. Só que a diferença, é que eu estou de um lado da porta, e a Pamela do outro, decidida a nunca mais abri-la novamente.

O que teria acontecido se eu, ao invés de ter saído com o Mateus naquela noite, e ter voltado com ele, mesmo depois de tudo que ele já havia me feito, eu tivesse apenas o ignorado, como se ele nunca tivesse existido em minha vida? Com certeza, eu estaria numa bem melhor do que hoje. Talvez, eu também tivesse me afastado do Guilherme e da Pamela, me fechando em uma concha, onde a única pessoa que tinha permissão para entrar e sair, era eu. Talvez, eu teria esquecido o Mateus de vez, e ficar apenas observando o Guilherme se acabar com as drogas e bebidas, e a Pamela se formando na carreira dos sonhos dela, desde 4 anos de idade. Astróloga.

Mas, se eu tivesse apenas o ignorado, eu teria perdido a maior felicidade da minha vida. Os últimos 4 anos não teriam sido nada de especial, apenas mais 4 em sua existência insignificante. E por isso, por nenhum segundo, cogitei a ideia de estar arrependida, das coisas que já fiz na vida. Os últimos 4 anos foram os mais especiais e importantes para a minha vida, e que eu nunca me esqueceria deles.

***

–Por quê você três, estão me acompanhando no médico? Eu sei muito bem atravessar a rua sozinha.

–Tá brincando? Esse filho pode ser meu, cara! É óbvio que eu vou te acompanhar no médico! — o Lucas falou, passando os braços por cima de meus ombros.

–Você fala como se isso fosse uma coisa maneira, Lucas. Como se essa duvida de quem é o pai fosse uma coisa legal e divertida. Se fosse legal, a Pamela também estaria aqui. — me soltei de seu abraço, e andei na frente. Parei em uma máquina de sucos, procurando algum dinheiro na minha bolsa.

–Você sabe que tá sendo mais difícil para ela do que para qualquer um de nós, não sabe? — O Mateus falou, em um tom baixo. Acho que ele não queria que eu ouvisse. Tarde de mais, eu estava em um distância suficiente para ouvir cada palavra que eles falassem.

–Eu sei. Desculpe. Mas é só pensar que eu posso ser o pai desse bebê que está na barriga da Jessica, que eu vou as nuvens! Não é culpa minha eu estar animado, dude.

–Sim, mas eu e o Guilherme também podemos ser o pai do bebê. Então, abaixa a bola ai.

–E que tal nós irmos descobrir isso logo, hein? O médico é daqui a exatamente... Puta, dois minutos atrás. Jessica, nós estamos atrasados.

Eles andaram até mim, me arrastando para o consultório no final do corredor. Paramos em frente a sala branca, apenas com uma plaquinha preta escrita "Dra. Salieri.". Encostei na parede, descansando minha cabeça no ombro do Guilherme. No meio de tudo isso, o Guilherme foi o único que não brigou comigo em nenhum momento. Foi o único que falou que, independente do resultado do exame, ele sempre acolheria o bebê como filho dele. Quando ele falou aquilo, minha vontade era de pular no pescoço dele e morde-lo, de tanta fofura que eu vi nele.

–Jessica... — ouvi a voz fina da doutora vindo de dentro da sala. Olhei para os três, que do nada ficaram sérios, e entrei. A doutora levantou o olhar, e tirou o óculos, deixando-o em cima da mesa. — Somente um acompanhante, querida. Sinto muito. — olhei para trás, e vi os três me encarando. Sabia que se eu escolhesse apenas um, os outros dois iriam ficar chateados comigo -mais ainda.

–Eu vou. — O Mateus se pronunciou, entrando na sala e me puxando pela mão. Olhei para trás, e vi os dois saindo da sala. Me sentei na cadeira preta que havia ali, e fiquei encarando a doutora.


Notas finais
Eu ia continuar, mas eu não consegui. Acho que esse foi um daqueles capítulos que nós escrevemos, e ficamos meio que refletindo na vida. No meu caso, eu fiquei refletindo na primeira temporada de Hopeless, com a Jessica falando. Fiquei nostálgica, e chorei a maioria do capítulo. :c