Hopeless II
38 Capítulo 38
Notas iniciais
Ah, não recebi nenhuma review cap passado #magoada
A última imagem que conseguia me lembrar, com muito esforço, era do caminhão vindo em minha direção. Logo depois, eu apaguei. Até aquele momento.
Abri meus olhos lentamente, logo sentindo o incomodo em meu braço. Mais precisamente, minha veia estava dolorida, e meu braço parecia estar dobrado em mil voltas, tornando a dor ainda mais intensa.
Tentei identificar realmente aonde estava, até ouvir vozes familiares. "Ela esta acordando!" "Meu Deus, estava tão preocupado!" A primeira voz que consegui reconhecer, foi a de Mateus.
-Fica quieto! — ele sussurrou para alguém presente no quarto.
-Fica quieto você! — a outra pessoa respondeu. Guilherme.
-Dá para vocês dois ficarem quietos? — dessa vez, quem falou foi Lucas.
-Se os três lindinhos ai ficassem quietos, eu agradeceria. Tô morrendo de dor de cabeça... — falei, encarando os três idiotas em minha frente.
Logo eles sorriram para mim. Sorri para eles. Até que me lembrei:
-O que eles estão me dando aqui? — apontei para a agulha enfiada em meu braço, sorrindo levemente.
-Analgésicos para a dor. Você... Hm, quebrou uma perna. Mas você irá ficar bem logo.
Lisa falou, entrando no quarto. Ela segurava uma xícara branca, com o nome do hospital em verde. Deduzi que aquilo fosse café, ou chá, já que Lisa é viciada em ambos.
-Basicamente, eles estão me drogando — falei — adoro drogas. Juro. São incríveis. Melhores do que um cappuccino do Mc Donald's. Ei, ficou bonito! Cappuccino do Mc Donald's. É um sinal. Meu destino é ser poeta. Quer ouvir mais? Sou boa em improvisos.
-Ah, não... Completamente entregue aos efeitos dos analgésicos. — Mateus falou, colocando o rosto entre as mãos.
-Jessica, temos que te falar uma coisa. — Guilherme falou, segurando um sorriso.
Ele estava rindo de mim. Ele estava rindo de mim! Vadio. Ninguém ri de mim enquanto estou indefesa numa cama de hospital sendo drogada contra minha vontade.
Uma enfermeira entrou rapidamente no quarto, e foi em minha direção. Sorri abobalhadamente para ela. Ela parecia a rainha de gelo. Estava toda vestida de branco, e seus cabelos eram grisalhos.
Vi ela ajeitar meu soro, virando-se para os outros.
-Está se sentindo bem? — ela me perguntou.
-Deixe para lá essa história de poeta — disse, me sentando na cama, sentindo uma pequena dor em minha perna engessada — Meu destino é ser uma comediante. Toc, toc.
-O que é isso? — Lisa falou.
A enfermeira revirou os olhos.
-Quem bate?
-Peggy. — falei, segurando o riso.
-Que Peggy? — Lucas falou.
-Peggy a toalha que vamos para a praia!
Eles reviraram os olhos, e então Lucas se virou para a enfermeira.
-Talvez fosse melhor ela tomar um pouco menos de analgésicos.
-Tarde demais. Acabei de lhe dar outra dose. Espere para ver como ela vai estar daqui a dez minutos.
A enfermeira saiu tão rápido quanto entrou. Lhe acenei, sorrindo estupidamente.
-Lá vem — disse, abrindo um longo sorriso — a onda da droga... A qualquer momento... Uma onda de calor... Tchauzinho, sra. Dor...
-Jessica. — eles falaram juntos, rindo.
-Toc, toc.
-Temos que te falar uma coisa importante. Você vai ficar feliz em saber.
-Toc, toc. - falei, olhando-os com um olhar de repreensão.
-É sobre...
-Toc, toooooooooc! — cantarolei, jogando minha cabeça para o outro lado.
Ambos suspiraram.
-Quem bate? — Lucas falou, sorrindo feito um babaca.
-Chu.
-Quem é Chu?
-Chu-if. Alguém chora, mas não sou eu! — comecei a gargalhar histericamente.
No início, ninguém riu. Ficaram me encarando, perguntando que tipo de drogas estavam me dando. Mas logo após, Lucas começa a rir junto comigo.
Minutos depois de nossa cena engraçada, paramos de rir finalmente. Os outros três nos encaravam com uma cara de já acabou? e suspiravam mais vezes em um minuto do que eu suspiro em um dia inteiro.
-Você é impossível, Jessica. — Lisa riu, e saiu do quarto, levando sua xícara verde junto — Já volto! — ela falou, aparecendo novamente na porta.
Ri daquele gesto. Me virei para os três garotos que estavam ali.
-Querem mais uma? Deixem eu pensar... Hm...
-Não! Não precisa. Já rimos muito com essas duas, estamos bem. A pergunta é como você está.
-Não. A pergunta é onde está a Sarah. Onde está a Sarah?
-Ela... Hum, isso não é importante. — Mateus falou.
-É sim. Onde está a Sarah? — tentei parecer séria, mas tudo que consegui foi eu tentando alcançar meu nariz com a língua.
-Deixamos ela com a sua mãe...
-Se eu não estivesse tão drogada, brigaria com vocês... Seus bobos...
***
-Por Deus, Jessica. — Lisa me balançava de um lado para o outro — Acorda! Vamos, acorde!
-Ai, o que foi?
-Os efeitos das drogas já passaram?
Fechei os olhos, tentando sentir o barato das drogas. Nada.
-Já. Que droga. Estava me divertindo.
-Ótimo. Vamos para casa?
Olhei para o lado, e vi o relógio em cima da comoda do hospital. Marcavam 2h20.
-No meio da madrugada?
-O médico acaba de te dar alta.
-Tá, e daí? Vou embora de manhã. Vou voltar a dormir.
-Não! Você tem que vir comigo!
-Por que? — indaguei, olhando-a.
-Não dá para explicar agora. Confia em mim? Por favor.
Olhei para seus olhos, eles estavam repletos de medo.
-Liz, o que aconteceu?
-Droga, Jessica! Só vem comigo, tá legal? Senta aqui — ela puxou uma cadeira de rodas para perto da cama — e confia em mim. Vem, eu te ajudo.
Lisa me descobriu, e me puxou pelo braço, forçando-me a sentar. Ela segurou um dos meus braços, enquanto eu me equilibrava em uma perna, ficando de pé. Me sentei na cadeira, e então Lisa apoiou minha perna quebrada no apoio da cadeira.
-Vamos? — ela falou, dirigindo-se para fora do quarto.
Lisa corria pelos corredores, incrivelmente silenciosos do hospital.
-Droga, Lisa vai devagar. Tô quase caindo da cadeira.
-Não dá.
Ela virou o corredor, entrando em outro, igualmente silencioso. Ela se dirigiu até o elevador, apertando o botão freneticamente.
-Lisa, dá para você me falar o que aconteceu?
-É a Nicole. Ela... Ela enlouqueceu de novo.
-De novo? Como assim de novo?
-É complicado. No caminho eu te explico.
-No caminho?
-Para de fazer perguntas, Jessica. Caralho, to tentando te ajudar, então você me ajuda e fica quieta. Tá?
Fiquei quieta, observando-a entrar no elevador com a cadeira. Assim que a porta do elevador se fechou, ela apertou o botão do último andar do hospital, que seria o 7º. E nós estávamos no 2º. Por que diabos ela queria ir para o 7º?
-Por que nós estamos indo para o 7º?
-Preciso de tempo para pensar em algo que a atrase. Vamos ficar rodando para cima e para baixo até eu encontrar algo.
Lisa se encostou na parede do elevador, e fechou os olhos. Ela parecia pensar sobre algo. Pensar muito sobre algo.
-Tá, foda-se. Me diz agora, o que ta acontecendo?
Lisa suspirou, passando a mão pelo cabelo. — É a Nicole. Ela tem... Um probleminha.
-Que probleminha?
-Ela tem uma doença. Transtorno dissociativo de identidade, mas conhecido como dupla identidade. Já ouviu falar? É quando uma pessoa tem várias identidades, e faz coisas que ela não tem consciência que esta fazendo.
-Então isso era o tal segredo dela? Ela me falou que tinha sofrido muito trauma na infância, algo do tipo.
-E é verdade. Ela passou três anos da infância dela trancada em um porão, sozinha. O pai dela era um louco, maniaco. E abusava dela sempre que podia. Satânico.
-Continua.
-Essa doença, tem como uma das causa isso. Estresse intenso, ou sei lá, algo relacionado à infância. Quando finalmente encontraram a Nicole, o pai dela se matou. Mas aí notaram isso na Nicole. Ela tinha algo de errado, pois ela fazia várias coisas, e depois não se lembrava de nada. Coisas pesadas.
-Que tipo de coisas?
-Tipo ameaçar a mãe com uma faca, ou levantar no meio da noite e ir até o banheiro e começar a se tocar... Com apenas 10 anos. E no outro dia, não se lembrar de absolutamente nada.
-Tá, e o que isso tem a ver comigo?
A porta do elevador se abriu, e Lisa se aproximou dos botões, apertando o térreo.
-Alguns meses atrás, uma das identidades da Nic, pirou de vez. Digo, ela ficou completamente obcecada por uma menina do condomínio dela. Ela tentava beijar a menina, vivia chamando a menina para sair, e depois, não se lembrava de nada. Era como se ela não conhecesse a Emma. Até que um dia, ela sequestrou a Emma. Puxou-a pelo braço, e levou-a até sua casa, e lá tentou abusar-la. Mas graças a mãe da Nicole, ela não conseguiu. Então a Nicole foi internada em um hospício, e lá descobriram a doença dela. Era como se a outra identidade dela dominasse ela, toda vez que ela apagava. E essa outra identidade, era violenta. Era exatamente como o pai dela.
-Sim...? — falei, incentivando-a a continuar.
-Quando ela saiu de lá, os médicos garantiam que ela já estava sob controle. Era só ela continuar tomando os remédios, e a doença nunca mais viria à tona.
-E isso era verdade?
-Sim. Enquanto ela tomasse os remédios, as identidades permaneceriam desacordadas. Mas então, ela parou de tomar por algum motivo e...
-PUTA MERDA! Ela está obcecada por mim?! — falei, arregalando os olhos.
-Pior. Pela Pamela.
Notas finais
ahhh, a parte locona da jessica lá em cima, eu tirei do sussurro tá akdjlkad (é um livro. a vee que ficou locona, ela tava sob efeito de analgésicos também) e a ideia da infancia da nicole, tirei desse filme aqui http://www.youtube.com/watch?v=Z5vPXMXVjkQ assistam pq é legalzinho, meio otario mas as ideias sao a+
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