Hopeless

7 Capítulo VI - Castigos e Jogos.


Notas iniciais
Primeiramente, obrigada pelas 1.500 visualizações! Vocês são incríveis! Senti falta de alguns leitores, pessoal, lembrem-se que é uma interativa então precisa da participação de vocês, são sejam fantasmas. Eu fiz banners novos para todos os capítulos, espero que achem bonitos! Acho que domingo é possível que tenha capítulo novo. Além disso, esqueci de mostrar o que uma das leitoras maravilhosas (oi, Rhaenerys) fez: http://weheartit.com/catwomancake/collections/134668775-hopeless-fanfic Obrigada, ficou lindo! Há algumas partes transcritas de Ordem da Fênix durante o diálogo com a Natalie, acho que isso ajuda a trazer uma certa nostalgia ♥ Boa leitura ♥

Natalie Granger.

Irmãos gêmeos foram, por muito tempo, considerados uma estranheza na natureza, como se fossem praticamente um defeito, assim foram estudados e recheados com diversos mitos sobre seus comportamentos. Com o passar dos anos, e a alteração dos padrões sociais, essa visão mudou e receberam o título de “milagre” e foi um longo caminho até o mundo vê-los como apenas irmãos normais.

Entretanto, no fundo, eles sabiam que a normalidade lhe escapava por entre os dedos.

Ainda mais raros no mundo da magia, seus poderes possuíam um tipo de conexão inexplicável até para os mais sábios. Natalie Granger e sua irmã, Hermione, sabiam bem disso. Eram extremamente próximas e pareciam ser capazes de ler os pensamentos uma da outra.

Contudo, poucos imaginavam o quão forte era essa proximidade, visto que diferiam muito, tanto ao olhar, quanto ao agir. Enquanto a primeira possuía cabelos mais escuros (alterados com feitiços) e maquiagem mais marcada, a outra preferia manter sua naturalidade. Hermione era conhecida por sua inteligência e empenho em tudo que fazia, enquanto Natalie por sua impulsividade e os sorrisos que lhe permeavam o rosto sempre que era pega fazendo algo errado. Mas nada disso fazia diferença para elas, que tinham uma na outra, sua melhor amiga.

Portanto, se encontravam lado a lado no grande salão principal, servindo-se do delicioso almoço, sempre muito bem preparado. Natalie notou que a irmã parecia sorridente ao ler uma carta, que havia recebido há pouco tempo.

— Espero que não seja nenhum namorado. — Comentou, enquanto a mesma lhe olhava indignada.

— Claro que não, Natalie. — Respondeu, guardando o pergaminho entre os livros e se virando para a mesma. — É, na verdade, dos nossos pais. Eles foram passar alguns dias na Irlanda.

— Que bom para eles. — Disse, um tanto seca. A verdade era que, embora negassem veemente, os pais de ambas sempre tiveram uma certa predileção por Hermione, fazendo com que a jovem se afastasse gradualmente deles e passasse a ter um pouco de rancor por determinados comportamentos que tinham.

— E eles disseram que podemos passar o natal com os Weasley. — Ela falou, animada, fazendo a irmã sorrir novamente. Gostava muito de Arthur e Molly, que sempre haviam sido gentis com a mesma e até carinhosos.

— Isso é incrível! Vou poder ver as novas invenções dos gêmeos. — Seus olhos brilharam de ansiedade, imaginando como seria voltar a mansão dos Black no final do ano.

Elas, junto com os Weasley e Lyanna que apareceu no fim das férias, haviam passado quase um mês ajudando Sirius a limpar o local, embora isso tivesse sido dificultado pela insistência do mesmo em convencer Molly a passar alguns dias com as crianças n’Toca. No fundo, desconfiava que o Black escondia alguma coisa da maioria de todos ali. De qualquer maneira, o local estava quase habitável quando saíram de lá, com as salas mais limpas, quartos mais arejados e até mesmo a velha tapeçaria (que inutilmente tentaram arrancar) estava sem tanto pó.

— Eu ouvi natal com os Weasley? — Fred perguntou, se jogando ao seu lado e passando os braços ao redor de seu ombro.

— É isso mesmo que você ouviu. — Jorge completou, sentando-se a sua frente e piscando para as meninas. Ambos eram seus amigos desde o primeiro ano, tendo sempre a ajuda de Natalie para criar alguma confusão pelo castelo.

— Na casa do meu pai? — Lyanna questionou, tendo chegado junto com os gêmeos e se juntando ao resto do grupo.

— Claro, Molly tinha dito que seria bom para ele ter companhia. — Hermione explicou, terminando de beber seu suco de abóbora.

— Realmente, ele anda bastante inquieto... — A Black comentou, parecendo preocupada. Natalie estendeu o braço por cima da mesa, segurando sua mão delicadamente. — Sirius odeia ficar sozinho, ainda mais com tudo que anda acontecendo.

— Ei, logo a casa vai estar cheia e com você lá, ele vai ficar bem e até vai esquecer que tem uma guerra rolando. — Disse, tentando tranquiliza-la e arrancando um pequeno sorriso.

— É, acho que você tem razão.

— De qualquer maneira, a gente também pode aproveitar para descobrir o que anda acontecendo com a Ordem, né? Eles vivem escondendo as coisas. — Fred disse, roubando um pedaço de sobremesa da Granger, que lhe olhou feio.

— Não vejo a hora de sair de Hogwarts e poder fazer parte deles. — Comentou, fazendo com que todos ao seu redor, exceto pela irmã, concordassem.

— Não é tão fácil assim e além de tudo, é arriscado. — Ela falou, lhe olhando séria, porém sua postura foi rapidamente desfeita por uma risada de Natalie.

— E eu realmente consigo ficar longe de perigo, não é Mione? — Provocou, fazendo-a revirar os olhos.

— Gosto de pensar que sim. — Respondeu, após soltar um suspiro. Depois de tantos anos, havia finalmente aprendido que não adiantava tentar segurar a jovem, ela era uma força imparável.

— Gosta de se iludir, isso sim. — Jorge brincou, levando um chute de Natalie, por debaixo da mesa. — Aí!

— A gente não tem aula agora? — Lyanna perguntou, rindo deles.

— Temos sim, com a megera. — Natalie disse, olhando irritada para a mesa dos professores, vendo Umbridge se levantar. — É melhor a gente ir indo.

— Boa sorte! — Falaram os gêmeos, que pareciam não ter pressa em sair do lugar. Talvez não tivessem aula depois do almoço ou não se importavam, provavelmente a última opção. Nos últimos dias eles andavam mais relaxados que o normal.

As três garotas caminharam juntas para fora, seguindo os vários alunos que também iam para suas determinadas classes. Nenhuma delas parecia muito animada em percorrer as escadas, até a sala de Defesa Contra as Artes Das Trevas, assim o trajeto foi mais longo que o usual.

— Eu realmente sinto falta do Lupin nessas horas. — Natalie comentou, já irritada. Dolores era uma verdadeira provação, com suas roupas rosas e a voz irritante.

— Talvez ele voltasse se algum acidente acontecesse com nossa amada professora. — Lyanna disse calmamente, com um sorriso perverso que foi prontamente imitado pela amiga.

— Podem parar vocês duas. — Hermione as cortou, olhando-as irritada, enquanto acenava para Harry e Ron.

— Já paramos... — Ergueu as mãos, se rendendo, embora ainda trocasse olhares cumplices com a Black. Ambas acompanharam a Granger para dentro da sala, mas era óbvio que suas mentes já vagavam em diversas formas de fazer Umbridge sofrer.

Ao entrarem, a mesma estava já sentada em sua mesa, sorrindo e cantarolando baixinho, esperando todos os alunos se acomodarem. Enquanto procuravam mesas próximas, Harry e Ron contaram as garotas que ela havia começado as inspeções nas aulas dos professores, já tendo participado de uma de Adivinhações. Natalie bufou, já mais irritada ainda, para inspecionar alguém primeiramente ela deveria ser boa no que fazia, o que definitivamente não é o caso.

— Guardem as varinhas. — A professora disse, quando todos já estavam quietos. Poucos esperançosos as haviam pegado. — Como terminamos o capítulo um na aula passada, hoje eu gostaria que abrissem na página dezenove e começassem a ler o capítulo dois “Teorias de defesa comuns e suas derivações”. Não há necessidade de conversar.

A turma suspirava audivelmente ao abrir o livro, embora Natalie puxasse um pergaminho por entre as páginas do mesmo e começasse a desenhar, discretamente, sem a professora ver. Porém, teve que parar ao notar que Hermione, ao seu lado, havia erguido a mão, insistente. Dolores deu a volta na sala, parando em frente a carteira de ambas, murmurando:

— O que é agora, srta. Granger?

— Já li o capítulo dois.

— Então passe para o capítulo três.

— Já li também. Já li o livro todo.

A Profª Umbridge piscou os olhos, mas recuperou sua pose quase instantaneamente.

— Bem, então, você deverá poder me dizer o que Slinkhard escreveu sobre as contra-azarações no capítulo quinze.

— Ele escreveu que a denominação contra-azarações é imprópria — respondeu Hermione imediatamente. — E que contra-azaração é apenas o nome que as pessoas dão às suas azarações quando querem fazê-las parecer mais aceitáveis.

A Profª Umbridge, ergueu as sobrancelhas, Natalie sentiu orgulho de sua irmã naquele momento. Ela era realmente impressionante.

— Mas eu discordo — continuou ela.

Notou que o olhar da mesma ficou instantaneamente mais sério, talvez até mais frio.

— A senhorita discorda?

— É, discordo — confirmou Hermione, que, ao contrário de Umbridge, não murmurava, falava em uma voz alta e clara, que a essa altura já atraíra a atenção do resto da turma. Natalie pensou em lhe dar um leve cutucão para faze-la calar a boca, antes que se colocasse em problemas, mas aquilo estava divertido demais.

— O Sr. Slinkhard não gosta de azarações, não é? Mas acho que podem ser muito úteis quando são usadas defensivamente.

— Ah, então essa é a sua opinião? — Disse a professora, se esquecendo de murmurar e endireitando o corpo. — Bom, receio que seja a opinião do Sr. Slinkhard que conte nesta sala de aula, e não a sua, Srta. Granger.

— Mas... — recomeçou Hermione.

— Agora basta — disse a professora. Voltou, então, para a frente da sala e se postou ali, mas toda a segurança que exibira no início da aula se perdera. — Srta. Granger, vou tirar cinco pontos da Grifinória.

Houve uma eclosão de murmúrios e Natalie não conseguiu controlar o impulso de levantar da cadeira, embora a irmã lhe puxasse desesperadamente para baixo.

— Por quê? — perguntou, indignada.

— Não se meta! — Hermione sussurrou, ansiosa.

— Por perturbar minha aula com interrupções sem sentido — disse a Profª Umbridge suavemente. — Estou aqui para lhes ensinar, usando um método aprovado pelo Ministério que não inclui convidar alunos a darem suas opiniões sobre assuntos de que pouco entendem. Os professores anteriores desta disciplina podem ter permitido aos senhores maior liberdade, mas como nenhum deles... com a possível exceção do Prof. Quirrell, que pelo menos parece ter se restringido a assuntos apropriados para sua idade... teria passado em uma inspeção do Ministério...

— É, Quirrell foi um grande professor — disse Natalie em voz alta —, exceto pelo pequeno problema de ter Lorde Voldemort saindo pela nuca e, é claro, não ter sido capaz de ensinar muita coisa para gente, o que, incrivelmente, é semelhante ao seu método de ensino.

O silêncio se instaurou na sala, enquanto todos alunos olhavam chocados em sua direção. Alguns se mantinham até mesmo de boca aberta.

— Detenção hoje, as sete horas, senhorita Granger. — Sibilou, irritada. Antes de se sentar na mesa, fazendo Natalie ficar vermelha de ódio. Porém, ela nada disse, cedendo aos apelos de Hermione para que voltasse a cadeira.

Naquela noite, Natalie entendeu a raiva que parecia emanar de Harry toda vez que ele estava perto de Umbridge.

Saiu da sala da mesma com as costas da mão pingando sangue, com a frase “devo manter-me calada” , gravada em sua pele. Ela sabia que Hermione deveria estar lhe esperando acordada e insistiria para que falasse com McGonagall ou Dumbledore sobre o castigo, por isso quando chegou no terceiro andar, continuou o caminho, passando reto pelo quadro que levava ao Salão da Grifinória.

Não queria preocupar a irmã e, principalmente, deixa-la ver daquela maneira, fervendo de ódio e de dor. Portanto, andou até o corujal, o único local da escola que sabia estar vazio àquela hora, pois o visitava frequentemente durante a noite, procurando ar fresco e paz.

Assim que entrou, procurou sentar-se na janela mais próxima, tirando a gravata que havia enrolado na mão, para estacar o sangramento. Olhou para as palavras brilhando em sua pele e sentiu-se humilhada. Ela sabia que, mesmo depois de tantos anos, ainda haviam muitos bruxos ruins infiltrados no Ministério, Umbridge definitivamente era uma dessas pessoas, e a sensação de tê-la tão próxima, na mesma escola, lhe atormentava.

Um pequeno pio lhe chamou a atenção e ela virou-se para Blizzard, sua coruja. Era inteiramente branca, com profundos olhos azuis e olhava para a dona curiosa. Chamou-a para seu lado, mas notou que uma outra a mantinha no local, de penas escuras e olhos verdes nada amigáveis. Por incrível que pareça, ambas as corujas pareciam se dar bem, coisa que era raro.

— Fez uma amiga? — Perguntou, levantando-se e chegando perto calmamente, sem querer assusta-las. Blizzard podia ser bem temperamental quando queria. — Acho que agora é menos solitário aqui, não é?

Natalie fez um leve carinho na mesma, sorrindo para ela, embora seus olhos estivessem tomados por uma sombra triste. Às vezes, Hogwarts não era o paraíso que todos pensavam.

♕

Rigel Scamander.

A aula de Trato das Criaturas Mágicas havia se tornado incrivelmente prazerosa naquele ano. Normalmente as aulas de Hagrid costumavam ser mais desafiadoras, contudo a professora Grubbly-Plank estava o substituindo bem desde que entrará para o corpo docente e provou que é muito eficiente em todos os animais que se despusera a mostrar aos alunos.

No dia anterior, ela havia pedido um rolo de pergaminho sobre os Testrálios, uma criatura extremamente fascinante, segundo a mesma, que seria foco do estudo nos próximos meses.

Rigel Scamander estava bastante empolgado. Havia crescido sendo educado pelo avô, o famoso escritor e estudioso de criaturas, Newt Scamander, e sempre se interessou pelo assunto, embora a sombra de sua família, que pairava sobre si durante todas as aulas, fosse extremante desconfortável.

Às vezes, ele tinha a impressão de que todos esperavam que fosse tão bom em tudo, quanto o resto de sua família. E que riam de si, cada vez que falhava. Era frustrante e irritante.

— Eu não vejo a hora de ver esses animais. — Phillipa comentou animada, ao seu lado, na biblioteca, enquanto faziam o dever, um pouco antes do café da manhã. Aquele era o melhor horário dia para tal atividade, pois só haviam os dois na biblioteca.

— Na verdade, você não vai ver, eu acho... — Ele começou a explicar, se concentrando em escrever um parágrafo muito bem detalhado sobre como se atrair um deles. — Só quem já presenciou uma morte consegue.

— Ah... bem, então espero não vê-los tão cedo. — Disse, fazendo o rir. Pippa era tão espontânea que chegava a ser surpreendente. — Posso copiar seu final? — perguntou, ao vê-lo repousar a pena, olhando orgulhoso para seu trabalho muito bem concluído. Não era o aluno mais empenhado de sua turma, mas sempre havia conseguido boas notas.

— Pode, mas muda algumas coisas. — Respondeu, olhando sério para ela. — Enquanto você faz isso, eu já volto.

— Tudo bem.

Ele levantou-se da cadeira, indo em direção ao fundo da biblioteca, onde ficavam as prateleiras mais antigas. Lá, escondido entre os diversos livros de bruxaria, ficavam alguns poucos destinados especificamente a encantamentos de trevas. Claro que nenhum professor ou nem mesmo a Madame Pince, deveria ter notado isso ou já teriam sido banidos.

Rigel, porém, sempre havia sido um garoto curioso e com muito tempo livre e, dessa maneira, em seu terceiro ano havia achado diversos títulos como aqueles, sempre camuflados por nomes mais abrangentes, para que aqueles menos observadores não percebessem seu verdadeiro conteúdo. Não era o maior fã de leitura, mas possuía um certo interesse por artes proibidas e aquele era o melhor jeito de conhece-las.

Ele rapidamente buscou algum que não tivesse lido ainda, escolhendo por fim o que se tratava sobre encantamentos de duelos. Não que fosse do tipo que puxava briga por entre os corredores, sua principal arma sempre haviam sido palavras e os segredos que as mesmas podem formar. Mas era bom saber se defender, principalmente nos tempos em que estavam vivendo.

Silenciosamente, ele voltou para o lugar em que estava, colocando o livro na bolsa, entre tantos outros, tomando cuidado para que Pippa não prestasse muita atenção.

— Falta muito? — Perguntou, espiando por cima do ombro dela.

— Não, não falta... — Sua concentração, entretanto, parecia ter sumido quando a mesma ergueu os olhos para cima, vendo um grupo de alunos da Sonserina passando em frente à porta, consequentemente em frente à mesa de ambos, porém apenas um parecia ser o foco dos seus olhares. Draco Malfoy ergueu uma sobrancelha para ela, fazendo com que a mesma lhe encarasse de maneira irritada.

— Pippa? — Chamou, buscando atrair sua atenção novamente. Ela, entretanto, se limitou a corar fortemente e abaixar o rosto, quase se enterrando nos montes de pergaminho. — O que foi?

— Nada. — Respondeu rapidamente, voltando a rabiscar fervorosamente o papel.

— Não vem com essa de nada, o que você tem? — Insistiu, segurando as mãos dela para que parasse de escrever. Ela suspirou, encarando-o de maneira raramente séria e parecendo refletir.

— Olha, se eu te contar, você não pode dizer absolutamente nada para ninguém. — Falou, apertando suas mãos contra as delas. Rigel franziu as sobrancelhas, ela também me acha fofoqueiro? Pensou, lembrando-se de sua fama nada agradável pela escola. Incomodava que uma de suas melhores amigas pudesse pensar algo do tipo sobre si mesmo.

— Eu não vou contar, prometo. — Respondeu, tentando passar confiança em suas palavras. Pippa suspirou novamente, seus olhos se apertando e seu rosto ainda mais corado.

— Eu fiz uma besteira, Rigel... uma besteira gigantesca. — Disse, pausadamente. Ela, agora, parecia à beira de lágrimas, como se a qualquer momento fosse sucumbir pelo peso daquilo que escondia.

— Pippa, você está começando a me preocupar...

— Eu transei com um sonserino. — Ela soltou, o interrompendo e o fazendo ficar parado, lhe encarando bastante chocado. Era a última coisa que esperava dela.

Rigel se afastou um pouco, passando a mão cuidadosamente pelo cabelo, buscando as palavras certas para dizer, enquanto tentava disfarçar o sentimento de choque que lhe atingia.

— Olha, quem nunca pegou um sonserino, certo? — Disse, tentando faze-la sorrir, porém a mesma continuou séria, deixando-o um pouco sem graça. — O que eu quero dizer é que não é o fim do mundo...

— Rigel, você não está entendendo. — Ela gesticulou de maneira nervosa, suas mãos extremamente inquietas. — Não foi qualquer sonserino e foi na pior situação possível, eu não sei o que estava passando pela minha cabeça na hora, eu só...

— Ei, calma. — Ele passou os braços ao redor dela, a abraçando de leve, fazendo com que a mesma tentasse relaxar. — Quer me explicar melhor isso?

— Quero, mas não aqui... — Disse, se afastando um pouco do abraço, porém mais calma. — A gente pode ir para um lugar mais tranquilo depois do jogo?

— Claro... — Respondeu, ainda segurando as mãos dela e agora, um tanto incomodado. Havia se esquecido que aquele era dia de Quadribol. — Você quer ir para o campo agora?

Phillipa concordou com a cabeça, levantando-se e arrumando suas coisas. Rigel queria arrumar uma desculpa, ir para o próprio salão e ficar lá. Era estranho se imaginar descendo o jardim até o campo, sem a ideia de Cedrico lhe esperando nas arquibancadas ou voando com o resto do time. Ele não sabia se tinha emocional suficiente para lidar com aquilo.

— Você está bem? — Pippa perguntou, estranhando seu silêncio e seu olhar um tanto vago.

— Estou. — Respondeu, tentando sorrir para ela, porém a mesma se limitou a erguer a sobrancelha. — Só não gosto muito de Quadribol.

— Eu sei, mas vai ser divertido. — Ela falou, andando um pouco a sua frente, animada. Ele concordou com a cabeça, deixando-a lhe arrastar entre o mar de alunos extremante agitados. Ambos cortaram caminho entre eles, tentando chegar até as arquibancadas.

Por sorte, June e Selina haviam guardado lugar para eles, junto com alguns outros alunos da Lufa-Lufa.

— Grande jogo, não? — June perguntou, animada, olhado em direção ao campo.

— Sim! — Pippa respondeu, no mesmo entusiasmo, sentando-se ao lado dela. O vento forte bagunçava o cabelo de todos eles e Rigel imaginou que deveria ser horrível jogar com o tempo assim. — Para quem vocês vão torcer?

— Corvinal. — Respondeu a Black.

— Sonserina... — Selina disse, um tanto tímida, afinal eram raros os alunos lufanos que torciam por tal casa.

— Vou torcer para quem tiver o time mais bonito. — Ele brincou, fazendo-as rirem.

Rigel olhou para frente, enquanto as três começavam a conversar sobre qual time seria melhor ganhar e quem gostariam de enfrentar nos próximos jogos. Suspirou, ainda observando o campo. Se fechasse os olhos, quase conseguia ver Cedrico comemorando uma de suas várias vitórias.

Merlin, o luto era algo sombrio, que o pegava nos momentos mais triviais. Às vezes, Rigel desejava saber como era viver sem o sentimento de perda, embora parecesse impossível.

A dor, afinal, atinge a todos em diferentes profundidades.

♕

Jonathan La Marche.

A segunda semana de outubro trazia um vento forte pelo campo, embora isso não assustasse os jogadores que se arrumavam cuidadosamente no vestiário. Naquele ano, a casa verde e prata estava disposta a derramar sangue – próprio ou não – pela taça de Quadribol.

Portanto, o silêncio era inevitável, cada um deles sentindo na própria pele a pressão de levar a casa à vitória, todos desejando isso com toda força e intensidade que podiam. Jonathan La Marche terminava de prender o equipamento de seu uniforme, conferindo se tudo estava exatamente onde precisava estar e relembrando de cada estratégia que o time havia montado. Haviam treinado exaustivamente durante dias, sob ótimas e péssimas condições, sendo constantemente colocados no limite. Ele precisava dizer que estava muito orgulhoso de seus companheiros, que jamais mostraram exaustão ou dor, mesmo que os sentissem.

— Muito bem... — Começou o capitão do time, Charles Fimmel, acenando para que todos fizessem um pequeno círculo. — Nossa casa foi invicta por anos, mas recentemente a taça simplesmente parece escorregar por entre nossas mãos. Esse ano, entretanto, isso não vai ocorrer. Nós treinamos para não deixar acontecer. E eu tenho orgulho de dizer que somos um time maravilhoso, muito bem preparado e que não vai perder sem se desgastar totalmente de tanto lutar por esse título.

Jonathan sentia a arrogância que cada um deles, inclusive ele mesmo, transpirava. Se tinha uma coisa que nunca havia faltado aos sonserinos, era orgulho.

— Então vamos sair lá fora e mostrar para todo mundo que nós somos o melhor time que Hogwarts já viu! — Charles finalizou e o time começou a se preparar para sair. Antes que o apito soasse, ele viu Áquila puxar o Fimmel para um beijo, com a desculpa que era para dar sorte. Não pode evitar rir junto com Draco, ela nunca perdia a oportunidade mesmo.

Contudo, logo todos voltaram a ficar sérios, ao ouvir o apito de Madame Hooch, anunciando que os times deveriam entrar em campo.

Charles fez sinal para que eles o acompanhassem. Como goleiro, Jonathan ficou um pouco para trás, entre os artilheiros.

— Nervosa? — Perguntou para a Malfoy, que tinha os olhos cinzas brilhando de determinação.

— Nem um pouco, e você? — Respondeu, com um sorriso de canto.

— Jamais. — Ele brincou, porém no fundo ambos sabiam que estavam. Embora fosse somente a primeira partida, era contra a Corvinal, que possuía um ótimo time. Perder já de cara deixaria uma imagem péssima e ele sabia que muitos dos jogadores não se davam bem com alguns corvinos, em especial Draco.

— Capitães, apertem as mãos. — Madame Hooch ordenou e ele pensou que Charles e Aron acabariam quebrando os dedos um do outro antes de se separarem. Ao lado do corvino, Franklin encarava Draco, que tinha um irritante sorriso irônico no rosto. — Montem suas vassouras e vão para o ar.

Todos obedeceram, sobre as vaias e aplausos da multidão que se amontoava nas arquibancadas. Jonathan subiu rapidamente até os aros do gol, já em sua devida posição e procurou os artilheiros da Corvinal: Roger, Cho e Antônio, posicionados de maneira bastante estratégica.

Madame Hooch apitou e jogou a goles para o alto, fazendo com que o jogo começasse. Assim que todos dispararam, ele notou que provavelmente algum time não sairia inteiro de campo.

Os jogadores de ambos os lados pareciam ferozes. Os batedores da Sonserina, Charles e Marcus, rebatiam os balaços de maneira agressiva em direção aos artilheiros e ao apanhador, Franklin. Enquanto os dois da Corvinal, Aron e Lisa, devolviam cada golpe com igual força.

— O time da Sonserina mais uma vez provando que prefere ataque — começou a voz conhecida de Lino Jordan, narrando o jogo. — Mas dessa vez a Corvinal parece estar retribuindo a altura e AÍ! Toma essa Pucey!

Jonathan olhou para o lado, vendo que um balaço havia acertado direto Adrian no estômago, jogando-o para fora da vassoura. Por sorte, Angus havia sido rápido o suficiente para apara-lo no ar e agora ajudava o mesmo a se recuperar.

— Penali para a Sonserina, mas ele bem que mereceu! Desculpe professora... — Lino rapidamente abaixou o tom, devido a uma bronca de Minerva. — Malfoy vai cobrar a falta, enquanto Grant ajuda o colega a se recuperar. Ela se posiciona e... Ponto para a Sonserina!

A torcida prata e verde comemorou de maneira estrondosa, aos berros e aplausos, ele pode notar que os alunos haviam feito uma longa faixa em forma de serpente, que eles seguravam ao alto e a mesma parecia soltar pequenos confetes.

Porém, o jogo continuou ardentemente. Os artilheiros da Corvinal pareciam bastante habilidosos, Jonathan se esforçou para defender o maior número de goles possíveis e, embora algumas tivessem passado, seu time ainda mantinha-se marcando também.

Ele tinha acabado de jogar uma goles para longe do arco central, em uma defesa particularmente difícil e bastante aplaudida, quando a Madame Hooch apitou, nervosamente, fazendo todos pararem. Não demorou até ele ver o porquê. Marcus havia, em uma manobra proibida, atingido Cho diretamente com o taco, na desculpa de que perderá o equilibro. A menina por pouco não caiu de sua vassoura, mas era visível que estava bastante dolorida.

— Isso é inaceitável, senhor Flint! — A juíza berrava, apontando o dedo para ele, que tentava se justificar. — Penalti para a Corvinal!

Jonathan se esforçou para ignorar os protestos e comemorações da torcida, quando se posicionou para defender os aros.

Roger Davis veio cumprir a falta e, ele precisava admitir, era bastante habilidoso. Por pouco não deixou a goles passar, voando para o lado quando ele a jogou. Pensou que não conseguiria, esticou o braço o máximo que pode e, em um movimento rápido, sentiu ela com a ponta de seus dedos. Sem pensar, se jogou para frente, seu corpo quase deixou a vassoura e, por segundos, ele se achou exatamente idiota e inconsequente. Mas isso rapidamente passou, quando conseguiu jogar a goles em direção de Angus e, com um movimento rápido, jogou o corpo para trás e voltou a se equilibrar no ar.

— Parabéns La Marche! — O seu capitão elogiou, defendendo-o de um dos balaços. Ele acenou com a cabeça, ainda ouvindo a comemoração da multidão.

— Sonserina está na frente com 250 a 210. O placar está acirrado! — Lino anunciou. Já haviam se passado uma hora e meia de partida e os números não se alteravam muito, pois sempre que um dos lados marcava, o outro logo se recuperava.

Não foi uma vez ou outra que Madame Hooch precisou apitar para parar o jogo, devido as faltas cometidas por ambos os lados.

Porém, ela fez os dois times descerem ao chão quando uma confusão se instaurou, levando até a mesmo os torcedores a protestarem. Isso porque Lisa e Aron haviam armado uma jogada poderosa: ela se posicionou estrategicamente, rebatendo um dos balaços em direção a ele, que já estava preparado para impulsionar o mesmo, fazendo com que ele fosse com extrema força em direção da Áquila, a jogando para fora da vassoura e ainda batendo no ombro de Angus, que estava próximo. Por sorte, Draco conseguiu agarrar a irmã no ar.

— Essa doeu em mim! — Lino berrava, levando a multidão a loucura. — Não é jogo sujo que você queria, Sonserina?!

— JORDAN! — McGonagall repreendeu, pela décima vez.

— Desculpa professora, desculpa...

O time da Sonserina ficou extremamente enraivecido, tanto Charles quanto Flint jogaram balaços cruzados na direção de Aron e Lisa repetidamente, levando os dois a colidirem, fazendo com que Hooch tivesse que intervir.

Jonathan pousou rapidamente, indo para o lado de Angus e Adrian, que discutiam fervorosamente com Franklin e Antônio, e seguravam Marcus, prestes a bater em um deles. Enquanto isso, Lisa e Aron se recuperavam do choque; Charles e Draco estavam conferindo se Áquila estava bem e Hooch gritava com os dois times.

— UMA VERGONHA! Nunca vi dois times se comportando tão mal assim! FALTA PARA AMBOS OS LADOS! — Ela exclamou, irritada. — E CONTROLEM SEU JOGADOR!

Jonathan ajudou a puxar Flint para trás, que piorava ainda mais a situação.

— Se continuaram, vão ter o jogo cancelado!

— Desculpa, professora... — Aron disse, se aproximando, embora ainda olhasse irritado para os adversários. — Não irá se repetir.

— Vão precisar substituir a jogadora? — Ela perguntou, o ignorando e olhando em direção a Malfoy. Jonathan rapidamente reconheceu aquele olhar no rosto dela, quase homicida.

— Não, eu estou ótima. — Respondeu, pegando a vassoura que a professora havia recuperado e se preparando para o voo. Havia uma irritação em sua voz e algo dizia ao garoto que aquela situação estava prestes a piorar.

— Maravilha, então voltem para cima e SE COMPORTEM! — Ela apitou, fazendo com que eles rapidamente voassem.

— Corvinal agora na frente por 360 a 340! — Lino anunciou. — E os times voltam ao ar! Nenhum jogador danificado, seguimos com a partida.

Se as coisas estavam ferozes antes, agora pioraram! Angus havia subido em determinado momento em disparada, sendo seguido por dois artilheiros da Corvinal, porém quando estava no alto, deixou a goles cair, que foi apanhada por Adrian, que já estava posicionado e arremessada contra o aro de Miguel Corner, pontuando para a Sonserina.

Ambos comemoraram a manobra, habilmente realizada.

Jonathan procurou Draco com o olhar. Já eram duas horas de partida, os jogadores, embora ferozes, estavam cansados e a maioria machucados, até mesmo ele depois de levar alguns balaços. Contudo, assim que o achou, já viu Charles e Aron indo em sua direção, procurando apartar a briga que havia começado com Franklin.

Ele, ao pensar que o mesmo encontrou o pomo, agarrou a calda de sua vassoura, sendo chutado no rosto pelo mesmo. Ambos tinham esquecido totalmente do jogo e agora estavam aos gritos um com o outro e o Malfoy estava quase sendo jogado da vassoura.

Madame Hooch apitou novamente, fazendo os descer. Infelizmente, no solo, Draco continuou provocando Franklin.

— Vai fazer o que? Hein?! Me azarar de novo? Não aguenta que eu fale a verdade para você? — Ele gritava, enquanto o corvino chegava ameaçadoramente perto.

— Cala sua boca, Malfoy, ou eu vou fazer você engolir cada uma dessas suas palavras com o meu punho. — Ameaçou, de maneira baixa.

— Você não é, nem nunca foi, homem para isso. — O loiro rebateu e todos prenderam a respiração quando um soco lhe acertou no rosto. Rapidamente o time se colocou no meio, separando-os, enquanto Hooch recomeçava a xinga-los e até mesmo tirava ponto de ambas as casas, enquanto os capitães tentavam desesperadamente contornar a situação.

— Já chega Draco, se concentra na droga do pomo! — Charles gritou, o empurrando para trás, quando a professora os mandou voltar ao ar, pela última vez. — É o seu único dever, vê se faz isso direito!

— Eu tô procurando ele! — Rebateu, ainda irritado e agora com o rosto inchado.

— Então cala a boca e procura melhor! — O Fimmel ordenou, jogando a vassoura contra seu peito, visivelmente cansado daquela confusão. O Malfoy pareceu querer retrucar, mas foi calado com um olhar do capitão.

Jonathan voltou, pela segunda vez, ao seu posto, sentindo seu corpo ainda mais cansado. Só queria terminar aquela partida.

Os minutos se arrastaram, quando Roger Davis veio em sua direção, a goles prontamente armada para ser jogada. Ele, infelizmente, voava alto demais. Em uma tentativa arriscada de defender o aro, segurou fortemente em sua vassoura com uma mão, enquanto desmontava da mesma, ficando pendurado pelo braço, a tempo de chutar a goles. Seu chute foi tão forte e certeiro, que fez a mesma voar pelo campo, até o outro aro e marcar um ponto.

— QUE DEFESA ESPETACULAR DO LA MARCHE! — Lino gritava, impressionado.

A torcida foi ao delírio. A cobra que circulava entre os alunos da Sonserina soltou ainda mais confetes e todos berravam, comemorando. Jonathan voltou a ficar sobre a vassoura a tempo de ver Draco subir rapidamente por entre os jogadores e agarrar o pomo de ouro, erguendo-o animadamente.

— Malfoy pega o pomo de ouro, Sonserina ganha de 550 a 410! — Jordan anunciou, fazendo todo os dois times pararem a partida.

Os gritos dos torcedores ficaram tão estrondosos que ele pensou que ficaria surdo. A cobra que os alunos fizeram, explodiu em inúmeros confetes que flutuaram, formando a palavra SONSERINA em letras brilhantes e verdes. Ele desmontou da vassoura ao lado do time, todos se abraçando e comemorando. Logo o campo foi inundado de estudantes que pulavam em cima deles, gritavam e davam parabéns.

Jonathan sorriu para seus companheiros. Havia sido só um jogo, mas aqueles de sua casa faziam parecer que já tinham ganhado a taça. Bem, uma coisa não se pode negar sobre os alunos da Sonserina: eles realmente sabem se apoiar e comemorar cada vitória.

Notas finais
E aí, o que acharam?