Hopeless
7 Perfeita
Notas iniciais
A garota arregalou os olhos, o que diabos Percy estava pensando ao trazê-la ali?
— Você está louco? — o garoto saiu do carro e ela repetiu o gesto, mas não deu nenhum passo a mais.
O moreno se aproximou da borda da ponte e olhou lá em baixo, depois se virou e sorriu tranqüilizador.
Era automático, sempre que Annabeth passava pela Golden Gate a palavra SUICIDIO piscava em sua cabeça, não era algo que ela podia esquecer.
— Venha aqui — chamou o garoto estendendo a mão.
Annabeth hesitou, mas então estendeu a mão e segurou a de Percy, que puxou-a gentilmente para frente.
— Suba — ele fez um gesto com a cabeça indicando o gradil.
A garota encarou ou outro com as sobrancelhas arqueadas. O que ele pretendia com aquilo?
Ela subiu na margem sem medo, as mãos de Percy passaram para a sua cintura, segurando-a firmemente.
— Você quer morrer? Agora? — sua voz era serena. A pergunta assustou a garota.
Annabeth pensou em quanto bem aquilo traria, acabaria com a dor, acabaria com a culpa, com a tristeza. Ela só precisava de um passo, um passo para a liberdade.
Mas então ela sentiu. Sentiu o vento contra seu rosto, sentiu o ar encher seus pulmões, sentiu as mãos de Percy em sua cintura, impedindo-a de cair, e se lembrou das duas ultimas semanas, o quão valera a pena estar viva.
— Não — respondeu com firmeza, de repente, ela tinha medo de estar ali.
— Então tire o seu suéter, mostre ao mundo que você não é covarde, mostre ao mundo que apesar de tudo você quer viver, mostre ao mundo que você não se importa com o que pense, mostre-se ao mundo.
Cautelosamente, para não se desequilibrar Annabeth tirou o suéter, ficando apenas com uma blusa de alças, deixando a vista todos os hematomas em seus braços e clavícula, que haviam aumentado consideravelmente, era algo que a vinda de Percy não podia levar embora.
Annabeth podia sentir o peso que o suéter levara quando fora jogado na ponte, tudo parecia mais leve, como se todos os problemas, todos os segredos encobridos, abafados por aquele suéter tivessem ido com ele. A sensação era libertadora.
— Hey, vocês! O que pensam que estão fazendo? — uma voz áspera chegou aos ouvidos dos dois.
Percy levantou Annabeth pela cintura e puxou-a para baixo, um guarda ia na direção dos dois brandindo uma lanterna ameaçadoramente.
— Correr? — perguntou a garota
— Correr.
O garoto puxou a loira pela mão e os dois desataram a correr na direção do carro, por sorte estava de madrugada e o transito estava tranqüilo. E talvez a escuridão tenha impedido o homem de anotar a placa.
Os dois riram até Percy estacionar na praia, que estava deserta.
— Já esta quase na hora — anunciou o garoto olhando no relógio — Vem.
Os dois saíram do carro, o moreno se encostou no capô e Annabeth repetiu o gesto, o que haviam acabado de fazer ainda assustava a garota, o garoto estava ajudando-a a superar todos os medos? Mas e se ela decidisse pular? Ele permitiria?
Os pensamentos foram varridos da cabeça da garota quando um esplêndido nascer do sol iluminou as águas escuras do mar.
A garota perdeu o fôlego, a boca entreaberta, enquanto observava o fenômeno. Ela buscou a mão de Percy involuntariamente e olhou para o garoto.
Ele, por sua vez, a fitou, os olhos dela estavam dourados assim como os cabelos, refletindo o nascer do sol, mas ele percebeu que preferia observá-la a qualquer outra coisa, no mundo.
O moreno apertou sua mão e puxou-a para perto, sentindo o corpo arrepiar, ele a abraçou e aplicou-lhe um longo beijo no testa, Annabeth fechou os olhos e logo em seguida se afastou, abriu um sorriso de tirar o fôlego, soltou sua mão e correu em direção à água, os cabelos esvoaçando atrás de si. Era a cena mais linda que o garoto já vira.
Percy não hesitou em segui-la.
A garota chegou ate a maré e fechou os olhos, sentindo o sol penetrar em sua pele algo que raramente sentia, devido à presença dos suéteres.
Uma brisa acariciou seu rosto e ela sentiu o cheiro de maresia, tão conhecido. Nesse momento braços se fecharam em torno dela fazendo-a se desequilibrar e por pouco não cair, Percy soltou uma risada e a garota o acompanhou, ainda em seus braços.
Ele a encarou e o sorriso desapareceu de seu rosto, seus dedos passaram pelos braços da garota, pelos hematomas, os olhos acompanhando o movimento, por fim, seu olhar encontrou os da loira novamente. O moreno fitou-a intensamente, fazendo um calafrio percorrer-lhe a espinha.
— Você é perfeita — sussurrou ele, então se inclinou, fechando os olhos e selou os lábios com os dela.
Notas finais
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