Hopeless
2 Bulêmica?
Notas iniciais
— Você tem que parar.
— Desculpe? — Thalia Grace ergueu a cabeça, a mão segurando a seringa pairando sobre o braço.
— Você tem que parar de usar.
— Eu ouvi direito? O traficante diz ao usuário para parar de usar? Luke? Você está bem?
Luke desviou os olhos e entregou a parafernalha ao homem que se apresentou, as vezes a culpa tomava conta dele, todas aquela vida sem rumo, e era tudo sua culpa.
— Eu não uso — disse ele — sei o mal que faz. Você tem que parar.
— Você não está dizendo isso para os outros usuários.
— Eu me importo com você.
Thalia baixou os olhos para a seringa.
— Você acha que eu não by Browse to Save\">quero parar? Eu só não consigo.
— Eu não te venderei mais.
A morena ergueu os olhos azuis elétricos e encarou o garoto encoberto pelas sombras.
— Por que toda essa culpa agora? Quer saber? Vou procurar outro lugar para usar.
— Hey! Espera.
Thalia não deu ouvidos, já estava correndo, tentando permanecer na maior parte do tempo nas sombras.
...
Annabeth acordou no chão de seu quarto, já era de manhã, e ela estava completamente seca. Ela piscou e uma lagrima escorreu por seu rosto, ela não queria ter acordado, ela sentia que o sonho era sua realidade e a realidade seu pesadelo.
A loira se sentou e seus músculos rígidos protestaram. Ela fora ingênua ao pensar que acordaria bem, em sua cama, que alguém havia cuidado dela.
Lentamente a garota se levantou, gemendo e foi tomar banho novamente para ir a escola. Enquanto deixava a água escorrer por seu corpo Annabeth analisava a mão cuidadosamente, flexionou os dedos, estavam doloridos, mas não quebrados.
Assim que saiu do banho, Annabeth vestiu rapidamente um suéter azul que pertencia a sua mãe, suéteres ou qualquer coisa de mangas longas que tampavam os hematomas eram seu uniforme para ir à escola ou a qualquer lugar, ela não queria que alguém descobrisse o que ela passava em casa.
Saindo do quarto, a garota se dirigiu até a cozinha e preparou o café da manhã, o pai só acordaria mais tarde, ela tirou uma cerveja da geladeira e colocou-a do lado dos ovos com bacon, por um momento quase rotineiro ela pensou em acrescentar veneno de rato à refeição.
Annabeth deu um sorriso fraco, e saiu.
...
Percy Jackson só queria ter um coração, um que ao menos funcionasse perfeitamente, fazia apenas alguns meses que recebera a noticia, seu coração precisava ser urgentemente substituído, mas, infelizmente, doações de corações não estavam em alta.
“Quer saber? Que se dane” Percy pensou ao entrar no banheiro feminino com Rachel Elizabeth Dare agarrada em seu pescoço.
Rachel era uma pessoa legal, tirando o fato de ser bastante desagradável com Annabeth Chase, garota que Percy achava, no mínimo, muito interessante: o jeito quieto e misterioso, a inteligência, os olhos cinzentos e intimidadores e principalmente o fato de que a garota parecia odiá-lo com todas as forças. Percy gostaria de conhecê-la.
Rachel fechou a porta atrás de si e selou os lábios aos do moreno, sufocando-o. O garoto decidiu que não gostava do beijo da ruiva, era violento, obsceno.
De repente o som de tosses encheu o lugar, Rachel — para o alivio de Percy — pulou para trás, ligeiramente assustada, fazia uma hora que as aulas haviam acabado, os dois deviam estar sozinhos.
A porta do boxe a frente se abriu e a boca de Percy se escancarou ao ver Annabeth sair de lá e, sem notar as presenças dos dois, se dirigir até a pia, lavar os dois dedos maiores, encher a boca de água e cuspir logo em seguida.
O queixo de Rachel caiu:
— Você é bulêmica?
Annabeth estava paralisada. Por que diabos, de tantas pessoas que poderiam descobrir, tinha de ser logo ela?
A loira girou o corpo para se deparar com Percy Jackson a olhando com a boca aberta frouxamente. O que Percy Jackson e Rachel Dare estavam fazendo sozinhos no banheiro feminino? A resposta foi óbvia. Uma ponta de irritação subiu pelo corpo de Annabeth, ela sentiu vontade de bater em algo. Bem forte.
O moreno olhou em volta com as sobrancelhas franzidas e perguntou:
— Ela é bulêmica? Não entendi.
— Não seja lerdo — Rachel retrucou sorrindo vitoriosamente, mas o sorriso não durou muito tempo, o olhar da ruiva congelou em alguma parte do corpo de Annabeth e seu sorriso desapareceu.
Em desespero, a loira seguiu o olhar da ruiva e encontrou a manga de seu suéter arregaçada até o cotovelo, deixando a vista uma serie de hematomas.
Annabeth abaixou a manga rapidamente, mas o estrago já estava feito.
— O que você esconde debaixo desses suéteres?
— Nada. — a loira se amaldiçoou por ter respondido tão rápido.
Rachel avançou, agarrando a barra do suéter de Annabeth e puxando-a para cima. Em poucos segundos, a loira estava apenas com as roupas de baixo.
A ruiva recuou dos passos e arfou, talvez aquela fosse a reação esperada, não havia uma parte do corpo de Annabeth que não estava vermelha ou se recuperando de um ferimento recente.
A loira fechou os olhos, imaginando as conseqüências que viriam a seguir: a policia, seu pai preso, talvez um orfanato, sussurros e dedos apontados…
— Com quem andou brigando? — a pergunta de Rachel chegou como musica aos ouvidos de Annabeth, que abriu os olhos e percebeu que os olhos da outra estavam fixados em suas mãos machucadas. Marcas de socos.
Annabeth quase não conseguiu conter um sorriso.
— Não interessa. — respondeu e saiu tempestuosamente do aposento.
Os corredores da San Francisco High School, ou simplesmente SFHS estavam totalmente vazios. A loira finalmente conseguiu respirar normalmente, seu pai, recentemente havia reclamado sobre o barulho freqüente das descargas, ele sempre achava algo para reclamar, desde então Annabeth costumava a usar o banheiro da escola, nunca havia tido algum problema, dessa vez ela havia escapado por um triz.
A garota mal chegou ao final de corredor e sentiu uma mão segurar-lhe pelo pulso. Ela girou os calcanhares para encontrar Percy Jackson a encarando seriamente.
— Você andou brigando com o time de futebol?
— O quê?
— Essas marcas, não são de brigas, são de espancamento. E então?
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