Hopeless
21 Capítulo 22
Notas iniciais
Ok, 1 dia, eu tinha 1 dia para pensar na melhor maneira de fugir do meu padrasto, não fugir em seu significado literal, físico, mas fugir mentalmente, para um lugar, um paraíso que tire todo o meu estresse e que me desse força para enfrentá-lo e sair ganhando. Andei até a porta milhares de vezes pensando em chamar o Lucas, pedir ajuda, contar o que havia me afligia, tudo o que eu sentia, deixar o meu mundo desabar desde que ele me segura-se como se eu fosse o mundo dele. Mas eu simplesmente não podia, meu cérebro, coração, todos os meus sentidos gritavam para que eu não o fizesse.
– Lucy! — Escutei um grito vindo da sala, meu coração acelerou e não pensei duas vezes e sai correndo em direção á mesma, cheguei nas escadas e vi meu padrasto apoiado em suas muletas com um sorriso triunfante, ele havia emagrecido e ainda estava com cara de doente, Lucas estava na frente da porta, ele me encarava meio assustado.
– Vocês vão me ajudar ou ta difícil? — Falou meio grosseiro perdendo a compostura. Tudo parecia desmoronar ao meu redor, porque ele tinha que voltar justo agora? Agora que eu havia terminado tudo com o Diego, brigado com o Lucas e estava sozinha? Parecia que o destino estava brincando comigo de novo. Desci as escadas passo a passo calmamente, não me apressando a chegar ao final, tentando manter a calma, Lucas o encarava sério agora, seus pulsos fechados e seus músculos tensos saltavam deixando seus braços volumosos.
– O que estão fazendo ai parados? Me ajudem porra. — Ele falou grosseiro, peguei as malas que estavam do lado dele e as levei para seu quarto e o Lucas o ajudou a sentar no sofá, pronto, era o que faltava para o inferno começar, minha cabeça já começou a entrar em desespero.
– Obrigada Lucas, meu filho. — Ele disse com um sorriso cínico no rosto, estranhei bastante mas ignorei ao ver que Lucas já havia sentado e começado a conversar com ele, minha boca abriu um pouco com o tamanho da minha perplexidade, como Lucas podia simplesmente conversar com o cara como se fosse a coisa mais simples e fácil do mundo. Aé, ele me estuprou, não ele. Respirei fundo, pensando que o melhor que eu podia fazer era subir e me trancar no meu quarto, coloquei os meus fones e comecei a escutar música para pensar no que fazer naquele momento, e depois de tanto pensar, decidiu olhar para o relógio, haviam se passado 4 horas depois do dele ter chego em casa, ela ficou de cara, ficou em silêncio e viu que tudo estava em silêncio completo também, depois escutou a porta se abrindo e era Lucas, ele entrou e foi direto para o banheiro, dei de ombros e troquei de roupa, coloquei um shorts curtinho e uma blusa compridinha dele, afinal, o cheiro era melhor do que se podia imaginar, coloquei thrift shop pra tocar e coloquei os meus fones e fui dançando pelo quarto, só percebi que Lucas tinha saído do banheiro quando o vi passando por ela e fechando a porta atrás de si sem nem olhar pra trás.
Que porra era essa que ele tava fazendo? Terapia do silêncio? Seriously? Continuei dançando e pirando, balançando e rebolando de acordo com as batidas da música, jogava meu cabelo, como se eu estivesse na maior vibe depois de beber vários shots. Então sem perceber Lucas voltou e falou alguma coisa, mas a música estava alta demais, então não escutava nada, eu tirei um fone e o olhei.
– Que? — Falei meio séria e meio brincalhona.
– Não quero escutar sua voz estridente pela casa, muito menos quando eu to tentando ver o jogo! — Ele falou putasso da vida, depois saiu do meu quarto e eu apenas fiquei encarando a porta após ele ter saído, então desliguei o som e resolvi ler um livro, que não deu muito certo porque depois de uns minutos eu já estava morta do sono e como já era de noite, caiu perfeitamente bem e eu decidi descansar.
– Lucy lucy minha lucy. — Escutei uma voz baixinha, em meio ao meu sonho louco senti toques no meu corpo e uma voz me chamando para o mundo real, lutei para não voltar, lutei com todas as forças, mas não foi o suficiente e eu acordei, com o meu padrasto tocando no meu rosto, abri os olhos e me afastei, ele estava sentado na minha cama.
– Acordou! — Ele falou baixinho e com um sorriso perverso em seus lábios, ele puxou meu pulso para meu corpo ir de encontro com o dele, me segurei na beirada mas ele ainda era mais forte, fiquei o chutando até ele se sentar em cima das minhas pernas e começar a passar a mão nas laterais do meu quarto, comecei a chorar e a gritar, batia os meus braços e me sacudia loucamente para sair daquela prisão infernal, não, aquilo de novo não, ele chegou na beirada do meu shorts e consegui tirar o meu pé de debaixo do seu corpo e dei um chute em seu quadril, fazendo-o se contorcer de dor, cai no chão de quatro mas não parei e sai correndo pela porta, desci as escadas e Lucas estava desacordado no sofá, tentei o acordar mas ele não acordava de jeito nenhum, o sacudi loucamente, droga, resmunguei, levei as minhas mãos a cabeça, respirando ofegante e olhando ao redor para achar algo que me ajudasse. Nada.
Abri a porta e fui bater na porta do Diego, quando olhei para ele eu ia falar algo quando senti mãos se enroscarem em minha cintura e me puxarem para trás, Diego tentou falar algo e vir atrás mas fui puxada tão rápido e com tanta força que só o que eu escutava eram os meus gritos, então vi a porta se fechando á minha frente, e fui jogada contra o chão, me virei e vi ele trancando a porta, ele não estava mancando, muito menos com a muleta, eu não sabia mais o que fazer, fui me arrastando para trás enquanto ele vinha na minha direção, eu sabia que não tinha nada o que fazer, e odiava admitir, mas eu estava sozinha.
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