Hopeless

24 Capítulo 25


Notas iniciais
Faltam dois capítulos pro fim, choranuuu

Quando abri meus olhos e olhei para o teto senti como se estivesse em casa de volta, com aquela calmaria, minha mãe viria me acordar para eu ir para a escola e eu ainda seria uma virgem santa com um futuro promissor pela frente, então simplesmente a verdade me atingia com força, me fazendo lembrar que eu era uma fugitiva e que eu estava nua em uma casa abandonada com o garoto que eu amo, que a propósito, também é um fugitivo graças a mim.

- Lu? — Chamei, me sentando no sofá e coçando a minha cabeça, andei pela casa, nada de Lucas, fui até o quarto e coloquei umas roupas femininas que me davam bastante liberdade de movimentos (ou seja: shorts, regata e um moletom) e o meu tênis que havia secado já, voltei até a mesa e tomei um café da manhã e estava assistindo a televisão quando vi a minha foto e a de Lucas na tv, dizendo que eramos foragidos perigosos e possivelmente armados, eu ri quando li porque não conseguia acreditar! Perigosos até entendo porque matamos o meu padrasto, mas porra, possivelmente armados não é um pouco extremo demais? Comecei a mexer nas gavetas e armários a procura de informações das pessoas que moravam naquela casa, apenas por curiosidade. Cheguei na escrivaninha e vi um porta-retrato de uma menininha que tinha lá seus 8 anos abraçada com seu pai rindo, ela era ruiva, olhos verdes e um sorriso fofo de se ver com um dos dentes da frente faltando, seu pai tinha lá seu charme com cabelo grisalho, e pelo contrário da menina que sorria sinceramente, ele sorria, mas forçadamente, seus olhos estavam tristes, abri as gavetas e fui passando os olhos por cima dos papeis, vendo contas a pagar, até chegar em uma folha que dizia algo relacionado a exame de alguma coisa, comecei a ler com cuidado e vi que o homem tinha leucemia.

Não sei o porque aquilo mexeu comigo, afinal, eu só estava na casa dele, e de metida, mexendo em suas coisas, mas fiquei curiosa em relação ao futuro daquela menina. Fiquei olhando para a mesa imaginando o que o futuro me aguardava, peguei uma das canetas mais elegantes e várias folhas e fui escrevendo o que me vinha na cabeça, terminei e fiquei olhando para as mesmas...

- LUCY!- Escutei o grito do Lucas cortando os meus pensamentos sobre a pobre ruivinha, guardei as folhas no meu bolso e corri para a sala e vi ele com um corte na bochecha e respirava ofegante, fui até ele o olhando assustada.

- Eles nos acharam, a gente tem que ir! — Ele disse me puxando pela mão então fomos correndo porta a fora pulando a escada de três degraus estilo filme de ação de fugitivos mesmo, eu corria o mais rápido que os meus pés e meu corpo permitiam.

Não sabíamos para onde estávamos indo, pelo menos eu não, eu apenas acompanhava o Lucas que desviava habilmente das folhas chatas que insistiam em tentar bater em seu rosto e braços. Ficamos como se fosse uma eternidade correndo e mudando de direção, então decidimos ir reto em direção ao norte, também pareceu que aquelas árvores não tinham fim até chegarmos em um muro que ia até onde os nossos olhos não enxergavam mais, olhei para Lucas e o abracei forte, o mais forte que eu podia, aquele era o Adeus, segurei seu rosto entre as minhas mãos, ambos chorávamos, e o beijei, beijei como se o mundo fosse acabar, como se eu fosse morrer, com um desespero e ao mesmo tempo com calma para aproveitar cada toque, para guardar cada jeito dele, ele me segurava pela cintura, colando nossos corpos, escutei passos irem e me soltei dele, o empurrando para ir para a esquerda.

- O que você está fazendo? — Ele falou me olhando, seus olhos estavam vermelhos.

- Vai! Vai embora Lucas! — Eu gritei apontando para ele ir em frente ele resmungou um pouco e tentou vir para mim, para enfrentarmos aquilo junto, mas afinal, a culpa era minha, não dele, eu tinha que assumir as consequências, quando ele deu um passo a frente eu recuei, doeu, doeu demais, meu coração, meu corpo, tudo gritava por ele.

Então ele ficou sério, secou as lágrimas com raiva e saiu correndo, esperei um tempo até vê-lo sumir da minha frente, escutei os passos rápidos das pessoas que estavam atrás de nós. Dei um grito para chamar a atenção deles e quando achei que eles estivessem bem perto corri em dispara para a direita, fazendo o máximo de barulho para virem atrás de mim, para me acharem.

A cada passo que eu dava parecia que a dor só aumentava, não tinha fim, não parava, as lágrimas já corriam incessantes pelo meu rosto que era machucado junto com as minhas pernas sem dó, senti alguma coisa prendendo na minha perna e correu um choque pelo meu corpo, fazendo o mesmo parar e cair de com toda a força no chão, merda, não era para ser tão rápido.

Minha visão já estava ficando embaçada quando um cara com roupa azul que eu julguei ser um policial aparecer na minha linda de visão e rir da minha cara, filho da puta, eu ja tava no inferno, fui abraçar o capeta. Com umas das ultimas forças que me tinha, cuspe sangue e saliva na cara dele e sorri de leve, o suficiente para ele ver e então minha visão ficou preta de vez e fodeu tudo.

- Acorda! — Escutei alguém gritando grosseiramente para mim, era uma voz masculina, abri os olhos devagar e ia arrumar o meu cabelo que havia caído no meu rosto mas eu não consegui, senti metais frios ao redor dos meus pulsos, algemas, soltei uma risada, é agora que eu enlouqueço de vez. Passaram horas até que alguém decente viesse falar comigo dentro da minha cela, era a minha advogada, me tiraram da sala e fui com ele para um lugar reservado.

- Então... — Ela ia começar um discurso que eu presumi ser chato e demorado porque ela tinha cara de chata e demorada.

- Tem folhas no meu bolso, quero que você dobre e coloque em um envelope e quando der... — Continuei explicando para ela o que eu queria que ela fizesse. — E eu me declaro culpada.

Notas finais
E AI? GOSTARAM??????