Hopefulness
1 Hopefulness
Notas iniciais
Espero também que reflitam sobre o texto. Aproveitem.
Aquela mão pequena e infantil segurava a minha carinhosamente. A pele que um dia fora rosada estava acinzentada, demonstrando o tamanho de sua enfermidade. O meu pequeno irmão, Sasuke, de oito anos estava doente e eu me sentia impotente pelo fato que não poderia fazer nada.
Ele estava em estado terminal e a única maneira de salvá-lo daquela terrível leucemia era um transplante de medula óssea. Parece ser uma coisa fácil, todos nós, seres humanos; possuímos medulas. Entretanto, nada é tão fácil quanto aparenta. Eu mesmo poderia doar, mas nossos sangues não são compatíveis. Papai e mamãe morreram há alguns anos, e a nossa família não é muito grande.
Primo Obito também fez o teste de compatibilidade, contudo o resultado também foi negativo. A maneira que encontramos foi ficar em uma longa fila de espera. Estou ciente que quando chegar a vez do meu irmão (se chegar) ele já terá morrido. Admitir isso dói, ainda mais quando aquela criança me pergunta com uma rouca voz infantil se ele vai ficar bem. Eu me sinto culpado em dizer que logo todo esse pesadelo irá acabar e tudo vai ficar como era antes.
Os doutores estimam que Sasuke já tinha a leucemia desde quando bebê. Não descobrimos cedo, esse foi o nosso erro. Sofre de leucemia linfoblástica aguda, que afeta em sua maioria crianças. Foi durante um check-up que descobrimos, e aquilo fez o meu chão sumir. Era como se o próprio Deus estivesse puxando o meu tapete, meu irmão tinha apenas 5 anos na época.
Antes de tudo isso acontecer ele era como qualquer garotinho. Adorava brincar comigo, embora eu não tivesse tempo para esses pequenos detalhes. Tinha só dezoito anos e já comandava a empresa de meu falecido pai com o meu primo, não tinha tempo para bobeiras de crianças. Mal sabia eu que essas pequenas coisas fariam diferença hoje em dia. Eu lembro que ele me esperava toda noite no sofá, e acabava dormindo. A babá sempre me contava que por mais que ela insistisse para o pequeno que ele deveria me esperar na cama, ele sempre regressava para o sofá. Não adiantava repreende-lo, ponha-lo de castigo ou coisa parecida, nada surtia efeito.
Eu sempre o levava para cama e contava uma pequena história, e ele sempre segurava a minha mão e dormia na metade dela. Não reservava á ele nem um beijo de boa noite, simplesmente caminhava até o quarto e desabava na cama, trabalhar para sustentar aquela casa não era fácil, ainda mais sendo época da crise econômica.
Foi um tempo depois de que consegui amenizar a perda da empresa que o comportamento dele mudou. Comecei a tirar o sábado e o domingo de folga, tentando passar mais tempo com ele, e percebi que o pequeno estava sempre cansado. Ele queria brincar, se divertir e gargalhar, mas não possuía força suficiente para isso. Ele não queria comer, dizia estar sem fome.
No inicio eu pensei que era somente uma birra típica de crianças daquela idade, e apenas ignorei. Era somente manha, afinal, Sasuke tinha tudo o que queria, não podia ser outra coisa. Todavia ele começou a perder peso e consequentemente comecei a me preocupar. Marquei um check-up de rotina, aquele que fazemos só para certificarmos que estamos bem. Previ que fosse uma anemia, e acertei. Contudo, era uma anemia causada por uma produção maligna de linfócitos.
O quadro de Sasuke já era um pouco avançado, esse tipo de doença evolui rapidamente e sem os tratamentos necessários não haveria chances para ele. Há essas horas que vemos o verdadeiro valor do dinheiro, eu paguei sem nenhuma dó todo o tratamento, desde inúmeras drogas quimioterápicas até a radioterapia, que não tinha o preços nada razoáveis. Eu via cada vez o meu pequeno perder o cabelo, ficar triste por estar sempre no hospital.
Eu tinha esperança, mesmo não sendo uma pessoa religiosa eu não podia deixar de acreditar que o tratamento faria efeito, e que logo o meu irmãozinho estaria em casa todo serelepe, pulando e gritando “Itachi-nii” por ai. Mas como eu já disse: Nada é tão fácil quanto parece. Efeitos colaterais surgiram e outra crise na empresa se iniciou.
Chegou a hora que eu devia escolher entre o meu patrimônio e entre Sasuke. Não podia deixar o meu irmão em casa com uma babá o dia inteiro, e nem poderia abandonar a empresa. Era como de qualquer passo que eu desse e estivesse mais perto de pular de um precipício. Obito viu a minha situação, e simplesmente alegou que eu devia passar mais tempo com Sasuke, ele cuidaria de tudo.
“Como você dará conta de tudo? Estamos em crise...” Me lembro de ter dito. Obito deu um sorriso aberto, como era acostumado a dizer e apenas respondeu:
“Madara estará de volta.” Disse.
Madara é um tio por parte de mãe, o rebelde da família. Mas apesar de tudo sempre fez bons negócios. Acho que havia saído do país para cuidar da filial da empresa em Nova York, deixando a responsabilidade de comandar a sede japonesa comigo e com o primo.
Fiquei aliviado de ter uma folga, assim poderia passar mais tempo com Sasuke. Ele tinha sete anos na época e eu não visualizava nenhum resultado do tratamento caríssimo. “Talvez estivesse fazendo efeito, não sou médico para perceber”, refleti no momento.
Um tempo se passou, e fui chamado no consultório do médico do meu pequeno. No telefone ele apenas me avisou que tinha uma noticia para me dar, e o meu cérebro gritava dizendo que era uma boa noticia. Nesse tempo todo do tratamento do meu irmão eu não pode deixar de me tornar mais positivo.
O doutor Kakashi – que depois de tudo, tornou-se meu amigo – foi logo diretamente no assunto, como era de seu feitio.
“Seu irmão precisa com urgência de um transplante de medula. Se isso não ocorrer, temo que seja tarde para ele.”
Entrei em desespero. Uma parte de mim dizia que eu mesmo seria compatível, e outra dizia para simplesmente desistir. Eu não poderia desistir, não da única pessoa que me amava mais profundamente do que qualquer outra no universo. Não daquele pequeno ser que me considerava mais do que tudo. Que mesmo sem atenção não se importava em me amar imensamente. Se eu me desapegasse da causa que estava lutando há quase três anos, seria como cuspir para cima.
Finalmente fiz o teste de compatibilidade e me desesperei em descobrir se negativo. Obito se prontificou em também fazê-lo e surpreendeu-se em igualmente não poder ajudar. Agora eu teria que ser forte e suportar o meu irmãozinho sofrer, por puro egoísmo.
Eu não acreditava que era tão difícil assim um ser humano com coração doar um pouco da sua vida para uma criança. Eu virei as costas para mundo, e em uma atitude mais drástica comecei a doar a minha medula óssea. Imaginei quantas famílias estariam na mesma situação que a minha, e como se sentiam mal por não poder ajudar.
Logo tudo isso foi parar em manchetes. Jornais, revistas, internet, estava em todo lugar. “Herdeiro Uchiha doa a sua medula, enfatizando o poder de ajudar o próximo!” Declarava um dos jornais mais lidos do país.
A confusão se tornou generalizada e espalhou-se por todo o globo. As pessoas viam aquilo como uma forma de protesto, para assim achar um doador para o meu pequeno. O que em parte não deixava de ser verdade. Madara que estava do outro lado do mundo ainda não sabia da doença de um dos sobrinhos, disse que viria para o Japão imediatamente e faria um teste de compatibilidade.
Eu me lembro de que quando mamãe era viva, dizia que o irmão era muito bom, e que eu era bem parecido com ele. Não só de aparência, mas também de personalidade.
Meu tio cumpriu a sua palavra, a primeira coisa que fez ao pisar os pés em terras japonesas foi fazer o bendito teste. Eu não sou uma pessoa dramática, mas não pude deixar de chorar quando descobrimos que ele era compatível, finalmente aquele pesadelo acabara.
Ainda lembro quando entrei no quarto de Sasuke para dar a noticia. Ele estava dormindo, e o abracei mais forte que pude. O seu corpo estava fraco e ele se assustou um pouco, ficou surpreso por ver o seu irmão chorando. Ele me acompanhou nas lagrimas, mesmo sem saber o que as causava.
“Por que o nii-san ‘tá chorando? Eu fiz algo de errado?” Perguntou inocentemente. Eu não pude deixar de sussurrar docemente em seu ouvido:
“Você me fez acordar para a vida Sasuke”
No dia seguinte estávamos nos preparando para a cirurgia. Sasuke não sabia o que estava acontecendo, ele olhava para todos com aqueles olhos questionadores sem entender realmente a que ocorria nos nossos corações no momento. Minutos depois ele foi dopado e a cirurgia se iniciou.
Os meus dedos suavam e estavam gélidos, demonstrando o tamanho da minha ansiedade. Obito estava do meu lado e segurou a minha mão quando o doutor apareceu e disse que tudo havia saído conforme planejado. Novamente não pude deixar de segurar as minha lagrimas. O meu pesadelo provavelmente estava no fim.
Dois meses se passaram, e aqui estou eu segurando a pequenina mão de Sasuke. O seu cabelo já havia voltado a crescer, e a cor da sua pele já estava muita mais atrativa. Ele já sorria mais facilmente e até voltou a brincar com seus brinquedos, agora eu com certeza daria mais valor para a pessoa que mais me amava na vida.
Aos poucos tudo estava se ajeitando. Depois do meu “protesto” o transplante de medula aumentou em 15%. Parece um número pequeno, mas acredite que realmente faz a diferença.
Certamente não estou aqui para dar lição de moral alguma, mas você não se sentiria bem em salvar uma vida, e ser pelo menos o herói dessa pessoa? Esse sentimento de estar salvando uma vida é muito bom. Alguns dias atrás descobri que uma garotinha tinha sido salva pela minha medula, e o que caiu sobre mim foi um sentimento avassalador, e eu espero que isso tudo se repita.
Agradeço imensamente á você, Tio Madara.
E ao Obito, por estar ao meu lado nesse momento tão difícil.
Uchiha Itachi, 21 anos.
Notas finais
Espero que tenham entendido o que o Itachi simplesmente quis dizer com egoismo. As pessoas são egoístas. Eu sei que o que vou escrever aqui não passam de opiniões, mas irei escrever.
Morrem pessoas todos os dias. Pessoas precisam de transplantes todos os dias. Se as famílias doassem os órgãos dos parentes, pensem em quantas pessoas iriam sobreviver?
Eu não sou religiosa, mas acho que é uma causa por que devo lutar. Quantas crianças como o Sasuke precisam de uma medula, mas acabam morrendo por não receber?
Um dos meus sonhos é doar a minha medula, mas não tenho idade e nem peso (tem que ter mais de 50 quilos né?) mas é algo que está na minha lista de coisas para fazer.
Espero que tenham gostado!
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