Hope you don't mind
1 Capítulo 1
Eu mal podia acreditar. O dia tinha finalmente chegado.
Como se fosse ainda mais emocionante do que receber a carta da faculdade, minhas pernas saltitavam no chão do carro e eu não conseguir conter a empolgação olhando a vista da estrada. Eu iria conhecer minha colega de quarto!
Ela gostaria de festas? Não gostaria? Que curso ela estaria cursando?
E se ela tivesse uma paixão pelo One Direction e nosso quarto fosse repleto de pôsteres?
Não importa. Independente de como ela seria, eu sei que faríamos amizade rapidinho.
Mas é claro, nem tudo é um mar de rosas. Eu também teria que me despedir dos meus pais. Finn iria junto comigo, mas estaria alojado em outro prédio de apartamentos do campus, mais longe do que eu gostaria.
— Vamos sentir saudades, pestinhas — papai disse enquanto nos abraçava. Eu iria sentir falta do seu cheiro de maçã verde e dos domingos que fazíamos reviews de cereais ao redor do mundo.
— Lembrem de comer sempre. Finn principalmente, não vai querer desmaiar daquele jeito de novo, não é?
Pude ver Finn ao meu lado estremecer.
— Pai! — ele resmungou, o que só nos fez rir mais.
— Tá legal. Não aprontem demais. — Pai nos deu um último abraço de urso.
— E quando conhecerem alguém que vocês gostarem muito... Se protejam, tá?
— Eca! — eu e Finn dissemos em uníssono.
— Ok Dan essa foi um pouco demais — pai o repreendeu. — Mas ele está certo. Cuidem de si mesmos e um do outro.
— Pode deixar! — abracei Finn de lado. Ele não reclamou.
— Até logo, pestinhas. Chamem se precisarem. — Pai entrou no SUV e abriu a janela para acenar para a gente quando o carro entrou em movimento.
— Tchau pais! — nós dois nos despedimos, e então nos viramos para o prédio principal do campus da faculdade.
— Seu prédio fica para qual lado? — perguntei. Ele olhava o mapa concentrado no celular.
— É para a direita.
— Ok... então... nos vemos por aí. — Eu disse e acenei. Ele acenou de volta, já começando seu caminho contrário ao meu. Não me contive, e o abracei de novo.
— Farah! Você já veio me abraçando a viagem inteira até aqui.
— Eu sei. Tô emocionada. Só mais um pouquinho.
— Você já é emocionada por natureza. — Ele me empurrou para fora do abraço. — A gente se vê por aí, meu prédio é só alguns metros distante do meu. Eu preciso do meu tempo sozinho também, lembra?
— Verdade. Foi mal. Até mais, maninho. — Dei espaço para ele passar. Não que precisasse, a calçada era bem ampla.
— Eu sou só dez segundos mais novo — resmungou e começou a percorrer seu caminho.
— Por isso mesmo, eu sou a mais velha! — falei alto para que ele escutasse. — Eu quem mando!
Ele me ignorou, e eu soube que era hora de eu ir ao meu prédio. Não era tão longe quanto o dele, mas preferi conferir o mapa no celular mesmo assim. Quanto mais eu me aproximava, mais ansiosa ficava. Seria um novo capítulo da minha vida, e aqui seria meu lar pelos próximos anos.
Eu poderia fazer tantas coisas, conhecer tantas pessoas, minha colega de quarto então!
Quando entrei no prédio, o som de burburinhos ficou mais alto. Pessoas saiam e entravam das várias portas que tinha pelos corredores. Algumas colocavam cartazes de clubes nos murais espalhados por ali ou abordavam as pessoas para se juntarem. Eram mais opções do que eu imaginava. Eu precisaria analisar se entraria no clube de literatura ou no clube de fanfiction agora.
A porta do meu quarto estava logo a esquerda. Comemorei internamente, porque ficaria com a vista dos fundos do campus do parque da universidade e do rio que passava ao longe. Assim que entrei, notei que o quarto era um pouco maior do que o quarto que tinha em casa. Uma cama paralela a cada parede, e uma janela ampla dando vista ao parque já que a persiana estava aberta.
Tinha uma cômoda e mesa de estudos uma de cada lado, e meu olhar enfim foi dos pôsteres de bandas de rock e indie na parede para a pessoa deitada na cama.
Estava usando um headset e parecia concentrade na música que tocava, visto que estava com os olhos fechados. Tinha um corte de cabelo diferente, a franja curta e duas mechas longas perto das orelhas, o cabelo curto e repicado atrás. Usava uma jaqueta preta de couro grande, uma camiseta de uma das bandas dos pôsteres e uma calça cargo. Imaginei que um coturno completaria a roupa, mas elu estava só com meias em cima de uma mochila cheia de pins.
Deixei minha mochila e mala de mão na cama vazia e me virei para me apresentar.
— Oi! Sou a Farah, ela/dela! — estendi a mão confiante.
Elu não pareceu me ouvir.
— Oiii! — cantarolei. Não ia funcionar assim. Decidi cutucar no ombro, e elu finalmente abriu os olhos.
Não disse nada. Me olhou de cima a baixo e fechou os olhos de novo.
— Ah, qual é! — Elu não ouviu. Ou ouviu e não deu a mínima.
Eu não queria interromper o momento, mas também não era assim que eu imaginava que iríamos interagir pela primeira vez. Decidi me concentrar em desfazer as malas e arrumar minhas coisas na mesa de estudos. A música terminou, e quando me virei para falar com elu de novo dois olhos castanhos já me observavam.
— Oi de novo. Sou a Farah Jenkins, ela/dela! — estendi a mão novamente.
— Yas, ele/ela. — Ele recolheu os fones e se sentou.
Minha mão ainda estava parada no ar, sem resposta. A recolhi e peguei meu celular.
— Prazer! Qual curso é o seu? O meu é Turismo.
— Arqueologia.
— Legal! Vi que você gosta de muitas bandas. — Apontei para os pôsteres. — Gosta de OneRepublic?
— Não é muito meu estilo.
— Ah... É minha banda favorita. E a sua?
— Não tenho uma específica.
Assenti, processando a informação.
— Ei, qual seu telefone? — ela olhou para mim, surpresa. — Não nesse sentido! Meus pais falaram para pegar o telefone da minha colega de quarto assim que a conhecesse, e compartilhar com o Finn também se precisasse.
— Finn é...?
— Meu irmão dez segundos mais novo. Sou gêmea.
Yas assentiu com a cabeça algumas vezes, colocou seu fone de novo e voltou a se deitar. Não demorou para eu ouvir uma música abafada. E também não respondeu minha pergunta. Talvez fosse seu jeito de dizer não.
Ela era meu completo oposto, mas tinha um bom gosto musical, um corte de cabelo legal e um ar de misteriosa.
A gente se daria bem.
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