Hope, Mais Uma Vez Amor
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Se eu pensei que teria tempo de caminhar calmamente até em casa, refletindo sobre a vida e tudo o que estava acontecendo ao mesmo tempo comigo, estava redondamente enganada. Mas não pude me impedir de ficar um pouco eufórica ao ver a Harley estacionada. Forcei uma expressão indignada e joguei minhas mãos para o alto.
“Isso só pode ser brincadeira, não é?”, disse me aproximando de Adriel. Ele estava sério o que me fez repensar cada passo dado com cautela. “Está esperando há muito tempo?”
Adriel deu de ombros, me passando o capacete.
“Menos tempo do que eu imaginei depois de saber o que você fez.”, sua voz amarga fez com que meu estômago se revirasse. Vi a decepção estampada em seu rosto e me senti cabisbaixa. Abaixei os meus olhos e isso foi o gatilho para que ele disparasse todos os meus erros. “Não acredito que você fez isso com Austin. Quero dizer, eu sabia que você era mau caráter, mas não á esse ponto.”, ele balançou a cabeça e estalou a língua. “Realmente, Mellany. Quebrar o carro de Austin...”
Isso me fez levantar a cabeça com rapidez. Meu pescoço estalou e fiz uma careta.
“Hey, não fui eu.”, me defendi. Obviamente aquilo era mentira, mas o fato dele ter rapidamente me associado o que havia acontecido ao carro, me inquietou. “Estava na detenção por ameaçá-lo com uma faca de manteiga.”, isso o fez levantar uma sobrancelha, curioso. Dei de ombros. “Pode parecer difícil, mas não sou a única que odeia Austin nessa escola.”
“Mas é a única com motivos suficientes para fazer aquilo.”
Seus olhos esmeraldinos se fixaram nos meus com firmeza. Tive que usar toda a minha frieza calculada para não desviar ou corar. Qualquer pequeno movimento iria me entregar. Respirei calmamente e pisquei poucas vezes. Senti meus dedos formigando pelo peso do capacete e passei-o para a outra mão.
Aquele olhar estava me fazendo ter outra sensação além de culpa. Estava agitada internamente. Parecia que todos os meus órgãos estavam trabalhando em força total apenas para que eu permanecesse estável perto de Adriel. Meu coração batia tão forte que me surpreendi por não ter quebrado nenhum osso do meu tórax. Lembrei da letra que estava em meu caderno e tive a impressão que minha mochila ganhou um peso extra.
Adriel esticou sua mão na direção da minha e pegou o capacete. O curto segundo em que nossas peles se tocaram, foi o estupor para que meu rosto adquirisse um tom de vermelho alarmante. Inconscientemente, toquei o local com a pequena e falha esperança de transmitir o calor que habitava ali para a outra mão.
Se desencostando da moto, seu corpo erguido se aproximou do meu – destacando a quase gritante diferença de altura entre nós – e ele se abaixou até que seu rosto estivesse da altura do meu. Aquele olhar crítico havia sumido, dando lugar á uma expressão curiosa e mais humorada. Subitamente percebi que aquela raiva que vinha sentindo o dia inteiro sumiu.
“Desculpe por ser rude.”, ele sussurrou fazendo com que seu hálito fresco batesse em meu rosto. Assenti controlando todas as mínimas reações do meu corpo. Um passo para fora do limite e eu o agarraria. Sorriu. “E por ter te chamado de mau caráter também.”
Aquela camisa branca tinha que estar tão agarrada ao seu corpo, destacando seus bíceps definidos, seus ombros largos, seu peito aberto e seu abdômen definido? Me impedi de balançar a cabeça já sabendo a consequência daquele movimento repentino. Por isso apenas sorri de volta, fazendo com que meu peito permanecesse agitado. Seus olhos brilharam.
“Mau caráter, irritante, boca suja, delinquente, desajustada e rebelde.”, enumerei todas as características que Adriel havia destacada ontem. Seu sorriso se ampliou. “Eu nunca pude dizer o que penso sobre você, não é?”
Seu olhar foi de divertido para totalmente curioso.
“A palavra é sua, Senhorita Brown.”
O jeito como ele disse meu sobrenome fez com todo o meu corpo se arrepiasse. Disfarcei pondo as mãos nos bolsos da calça e tentando parecer despreocupada. Era incrível como conseguíamos ir de uma conversa tensa para uma mais despojada. O sorriso de Adriel continuou em seus lábios, me instigando á prosseguir.
“Você é o cara mais metido, nerd, estranho, misterioso, meticuloso e preocupado que já conheci em toda a minha vida.”, respondi. Obviamente iria omitir as outras características que se passaram por minha mente. Sexy, engraçado, sexy, gostoso, sexy, maduro, sexy, inteligente, sexy, carinhoso e sexy.
“Você fala como se ser uma pessoa preocupada fosse algo ruim.”, ele fez uma careta.
Bati meu ombro levemente contra o seu.
“Quando essa preocupação evoluí ao ponto de esperar por quase duas horas no estacionamento por uma garota tão problemática quanto eu, se torna uma coisa ruim.”, peguei o capacete de sua mão e o pus em minha cabeça. “Vamos para casa. Tenho umas coisas para fazer.”, rolei os olhos. “Além da incrível bronca que vou tomar.”
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“Uma semana de castigo, Mellany.”, Nicolas finalizou seu longo discurso sobre Não ameaçar pessoas com facas e nem dizer para um professor que estava pouco se fodendo.
Assenti, sabendo que se dissesse algo as coisas só iriam piorar. Estava indo para a sala, onde Caliel e Adriel estavam esperando que a conversa acabasse. Se bem que não tinha sido bem uma conversa se contar o fato que apenas Nico havia falado enquanto eu me desculpava e assentia. Aquilo era uma bronca em forma de monólogo. E, convenhamos, Nicolas conseguia ser um saco quando se esforçava.
“Ah”, meu irmão disse, me fazendo frear e retesar. O que mais tinha? “Para garantir que a senhorita não vai fugir como nas últimas quinze vezes, Adriel irá cuidar de você quando eu e Caliel sairmos amanhã.”
F-U-D-E-U.
“O quê?”, perguntei apenas para ter certeza que tinha escutado certo. O encarei, vendo o brilho de satisfação em seus olhos. Parecia que todos haviam se juntado para me fazer sofrer. “Se isso for uma piada, precisa se esforçar mais porque não estou achando nenhuma graça.”
Nicolas cruzou os braços se recostando na bancada da cozinha.
“Estou falando sério.”, ele disse sem piscar. “Vai passar o fim de semana estudando. Sem ensaios. Sem telefonemas. Sem computador. Sem Harper. Sem festas...”
“Sem vida.”, o cortei. Ele assentiu. Ás vezes, o senso de humor de Nicolas me irritava. Embora fosse bem similar ao meu. “E quando meu castigo começa?”
Ele estreitou os olhos, pensativo. Pus uma mão no bolso, cruzando os dedos.
“Quando seu estudo com Adriel terminar.”, ele declarou. Então soltou o ar passando os dedos pelos cabelos negros desgrenhados. Sua expressão se apaziguou um pouco. “Eu não gosto de ser o carrasco, Mellany, mas você me obriga.”, ele olhou em direção á sala e se aproximou, abaixando a voz para um sussurrou. “Se tivesse apenas ameaçado o merda do Parker, eu te perdoaria. Mas você mandou Frank se foder de tantas maneiras...”, balançou a cabeça. “Não posso deixar isso em branco.”
Eu sabia que o merda do Frank estava armando para cima de mim, só não tinha noção de que ele era um gênio do crime em treinamento. Se ele queria guerra, era isso o que ele queria. Sabia exatamente que carro depredar quando voltasse de Nova York. Esse pensamento fez um peso bater em meu estômago. Tinha que falar com Harper sobre nossa súbita mudança de planos. E, infelizmente, Adriel estaria envolvido neles.
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Meu humor estava quase que semelhante ao do dia anterior. A falta de sono realmente mexia com o meu estado de espírito. Novamente usando os meus óculos escuros, atravessei rapidamente o pátio da escola até chegar ao lugar onde meus amigos estavam. Harper foi a primeira á notar minha aproximação e seu olhar ficou obscuro.
“Quem eles acham que foi?”, perguntei de súbito.
“Quer me matar de susto, Mellany?”, Mary disse ponto a mão no peito. Revirei os olhos perdendo o encanto por aquelas habilidades teatral. “E se eu fosse você abaixava o tom de voz.”, ela olhou nervosa para os lados. “Ainda não te descartaram totalmente da lista de suspeitos.”
“Mas você tem um álibi.”, Dexter continuou, pondo um braço ao redor de meu ombro. “Estava na aula de educação física e a respondeu a chamada. O professor irá confirmar que você esteve lá o tempo todo. E, pelo que Harper estava contando, Read também irá confirmar.”
Meu rosto ficou um pouco corado. Jeremy iria testemunhar ao meu favor, sabendo que eu era a culpada. Dei um sorriso cúmplice. Harper continuou com aquele silêncio irritante, até que suspirou e forçou um sorriso, se aproximando. A tensão era tão palpável, que Dexter se afastou alguns passos de nós.
“Ele ficou muito puto.”, Mary prosseguiu, puxando assunto. “Quis ligar para a polícia e tudo. Mas como a nossa querida diretora odeia escândalos, ela disse que a escola faria um leilão para pagar o conserto daquela lata velha estupidamente cara.”
Gemi, passando o dedo por meus cachos.
“Queria ter sido uma mosca para ver essa cena.”, balancei a cabeça e abri minha mochila puxando o motivo por ter me mantido acordada durante a noite inteira. “Fiz uma letra nova.”, dei uma cópia para cada um. Minhas bochechas se esquentaram. “Não é a melhor coisa do mundo, já que não sou compositora e...”
“Está ótima.”, Harper disse, me cortando. Dei um sorriso agradecido e seus olhos ficaram menos turvos. Ela encarou os outros integrantes da banda que assentiram em concordância. “Vamos ensaiar hoje.”, fixou os olhos em mim. “Pode se comportar hoje para podermos sair cedo?”
Fiz uma careta.
“Tarde demais para me fazer esse pedido, Moore.”, eu disse recebendo três pares de olhos curiosos na minha direção. “Eu e o Wilder tivemos um pequeno desentendimento ontem o que me custou mais um dia de detenção. E uma semana de castigo, então nem depois vou poder.”, encolhi os ombros, sabendo que estava os decepcionando.
“Tudo bem.”, Harper disse e sorriu. Encarei-a, confusa. “Ensaiamos quando chegarmos á Nova York.”, suspirei, agradecida. Ela olhou para Mary e Dexter. “Se quiserem, podemos passar a harmonia hoje lá em casa e ensaiamos com o vocal depois.”
“Por mim, tudo bem”, Dexter deu de ombros. Mary apenas balançou a mão, ainda mantendo os olhos fixos na música. Dex me deu um olhar de canto. “Eu realmente gostei da letra.”, um sorriso travesso atravessou os seus lábios. “Estava pensando em alguém?”
Mary riu.
“Alguém está fazendo nossa Mellany se derreter”, ela gracejou.
“Vão para o inferno.”, revirei os olhos. O sinal da aula tocou nos fazendo reclamar e fomos em direção á nossas respectivas aulas. Antes que realmente entrássemos no prédio, segurei Harper pelo antebraço, lembrando de outro ponto importante que tínhamos que discutir. “Espere.”
Ela assentiu e fomos para a parede afastada da porta, escapando do fluxo contínuo de alunos entrando desesperados. Harper estava tensa, mesmo que estivesse tentando se fingir de indiferente. Uma parte de mim queria questioná-la novamente, mas sabia que iria desestruturar ainda mais nossa ligação. E tínhamos que ter aquilo para manter a banda. Então suspirei e resolvi ir direto ao ponto.
“Temos um pequeno problema.”
Ela levantou uma sobrancelha.
“Que seria?”
Suspirei.
“Sábado eu vou ter uma babá.”
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Estava tensa. Não parava de andar de um lado para o outro. Consultava o meu celular a cada dez segundos e bufava impaciente. Minhas malas já estavam prontas. Nicolas e Caliel já haviam saído á quase dez minutos. Harper havia me dado um telefonema, tentando me acalmar. Claro, não era ela quem teria que executar aquele plano maluco. Sentei no sofá, tentando ver televisão e desistindo quase que instantaneamente.
Cruzei as mãos na frente do meu rosto e respirei fundo, sentindo o ar quente aquecendo minhas mãos gélidas. Passei as mãos por minhas calças jeans pretas rasgada em pontos estratégicos e me levantei, indo até a cozinha e pegando minha bolsa para verificar se todos os documentos – verdadeiros e falsos – estavam ali dentro.
“Se acalme, Mellany.”, sussurrei para mim mesma ao ver meu reflexo no espelho. “Você só vai fugir de casa por uns dias, enganar seu monitor e magoar seu irmão.”, dei de ombros ajeitando os meus cachos o mais alinhado possível. “Muito fácil.”
Peguei meu celular no bolso, verificando a hora mais uma vez, ao mesmo tempo em que escutei o ronco da Harley. Tudo em mim pareceu congelar. Tinha desaprendido a respirar e meu coração tinha dado uma parada tão brusca que chegou a ser mal educada. O que me fez sair do estado de torpor foi o som da campainha. O barulho estridente pareceu chegar até a minha alma. Praticamente corri até a porta, parando para respirar e forçar um sorriso.
Abri a porta, quase perdendo o ar novamente. Parecia que eu nunca iria me acostumar com a sua beleza absurda. Adriel sorriu, entrando na casa e parando apenas para passar os dedos por minha bochecha e me dar um beijo na testa. Se aquela noite não fosse tão crucial, poderia ter tirado proveito do fato de estarmos sozinhos em casa. Toquei o local em que ele beijo e segurei o suspiro. Estava quente e formigando, como todo o restante do meu corpo.
Respirei fundo e levantei os olhos para ele.
Que começasse o show.
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