Hope, Mais Uma Vez Amor
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Puta.
Merda.
Fechei os meus olhos com força, me impedindo de pedir a Deus qualquer coisa que dissolvesse esse momento de tensão. Quero dizer, depois de beijar um de seus anjos, acho que tinha ido para o fim da lista de desejos divinos. Mas, um Arcanjo? Sério? Pelo menos Caliel e Nicolas não estavam em casa para ver essa confusão.
A culpa do beijo entre mim e Adriel era deles por não terem interrompido.
Abri os olhos, encontrando os olhos de meu Guardião enquanto ele juntava coragem para encarar o seu chefe. Suas mãos estavam na parede atrás de mim, deixando seus braços esticados nas laterais do meu rosto. Seu corpo alto me cobria como se estivesse me protegendo. Afinal, essa era a sua função. Mas o seu olhar estava duro, frio e... Amedrontado. Meu coração se acelerou com a falta de explicação do que aconteceria em seguida.
“Não olhe diretamente para ele.”, ele sussurrou.
Assenti sentindo os seus lábios se pressionando no topo da minha cabeça. Adriel suspirou, deu alguns passos para trás, se afastando de mim. Sua cabeça continuou abaixada e mantive o meu olhar nele. Aquela luz diminuiu gradativamente, até que sumiu. Mas atendendo ao pedido de meu anjo, não ousei espiar. A curiosidade me corroia por dentro, só que os meus sentimentos por Adriel e a noção de não querer decepcioná-lo ganharam.
Iria me comportar.
Adriel se virou na direção onde a luz tinha surgido e – ainda com a cabeça baixa – pôs a mão fechada em punho contra o coração e se ajoelhou. Pressionei os lábios junto impedindo que um grito saísse quando sua camisa se rasgou e um par de asas beges. Arfei pondo minhas mãos na boca em seguida.
Meus olhos brilharam em adoração. Eram enormes, quase tocando o teto do porão e com o formato de asas de pombo. Suas penas pareciam ser macias e brilhantes. Estreitando os olhos, percebi que tinha errado na cor. Era quase como um branco envelhecido, prateando-se nas pontas. Tirei as mãos na boca lentamente e as fechei em punho, reprimindo a vontade incomum de tocá-las. Eram lindas.
“Guardião Adriel.”
Dei um salto com a voz de Miguel. Era doce e macia, como algodão doce e dura e rígida, como de um soldado. E também por ela ter soado em minha mente. Como se um canal de rádio tivesse sido sintonizado em minha cabeça. Experiências angelicais eram bastante invasivas, se queriam a minha opinião. Adriel se manteve na mesma posição. Apenas o leve mexer de seus ombros me indicou que estava respirando com calma. Uma calma controlada e fria.
Como um anjo deveria ser.
“Devo admitir que esteja um tanto decepcionado com você.”, a voz continuou soando. Comecei a suar frio, observando os nulos movimentos de Adriel. “Não imaginei que um dos meus anjos seria tão pecador quando o Sub Arcanjo de Gabriel.”, ele pausou e estalou a língua. “Não deveria ter atendido ao pedido de meu irmão e ter te promovido. Sabia que seu contato com os humanos iriam gerar o mesmo resultado que foi com a atual Humana Caliel.”, deu suspirou seco. “Desapontador.”
Sei que havia prometido me comportar, mas aquelas palavras fizeram um tipo de fogo subir por meu rosto e quando percebi já tinha me desencostado da parede. Meu movimento súbito alertou Adriel, que me encarou com os olhos duros. Não faça isso, ele praticamente gritava. Tentei engolir todos os desaforos e palavrões, mas foi muito difícil. Respirei fundo e o vi assentindo na minha direção. Cruzei os braços e voltei a me recostar ao meu lugar no canto.
Miguel continuou, ignorando-me.
“Mas, eu sei que a culpa não é totalmente sua, Adriel. Estava despreparado, imaturo. Quase um bebê.”, senti aquela raiva voltando até mim e fechei os olhos com força. “E essa família...”, ele pausou como se estivesse balançando a cabeça. Quase arranquei o tijolo da parede com a força que o segurava para me manter no lugar. “Depois do que aconteceu com Caliel e o Quase-Anjo, deveria ter previsto um resultado como esse. Gabriel foi muito ingênuo em acreditar no amor nos dois. Caliel nasceu de um riso pecador e o Quase-Anjo...”, pausou novamente. “Bem, ele nem deveria existir. É antinatural a sua existência. E o fato de termos que protegê-lo me enoja.”
Escutei passos leves e abri os olhos. Adriel voltou a abaixar a cabeça e tinha alguém na frente dele. Sua pele era tão pálida que a comparei com a cor de um giz. Seus cabelos escuros e longos cobriam o rosto e suas roupas era tão um branco tão limpo, mas ainda escuro se nivelado com a pele. Não que eu estivesse prestando muita atenção a esses detalhes.
Suas asas roubavam toda a minha concentração. Eram grandes – talvez três vezes maiores do que a de Adriel – e me impressionava que coubessem ali dentro. Eram branca e ilusória, brincando com as cores em uma sobreposição translúcida. Se piscasse com um olho, parecia ter uma avioletada. Se piscasse com outro, tingiasse com um tom azulado. Eram incríveis. E davam uma dor de cabeça infernal. Sua mão estava no ombro de Adriel e o meu anjo suspirou, relaxando os ombros.
“É um Anjo competente, Guardião Adriel. Consigo contemplar um futuro esplêndido para você. E posso te auxiliar á consegui-lo se pedir absolvição de seus pecados. Ajudarei em seu julgamento se preciso. Sou capaz de perdoar.”
“É mesmo? Então por que não perdoou o seu irmão lá de baixo?”, perguntei.
Adriel levantou os olhos para mim.
“Mellany”, repreendeu.
Realmente era um fracasso em tentar me comportar. E a pior parte era que não me arrependia disso. Estava tremendo por dentro, mas não hesitei antes de andar até onde Adriel estava. Seus olhos verdes se arregalaram, mas o ignorei, pondo-me atrás de suas asas. Pus as mãos para trás, impedindo-me de tocar as convidativas penas. E o Arcanjo levantou os olhos lentamente para mim, fazendo os meus pulmões entrarem em colapso.
Sempre achei que Adriel era o homem mais bonito que tinha conhecido. Erro bobo, cara Mellany. Assim como suas asas, Miguel possuía olhos que mudavam de cor discretamente de acordo de como o encarasse. Por um segundo, encarei suas majestosas asas e vi que seus olhos acompanhavam a coloração das penas. Estavam amareladas e frias. Respirei fundo, desviando os olhos para o topo da cabeça de Adriel.
“Meu irmão cometeu um grande pecado.”, Miguel soou calmamente.
Levantei os olhos novamente, os estreitando.
“Por amar Deus além do normal, eu sei.”, dei de ombros, fingindo estar descontraída. “Só porque quebrei algumas regras do Senhor, não quer dizer que não conheça a história.”, cruzei os braços, batendo o pé no chão. “Sabe o que é o mais engraçado? O quanto fui fiel aos céus e vocês sempre me ferraram. E agradeçam por eu não dizer outra palavra com F.”
Miguel tirou os olhos de Adriel e continuou me olhando sem nenhuma emoção.
“Como te ferimos, Humana?”
“Ferir não era a palavra certa para o que vocês me fizeram, mas serve.”, retruquei. O Arcanjo levantou uma sobrancelha, esboçando sua primeira emoção: Interesse. “Lembra dos Dez Mandamentos? Claro que lembra. Vocês devem ter uma aula só sobre isso na Escolinha do Senhor lá em cima. Então, respeitei quase todas ela. Se o Senhor não tivesse caprichado tanto em Jeremy Read, teria respeitado todas. Mas eu honrei meus pais. E o que ganhei em troca? Um pai alcoólatra e adúltero. Uma mãe que nos abandonou sem hesitar.”
“Os Humanos em questão...”
“Ainda não terminei.”, interrompi o Arcanjo. Escutei Adriel engolindo a seco. Se sua mente não fosse tão pura, apostaria que estava me xingando de todos os palavrões possíveis. “Eu menti sim, mas nunca levantei falso testemunho contra ninguém. Era tudo na minha conta e risco. Agora não me venha com a baboseira de A culpa é da Família Brown, só porque não tem coragem de admitir que o céu está perdendo o controle sobre os seus servos. Deus nos ensinou a amar, agora se os Arcanjos são incapazes de entender isso, acho que deveriam voltar a serem Cupidos.”
O silêncio tomou conta do cômodo. Meu coração estava tão acelerado que estava com medo de explodir. Minhas mãos formigavam e minha respiração estava ruidosa. Eu tinha enfrentado em Arcanjo. Foda-se a diretora. Ela era nada comparada a isso. Miguel abaixou seus olhos – agora azuis – para Adriel e voltou a por a mão em seu ombro. Me. Ignorando. Novamente. Avancei um passo, mas meu Guardião esticou o braço, me impedindo de qualquer ataque hostil.
“Humanos não tem noção de suas palavras, por isso desconsiderarei as blasfêmias de sua pupila, Guardião.”, ah, mas ele estava puto da vida, pensei com um sorriso vencedor. “Estou te oferecendo a liberdade. Uma chance de redenção antes do julgamento. Ou você cairá, Adriel. E não serei capaz de segurá-lo.”, balançou a cabeça como se lamentasse.
“Ah, pelo amor de Deus”, exclamei, recebendo um olhar rude.
“Ainda ousa falar comigo depois de tê-la perdoado?”
Levantei uma sobrancelha.
“Se tem uma coisa que eu nunca fiz, foi pedir perdão. E não pretendo começar tão cedo.”
Percebi suas asas se mexendo levemente. Ponto para Mellany.
“Guardião?”, perguntou ficando impaciente.
Mellany Brown irritante até os Arcanjos. Isso deveria contar nos currículos para a faculdade. Ah, não. Melhor continuar assim mesmo. Adriel permaneceu em silêncio por mais alguns segundos. Fiquei temerosa. Uma parte de mim – egoísta – queria que ele caísse, apenas para ficar comigo. Mas ele pertencia e servia aos céus. Deus sabia muito bem o quanto ele ficaria melhor longe de mim, literalmente.
Mas apenas quando esse pensamento me tomou, percebi o quanto doía. Minha garganta ficou áspera e seca, enquanto meus olhos arderam. Aproveitei que o braço de Adriel ainda estava esticado na minha direção e pus minha mão na dele. O calor me preencheu e me envolveu, fazendo-o erguer os olhos para mim. Sempre ficava satisfeita por ver que não era a única afetada. Seus olhos amoleceram ao ver a dor que eu tentava mascarar. Estava perdendo tudo de novo. Era tão fácil para as pessoas me abandonarem.
Forcei um sorriso.
“Faça o que tem que fazer, camarada.”, sussurrei e mesmo sob o olhar sólido do Arcanjo, ergui sua mão em direção a sua boca e dei um beijo casto. “O que quer que decida, saiba que meu coração vai ser sempre seu. Não importa o que aconteça, serei sua Adriel Crista.”, encolhi os ombros. “E já que tenho um círculo familiar e de amizade incomum, não estou em posição para escolher.”
Ele deu um pequeno sorriso e fechou os olhos, dando um beijo em meu pulso. Meu coração atingiu a velocidade máxima quando ele se levantou e passou o braço ao redor de minha cintura, encarando o seu chefe. Mantive os olhos focados em sua expressão determinada. Suas asas roçavam levemente em minhas costas, causando a mesma sensação de uma banheira de penas. Pelo canto do olho, notei algumas penas jogadas no chão no lugar onde ele estava ajoelhado e pressionei os lábios juntos. Era culpa minha.
“Vou para o julgamento, Arcanjo.”, ele disse com a voz forte. Arregalei os meus olhos e o peguei sorrindo para mim. “Percebi que existem coisas por quais eu estou disposto à lutar, além de um lugar no paraíso.”
“Que assim seja.”
A luz tomou conta do cômodo, fazendo-me fechar os olhos com força e dar um passo para trás. Demorou mais do que a última vez para ir embora. Passei as mãos pelo rosto e reabri os olhos, percebendo que Miguel tinha ido embora. E que havia levado Adriel junto. Eu estava sozinha.
E desesperada.
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Continuei desesperada durante uma semana. Como Caliel não tinha mais contato direto com o céu, perguntar por alguma informação era quase inútil. A única coisa que me deixou milimetricamente mais tranquila, foi o fato de que o tempo no céu passava relativamente mais rápido do que na terra. Aliel tentava ajudar, mas a conjuntura de ser um anjo inferior não lhe rendia muitas informações além das óbvias.
Adriel ainda estava em julgamento. Por ter pecado com uma humana.
Tentava me distrair da culpa com os preparativos do casamento de Nico e Caliel. Eles não queriam perder tempo e já planejavam casar daqui a dois meses, no máximo. Meu irmão já havia sido noivo, então foi fácil para ele adiantar algumas coisas. E minha cunhada já tinha anos de experiência depois de ter juntado tantos casais em matrimônio.
Eu, Caliel e Aliel estávamos sentadas na sala cercadas por revistas de vestidos de noiva. Elas estavam debatendo entre si qual cor de tecido era melhor: branco ou marfim. Suas vozes se tornaram música de fundo em minha mente se comparadas à intensidade dos meus pensamentos. Senti a mão de Aliel sobre a mim e me peguei sendo encarada por dois pares de olhos multicolores, amistosos e compreensivos.
“Adriel sabe se cuidar, Mellany.”, a morena disse cautelosa. Olhou para cima, como se visse além do teto de nossa casa e deu um pequeno sorriso, que logo se apagou. “Não posso dizer que Miguel irá pegar leve, mas o histórico dele é impecável. Isso deve pesar na hora da decisão.”
Encolhi-me.
“Mas não é isso que está te incomodando, não é?”, Caliel disse estreitando seus olhos azuis. “Está dividida. Quer que ele perca as asas para ficar com você, mas não quer que ele abandone tudo e a culpe.”
Fiz uma careta.
“Sinto-me uma egoísta com você falando desse jeito.”
Aliel deu um olhar solidário.
“É normal se sentir assim, Mellany.”, piscou algumas vezes, parecendo estar envergonhada. “Você é humana.”, deu de ombros. “Jeremy disse que ficou exatamente assim quando eu sumi para o meu julgamento. A decisão nos surpreendeu, mas foi o melhor que conseguimos.”, enrugou a testa. “Sinceramente, não quero irritar o céu. Não agora, pelo menos.”
Mordi o lábio inferior. Avaliando o meu comportamento com a presença de Miguel no porão... Cacete, Adriel estava muito fodido. Não aguentando mais aquele mar de misericórdia, me levantei. Passei as mãos suadas por minhas calças jeans desgastadas e suspirei. Será que era muito tarde para rezar? Ninguém me impediu de subir as escadas me arrastando em culpa.
Quando entrei no corredor, uma sensação estranha me atingiu. Nostalgia, talvez. Já que alguns momentos com Adriel havia acontecido ali. Um pequeno sorriso surgiu em meus lábios ao reparar a nova maçaneta na porta do banheiro. Dei dois passos para trás e fingir chutá-la. Então balancei a cabeça. A adrenalina tinha me ajudado naquele dia.
Movi-me lentamente pelo corredor, passando as mãos pelas paredes. Como uma pessoa tão irritantemente perfeita tinha me conquistado dessa maneira. Comecei a cantarolar a minha música, seguindo pelo corredor. Mas parei no segundo em que pisei no meu quarto. Não era nostalgia que estava deixando o meu estômago inquieto. Era reconhecimento. E assim que a porta do meu quarto se fechou nas minhas costas, reconheci que estava muito ferrada.
Adriel estava ali.
A expressão dura, os braços cruzados e – para o meu grande espanto – as grandes asas fechadas nas costas, formando um coração. Engoli a seco, reprimindo o medo e a vontade de abraçá-lo. Fiquei um tempo paralisada, deixando que meus olhos o analisassem. Seus cabelos loiros escuros continuavam arrepiados e bagunçados, mas de um jeito ordenado. Seus olhos estavam frios fazendo com que meu estômago desse voltas inseguras para meu tapete.
Permaneci em silêncio, esperando por meu julgamento. Ele iria gritar que fui a culpada por tudo. Meus olhos desviaram de seu rosto para uma pena que soltou de suas asas. Franzi o cenho ao perceber uma coisa que deveria ser óbvia. Suas asas estavam douradas. Brilhando contra a luz do fim de tarde que atravessava minha janela. Lindas. Umedeci meus lábios, fechando as mãos em punho enquanto esperava as acusações. Por fim, ele suspirou vindo em minha direção.
E me abraçando.
“Mellany”, sussurrou beijando o topo da minha cabeça. Fiquei tensa por alguns segundos, esperando por gritos e tapas. “Desculpe-me. Não consegui te defender quando deveria e te deixei sozinha...”
“Só um segundo, camarada.”, disse segurando-o pelos ombros e o afastando para ver o seu rosto. Meu coração se amoleceu assim que vi seu meio sorriso. “Você está me pedindo desculpas por quê? Fui eu quem te mandei para o tribunal.”, estiquei minha cabeça até as suas costas. “E por que as suas asas estão douradas?”
Seu sorriso se ampliou.
“Eu caí, Mellany.”, traçou meu rosto com a ponta dos dedos. “Enquanto estava no julgamento pensei em inúmeros argumentos que me ajudariam a ser perdoado. Iria dizer todos. Mas me lembrei do jeito que me defendeu e...”, seu polegar acariciou meu lábio inferior, fazendo-me fechar os olhos. “Meu Santo Criador, lembrei-me do jeito que você me enlouquece. E só de imaginar uma existência sem isso, me desestabilizou. Não quero servir um lugar que ensina o amor, mas que é proibido amar. Nunca pensei que Caliel estaria certa quando me disse que o céu era hipócrita. E falho.”, pegou minha mão e pôs em seu peito. “Posso não ser mais imortal, mas o meu amor por você é infinito.”
Abri os olhos lentamente, encarando-o. Meu coração falhou antes de atingir o seu recorde em palpitadas por minutos. Adriel usou a mão que estava em meu rosto para aproximá-lo do seu. A mão livre escorregou até a base de minhas costas e puxou contra si. Sem me dar conta do que fazia, toquei em suas asas. Adriel ficou tenso, mas não se mexeu. Eram tão lindas e macias. As penas cabiam na palma de minha mão, e eram suaves como seda.
“Meu”, sussurrei sentindo seu hálito fazendo minha língua pinicar.
“Todo seu, Senhorita Brown.”
Seus lábios pousaram nos meus com suavidade, absorvendo o sabor e reconhecendo a sensação. Senti seus dedos se fechando em meus cabelos e entreabriu os lábios, convidando minha língua a tocar a sua. Tudo ao meu redor tinha sido esquecido. Não importava que eu era uma humana problemática. Nem que Adriel era um Anjo Caído. Muito menos a culpa que eu estava sentindo. Mordi seu lábio inferior, o escutando gemer do jeito que nenhum ser divino deveria.
Quando dei por mim, estava sendo pressionada em meu armário e arfando com os lábios de Adriel descendo por meu pescoço. Ele estava me queimando do jeito mais delicioso possível. Minhas mãos soltaram seu pescoço e desceram por seu abdômen sarado, ousando ao entrar por baixo de sua camisa e arranhar seu peito. Nos olhamos e sorrimos. Seus olhos verdes estavam um pouco dilatados e seus lábios inchados. Além do rosto corado.
“Muito rápido?”, murmurei.
“Só um pouco.”, ele beijou o canto de meus lábios.
“Também achei”
Só que não havia sido nem eu, nem Adriel que tínhamos dito isso. Olhei para a porta, vendo Nicolas nos encarando com os braços cruzados. Sério, ninguém sabia bater na porta? Encarei Adriel que tinha os olhos arregalados. Ok estava na hora de ver se aquelas asas ainda funcionavam.
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“O quanto seu irmão pirou?”, Harper perguntou dedilhando o violão.
Mantive meus olhos em nossos pés em cima da mesinha de centro. Meu rosto permanecia corado enquanto contava a história toda para minha amiga Nephilim. Toda a sua reação foi dar uma gargalhada estrondosa. E ao ver meu olhar hostil, pegou o violão e tentou disfarçar seu surto de humor psicótico.
“O quanto um irmão pode pirar quando encontra sua irmã se agarrando com um cara quatrocentos anos mais velho.”, dei de ombros. “Estou de castigo e tenho que trancar a janela todas as noites.”, fiz uma careta enquanto Harper me dava um olhar de canto.
“E você tranca?”
“Nico acredita que sim.”, sorri.
Ela balançou os cabelos castanhos claros.
“Ainda é inacreditável que o anjinho tenha caído por você.”, abri a boca para reclamar, mas ela foi mais rápida. “Não que eu esteja dizendo que você é uma péssima pessoa, Mellany. Mas, pelo amor de Deus, você quase mandou um Arcanjo se foder.”
Meneei a cabeça, fingindo indignação.
“Prometo rezar uma missão pela alma de Miguel”, pus a mão no peito teatralmente e Harper riu. Antes que pudéssemos continuar o assunto, a campainha tocou. Franzi o cenho. “Quem será?”
Nicolas e Caliel tinham saído para resolver um assunto com a igreja. Parecia que o padre era amigo de minha cunhada ou alguma coisa do tipo. Adriel estava tentando arrumar um emprego e morava com esse tal padre ainda. Pensei que pudesse ser o pessoal da banda, ou qualquer outra pessoa.
Menos aquela que me encarava.
“Mãe?”
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