Hope
1 único
Notas iniciais
Loguetown era uma cidade pequena no norte de East Blue. Por ser pequena, não havia novidades, além de dois homens quando entravam numa briga. Eram homens simples e brutos que quando bebiam se alteravam e trocavam alguns socos. O clima também era muito simples, no verão fazia calor e no inverno fazia frio. Pronto. Basicamente, Loguetown era só mais uma cidade do subúrbio daquelas bem ordinárias. E nessa cidade havia um jovem de cabelos esverdeados. Roronoa Zoro era quieto, forte, confiante, tinha 16 anos, pele queimada pelo sol e três brincos na orelha esquerda. Mas acima de tudo quieto. Gostava de dormir e beber. Esperava pelo seu amigo, Sanji, na casa da árvore e rangia os dentes com a demora do mesmo, era ele que costumava se atrasar nos encontros e Sanji se atrasar não era só raro, como era muito estranho, porque era um garoto que se comprometia. Muito diferente dele.
Ouviu um barulho de batidas na madeira, era Sanji batendo no alçapão. Zoro imediatamente se levantou de onde estava sentado e puxou a porta.
— Até que enfim! Achei que não viria hoje mais uma vez. — Disse Zoro num tom com escárnio.
— Tive que resolver algumas coisas... — Respondeu Sanji que vestia um casaco quente em pleno verão.
— Sobrancelha enrolada, seu pai te bateu de novo?
— Sim... — Suspirou e puxou a manga do casaco, mostrou vários roxos e curativos na sua pele alva.
Os olhos de Zoro viam aquela imagem com frequência, mas nunca conseguiam se acostumar. Sempre sentia o mesmo ódio, até aumentava com o tempo. — Ainda vou matar o seu pai.
— Te ajudo!
Os dois riram até Sanji se lembrar de algo. — Consegui roubar um maço do meu irmão!
Sanji era um garoto loiro com uma franja sobre seu olho esquerdo. O motivo de Zoro chamá-lo de sobrancelha enrolada era que havia mesmo uma espiral na sua sobrancelha exposta. Tinha olhos azuis e pele bem clarinha. Parecia um anjo se não fosse sua boca suja e seu vício doente por cigarros juntamente com sua depravação.
Os dois sentaram no chão e começaram a fumar.
— Isso não é tão bom quanto álcool.
— Desculpa, hoje não consegui roubar bebida.
— Tudo bem.
De repente alguém bateu no alçapão.
— Deve ser aqueles dois. — Zoro se levantou para abrir o alçapão e dois garotos entraram. — O que fazem aqui? Não chamei nenhum de vocês!
Os dois garotos arfavam o ar como se tivessem corrido muito.
— O que tá havendo? — Perguntou Sanji, confuso.
Um deles começou a recuperar os espíritos. Era Usopp, um garoto de pele escura e nariz longo. Mentia muito e já enrolou até mesmo adultos. — Estamos fugindo!!
— E vieram pra cá?! — Zoro se exasperou. — Não quero confusão hoje!
— Fica tranquilo. — Luffy também recuperava o fôlego. Era um garoto humilde e bondoso, mas gostava de implicar com Usopp. Sempre andava com um chapéu de palha e amava carne ou qualquer coisa comestível. — Nós despistamos ele!
— Ele quem? — Sanji perguntou.
— Estávamos roubando fruta até o dono da propriedade nos ver e corremos pra cá, já que essa casa é isolada nessa floresta. — Usopp esclareceu.
— Não façam isso nunca mais! — Zoro tinha um olhar carregado de raiva e Usopp se estremeceu, o narigudo era também medroso. — Se depender de vocês dois vão descobrir nosso esconderijo.
— Desculpa, Zoro. — Pediram Luffy e Usopp em uníssono.
— Tudo bem, não é como se ninguém soubesse. — Confessou coçando a cabeça. A prova era até mesmo os dois que chegaram ali depois de segui-los.
Os garotos sentaram próximos ao Sanji. Luffy viu seu casaco.
— Seu pai te bateu hoje também?
— Sim. — Respondeu e pensou que até o bobo do Luffy sabia que as mangas compridas serviam para tampar algo. Ofereceu um cigarro.
— Não gosto disso. Tem comida aqui?
— Não, vai arrumar! — Ordenou o esverdeado e Luffy desceu as escadas com cara de choro.
— É melhor eu ir com ele. — Concluiu Usopp, seu amigo arrumava confusão facilmente, e logo depois desceu as escadas.
Quando não havia mais sombra deles, Zoro e Sanji começaram a rir.
— Não consigo me acostumar com esse jeito autoritário que você interpreta. — Tragou o cigarro.
— Fazer o que né, tem que ser assim com eles. — Sentou-se do lado do loiro e um momento de silêncio desceu sobre eles. — Essa cidade é uma escrotidão.
— Por que tá dizendo isso?
Zoro não respondeu, porém pensou em algo.
— Se eu sair daqui, você me acompanha?
— Nem precisa perguntar.
Os dois deram as mãos e depois de uma troca de olhares se beijaram. Zoro gostava do gosto dos lábios de Sanji e por isso aumentou a velocidade. Os dois davam pausas e arfavam o ar para voltarem a se beijar. Porém, assim que Zoro passou a mão nas costas de Sanji, esse gemeu de dor. O esverdeado parou perplexo.
— Desculpa, marimo. — Disse Sanji. Marimo era um apelido exclusivo para Zoro.
— Não é você que tem que pedir desculpas. Tira a blusa, deixa eu ver seu estado.
Sanji fez como mandou. No início o loiro escondia de todos que apanhava de seu pai e pra ninguém ficar sabendo, ele precisava ficar longe de todos, sem nenhum amigo e por isso viveu boa parte da vida sozinho. Mas conheceu Zoro e caiu nos seus encantos, acabou se aproximando demais. Não demorou para que ele visse algum hematoma. E naquele dia, o corpo do loiro estava coberto deles.
— Desgraçado... — Amaldiçoou o pai do amigo enquanto chorava de raiva.
— Se eu soubesse que iria chorar, nem mostraria.
— Não diga isso! Sempre me mostre! É pra isso que tô nesse mundo! Eu vou ainda te tirar daqui! — Abraçou o loiro com cuidado e continuava a chorar, mas dessa vez por entender o quanto suas vidas eram miseráveis.
Assim como Sanji, Zoro também não tinha uma estrutura familiar boa. Sua irmã morrera há três anos e seus pais pararam de se importar com ele, pois não conseguiram superar a perda da filha.
Os dois continuavam abraçados e até mesmo Sanji chorava. Dois adolescentes passando por muitas dores e sem nenhuma expectativa para o futuro. Os anos passariam e Sanji se mudaria para outra cidade, já Zoro continuaria naquela, nunca largaria Loguetown, por ironia do destino, e morreria no outono depois de Sanji completar 22 anos.
Fale com o autor