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7 Capítulo 7 - O amor brilha para todos


Capítulo 7 – O amor brilha para todos

Certamente Sherlock e Joan não aprovariam sua conduta quanto aos criminosos abatidos, mas ela era Moriarty, é assim que ela jogava. Uma vez poupara um homem por Sherlock, sabia que ele odiaria se ele o matasse, mas não era um criminoso. Pegou o celular do capanga de Russel e o colocou no bolso antes de sair. E era a primeira vez que fazia questão de usar um silenciador em sua arma. Finalmente girou a maçaneta e viu um homem de costas para ela na sala escura. Ele olhava para o lado de fora da pequena janela ali e fumava um cigarro. Tinha uma arma na outra mão. Mal teve tempo de perceber a nova presença atrás dele e após o primeiro tiro que investiu contra Moriarty, acertando a parede, mirou na direção da porta que levava à sala seguinte.

– Se atirar, eu atiro primeiro. Quem será que vai morrer? Jane ou o bebê? – Ele tinha um sorriso confuso, certamente não estava fumando um cigarro comum.

Jamie aguardou, sem abaixar sua arma, poupar vidas, ainda que inúteis, lhe deixaria mais distante de alguns possíveis novos problemas com a polícia, e não teria tantos empecilhos antes de retomar seus planos costumeiros, mas não hesitaria em dar um fim em quem fosse necessário. O homem começou a puxar o gatilho, sem nenhuma dúvida atiraria naquela porta, mas encontrou seu fim antes disso e logo Jamie tinha sua segunda vítima naquela noite.

– Me desculpem, Sherlock e Joan...

Ela verificou as horas no relógio do homem no chão. Já perdera vinte minutos para chegar até ali. Antes que tomasse qualquer outra atitude, Jane Burnier estava a sua frente pela porta entreaberta, com os olhos fixos na arma nas mãos de Moriarty. O som do choro do bebê ecoou pelos cômodos.

– Jane... Ainda não entendo porque não usa um codinome... Mas isso não importa agora. Faz muito tempo desde a última vez, vamos tornar isso fácil e garantir que ninguém mais se machuque.

– Jamie... Abaixe essa arma. O pequeno quase acordou com os barulhos agora a pouco. Essa porta bloqueia o som, mas não completamente. Pelos velhos tempos. Eu continuo não usando armas, sabe que não sou como os outros. Eu só cuido das crianças e de assuntos mais leves.

Após alguns instantes, Moriarty cedeu e seguiu Jane para dentro. A sala era pequena como a anterior e tinha uma janela estreita na parede. Uma cama improvisada no chão, onde havia uma bolsa infantil, e um berço do lado oposto. Jane observou o berço por um tempo e voltou-se para Jamie.

– Eu disse a ele... Que seria questão de tempo até as coisas ficarem assim. Que mexer com você é tempo perdido, mas ele simplesmente não se conforma.

– Não me importo que mexa comigo, é até divertido brincar com Oliver de vez em quando, mas a minha filha não tem nada a ver com isso. A família que ele decidiu perturbar também não.

– Por que? O que você vê de tão incrível neles?

– Você sabe como gosto de enigmas, Jane. Aqueles dois são pessoas... Complicadas de decifrar. Sempre que penso que cheguei lá, descubro que não. E esse menino não vai ser diferente, eu tenho certeza. E me forneceram ajuda preciosa quando raptaram minha filha.

– Não espero que traia seu marido, mas não custa tentar perguntar como chegaram até Dale?

– Ele soube quando o homem que sequestrou sua filha também descobriu. Um dos homens que você matou era uma espécie de agente duplo. Antes de morrer ele nos deixou a par da situação. Oliver estava fugindo de novo, por isso apenas arquivamos o que descobrimos.

Os olhos azul claros da loura foram tomados por sentimentos oscilantes entre raiva e tristeza, mas tão rapidamente que qualquer um ficaria em dúvida se realmente aconteceu.

– Eu espero que tenha gostado da lembrança que enviei para a pequena Alice.

– Eu adorei. Oliver ficou com muita raiva, mas me deixou manter. Ele não aceita que sendo seu adversário, nós duas possamos manter alguma relação.

– É lógico... Nem o conhecíamos quando Kayden nasceu. Você foi vital naqueles meses e antes de eu me separar dela e parar de ver Dale. Você também sumiu depois de encontrar uma família adotiva.

– Eu também estava iniciando minha carreira, não queria ficar perto da justiça de forma alguma. Sabe... Minha bebê está com os avós. Eu queria estar com ela, mas estou aqui cuidando do filho de outro casal. É um menino adorável, mas... Eu nunca pensei que fosse desejar outra vida depois que ela nascesse. Meus pais cuidam dela, nem imaginam o que faço. Não sei o que Oliver faria se eu lhe dissesse isso. Ele também ama nossa menina, mas... Parece que ficou louco quando descobriu que podia usar Sherlock Holmes contra você depois do que ouve com Dale.

– Eu fiz isso, Jane. Minha filha está viva e bem, isso me deixa satisfeita. Eu sabia bem que queria trilhar esse caminho. Não sei como eu teria sido como mãe. Eu a amo, mas não posso voltar atrás. Porém, você está só no primeiro passo. Se Oliver perder a cabeça, eu posso ajuda-la a se proteger.

– É melhor você ir embora... Esse menino é muito amado. Percebi isso no momento em que pus os olhos nele. E pude ver no desespero de Holmes. Sua mãe deve estar sofrendo muito. Eu estou em clara desvantagem. Você está armada e deu fim a todo mundo. Tinha bem mais gente aqui meia hora atrás. Leve-o depressa.

– O que você vai fazer?

– Eu nãos ei ainda... Eu vou resolver meus assuntos, e talvez eu possa viver com Alice daqui algum tempo. Só mais uma coisa, Jamie... Não quero apressá-la só pelo bebê. Agora Oliver sabe como Joan Watson é preciosa. Ele vai mata-la na frente de Sherlock Holmes. E se possível, na sua também. Está falando disso obcecadamente desde que percebeu seu valor. Ela vai atrás dele não vai?

– Deve saber que meus homens e os policiais estão cercando esse lugar. Boa sorte em sua vida, Jane – ela disse com um pequeno sorriso.

Olhou para o berço na parede oposta. Caminhou rapidamente até ele e viu o bebê adormecido entre os cobertores. Com cuidado, puxou as cobertas para ver o rosto da criança. Olhos puxados, a primeira coisa que chamou sua atenção, sardas, podia vê-las apesar da quase escuridão do local, se parecia com Sherlock, isso era inegável, parecia uma versão pequena do britânico. Roupinhas azuis e brancas. Não era possível errar.

Ergueu o menino envolto em um dos cobertores e o tomou nos braços, aconchegando-o contra o tórax e o observando dormir. Lembrou-se da última vez que fizera aquilo, há quase dez anos, mas o bebê era seu. Não sabia exatamente o motivo, mas escolhera continuar nas sombras em sua vida perigosa de crimes obscuros e silenciosos do que mudar tudo para viver com ela, como quase todas as mães fariam. Mesmo assim Jamie a amava muito, sempre a amaria e sentiria saudade. E apesar da dor de viver longe da filha, sabia que agira corretamente, ela estava segura, mesmo tendo sido sequestrada uma vez, e após o ocorrido, Jamie tomara todas as providências possíveis e impossíveis para aumentar ainda mais a segurança em torno da menina e da família adotiva, sem que sequer percebessem. Devia a vida dela a Sherlock e Joan, o motivo mais forte pelo que estava fazendo agora.

– Um bebê muito bonito... Eu não esperava diferente deles dois. Eu levaria você para se alimentar com sua mãe, pequeno Alistair, mas não temos tempo, querido – sussurrou enquanto o balançava de leve – Espere apenas um pouco mais e tudo isso estará resolvido – falou, dando um beijo suave na testa do garoto, mais uma vez pensando na falta que sentia do “seu” bebê – Vai ficar tudo bem – falou tanto para o bebê quanto para a morena que a observava.

O menino se mexeu de repente, dando sinais de que logo acordaria. Provavelmente iria chorar ao perceber que não estava com sua mãe ou sei pai. Levar o bebê até eles, mesmo que por poucos segundos, estava fora de questão. O melhor caminho seria tirar de vez o pequeno da equação e coloca-lo imediatamente em segurança. Ela tinha que se apressar. Trocou um último olhar com Jane e fez todo o seu caminho de volta pelos corredores e escadas, dando a sorte de encontrar o caminho vazio, até finalmente se ver do lado de fora do prédio. Trancou a porta do mesmo jeito que a havia arrombado, segurando habilidosamente o bebê com um braço enquanto executava a tarefa com o outro. Checou as escutas e auto falantes que usava, os ligando novamente.

– Alguém me ouve?

– O acordo era que mantivesse o contato em aberto o tempo todo – a voz de Bell falou do outro lado.

– Vocês quiseram esse acordo, eu não. E eu já disse, não aprovariam alguns de meus métodos, é melhor assim. A garota está com você?

– Está – Bell respondeu após esconder um suspiro de irritação.

– Diga a ela que prepare-se para receber o bebê. Eu estou com ele. Tenham certeza de que ele esteja seguro antes de ela retornar à operação.

– Onde exatamente você está?

– Há dez metros, estou vendo você pelas costas.

Bell se virou, vendo a mulher se aproximar ao longe.

– Por que tomou outro caminho – o detetive perguntou pela escuta.

– Eu nunca chegaria aqui se não os despistasse. Nem todos os homens de Russel foram tirados de circulação.

O menino emitiu um ruído enquanto Jamie se aproximava da escolta policial disfarçada. Ela o olhou e o viu abrir os olhos. Moriarty não era de se emocionar ou impressionar com frequência, mas era a terceira vez que se sentia assim com aquele bebê. O olhar de Joan a encarava através dos olhos azuis de Sherlock.

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Moriarty finalmente se aproximou do grupo, recebendo os olhares desconfiados que já conhecia da polícia e se pondo à frente de Kitty, a encarando e pondo o menino em seus braços. A ruiva o olhou com surpresa, depois alegria e a mesma devoção que Jamie acreditava que viria dos pais do pequeno oriental. Kitty não conseguiu evitar sorrir e acariciar o rostinho do menino com os dedos. Era a primeira vez que o via. Impressionantemente, o bebê não havia chorado ao acordar, pelo menos não ainda.

– É igualzinho a eles... – a britânica sussurrou – Parece que estou vendo Joan me olhar através dos olhos de Sherlock.

– Eu pensei a mesma coisa quando ele olhou pra mim – a loura lhe disse – O mesmo olhar firme e inteligente, e ao mesmo tempo doce.

– Obrigada – Kitty lhe disse, apesar da estranheza de dizer aquelas palavras a uma assassina perigosa.

Jamie apenas lhe deu um sorriso e se virou para Bell, esperando algum questionamento.

– Conte-nos o que aconteceu – ele lhe disse.

– Havia um guarda. Na verdade, era o homem que poderia levar Alistair para o tráfico internacional daqui algumas horas, e alguns outros depois dele, eu acho que perceberam nossa movimentação. Ele estava bem preparado, era ele ou nós. Então acabei com ele. Usei um silenciador pra não incomodar o bebê – ela falou com total naturalidade.

– Sabe o que isso acrescenta a sua lista de antecedentes?! – Bell perguntou.

– Ia acabar acontecendo mais cedo ou mais tarde. Um a mais, um a menos... Não muda muita coisa. Deviam me agradecer por eu tirar um criminoso do mundo.

– Podíamos usá-lo pra chegar aos outros.

– Não se preocupe, isso já está sendo providenciado. Pensei em destruir o celular dele, mas achei que se divertiram fuçando qualquer coisa que possa conter.

Ela puxou o aparelho do bolso e o entregou ao detetive, que imediatamente o colocou num saco para provas e levou para outro lugar. A loura virou-se para Kitty novamente.

– Leve pessoalmente o bebê até a senhora Hudson e a mãe de Joan. Devem ficar seguros na delegacia até que isso se resolva. Não se preocupem com a segurança, o meu grupo também está lá de guarda. Depois disso, volte até nós. E ligue pra o celular de Sherlock que está com o capitão.

Bell e Kitty se entreolharam diante da mensão de um grupo criminoso ajudando a polícia sem dar nenhum sinal ou suspeita disso. Mas não era surpreendente vindo de Moriarty, ela sempre fazia isso. Esse método fora sua ruína quando Sherlock e Joan estavam atrás dela juntos anos atrás, mas ainda tinha sua eficácia.

– O que devo dizer a ele? – Kitty perguntou.

– Confirme sobre o bebê e informe sua localização. O caminho será seguro. Eu garanto.

Kitty assentiu e entrou em um dos carros junto com Bell. Os dois se acomodaram com o bebê na escuridão do banco de trás do carro quando o motorista começou a guia-los por Nova Iorque. As luzes do lado de fora permitiam que a garota visse claramente as feições delicadas do menino de vez em quando. Ele olhava para ela, um olhar firme e amoroso. Não pode evitar sorrir novamente e abraçar o pequeno mais perto de si, em especial quando ele ameaçou chorar. Kitty o deitou em seu ombro e o balançou de leve, tentando acalmá-lo enquanto falava baixinho com ele, apesar dele não entender nenhuma palavra.

– Ele deve estar com fome – Bell comentou – Como vão alimentá-lo sem Joan? Devíamos procurar uma ama de leite?

– Não precisa. Joan sempre se previne pra o caso de não poder alimentá-lo por um período longo, me disse isso por telefone. A senhora Hudson e a mãe dela devem ter mamadeiras pra ele.

– Calma, garoto – o detetive disse baixinho, secando uma lágrima que ameaçava correr pelo rostinho sardento – Logo vai estar com sua mãe.

Seguiram em silêncio pelo resto do caminho, apenas ouvindo os murmúrios de Alistair e as tentativas de Kitty e Bell de acalmá-lo. Entraram rapidamente na delegacia, pelos fundos, a fim de chamar o mínimo possível de atenção.