Hope
22 Will be the end?
Notas iniciais
O relógio já marcava 05:00Hrs da manhã quando Cecília abriu os olhos lentamente e constatou o horário em luz vermelha fluorescente, ela levantou e caminhou para fora do seu quarto cuidadosamente para não fazer barulho algum. Ao chegar à sala, viu que Pedro dormia profundamente, ele estava lindo com uma camisa de algodão preta e uma bermuda jeans velha. A garota se aproximou e ajoelhou-se, ficando com o rosto de frente para o de dele, então, vagarosamente, ela depositou um beijo casto e suave nos lábios do moreno, que despertou no mesmo instante e quando viu a morena a sua frente sorriu largamente e a puxou para deitar-se com ele no sofá; Cecília hesitou, pois alguém poderia ver os dois ali, mas, logo, pensou que não teria nada demais, então a morena se aconchegou nos braços de Pedro que a envolveu completamente.
Cecília e Pedro dormiram rapidamente e despertaram com a luz do sol que banhava a sala e com a sensação eminente de que alguém os observava. Quando Cecília abriu os olhos, pôde ver uma Margarida séria olhando para os dois e uma Maria Rita risonha mais ao fundo. Cecília levantou-se rapidamente, fazendo com que Pedro fizesse o mesmo.
—Tia, não é nada disso, tá!? Eu dormi no meu quarto, porém, quando estava amanhecendo, eu vim pra cá e acabei cochilando, mas foi só isso, eu ju... –Cecília falava exasperadamente, quando sua avó a interrompeu.
—Minha filha, tenha calma, nós duas sabemos que foi apenas isso o que aconteceu. Não tem problema. –disse com um leve sorriso no rosto, numa tentativa de acalmar a garota.
—Me desculpe, dona Margarida. A culpa foi minha, mas não fizemos nada, apenas dormimos. –disse Pedro rapidamente.
—Tudo bem, só espero que isso não se repita mais. Cecília vai embora com você, mas ela é uma moça de família, espero que você a respeite, rapaz. –disse Margarida olhando diretamente nos olhos de Pedro.
—Eu sei disso, e não se preocupe, eu jamais faria tal coisa. Irei respeitar Cecília o máximo possível. –disse Pedro num tom firme.
—Tudo bem, agora vão para cozinha, o café já está esfriando. –disse Margarida um pouco mais relaxada.
Pedro e Cecília caminharam para a cozinha e sentaram um de frente para o outro, enquanto Cecília bebericava o seu suco, Pedro sorria levemente com toda aquela situação.
—Se sua tia soubesse o quanto minha vida sexual está precária, ela não falaria aquilo... –disse com um sorriso no canto dos lábios.
—Ahh, para! Prometo que após o nosso casamento eu vou te recompensar. –disse Cecília um pouco envergonhada sorrindo largamente.
—Okay! e eu vou cobrar, senhorita... –disse Pedro piscando para a garota que sorriu ainda mais.
Após o café da manhã, Pedro e Cecília se arrumaram e a garota sugeriu um passeio pela cachoeira, Pedro concordou de ímpeto. Assim que chegaram, ficaram apenas com a roupa de banho e pularam na água fria de mãos dadas. Cecília emergiu e, logo em seguida, Pedro a abraçou por trás, a garota descansou a cabeça no peito do rapaz e sorriu largamente. Os dois estavam felizes por estarem finalmente desfrutando um da companhia do outro, lutaram muito para chegarem até ali.
Cecília se virou e olhou no fundo dos belos olhos de Pedro, ele retribuiu o olhar e lhe afagou o rosto e como se estivessem voltado no tempo, ele proferiu as doces palavras que haviam feito o coração de Cecília disparar, exatamente como há três meses atrás.
—Tão linda, Cecília! –Pedro sorriu ao falar, fazendo Cecília perder o fio da meada por causa do belo sorriso do moreno.
—Eu amo você! –foi o que conseguiu dizer e assim Pedro acabou rapidamente com a distância entre seus rostos, beijando-a lentamente.
O beijo que começou devagar foi tomando velocidade, Pedro enlaçou a cintura da morena trazendo-a para mais perto de si, aprofundando ainda mais o beijo, tornando-o urgente e voraz, suas línguas traçavam uma guerra por espaço, e quando o ar se fez preciso, seus lábios estavam inchados e vermelhos.
—Não há nada que eu deseje mais do que ter você em meus braços. Eu te desejo tanto, Cecília. –disse Pedro num sussurro olhando diretamente nos olhos da garota.
—Eu sei que eu nunca passei por isso, mas eu posso te dizer o mesmo. –disse em resposta, respirando fundo.
Os dois voltaram a se beijar com mais urgência até que Pedro se afastou subitamente da garota que o olhou confusa, mas ele pediu um momento e nadou um pouco mais para longe, Cecília entendeu o que estava acontecendo e ficou completamente envergonhada e culpada por ter feito Pedro se excitar daquela forma. A garota nadou até a beirada e sentou-se numa pedra, ficou apenas observando o lugar enquanto Pedro “acalmava os ânimos” nadando de um lado para o outro. Depois de alguns minutos o rapaz se juntou a ela e a aconchegou em seus braços.
—Me desculpe pelo o que fiz, não deveria ter deixado que nos beijássemos desse jeito. –disse baixinho olhando para frente.
—Eiii, isso é normal, meu amor. Eu amo você e as vezes isso acontece entre um casal que se ama, não precisa pedir desculpas. –disse sorrindo levemente depositando um beijo no topo da cabeça da garota.
—Eu sei, mas não era pra ter acontecido. –disse apenas.
—Tudo bem, vamos mudar de assunto, okay? –perguntou rapidamente.
—Sim. –disse um pouco mais relaxada.
—O que acha de quando estivermos voltando para casa desviarmos o caminho e fazermos uma pequena viagem? –perguntou sugestivo.
—Desviar o caminho? Para onde? –perguntou curiosa.
—Que tal o litoral de santos? –perguntou sorrindo. Cecília virou-se ficando de frente para Pedro e sorriu animadamente.
—Acho perfeito, ainda tenho duas semanas de férias. –disse olhando para o rapaz.
—Bom, não poderíamos ficar todo esse tempo, ficaríamos apenas durante o final de semana. –disse colocando uma mecha do cabelo da garota atrás de sua orelha.
—Não tem problema, o bom é que teremos todo final de semana juntos, só precisamos pedir permissão pra minha tia e avó. –disse rapidamente.
—Tudo bem. Assim que chegarmos, falamos com as duas e arrumamos nossas coisas, iremos viajar hoje a noite. –disse sorridente.
—Tudo bem, mal posso esperar. Fica muito longe daqui? –perguntou curiosa.
—Um pouco, mas não se preocupe o carro é bem confortável e qualquer coisa paramos em algum lugar para descansar. –disse aconchegando a garota em seu abraço novamente.
—Tudo bem, eu quero lhe perguntar uma coisa. –disse calmamente.
—Pode perguntar. –falou em resposta.
—Você já conversou com seu pai sobre nós dois? –perguntou curiosa.
—Ainda não, mas assim que voltarmos pretendo conversar com ele e quero que você esteja presente. –disse calmamente.
—Tudo bem, vai dar tudo certo. –disse por fim.
Os dois ainda conversaram mais um pouco na cachoeira e depois voltaram para casa, um pouco antes do horário do almoço. Cecília entrou em casa e foi para o seu quarto, enquanto Pedro a esperava na varanda, ela tomou um bom banho e vestiu um shorts jeans que ia até a metade de suas cochas e uma blusa de malha rosa de alcinha deixando seus cabelos enxugarem naturalmente. Quando chegou na varanda, encontrou Pedro olhando a rua de costas para ela e sem demora a garota o abraçou por trás dizendo que ele já poderia ir tomar banho, mas antes de ir, o rapaz a abraçou e beijou seu pescoço deixando-se embriagar pelo cheiro doce que emanava de Cecília. Cecília observou o rapaz entrar em casa e sentou-se numa cadeira de balanço, quando Pedro voltou, estava com a mesma camisa de algodão preta e uma bermuda bege, os cabelos estavam molhados e um pouco desgrenhados. Ele sorriu e estendeu a mão para a garota que a aceitou, levantando-se para ir almoçar ao lado do namorado.
Pedro e Cecília estavam sentados frente a frente, Margarida estava ao lado da sobrinha e Maria Rita ao lado de Pedro, todos comiam calmamente uma bela lasanha que Margarida havia preparado, quando Pedro começou a falar...
—Bom, eu gostaria de saber, se vocês me dariam permissão para levar Cecília ao litoral de Santos; será apenas durante o final de semana, depois voltaremos para minha casa. –pediu Pedro gentilmente olhando para Margarida.
—Ahhh... eu não sei, não. –disse Margarida meneando a cabeça negativamente.
—Podem, meus filhos. pare de drama, Margarida! Eles já são bem crescidos, e nossa Cecília é muito responsável. Podem ir, mas tenham cuidado. –disse Maria Rita olhando para o rapaz que abriu um largo sorriso ao ouvir as palavras da senhora.
—Tudo bem. Porém, assim que chegarem, me liguem. –disse Margarida por fim.
—Ounn, tia! Muito obrigada. Eu amo a senhora! –disse Cecília beijando a bochecha da tia.
—Obrigada, e não se preocupem, eu vou cuidar bem de tudo. –disse Pedro olhando para a avó de Cecília e em seguida para a tia.
Após terminarem o almoço, Cecília e Pedro arrumaram a cozinha e lavaram a louça. Os dois foram para o quarto de Cecília, afim de arrumarem tudo para a viagem. Quando já passavam das 16:00Hrs, Juliana entrou no quarto da morena e sorriu vendo que Pedro estava sentado no chão tocando o violão da amiga, enquanto Cecília terminava de fechar suas malas.
—Oi, pombinhos, boa tarde! –disse assim que entrou.
—Oi, amiga. O que faz aqui? –perguntou Cecília surpresa pela visita da amiga.
—Vim te ver, senti algo estranho e preferi vir e conversar um pouco. –respondeu sentando na cama de Cecília.
—Algo estranho? –perguntou curiosa.
—Sim. Não sei, ao certo, mas não deve ser nada demais. Vocês já irão voltar para o centro? –perguntou olhando para as malas.
—Não. O Pedro sugeriu uma ida rápida ao litoral de Santos nesse final de semana. –disse sorrindo largamente olhando para o garoto.
—Ouuull, meu Deus, que romântico! Quando é que eu vou conseguir um namorado assim, heim? –perguntou Juliana risonha.
—Ahhh, amiga, é só manter a calma. Logo, logo o seu irá chegar, não se preocupe. –disse Cecília calmamente olhando para a amiga.
—Tudo bem, mas espero que não demore tanto. O Senhor está ouvindo,não é, Deus? Por favor tenha misericórdia de mim! –falou Juliana olhando para o teto como se fizesse uma suplica, Pedro não aguentou e desatou a sorrir com a atitude da morena. _Bom, já que vocês estão de saída eu já vou, boa viagem, minha amiga, eu amo você! –disse Juliana abraçando Cecília fortemente que não entendeu muito bem a atitude da morena aflita.
—Obrigada, eu também te amo. Você está bem? –perguntou preocupada olhando nos olhos da amiga.
—Estou. É que você é como uma irmã pra mim, Cecí, e confesso que já sinto sua falta. –disse com os olhos marejados sorrindo levemente.
—Ouuulll, amiga, eu sei. Você também é como a irmã que eu nunca tive, eu sentirei sua falta. –falou abraçando a amiga novamente.
Juliana se despediu de Pedro e foi embora. Cecília pediu para que o garoto fosse se arrumar, pois já estava quase na hora dos dois saírem. Pedro tomou um banho e vestiu uma calça jeans escura com uma camisa polo vermelha. Cecília vestiu um vestido florido de tecido leve e um cardigã preto, prendeu os cabelos num coque alto e calçou suas sapatilhas. Os dois deram partida no carro por volta das 18:00Hrs e após 15 minutos já haviam saído de Iguaí, seguindo para a estrada que os levava na direção de Santos. O trânsito não estava muito ruim e após uma hora, pegaram uma rodovia de mão dupla. Pedro conversava descontraidamente com Cecília, quando decidiu colocar algo para tocar, com uma mão na direção e outra no porta luvas, ele começou a procurar o seu pen-drive.
—Quer que eu te ajude? –perguntou Cecília vendo que o garoto não estava achando o dispositivo.
—Não, estou quase achando. –disse rapidamente.
—Pedro, não faz isso, olha para frente. Deixe que eu procuro! –disse a garota preocupada.
—Calma, meu amor, eu sei que ele está aqui em algum lugar. –disse Pedro em resposta.
—Pedro, cuidado! –gritou Cecília subitamente, mas já era tarde demais, uma carreta perdeu o controle e bateu na Bmw4 de Pedro, fazendo o carro capotar e ir parar a quase 50 metros de distância. (Amores, sugiro que vocês cliquem nesse link aqui e ouçam essa música para continuar a leitura! https://www.youtube.com/watch?v=lT67liGjZhw )
Pedro e Cecília estavam completamente desacordados, o carro não havia explodido e por um milagre a carreta não passou por cima do veículo, porém o deixou destroçado. Lentamente, Pedro abriu os olhos, ele estava de cabeça para baixo e jorrava sangue de sua cabeça, suas pernas estavam presas nas ferragens e ele sentia muita dor em uma delas, sua vista estava turva, mas com muito esforço, ele virou a cabeça e viu que Cecília estava ao seu lado, um lado do seu rosto estava coberto de sangue, e ao contrário dele, ela não acordava.
—Cecília, meu amor! Cecília, acorde, por favor! –pedia Pedro com a voz tremula e baixa. _Cecília, abra os olhos! Vamos, abra os olhos! –a garota não respondia, sequer mexia as pálpebras. Pedro começou a se desesperar, e com mais esforço, ele gritou roucamente. _Cecília, por favor, acorde, Cecília! –ele sentiu uma dor lancinante na cabeça e não aguentou. Num rompante, foi perdendo a visão e a consciência, a última coisa que ouviu baixinho foi o barulho de uma sirene.
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