Hope
26 Um pouco mais de Pedro
Notas iniciais
O culto foi belíssimo como sempre fora, Cecília estava radiante ao lado de Pedro que não conseguira disfarçar o quanto estava feliz naquele momento. Olívia se sentia um pouco deslocada, mas, logo, conseguiu se soltar e até mesmo cantar algumas músicas que conhecia. Após o culto, Olívia insistiu para que todos fossem jantar em seu restaurante preferido. Ao chegarem no restaurante, Olívia escolheu uma mesa mais reservada e fizeram o pedido rapidamente.
Cecília estava sentada ao lado de Pedro e, por um breve momento, ela o encarou observando o quanto ele era bonito quando sorria ou quando falava sobre algo mais sério com sua tia. Cecília sentiu algo saltar dentro dela quando seus olhares se encontraram, mas ela rapidamente desviou o olhar e começou a conversar com Olívia voltando a si.
—Você deveria dar uma chance para o bôbo ao seu lado! –disse Olívia risonha olhando nos olhos da morena.
—Eu sei. É que ainda é tudo muito complicado, mas eu acho que algo está acontecendo, sabe? Eu tenho sentido uma coisa diferente quando estou ao lado dele... –Cecília falava com um ar de completo alívio por estar colocando aquelas palavras em voz alta. Estava feliz, finalmente, admitir aquilo para alguém.
—Ouuulll, meu Deus! Você está se apaixonando novamente por ele, Cecí! –disse Olívia animadamente batendo palminhas que acabaram chamando a atenção dos demais à mesa.
—Para com isso, Lív. Esquece o que eu te falei. – as bochechas da morena coraram de ímpeto.
—Qual o motivo para tanta alegria? –perguntou Margarida olhando para Olívia.
—Nada, nada... –disse Olívia tentando conter sua euforia.
Pedro olhou para Cecília confuso, mas deixou para lá e preferiu sorrir ao notar que ela estava levemente roborizada. "Ela fica simplesmente linda quando se sente envergonhada" pensou consigo mesmo. O pedido chegou e juntos jantaram em meio a algumas conversas e sorrisos. Depois de mais ou menos 30 minutos após terminarem suas refeições, Cecília notou que havia uma varanda naquele restaurante, uma vez que este ficava na cobertura de um imponente prédio.
Cecília pediu licença e andou a passos largos em direção a vista que estava lhe convidando desde que chegara. A garota passou pelas portas de vidro e encostou-se no parapeito de ferro, ela sentia a brisa suave da noite tocar-lhe o rosto e brincar com o tecido leve do vestido e cabelos. Cecília fechou os olhos para sentir melhor aquela sensação e sentiu que alguém se aproximava, então, de repente, ouviu um pedido em seus ouvidos.
—Posso lhe abraçar, Srta. Cecília? –perguntou Pedro gentilmente em um sussurro no ouvido direito da morena, fazendo a mesma abrir os olhos e sorrir largamente ainda olhando para frente. Ela meneou a cabeça positivamente e ele a enlaçou por trás, fazendo a morena apoiar seus braços nos antebraços de Pedro e deitar a cabeça em seu peito. _É lindo, não é?
—Sim. E, por favor, me diga que é a primeira vez que aprecio essa vista. –pediu Cecília rapidamente.
—Sim, é a primeira vez. –disse Pedro depositando um beijo suave e quente na bochecha de Cecília.
—Que bom. Ao menos é a primeira vez... Que bom que estamos compartilhando esse momento, Pedro. Sério mesmo, eu me sinto muito bem ao lado e poder prestigiar algo tão grandioso ao seu lado é muito significativo para mim. Você tem feito muito por mim. Obrigada! –disse sorrindo levemente.
—Não há o que agradecer. Eu, também, acho isso muito bom, Cecília. Você não sabe o quanto eu esperei por esse momento. –disse calmamente olhando a vista, sentindo o perfume doce que emanava no ar e que já habitava em sua memória há muito tempo.
—Pedro, você acha que, se reconstruíssemos alguns momentos que vivi nesses últimos anos, eu lembraria com mais facilidade? –perguntou virando-se para o moreno que, neste exato momento, estava perto demais. Seus rostos estavam a dois palmos de distância.
—Não sei. Mas poderíamos tentar. –disse rapidamente. _Qual momento você gostaria de viver novamente? –perguntou gentilmente.
—Angra. –disse olhando para Pedro, conseguindo reparar em seu rosto uma mistura de alegria e desejo num sorriso leve de canto de lábios.
—Certo. Então, isso inclui tudo o que vivemos em Angra? –perguntou ainda com o sorriso no canto dos lábios, enlaçando a cintura da morena sem se importar com o que ela faria ao sentir seu toque.
—Sim. Tudo. Eu preciso disso. –disse olhando no fundo dos olhos de Pedro e, sem querer, acabou se perdendo naqueles belos orbes verdes claro.
—Tudo bem! Eu, também, preciso muito disso. Você não sabe o quanto. –disse baixinho sem desviar o olhar dos olhos castanhos escuros de Cecília, e ,sem pensar duas vezes, ele acabou com a distância entre os dois selando seus lábios aos de Cecília.
Ao sentir o toque macio e quente dos lábios de Pedro, Cecília hesitou em corresponder ao beijo, mas tudo dentro dela gritava por um pouco mais, por um pouco mais de Pedro. Então, suavemente, ela enroscou-se nele, passando seus braços por seu pescoço, trazendo-o para mais perto, aprofundando o beijo. Ele pediu passagem com a língua e ela concedeu, e assim iniciaram uma dança sincronizada, enquanto Cecília acariciava os cabelos da nuca de Pedro, ele tocava suas costas gentilmente segurando com mais precisão e desejo em alguns pontos. Quando o ar se fez preciso, Cecília, ainda de olhos fechados, se afastou um pouco de Pedro, lhe dando um Celinho carinhoso. Quando abriu os olhos, viu que o moreno a encarava e em seu olhar havia muitos sentimentos bons e entre eles estava o desejo.
—Eu quero namorar você. Eu quero te ter por inteira em minha vida e para sempre. Eu amo você, Cecília. –disse Pedro ao sentir o toque suave das mãos da morena em seu rosto.
—Eu sei que ama, mas primeiro preciso te conhecer melhor, conhecer seus medos e segredos, seus sonhos... Eu preciso te conhecer, Pedro, sei que já fiz isso uma vez, mas preciso fazer novamente. –disse calmamente sem desviar o olhar do moreno.
—Eu sei. Eu vou saber esperar. –disse abraçando a garota fortemente. Ela deitou a cabeça em seu ombro, de modo que seu rosto encostou no pescoço de Pedro e num sussurro ela disse...
—Eu sei que também amo você... eu, apenas, ainda não lembro disso. Porém, se eu não lembrar, também, não importa, porque eu acho que estou me apaixonando por você. –Pedro sorriu largamente ao ouvir as palavras da morena e rapidamente apertou sua cintura, suspendendo-a e girou com a garota em seus braços.
Os dois entraram de volta ao salão onde todos já estavam de pé esperando-os e, assim que se aproximaram, Olívia sorriu largamente e os chamou para irem até o carro.
Quando entraram em casa, já passava das 22:00Hrs, então Cecília subiu as escadas após se despedir de Margarida e da sua avó. Ela entrou em seu quarto e trocou de roupa, colocando um shorts de malha preto acima das cochas e uma camisa de algodão branca folgada. Prendeu seu cabelo num rabo de cavalo, deixando, apenas, a nova franja solta. Assim que terminou sua oração, ouviu batidas na porta do seu quarto. Ela levantou e caminhou até a porta, quando a abriu, viu Pedro com um calção azul marinho de tecido e uma camisa de algodão preta, ela sorriu e pediu para que ele entrasse. O moreno entrou e Cecília fechou a porta atrás de si.
—Oi. O que houve? –perguntou ficando frente a frente com o rapaz que, involuntariamente, olhou para o corpo da morena parando o olhar nas belas pernas levemente torneadas.
—Eu queria te desejar boa noite e lhe perguntar quando você gostaria de ir à Angra. –disse passando a mão exasperado no cabelo, esforçando-se para olhar diretamente nos olhos da moça.
—O mais rápido possível. Que tal o próximo final de semana? Meu aniversário é no sábado, então pensei em comemorarmos lá, o que acha? –perguntou dando um passo a frente ficando a meio metro de distância.
—Por mim está perfeito. –disse sorrindo largamente, Pedro já sabia a data do aniversário dela, porém com todos aqueles acontecimentos, ele havia esquecido e agora que ela havia mencionado o assunto, mil coisas passavam por sua cabeça para fazer uma surpresa para sua amada.
—Bom, então, boa noite! –disse sorrindo caminhando na direção de Pedro, e com as mãos para trás, ela ficou na ponta dos pés para dar-lhe um leve beijo na bochecha, mas, assim que viu o movimento da garota, Pedro virou o rosto e a beijou nos lábios. Cecília sorriu e depois o abraçou.
—Hey, eu ainda não sou sua namorada. Você não pode ficar me beijando a todo momento. –disse sorrindo deixando sua voz doce brincar com as palavras.
—Eu sei. Porém, Srta. Cecília, é você quem provoca, eu não tenho culpa alguma. –disse Pedro com as mãos para o alto, a fim de depositar um beijo na testa da garota, sorrindo com o canto dos lábios.
—Ahhh, então, quer dizer, que a culpa é minha agora? Tudo bem, Sr.Pedro. Sendo assim, de agora por diante, o máximo que você terá de mim será isso. –disse Cecília sorrindo largamente, estendendo a mão para apertar a de Pedro. Ele olhou para a mão da morena e a pegou entrelaçando os seus dedos, e suavemente a trouxe para mais perto e beijou os nós dos dedos de Cecília com os olhos fechados. A garota acariciou o rosto dele e então soltou suas mãos e o abraçou pela cintura. _Por que você é assim? Com quem aprendeu a ser tão sedutor? Isso não é justo. –disse fazendo um bico para Pedro que encostou sua testa na dela.
—A questão não é essa, meu bem, pois é você quem me faz ser melhor do que eu jamais fui. Eu te amo, Cecília, e se for preciso irei te seduzir todos os dias. –disse olhando nos olhos castanhos da morena.
—Não será preciso. –disse, apenas, afastando-se do moreno. Segurando sua mão, ela o conduziu até a porta e sorriu largamente ao abri-la.
—Boa noite, minha flor. –disse Pedro abraçando-a mais uma vez.
—Boa noite, Pedro. –disse em resposta, depositando um beijo suave em seu pescoço.
Cecília observou Pedro entrar em seu quarto e fechou a porta, ela deixou-se cair na cama e um sorriso grande brotou em seus lábios, rapidamente a morena se aconchegou aos cobertores e dormiu profundamente. O dia amanheceu chuvoso em São Paulo, era segunda-feira e estava tudo escuro, mal parecia que já havia passado das 08:00Hrs da manhã. Cecília relutou em sair da cama, mas estava com muito frio, então foi até seu guarda-roupas e vestiu uma calça comprida preta de tecido e trocou a blusa de algodão por uma de tecido quente com as mangas compridas rosa chá. A morena se cobriu com dois edredons quando ouviu batidas na porta, ela sorriu por achar que poderia ser Pedro, mas quando pediu que entrasse, viu apenas uma loira que vestia um moletom cinza entrar no quarto caminhando em direção a cama da amiga.
—O que houve com você? –perguntou Cecília notando o nariz vermelho da loira e os olhos marejados.
—Eu gribei, acho que foi a frieza de ontem... não sei direito. –disse enroscando-se embaixo das cobertas da amiga, trocando o “p” pelo “b”.
—Ouull, Lív, você já tomou algum remédio? –perguntou preocupada.
—Ainda não, mas daqui a pouco eu vou tomar um suco e uma vitamina C. –disse fechando os olhos ao lado da morena.
—Você vai voltar a dormir? –perguntou.
—Claro que não! -Abriu e estreitou os olhos para a morena. _quero saber tudo o que aconteceu ontem, só estou descansando meus olhos, estão ardendo muito. –disse sorrindo, voltando a fechar os olhos.
—Ahh, Lív, não tem o que contar... –disse Cecília querendo esconder o que havia realmente acontecido.
—Não, Cecí. Você não vai fazer isso comigo! Trate de contar tudo agora! –disse rapidamente.
—Tudo bem. Nós dois nos beijamos. E estamos planejando em ir para Angra no próximo final de semana. –disse rapidamente.
—Ouuulll, meu Deus! Isso é perfeito, amiga. De verdade, eu sabia que isso iria acontecer. Vocês foram feitos um para o outro! –disse animadamente abraçando a garota.
—Calma, Lív! ainda não voltamos, tá!? Eu quero primeiro tentar me lembrar de tudo. –disse olhando para a loira que agora estava com os olhos abertos.
—Tudo bem. Eu entendo, mas você não pode negar que isso é simplesmente perfeito, não é? –perguntou sorrindo com o canto dos lábios.
—Sim, sim, é perfeito! –disse sorrindo largamente, um pouco envergonhada.
As duas ficaram ali por mais algum tempo até que Pedro bateu na porta e Cecília disse para que ele entrasse. Pedro caminhou rumo ao interior do quarto e sorriu ao ver as duas mulheres que ele mais amava no mundo ali sorrindo para ele.
—Bom dia! Será que tem algum lugar ai para mim também? –perguntou parando em frente a cama com um sorriso no canto dos lábios.
—Não banque o engraçadinho, Sr. Pedro. –disse Cecília sorrindo.
—Pedro, pega um pouco de suco pra mim e uma vitamina C, por favor? –pediu Olívia ainda trocando “p” pelo “b”.
—Certo. Só porquê você está, realmente, péssima... –disse sorrindo para a loira que estreitou os olhos pata ele.
Pedro saiu do quarto e Olívia notou que Cecília o acompanhava com o olhar, ela sorriu e soltou um “Hummmmmmhu”. Cecília bateu no braço dela com o cotovelo e a loira soltou uma gargalhada. Depois de quase 20 minutos, Pedro entrou no quarto com uma bandeja repleta de frutas, suco, iogurte, torradas e frios. Cecília o olhou nos olhos com um largo sorriso no rosto e não aguentou a sensação de alegria e frio no estomago que ele lhe causava, e sem disfarçar, ela o encarou sorridente. Pedro colocou a bandeja na beirada da cama e sentou ao lado de Cecília.
—Ouull, meu Deus! Para tudo! Eu não acredito que eu pedi um suco e você preparou tudo isso pra mim? –falou Olívia sentando-se na cama olhando para Pedro.
—Bom, seu suco está ai, mas o resto eu preparei para outra pessoa. –disse sorridente olhando para Cecília.
—Mas, Pedro, a doente aqui sou eu, ou será que você não percebeu? –disse fingindo estar com ciúmes.
—Mas tem bastante comida ai, Lív, vocês podem dividir, porém eu não posso omitir o fato de quem me expirou a preparar tudo isso. –disse sorrindo.
—Tudo bem, Sr.boboapaixonado. Só porquê é pra Cecília eu vou lhe dar um desconto. Só porquê é pra ela. –disse tomando um pouco do suco.
Cecília olhava tudo aquilo maravilhada, e olhando nos olhos do rapaz, ela sussurrou um “obrigada” e ele em reposta sussurrou um “ Você merece”. Pedro observava as garotas tomarem café e após uns 30 minutos depois, os três desceram, a fim de assistir a algum filme entre as cobertas na sala de vídeo. E assim a semana se passou na casa dos Carvalhos, e, com toda certeza, a cada dia que se passava o sentimento de Cecília por Pedro aumentava ainda mais.
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